{"id":1188,"date":"2007-11-17T11:07:00","date_gmt":"2007-11-17T10:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1188"},"modified":"2007-11-17T11:07:00","modified_gmt":"2007-11-17T10:07:00","slug":"israel-entre-a-bomba-iraniana-e-a-bomba-demografica-arabe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1188","title":{"rendered":"Israel entre a Bomba Iraniana e a Bomba Demogr\u00e1fica \u00c1rabe"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>    A grande inc\u00f3gnita <\/b><br \/>O conflito do Pr\u00f3ximo Oriente \u00e9 cr\u00f3nico e caracter\u00edstico. Como tal, a terapia n\u00e3o s\u00f3 tem a ver com o corpo, com a geografia, mas sobretudo com as almas de duas culturas. O tratamento ser\u00e1 car\u00edssimo e apenas a n\u00edvel de sintomas. O estado de sa\u00fade actual (e o curr\u00edculo) do Primeiro-ministro Ariel Scharon poder-se-ia ter como simb\u00f3lico para o estado de toda a regi\u00e3o. Processem-se embora certos desenvolvimentos a vida ter\u00e1 sempre uma componente artificial. Israel s\u00f3 se conseguer\u00e1 manter com o apoio do Estados Unidos e da Europa.<br \/>          Aqui est\u00e3o em jogo interesses incompat\u00edveis nos campos: econ\u00f3mico, estrat\u00e9gico, religioso e de etnias.<br \/>          A pol\u00edtica oficial da preserva\u00e7\u00e3o de Israel como um Estado judaico constituir\u00e1 uma grande aposta.<br \/>          Depois da retirada de Israel de Gaza, <b>o desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es israelo-palestinas depender\u00e1 sobretudo da capacidade da Autoridade Palestiniana para conseguir dominar o terror palestino<\/b>. Se o terror acabar, os Estados Unidos far\u00e3o tudo para que haja uma solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel para as duas partes.<br \/>          <b>A constru\u00e7\u00e3o do muro <\/b>na parte Ocidental do Jord\u00e3o n\u00e3o se revelar\u00e1 como negativa na procura duma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. De facto com a sua constru\u00e7\u00e3o, por muito grotesco que pare\u00e7a a sua constru\u00e7\u00e3o tem salvado vidas; al\u00e9m disso um muro em qualquer altura se pode deitar abaixo, como argumentam os israelitas (Logo que o terror acabe!). A quest\u00e3o do muro s\u00f3 se por\u00e1, a n\u00edvel internacional, se ele for constru\u00eddo para l\u00e1 da linha verde, da fronteira de 1967.<br \/>          No futuro, <b>o maior problema existencial para Israel ser\u00e1, por\u00e9m, o da bomba demogr\u00e1fica<\/b>. Em 2003 dos 6,7 milh\u00f5es de habitantes de Israel, 81% eram judeus ou de outra origem \u00e9tnica, enquanto que 19% era \u00e1rabe. Com o crescimento da popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe s\u00e3o criados factos que superam qualquer previs\u00e3o porque o problema se p\u00f5e especialmente no momento em que a cultura \u00e1rabe domine. Esta inclina-se a viver em guetos at\u00e9 se poder pronunciar maioritariamente. Segundo as contas de cientistas, <b>daqui 20 anos, a etnia \u00e1rabe passar\u00e1 a constituir a maioria da popula\u00e7\u00e3o de Israel<\/b>. Nesse momento o estado de Israel deixaria de existir&#8230; \u00c9 natural que Israel n\u00e3o poder\u00e1 impor um sistema de Apartheid como acontecia na \u00c1frica do Sul. Facto \u00e9 que os \u00e1rabes n\u00e3o se mudar\u00e3o t\u00e3o rapidamente nas suas atitudes e isso ter\u00e1 como consequ\u00eancia medidas muito dif\u00edceis para todas as partes.<br \/>          Um outro problema \u00e9 o da <b>independ\u00eancia dum estado palestiniano s\u00f3 ser poss\u00edvel com grande apoio econ\u00f3mico de Israel. <\/b>De momento a Autoridade Aut\u00f3noma Palestiniana depende economicamente 75% de Israel. Um Estado Palestiniano n\u00e3o ser\u00e1 vi\u00e1vel sem a ajuda de Israel. Um bus\u00edlis portanto! A Israel s\u00f3 parece restar a alternativa de fortalecer o seu inimigo figadal. Por outro lado <b>n\u00e3o se conhece nenhum estado mu\u00e7ulmano com voca\u00e7\u00e3o multicultural<\/b>\u2026 Ainda temos muito que andar e ver Israel entre a Guerrilha e a Bomba Demogr\u00e1fica \u00c1rabe!<br \/>          <b>Israel tem raz\u00f5es mais que suficientes para se temer do seu futuro!<\/b> O presidente do Ir\u00e3o s\u00f3 diz, descaradamente e em voz alta, o que o povo \u00e1rabe pensa. Ele pode dizer as barbaridades que disser porque sabe que o mundo ocidental se encontra apenas preocupado com o seu bem estar econ\u00f3mico dependente do mundo \u00e1rabe.<br \/>Israel j\u00e1 desde h\u00e1 seis anos que chama a aten\u00e7\u00e3o para o problema da bomba iraniana. Uma solu\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Por outro lado Israel n\u00e3o poder\u00e1 esperar muito tempo. <b>Israel n\u00e3o esperar\u00e1 at\u00e9 ao momento em que a bomba iraniana exista<\/b>.<\/p>\n<p><b>Para uma melhor compreens\u00e3o do contexto<\/b><br \/>Os Judeus desde h\u00e1 3000 anos consideram a terra de Israel sua p\u00e1tria. O estado israelita do povo judeu conseguiu manter-se no meio do povo filisteu at\u00e9 \u00e0 sua di\u00e1spora provocada pelos romanos no s\u00e9c. II. Desde ent\u00e3o os judeus encontram-se na di\u00e1spora espalhados por todo o mundo. A regi\u00e3o foi islamizada a partir do s\u00e9c. VII. No s\u00e9c. XIX o movimento sionista toma iniciativas para a funda\u00e7\u00e3o do Estado de Israel na Palestina. <b>O holocausto dos judeus pelos nazis torna mais evidente a necessidade da restaura\u00e7\u00e3o do estado de Israel.<\/b> Em 1947, a Assembleia-geral da ONU determina a cria\u00e7\u00e3o de dois estados na regi\u00e3o: <b>um estado judeu e outro \u00e1rabe<\/b>. Isto em consequ\u00eancia do mandato do protectorado brit\u00e2nico na palestina vir a terminar em 1948. Neste plano a cidade de Jerusal\u00e9m ficaria sob a administra\u00e7\u00e3o internacional da ONU, atendendo aos interesses das tr\u00eas religi\u00f5es (judaica, crist\u00e3 e mu\u00e7ulmana) sobre Jerusal\u00e9m. A reivindica\u00e7\u00e3o da soberania de Israel sobre a cidade de Jerusal\u00e9m constitui um grande entrave \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es de paz.<br \/>          <b>Os pa\u00edses \u00e1rabes n\u00e3o aceitaram a exist\u00eancia de Israel<\/b>, pretendendo invadir logo a zona israelita ap\u00f3s a sa\u00edda das tropas brit\u00e2nicas. Come\u00e7ou desta maneira o conflito israelo-palestiniano. O novo estado de Israel repele as for\u00e7as \u00e1rabes e <b>ocupa a Cisjord\u00e2nia e a Faixa de Gaza, territ\u00f3rios do planeado estado \u00e1rabe\/palestino<\/b>. Efectivamente, a 14.05.48 \u00e9 declarada a funda\u00e7\u00e3o do estado de Israel e logo no dia seguinte, sete ex\u00e9rcitos \u00e1rabes atacaram Israel. Foi provocada uma onda de refugiados (7000.000) que, para fugirem \u00e0s contendas, se instalaram nos pa\u00edses vizinhos. Com a vit\u00f3ria de Israel, a maioria desses refugiados foram proibidos de voltar para suas terras. <b>Em 1964 o Alto Comissariado da Palestina solicita \u00e0 Liga \u00c1rabe a funda\u00e7\u00e3o de uma Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina <\/b>(OLP). Em 1988, a OLP proclamou o estabelecimento de um estado palestiniano. O principal l\u00edder da organiza\u00e7\u00e3o foi o eg\u00edpcio Yasser Arafat, falecido em 2004.<br \/>Muitos judeus tamb\u00e9m n\u00e3o aceitavam a co-exist\u00eancia de um estado \u00e1rabe palestino confiando talvez na lei da assimila\u00e7\u00e3o, a lei do mais forte; esperando que atrav\u00e9s da coloniza\u00e7\u00e3o interna se resolvesse o problema; n\u00e3o contaram com a for\u00e7a da ideologia e do petr\u00f3leo nem com a press\u00e3o internacional que nem sempre se rege pelas leis de Darwin. As despesas astron\u00f3micas despendidas com a seguran\u00e7a e a press\u00e3o dos cidad\u00e3os levaram Scharon a abandonar a Faixa de Gaza. Aqui viviam 6.000 colonos judeus que tinham de ser defendidos por 10.000 soldados israelitas.<br \/>          <b>O cessar-fogo entre as partes beligerantes possibilita a retirada das tropas israelitas da Faixa de Gaza<\/b>. Assim <b>criam-se pressupostos concretos para realizar a transfer\u00eancia de soberania e o consequente reconhecimento do territ\u00f3rio<\/b>, dois factores fundamentais para a exist\u00eancia de um Estado soberano palestino.<br \/>S\u00e3o grandes as chances do estado Palestino surgir de facto, pois as bases pol\u00edticas e institucionais da Autoridade Nacional Palestina (ANP) s\u00e3o<b> reconhecidas pela comunidade internacional<\/b>, com a presen\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas como membro observador. A comunidade internacional est\u00e1 muito interessada na paz nesta regi\u00e3o atendendo \u00e0 import\u00e2ncia do petr\u00f3leo \u00e1rabe. <b>Uma solu\u00e7\u00e3o duradoura s\u00f3 ser\u00e1 verdadeiramente poss\u00edvel com a modera\u00e7\u00e3o ocidental e depois duma revolu\u00e7\u00e3o cultural no seio do povo palestiniano e da civiliza\u00e7\u00e3o \u00e1rabe.<\/b><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<br \/>Alemanha                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A grande inc\u00f3gnita O conflito do Pr\u00f3ximo Oriente \u00e9 cr\u00f3nico e caracter\u00edstico. Como tal, a terapia n\u00e3o s\u00f3 tem a ver com o corpo, com a geografia, mas sobretudo com as almas de duas culturas. O tratamento ser\u00e1 car\u00edssimo e apenas a n\u00edvel de sintomas. 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