{"id":1181,"date":"2007-11-17T11:03:00","date_gmt":"2007-11-17T10:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1181"},"modified":"2007-11-17T11:03:00","modified_gmt":"2007-11-17T10:03:00","slug":"a-enciclica-de-bento-xvi-%e2%80%93-amor-a-verdadeira-utopia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1181","title":{"rendered":"A Enc\u00edclica de Bento XVI \u2013 Amor: a Verdadeira Utopia!"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>Uma enc\u00edclica M\u00edstica e Pol\u00edtica<\/b><br \/>Como em todos os seus livros tamb\u00e9m nesta sua primeira enc\u00edclica domina a simplicidade, a clareza de esp\u00edrito e um substrato m\u00edstico. \u00c9 um texto humano que toca o mais profundo da pessoa e da sociedade. <b>Deus n\u00e3o \u00e9 propriedade privada. <\/b>O encontro com Cristo convida \u00e0 comunh\u00e3o, ao abra\u00e7o com todos os crist\u00e3os e com toda a humanidade. Interessante o facto de o papa <b>n\u00e3o usar a forma majest\u00e1tica \u201cn\u00f3s\u201d <\/b>mas na pessoal \u201ceu\u201d. \u00c9 que a rela\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel d\u00e1-se no encontro de um eu com um tu! Al\u00e9m disso ele fala para todos os crist\u00e3os\u2026<br \/>          \u201cDeus caritas est\u201d \u00e9 uma enc\u00edclica universal que n\u00e3o se baseia na afirma\u00e7\u00e3o do contraste mas da converg\u00eancia; <b>ele supera a linguagem dial\u00e9tica <\/b>para acentuar um novo discurso que valoriza a m\u00edstica. <b>R econcilia o Eros com a \u00c1gape, o corpo com a alma. <\/b>\u201cO amor entre o homem e a mulher, sobressai como arqu\u00e9tipo (modelo) de amor por excel\u00eancia\u201d. <b>O amor entre homem e mulher, no qual corpo e alma se tornam insepar\u00e1veis na felicidade da uni\u00e3o, \u00e9 o tipo origin\u00e1rio do amor. <\/b>Todas as outras formas de amor s\u00e3o formas desvanecidas do amor. <b>N\u00e3o \u00e9 humano separar o amor\u00abEros\u00bb, <\/b>o amor da diferen\u00e7a, o amor inseguro, <b>do amor \u00ab \u00e1gape \u00bb<\/b>, o amor da unidade, o amor de amizade. O papa defende a unidade dos dois. \u201c O eros quer-nos elevar \u00ab em \u00eaxtase \u00bb para o Divino, conduzir-nos para al\u00e9m de n\u00f3s pr\u00f3prios, mas por isso mesmo requer um caminho de ascese\u2026\u201d \u201cEros e agape &#8211; amor ascendente e amor descendente &#8211; nunca se deixam separar completamente um do outro\u201d. No amor \u00e1gape \u201co amor torna-se cuidado do outro e pelo outro. J\u00e1 n\u00e3o se busca a si pr\u00f3prio\u00bb. <b>Na enc\u00edclica n\u00e3o h\u00e1 lugar para a hostilidade ao corpo<\/b>. Exige uma compreens\u00e3o global para a rela\u00e7\u00e3o de pares que est\u00e1 programada para dura\u00e7\u00e3o e eternidade e n\u00e3o exclui o eros. Ele quer que se inicie uma correc\u00e7\u00e3o na realidade da vida.<br \/>          <b>Este corpo que a igreja sempre considerou como filho pr\u00f3digo parece entrar agora na Igreja pela porta principal. O Papa restitui a dignidade ao Eros<\/b>. Ele escreve. \u201cO amor s\u00f3 se torna completo na unidade de homem e mulher (na caminhada conjunta de homem e mulher) \u201d. Tamb\u00e9m aqui se abre <b>uma perspectiva \u00e0 liberdade de casamento dos padres<\/b>.<br \/>           Nesta enc\u00edclica s\u00e3o abertas, n\u00e3o digo janelas, mas mesmo portas para a teologia e para a pastoral <b>numa \u00f3ptica importante para a renova\u00e7\u00e3o das estruturas da Igreja<\/b>. Deixa espa\u00e7o para interpretar e esperar. Te\u00f3logos e bispos t\u00eam que meter as m\u00e3os \u00e0 obra. Esta \u00e9 uma enc\u00edclica, no esp\u00edrito evang\u00e9lico, que recorda o esp\u00edrito genu\u00edno judaico-crist\u00e3o dos primeiros tempos da Igreja. Amor a Deus e ao pr\u00f3ximo como duas faces da mesma medalha, como insepar\u00e1veis, s\u00e3o dois legados espec\u00edficos b\u00edblicos que devem voltar a estar na base de toda a ac\u00e7\u00e3o. <b>Desta enc\u00edclica n\u00e3o se podem deduzir argumentos nem campanhas contra anti-preservativos ou mesmo contra l\u00e9sbicas e homossexuais<\/b>.<br \/>Aqui, delineia-se, um programa de governo do seu pontificado que assenta no amor divino e no amor humano como fundamento da f\u00e9 crist\u00e3 e da teologia e como fundamento da vida humana. O Papa <b>deslegitima todos os que em nome de Deus fundamentam e pregam o seu \u00f3dio <\/b>e a vingan\u00e7a. Esta Igreja que ao longo da hist\u00f3ria teve alguns desvios \u00e9 chamada ao fundamento do amor.<br \/>          <b>A segunda parte da enc\u00edclica torna-se pol\u00edtica <\/b>ao falar do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo. Defende que <b>a Igreja n\u00e3o pode ser instrumentalizada para lutas pol\u00edticas <\/b>nem as suas institui\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o ao servi\u00e7o do Homem, podem ser usados para ideologias. A Igreja, leigos e cl\u00e9rigos, t\u00eam o dever de participar na realiza\u00e7\u00e3o duma ordem social justa e de ajudar todas as pessoas em necessidade. \u00c9 bem claro ao afirmar a distin\u00e7\u00e3o e <b>separa\u00e7\u00e3o entre Estado e Igreja <\/b>\u201cpertence \u00e0 estrutura fundamental do cristianismo a distin\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 de C\u00e9sar e o que \u00e9 de Deus\u201d. \u201cA Igreja n\u00e3o pode nem deve tomar nas suas pr\u00f3prias m\u00e3os a batalha pol\u00edtica para realizar a sociedade mais justa\u201d \u201cQuem realiza a caridade em nome da Igreja, nunca procurar\u00e1 impor aos outros a f\u00e9 da Igreja. Sabe que o amor, na sua pureza \u00e9 gratuidade\u201d.<br \/>          <b>A constru\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a \u00e9 tarefa da pol\u00edtica e o Estado que n\u00e3o se oriente pela justi\u00e7a social iguala um \u201cbando de ladr\u00f5es\u201d\u2026<\/b> \u201cA sociedade justa n\u00e3o pode ser obra da Igreja; deve ser realizada pela pol\u00edtica. Um Estado, que queira prover a tudo e tudo a\u00e7ambarque, torna-se no fim de contas uma inst\u00e2ncia burocr\u00e1tica, que n\u00e3o pode assegurar o essencial de que o homem sofredor \u2013 todo o homem \u2013 tem necessidade: a amorosa dedica\u00e7\u00e3o pessoal.\u201d<br \/>          Na enc\u00edclica tornam-se vis\u00edveis as virtudes crist\u00e3s num humanismo aberto e amplo.<br \/>          O<b> cristianismo \u00e9 situacional \u2013 \u00e9 resposta<\/b>. Esta enc\u00edclica revolucion\u00e1ria reconhece iniciativas marxistas v\u00e1lidas mas adverte que a justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem o amor. Tamb\u00e9m ele defende uma utopia, <b>defende a utopia do amor <\/b>como a verdadeira utopia. Esta utopia j\u00e1 vai sendo realidade em muitos lugares&#8230;<br \/>           \u201cO bom pastor deve estar radicado na contempla\u00e7\u00e3o\u201d. Tamb\u00e9m aqui se d\u00e1 <b>um grande passo na direc\u00e7\u00e3o da m\u00edstica<\/b>. Constitui uma nova acentua\u00e7\u00e3o e um apelo aos bispos e padres na concep\u00e7\u00e3o do seu minist\u00e9rio. Estes n\u00e3o devem esgotar a sua ac\u00e7\u00e3o na dogm\u00e1tica, no ensino nem na pastoral. De facto, por vezes, correm o perigo de, na sua ac\u00e7\u00e3o, serem demasiadamente movidos por ideias e conceitos a que falta por vezes uma espiritualidade. Ele <b>apresenta como priorit\u00e1rio o \u201cdever da caridade <\/b>como tarefa intr\u00ednseca da Igreja inteira e do Bispo na sua diocese\u201d. \u00ab Deus \u00e9 amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele \u00bb(1 Jo 4, 16).<br \/>\u201eO amor tudo vence\u2026 cedamos ao amor!&#8230;<\/p>\n<p><b>Ant\u00f3nio Justo<\/b><br \/>Te\u00f3logo                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma enc\u00edclica M\u00edstica e Pol\u00edticaComo em todos os seus livros tamb\u00e9m nesta sua primeira enc\u00edclica domina a simplicidade, a clareza de esp\u00edrito e um substrato m\u00edstico. \u00c9 um texto humano que toca o mais profundo da pessoa e da sociedade. Deus n\u00e3o \u00e9 propriedade privada. 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