{"id":1185,"date":"2007-11-17T11:05:00","date_gmt":"2007-11-17T10:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1185"},"modified":"2007-11-17T11:05:00","modified_gmt":"2007-11-17T10:05:00","slug":"carnaval-de-abril-%e2%80%93-elites-com-complexo-de-vitima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1185","title":{"rendered":"Carnaval de Abril \u2013 Elites com Complexo de V\u00edtima"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>Uma ilus\u00e3o:  Portugal de F\u00e9rias!<\/b><br \/>Hoje assiste-se a um fen\u00f3meno social especial. Ningu\u00e9m parece contente com a sua situa\u00e7\u00e3o. Todas as camadas sociais se queixam. Parece que vivemos numa sociedade depressiva. Talvez por n\u00e3o conseguirmos dominar o pr\u00f3prio stress e por n\u00e3o podermos renunciar a nada. Todos se sentem entregues ao poder do destino ou dum terceiro. Na sociedade, cada vez est\u00e3o mais presentes a agress\u00e3o, o descontentamento e o nervosismo.<br \/>Muitos parecem esperar tudo de cima, da sociedade ou do Estado. Este parece ter-se tornado numa projec\u00e7\u00e3o, numa Pessoa de quem se espera tudo, at\u00e9 dedica\u00e7\u00e3o e carinho. O pr\u00f3prio Estado e muitas das suas institui\u00e7\u00f5es criaram a ilus\u00e3o de que dariam resposta e cobertura \u00e0s necessidades humanas, a tudo, mediante um sistema de benefic\u00eancia e de seguros para todos os riscos. <b>A Europa seria a panaceia onde se projectaram os sonhos de Abril<\/b>.<b> O que Abril trouxe para a nova classe pol\u00edtica esperava-se que a Europa trouxesse para o resto.<\/b> O irrealismo era gritante, sonhava-se um Portugal de Ver\u00e3o! Uma sociedade bem mascarada!<br \/>          Conhecia-se a vida do estrangeiro promissor atrav\u00e9s dos emigrantes com sucesso. <b>O que se desconhecia era o trabalho abnegado e a dor com que os emigrantes turistas pagavam o seu bem-estar. <\/b>Parece continuar a ignorar-se ainda que a riqueza do estrangeiro provem da sua grande produtividade. Na sequ\u00eancia, assistiu-se ent\u00e3o em Portugal \u00e0 ascens\u00e3o duma nova burguesia de desejosos insaci\u00e1veis. <b>Desejavam os mesmos ordenados da Europa e ao mesmo tempo queria-se um Portugal de F\u00e9rias. <\/b>Os pressupostos com que Portugal arrancou e sonhou n\u00e3o estavam aferidos \u00e0 realidade. Em vez de investirem no futuro consomem a riqueza chegando mesmo a empenhar o futuro. Habituados a desbaratar as remessas dos emigrantes fizeram o mesmo com os subs\u00eddios europeus. <b>A antiga riqueza que Portugal tinha eram os pobres que emigravam para manter a fam\u00edlia e enterrar o resto das poupan\u00e7as na constru\u00e7\u00e3o de casas para os outros<\/b>. Actualmente, at\u00e9 esta fonte de riqueza tradicional deixa de existir atendendo a que o povo j\u00e1 n\u00e3o quer filhos. Os seguros pagar-lhe-\u00e3o as reformas e a Europa ir\u00e1 mandando algum. \u00c9 incompreens\u00edvel que uma na\u00e7\u00e3o, com tantas potencialidades no povo, como se pode ver nos emigrantes que tornam ricos outros povos no estrangeiro, n\u00e3o encontre em Portugal as infra-estruturas ao n\u00edvel de Portugal povo.<\/p>\n<p><b>Ao regressar da festa s\u00f3 restam os ecos do &#8220;desejado&#8221; nos Vivas de Abril <\/b><br \/>Em tempos de crise surge a desilus\u00e3o e a falta de sentido. De tudo o que a antiga musa canta s\u00f3 restam uns cravos murchos de Abril! H\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de se ter sido escorra\u00e7ado do para\u00edso terreal, do reino da inoc\u00eancia. A uma simbiose desiludida reage-se com a fuga na introspec\u00e7\u00e3o ou na contesta\u00e7\u00e3o de tudo e de todos. Uma esp\u00e9cie de puberdade social em que se reage a n\u00edvel do sentimento sem a componente da ac\u00e7\u00e3o.<br \/>Os trabalhadores queixam-se dos patr\u00f5es, os patr\u00f5es queixam-se da falta de produtividade e da concorr\u00eancia, os pol\u00edticos s\u00e3o denegridos e os cidad\u00e3os instrumentalizados.. <b>Enfim, uma sociedade de discriminados e de explorados! <\/b>Ou melhor, uma sociedade de pobres e ricos queixosos! Numa sociedade mercantil de competi\u00e7\u00e3o e de concorr\u00eancia ferozes a todos os n\u00edveis, o outro torna-se num advers\u00e1rio, num explorador. Deste modo s\u00f3 passa a haver queixosos. <b>Todos lambem as pr\u00f3prias feridas e berram as dores duma vida ingrata e vazia. <\/b> Esta sociedade de adultos queixosos abdica de si mesma e refugia-se na saudade da inf\u00e2ncia inocente em que a responsabilidade est\u00e1 nos outros. A princ\u00edpio, no sonho de Abril no Outono, chegava chorar! &#8220;Quem n\u00e3o berra n\u00e3o mama!&#8221;&#8230;<br \/>         <b> Agora, no regressar da festa, a um povo cansado, perdida a mem\u00f3ria dos feitos dos Descobrimentos, s\u00f3 restam os ecos do desejado nos Vivas de Abril.<\/b><br \/>          Em vez do trabalho entoa-se em conjunto, elites e povo, o c\u00e2ntico do desespero, o canto da despedida. <b>E os que mais alto berram s\u00e3o geralmente as pessoas bem, aquelas que pertencem \u00e0 margem das elites <\/b>mas que querem pertencer ao seu centro, onde se n\u00e3o trabalhe mas se exer\u00e7am fun\u00e7\u00f5es. A m\u00e1 consci\u00eancia, uma vida sem sentido e a falta de realismo para ver o que acontece na camada social desfavorecida leva-nos \u00e0 queixa. <b>Esta conduz-nos ao prazer de sentir na sua melancolia a dor alheia n\u00e3o vivida<\/b>. <b>\u00c9 escandalosa esta can\u00e7\u00e3o atendendo que com ela s\u00e3o esquecidos os pobres e os desprotegidos: os sem voz e sem sorte antes e depois de Abril. <\/b><br \/>N\u00e3o queremos uma sociedade de privil\u00e9gios e de vantagens. Se \u00e9 verdade que ningu\u00e9m nos d\u00e1 nada, mais forte deve ser a vontade para agir. Elites, esquecei o dinheiro, m\u00e3os \u00e0 obra, vamos trabalhar!<\/p>\n<p><b>Ant\u00f3nio Justo<\/b><br \/>Alemanha<br \/>A.C.Justo@t-online.de                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma ilus\u00e3o: Portugal de F\u00e9rias!Hoje assiste-se a um fen\u00f3meno social especial. Ningu\u00e9m parece contente com a sua situa\u00e7\u00e3o. Todas as camadas sociais se queixam. Parece que vivemos numa sociedade depressiva. Talvez por n\u00e3o conseguirmos dominar o pr\u00f3prio stress e por n\u00e3o podermos renunciar a nada. 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