{"id":1183,"date":"2007-11-17T11:04:00","date_gmt":"2007-11-17T10:04:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1183"},"modified":"2007-11-17T11:04:00","modified_gmt":"2007-11-17T10:04:00","slug":"difamacao-da-religiao-ou-defesa-da-liberdade-de-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1183","title":{"rendered":"Difama\u00e7\u00e3o da Religi\u00e3o ou Defesa da Liberdade de Imprensa?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>Com o Isl\u00e3o n\u00e3o se brinca <\/b><br \/>Um caricaturista entre outras caricaturas desenhou a cabe\u00e7a de Mohammed em forma de bomba com um rastilho, provocando assim uma discuss\u00e3o acesa por todo o lado.<br \/>Jyllands-Posten\u201dum jornal dinamarqu\u00eas que publicou as caricaturas sat\u00edricas pediu desculpa depois dos protestos do mundo mu\u00e7ulmano, que reagiu com amea\u00e7as verbais e com medidas concretas de boicote aos produtos dinamarqueses.<br \/>Caricaturistas e realizadores, artistas, escritores e ide\u00f3logos gostam do dial\u00e9ctico e vivem muitas vezes das ferradelas que d\u00e3o, do sensacional e do esc\u00e2ndalo.<br \/>          <b>Os defensores radicais da liberdade de imprensa e de opini\u00e3o pessoal v\u00eaem nas amea\u00e7as \u00e1rabes um ataque ao esp\u00edrito de independ\u00eancia e \u00e0 liberdade da palavra<\/b>. Sentem a liberdade de opini\u00e3o e de imprensa e os direitos individuais amea\u00e7ados ao verificarem a reac\u00e7\u00e3o do jornal. Defendem com unhas e dentes o princ\u00edpio democr\u00e1tico da liberdade de opini\u00e3o que \u00e9 uma coluna fundamental da nossa cultura. Advogam que em democracia haveria sempre a oportunidade de se discutir sobre a qualidade do apresentado e sobre os limites do respeito, restando a cada um o direito de se defender em tribunal, a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o leg\u00edtima para o exerc\u00edcio do poder. V\u00eaem na ced\u00eancia, no pedido de desculpa, uma porta aberta ao fundamentalismo isl\u00e2mico.<br \/>          Muitos deles estavam <b>habituados a difamar os s\u00edmbolos crist\u00e3os at\u00e9 ao rid\u00edculo, sem consequ\u00eancias pelo que diziam ou faziam<\/b>. Se alguns crist\u00e3os levantavam a voz contra tais abusos logo eram apelidados pela opini\u00e3o publicada de fundamentalistas crist\u00e3os. A sociedade estava habituada a n\u00e3o levar nada nem ningu\u00e9m a s\u00e9rio. Cada pensador livre tinha, por vezes, uma liberdade maluca. Agora <b>admiram-se de haver povos decididos a defender com unhas e dentes as suas \u201cbandeiras\u201d que s\u00e3o express\u00e3o da sua identidade e da sua for\u00e7a<\/b>.<br \/>A civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, em vez de se perguntar do porqu\u00ea da convic\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o \u00e1rabe e do porqu\u00ea da nossa decad\u00eancia, fica at\u00f3nita. Facto \u00e9 que na Europa em certos meios marxistas materialistas e racionalistas na falta de respeito por valores religiosos se discrimina positivamente a religi\u00e3o mu\u00e7ulmana n\u00e3o por convic\u00e7\u00e3o mas por interesse e por medo. \u00c9 sintom\u00e1tico o facto de no Iraque ter havido a semana passada ataques bombistas a igrejas crist\u00e3s e haver primeiros programas da televis\u00e3o que n\u00e3o os registarem sequer. Medo ou \u201ccolabora\u00e7\u00e3o\u201d?<b> No mundo moderno a persegui\u00e7\u00e3o religiosa contra os crist\u00e3os \u00e9 a mais forte e organizada.<\/b> Todos se calam: Trata-se de crist\u00e3os e tamb\u00e9m a sua cultura est\u00e1 posta \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e em parte com a ajuda da apoteose modernista que desde h\u00e1 muito trabalha nesse sentido. Naturalmente que o modernismo, tamb\u00e9m ele fruto duma \u00e9tica crist\u00e3 de valores, contribuiu muito para a purifica\u00e7\u00e3o da ferrugem instalada em muitas institui\u00e7\u00f5es crist\u00e3s e indirectamente fomentou a pr\u00e1tica de certos valores da \u00e9tica crist\u00e3. <b>Por\u00e9m vai sendo tempo de a arte se dedicar aos valores que lhe deu o ser e ter mais respeito pela identidade cultural.<\/b> <b>Ou ser\u00e1 que a substitui\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o a arte dever\u00e1 dar lugar \u00e0 nova adora\u00e7\u00e3o? <\/b>N\u00e3o deveria ser assim porque esta \u00e9 irm\u00e3 da religi\u00e3o. <b>Os inimigos da religi\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m, embora a n\u00edvel inconsciente, inimigos da arte.<\/b>         <br \/>         <b> Os defensores duma liberdade de express\u00e3o com limites n\u00e3o est\u00e3o de acordo que seja tudo permitido na arte<\/b>. Estes argumentam com a \u00e9tica crist\u00e3, da liberdade respons\u00e1vel e da dignidade da pessoa. O limite \u00e9 a dignidade da pessoa que \u00e9 inviol\u00e1vel. A liberdade pessoal acaba onde os direitos do outro come\u00e7am.Facto \u00e9 que os corifeus do modernismo se aproveitaram da religi\u00e3o e da sua discrimina\u00e7\u00e3o para fazerem o seu neg\u00f3cio. Na Europa tornou-se moda ferir os sentimentos religiosos dos crist\u00e3os atacando e ridicularizando Cristo e Maria sem consequ\u00eancias.<br \/>Ser\u00e1 que em nome da liberdade conquistada pelo ocidente crist\u00e3o \u2013 a proibi\u00e7\u00e3o de criticar Mohammed questiona a liberdade de imprensa? N\u00e3o ser\u00e1 que a liberdade de imprensa n\u00e3o ter\u00e1 tamb\u00e9m outros valores a defender?<br \/>A<b> liberdade, o esp\u00edrito cr\u00edtico e a d\u00favida met\u00f3dica s\u00e3o valores inalien\u00e1veis do mundo ocidental<\/b>. O problema por\u00e9m come\u00e7a quando os sentimentos dos outros s\u00e3o feridos brutalmente. Importante \u00e9 come\u00e7armos uma discuss\u00e3o que se n\u00e3o reduza aos direitos individuais mas que se alargue aos direitos e \u00e0 dignidade da pessoa humana. Aqui haveria pano para mangas e para todos\u2026 <b>Na nossa sociedade h\u00e1 demasiado indiv\u00edduo e pouco pessoa<\/b>. Em vez de se atacarem os s\u00edmbolos religiosos podem-se criticar ideias ou o agir de pessoas e de doutrinas existentes que se podem defender. Os mitos e as religi\u00f5es devem ser criticadas nas suas ideias e pr\u00e1ticas; <b>difamar Cristo, Maria, Mohamed e pessoas pertence a um estilo baixo e arruaceiro<\/b>. Na salvaguarda do respeito pela dignidade da pessoa e pelas culturas, n\u00e3o faltam a\u00ed assuntos onde artistas, jornalistas e estudiosos poder\u00e3o exercer a sua ac\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Isto exige mais esfor\u00e7o no conhecimento do objecto de cr\u00edtica e n\u00e3o apenas conhecimentos superficiais ou banais, como se constata, cada vez mais, no dia a dia do discurso p\u00fablico. Pode-se apontar tamb\u00e9m para o perigo islamista sem se recorrer \u00e0 difama\u00e7\u00e3o. <b>N\u00e3o chega a instrumentaliza\u00e7\u00e3o de tudo e de todos em sentido ideol\u00f3gico.<\/b><br \/>Muitos intelectuais e pol\u00edticos chegaram ao extremo de levaram levianamente ao rid\u00edculo muitos dos nossos mitos e coisas mais sagradas que ergueram a nossa cultura levando-a ao n\u00edvel \u00e9tico que atingiu. Agora vem o Isl\u00e3o com um outro extremo querendo-se intoc\u00e1vel, aprisionando a palavra e sem lugar para a fic\u00e7\u00e3o reservando-a para o para\u00edso. Talvez um meio-termo seja uma sa\u00edda para a nossa civiliza\u00e7\u00e3o. Uma certeza pode ter-se j\u00e1: <b>o Isl\u00e3o funcionar\u00e1 como grande corrector dos excessos da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental<\/b>. Oxal\u00e1 (palavra \u00e1rabe!), n\u00e3o se percam muitos valores que nos caracterizam na ced\u00eancia a uma \u00e9tica menos exigente.<\/p>\n<p><b>Ant\u00f3nio Justo<\/b><br \/>Alemanha                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o Isl\u00e3o n\u00e3o se brinca Um caricaturista entre outras caricaturas desenhou a cabe\u00e7a de Mohammed em forma de bomba com um rastilho, provocando assim uma discuss\u00e3o acesa por todo o lado.Jyllands-Posten\u201dum jornal dinamarqu\u00eas que publicou as caricaturas sat\u00edricas pediu desculpa depois dos protestos do mundo mu\u00e7ulmano, que reagiu com amea\u00e7as verbais e com medidas &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1183\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">Difama\u00e7\u00e3o da Religi\u00e3o ou Defesa da Liberdade de Imprensa?<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1183","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1183"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1183\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}