{"id":1190,"date":"2007-11-17T11:07:00","date_gmt":"2007-11-17T10:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1190"},"modified":"2007-11-17T11:07:00","modified_gmt":"2007-11-17T10:07:00","slug":"acerca-dos-bronzeados-pela-torreira-do-sol-de-25-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1190","title":{"rendered":"Acerca dos Bronzeados pela Torreira do Sol de 25 de Abril"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>No Rescaldo do Discurso sobre a Cruz<\/b><br \/><b>O estado de desenvolvimento duma cultura tem a sua origem na religi\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Do discurso, al\u00e9m de alguns trov\u00f5es tempestivos, sempre surgem alguns rel\u00e2mpagos que ajudam a ver, por momentos, a realidade de sua natureza escura. Os militantes da cruzada contra as cruzes s\u00e3o tamb\u00e9m eles filhos, filhos pr\u00f3digos do crucifixo.<br \/>Na discuss\u00e3o questiona-se o abuso da administra\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o tem legitima\u00e7\u00e3o para, por mero acto administrativo, decidir e consumar actos que a transcendem, que pertencem ao foro do parlamento e dos tribunais. A fidalguia democr\u00e1tica que nos governa n\u00e3o pode passar por cima das institui\u00e7\u00f5es! Uma certa elite de estrangeirados, bronzeada na torreira do sol do 25 de Abril, n\u00e3o se pode continuar a comportar como se vivesse em terra maninha. Com o seu \u00e0-vontade e auto-sufici\u00eancia e o seu comportamento autista s\u00f3 prejudicam o verdadeiro progresso do povo.<br \/>          Chega de atitudes levianas de puberdade tardia. <b>Os problemas que Portugal atravessa s\u00e3o demasiado s\u00e9rios a n\u00edvel de economia, de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o para se poder continuar, de \u00e1nimo leve, cada vez mais na mesma.<\/b> O Estado deve garantir a autonomia das escolas. Se h\u00e1 algu\u00e9m com voto na mat\u00e9ria s\u00e3o as associa\u00e7\u00f5es de pais e de encarregados de educa\u00e7\u00e3o de cada escola.<br \/>N\u00e3o se p\u00f5e em causa a argumenta\u00e7\u00e3o de alguns com a neutralidade p\u00fablica perante as religi\u00f5es. A separa\u00e7\u00e3o entre estado e religi\u00e3o \u00e9 um apan\u00e1gio dos pa\u00edses de ra\u00edzes crist\u00e3s: dai a Cesar o que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 de Deus. O que est\u00e1 qui em quest\u00e3o \u00e9 o processo e o desrespeito pela tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. As outras religi\u00f5es n\u00e3o p\u00f5em em quet\u00e3o a cruz porque ainda n\u00e3o t\u00eam grande implanta\u00e7\u00e3o em Portugal ou quando muito constituem grupos relativamente reduzidos. O argumento com outras religi\u00f5es \u00e9 um argumento de mau pagador, s\u00f3 para desviar\u2026<br \/>A neutralidade do Estado quer-se por\u00e9m n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contra-religi\u00e3o. N\u00e3o deve confundir-se Estado laico com Estado laicista; neutralidade com intoler\u00e2ncia. Sem respeito n\u00e3o h\u00e1 toler\u00e2ncia. <b>O laicismo quer-se instalar no Estado como Estado confessional anti-religi\u00e3o servindo-se de \u201eataques bombistas\u201c <\/b>querendo obrigar um povo religioso \u00e0 laicidade. Querem a sua f\u00e9 pol\u00edtica no centro, no p\u00fablico e a religi\u00e3o s\u00f3 tolerada como coisa s\u00f3 privada.<b>O paganismo secular apregoado por racionalistas e por marxistas materialistas tem um cunho jacobino dogm\u00e1tico <\/b>sempre em campanha contra tudo o que tenha sabor crist\u00e3o. \u00c9 pena o desperd\u00edcio de suas energias que poderiam ser dirigidas constructivamente no desenvolvimento da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental e na revaloriza\u00e7\u00e3o e redescoberta dos seus valores. Estranho \u00e9 que muitos dos cr\u00edticos do cristianismo ou do seu folclore sejam pessoas que vivem do sistema e do povo\u2026<br \/>O respeito pelos valores da diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 respeitador quando despreza ou se d\u00e1 \u00e0 custa dos pr\u00f3prios valores. Pelo facto de eu receber em casa a visita dum esquim\u00f3, o respeito pela sua cultura n\u00e3o me pode levar a p\u00f4r a minha esposa \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do h\u00f3spede, como ser\u00e1 h\u00e1bito na sua cultura. <b>Muita boa gente inconsciente anda por a\u00ed a oferecer a sua alma, a p\u00f4r a \u201esua esposa\u201c \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o<\/b>. Perdoai-lhes porque n\u00e3o sabem o que fazem. Vivem do do dia a dia, s\u00f3 do p\u00e3o.<br \/>Sob a bandeira dum estado laico, de laivos dum socialismo materialista, muitos protegidos armam-se em grandes contra o valor cultural nacional em favor dum internacionalismo desalmado. Inimigos camuflados da liberdade querem \u00e9 destruir. <b>Muitos vivem da guerrilha contra a maioria<\/b>, alimentam-se da pol\u00e9mica e das zangas. <br \/>          Em nome da liberdade usam a <b>armadilha da opini\u00e3o privada <\/b>imposta. N\u00e3o podem ver cruzes nas escolas mas aceitam com bons olhos e querem cartazes sexistas nas salas de aula. N\u00e3o lhes chega que em muitos textos escolares esteja subjacente a desmontagem de certos valores culturais e tudo sob a capa do multiculturalismo ou do modernismo. Tomam <b>o crucifixo como concorrente dos seus s\u00edmbolos materialistas<\/b>, dum punho cerrado, duma cruz foice-martelo, etc.. <b>Querem criar vazios culturais onde possam incubar o paganismo e a supersti\u00e7\u00e3o<\/b>. Crentes pela negativa querem provocar para depois terem raz\u00e3o. <b>Querem o paganismo politeista onde impera a lei natural, a lei do oportuno, a lei do mais for<\/b>te.<br \/>N\u00e3o se trata aqui de defender os interesses de neg\u00f3cio com o aqu\u00e9m ou com o al\u00e9m. O que se aqui questiona e o que aqui <b>est\u00e1 em causa \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o paulatina da identidade de um povo, de uma na\u00e7\u00e3o<\/b>. A boa inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega. Muita gente quer um povo com uma identidade esquizofr\u00e9nica, dividida. Seres equivocados confundem ret\u00f3rica com realidade. <b>A realidade \u00e9 que Portugal teve a sua express\u00e3o mais aut\u00eantica e mais produtiva da sua hist\u00f3ria nas \u00e9pocas em que a sua identidade n\u00e3o se questionava<\/b> e se definia sob o estandarte da cruz. Os tempos de maiores crises foram aqueles em que grupos oportunos se encostavam a Castela, \u00e0 Fran\u00e7a ou \u00e0 R\u00fassia. N\u00e3o se trata aqui de defender o status quo mas de procurar distinguir entre o acidental e o essencial em cada \u00e9poca hist\u00f3rica, num <b>processo de integra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de desagrega\u00e7\u00e3o<\/b>. N\u00e3o importa aqui defender um ideologia seja ela a mais camuflada, trata-se de nos reconhecermos como pessoas e como comunidades, de um eu aberto e livre no discernimento e diferencia\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritos, na <b>construc\u00e7\u00e3o duma comunidade adulta com tantas religi\u00f5es como as pessoas e com tantos partidos como os cidad\u00e3os<\/b>. J\u00e1 \u00e9 tempo de Portugal viver desencostado e passar a ser consciente de que o pre\u00e7o do encosto \u00e9 a pr\u00f3pria dignidade. N\u00e3o se pode continuar a assistir \u00e0 <b>privatiza\u00e7\u00e3o da cultura portuguesa<\/b>, levada a efeito por deleitantes moralistas, sem uma discuss\u00e3o profunda e isenta. N\u00e3o \u00e9 suficiente que, um diparate cometido por um pa\u00eds considerado mais adiantado, j\u00e1 seja raz\u00e3o suficiente para que alguns iluminados irreflectidos ou alguns devotos do esp\u00edrito do tempo se sintam legitimados a exigir que Portugal cometa os mesmos disparates.<br \/>O Estado na impot\u00eancia de fugir ao ditado da economia internacional e no seguimento da pol\u00edtica europeia cede \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de querer marcar presen\u00e7a <b>desviando as aten\u00e7\u00f5es dos portugueses para quest\u00f5es pol\u00e9micas como o aborto, a homossexualide ou o afastamento duns paus em cruz das escolas<\/b>. Este \u00e9 um discurso f\u00e1cil e saloio, sem base cient\u00edfica, nem necessidade real, prop\u00edcio para levantar animosidades, proselitismos de luta, como se estes constitu\u00edssem os reais problemas da na\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 uma maneira simplista e simpl\u00f3ria de se marcar presen\u00e7a no povo. Isto por\u00e9m n\u00e3o passa de masturba\u00e7\u00e3o, hoje com grande mercado. A incapacidade duma reflex\u00e3o profunda sobre as grandes quest\u00f5es portuguesas, sobre a necessidade de se remodelar o ensino e as escolas leva os respons\u00e1veis a transferirem o seu teatro para outras arenas, <b>para assim melhor poderem espetar as suas bandeirilhas no lombo do povo<\/b>.<br \/>          O estado de desenvolvimento duma cultura tem a sua origem na religi\u00e3o. <b>A decad\u00eancia dum povo come\u00e7a com a decad\u00eancia da religi\u00e3o. <\/b>N\u00e3o fosse o ser humano um ser religioso: ser religioso pela afirmativa ou pela negativa. Naturalmente que a religi\u00e3o, em termos quantitativos, quer-se tal como o sal na comida.<br \/>Naturalmente que a vida \u00e9 mais complexa do que parece! \u00c9 da ess\u00eancia da cruz termos de assumir a nossa e a dos outros. Ela questiona-me a mim, a ti e a n\u00f3s.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<br \/>Te\u00f3logo e pedagogo<br \/>Email: a.c.justo@t-online.de                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Rescaldo do Discurso sobre a CruzO estado de desenvolvimento duma cultura tem a sua origem na religi\u00e3o Do discurso, al\u00e9m de alguns trov\u00f5es tempestivos, sempre surgem alguns rel\u00e2mpagos que ajudam a ver, por momentos, a realidade de sua natureza escura. 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