{"id":1169,"date":"2007-11-17T10:58:00","date_gmt":"2007-11-17T09:58:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1169"},"modified":"2007-11-17T10:58:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:58:00","slug":"cada-pais-tem-uma-missao-a-realizar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1169","title":{"rendered":"Cada pa\u00eds tem uma miss\u00e3o a realizar!"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>A Cultura Portuguesa \u2013 Um Bem a Inserir na Constitui\u00e7\u00e3o<br \/>                          Na pista das falhas do 25 de Abril!<\/b><br \/>Portugal sofre de mal cr\u00f3nico geral. As crises sucedem-se de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. J\u00e1 Alexandre de Gusm\u00e3o dividia os portugueses em dois grupos: Os que esperam pelo Messias e os que continuam a esperar por D. Sebasti\u00e3o. Com a decad\u00eancia que se seguiu aos descobrimentos perdemos tamb\u00e9m de vista o realismo caracter\u00edstico da nossa antiga sociedade dos concelhos em que homens bons e os vizinhos se dedicavam directamente \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o dos problemas do concelho numa atitude preparadora de futuro, que culminou no apogeu da na\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XVI, sublimemente cantado por Cam\u00f5es.<br \/>Com a emancipa\u00e7\u00e3o burguesa econ\u00f3mica e intelectual a cultura desgarrou-se da vida. Perdeu-se o sentimento ecol\u00f3gico, o esp\u00edrito da na\u00e7\u00e3o. Este pa\u00eds n\u00e3o nascera da ra\u00e7a mas da vontade. Foi o patriotismo, a vontade, que fez dos portugueses a primeira na\u00e7\u00e3o europeia com um rosto pr\u00f3prio: um povo unido que n\u00e3o perdera da mem\u00f3ria hist\u00f3rica o imp\u00e9rio romano e conseguira manter a heran\u00e7a goda e uma liga\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica \u00e0 terra (p.ex. nas Cantigas de Amigo). Nesta tradi\u00e7\u00e3o coadunava-se a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 terra com a vis\u00e3o cat\u00f3lica universal, a vontade ligada \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o concelhia com as freguesias, o que \u00e9 espec\u00edfico portugu\u00eas. Longe das cont\u00ednuas convuls\u00f5es dos povos europeus em luta, Portugal consegue manter vivo o esp\u00edrito latino e at\u00e9 uma certa autonomia em rela\u00e7\u00e3o a um esp\u00edrito cat\u00f3lico centralista. Recorde-se o privil\u00e9gio do rito lit\u00fargico bracarense. Enquanto que a Europa Medieval inicial era constru\u00edda em lutas cont\u00ednuas sobre as ru\u00ednas do imp\u00e9rio romano sofrendo duma amn\u00e9sia em rela\u00e7\u00e3o ao passado cultural, sob a influ\u00eancia dos ataques b\u00e1rbaros e enquanto o g\u00e9nio latino e o g\u00e9nio germ\u00e2nico se debatiam, o actual Norte de Portugal vivia tranquilo, nem sequer os \u00e1rabes conseguem impor a sua cultura.<br \/>Aquela saudade t\u00e3o caracteristicamente portuguesa, radica na terra (aspecto ecol\u00f3gico) e no sonho que reflecte tamb\u00e9m a cor local das culturas que deram resson\u00e2ncia ao tal sentimento natural uma perspectiva universalista. Um sentimento pr\u00f3prio ao mesmo tempo naturalista e racionalista, simultaneamente polite\u00edsta e monote\u00edsta, a ingenuidade e o requinte, onde coincide o romano, o godo e o \u00e1rabe\u2026 Esse sentimento \u00e9 como que um colectivo das ru\u00ednas do tempo (das culturas) cristalizadas na Saudade, um dos espec\u00edficos da alma portuguesa. Os Portugueses foram no s\u00e9culo XV os pioneiros na aplica\u00e7\u00e3o da grande descoberta \u2013 a descoberta da terceira dimens\u00e3o &#8211; a lei da perspectiva (Leonardo da Vinci) que levou o Homem \u00e0 descoberta do espa\u00e7o (aos descobrimentos). Portugal conseguiu ser a express\u00e3o do esp\u00edrito, a nova consci\u00eancia.<br \/>A partir dos Descobrimentos, a dicotomia cultura-terra, capital-agricultura fomentou uma consci\u00eancia de elite desenraizada que cultiva um certo eruditismo desprezador da terra, do povo simples e do trabalho. Investe-se um pouco numa cultura intelectual de subsist\u00eancia. Este pouco e uma actividade mental submissa tornam-se suficientes para a auto-afirma\u00e7\u00e3o no dia a dia e perante um povo sem exig\u00eancias. A natureza amena e m\u00e3e n\u00e3o parecem estimular o seu esp\u00edrito que se refugia no divergir do mar infinito de costas viradas \u00e0 terra.<br \/>Hoje, ainda mais do que em s\u00e9culos passados, as elites da pra\u00e7a parecem usar o discurso como subterf\u00fagio do pensamento em que a ideia continua ao servi\u00e7o da forma. Os poucos pensadores que se t\u00eam s\u00e3o ignorados. Longe do \u201csaber de experi\u00eancia feito\u201d e da reflex\u00e3o, a na\u00e7\u00e3o continua no seu miasma geral do privilegiado saber te\u00f3rico dogm\u00e1tico (sentimental) sempre submisso a tudo o que vem de fora. Este estado de depend\u00eancia da autoridade exterior tem origem na amenidade do clima, na ingenuidade popular, na falta de realismo, de auto estima, de auto-consci\u00eancia e na aus\u00eancia de disciplina mental. Embora no estrangeiro, pude observar de longe este fen\u00f3meno durante 30 anos, na frequ\u00eancia das ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o para professores: de facto, ainda uma teoria mal tinha sido pronunciada num chamado pa\u00eds desenvolvido logo era experimentada irreflectidamente em Portugal. Projectos, sem a partilha de experi\u00eancias, saberes sem convic\u00e7\u00f5es, a que falta a legitima\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia das bases, s\u00e3o levados a efeito, por um reduzid\u00edssimo n\u00famero de pessoas muito s\u00e1bias, muito perto do poder pol\u00edtico, mas a quem falta uma pr\u00e1tica reflectida em fun\u00e7\u00e3o dum projecto de futuro coerente. A aus\u00eancia duma pol\u00edtica global de l\u00edngua e cultura \u00e9 sintoma, causa e efeito da mentalidade subjacente ao actuar ad hoc em causa, podendo-se transpor esta situa\u00e7\u00e3o para os v\u00e1rios sectores da vida da na\u00e7\u00e3o, que, sem qualquer \u201cagenda\u201d sectorial ou nacional, apenas reage. \u00c9 um Portugal que vive ad hoc, do momento para o momento, de ac\u00e7\u00f5es para ir buscar fundos. Uma elite cultural portuguesa que parece reduzida \u00e0 classe pol\u00edtica encontra-se sempre de antenas viradas para o estrangeiro, aliena-se e alienando, sempre disposta a seguir-lhe as vozes, sem tempo para reflectir o pr\u00f3prio, incapaz de escutar a voz profunda dum povo, por isso mesmo reduzido a cobaia. Assim se continua a adiar o futuro no medo de edificar Portugal sobre os fundamentos do passado. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas os ide\u00f3logos dos anos 70 constitu\u00edram uma refer\u00eancia demasiado vincada para a nossa sociedade. Estes, fi\u00e9is da \u201cmudan\u00e7a da cultura\u201d apostam mais na ideologia, na moda, do que no trabalho s\u00e9rio e no duradoiro.<br \/>Naturalmente que o que menos precisamos \u00e9 dum Portugal retr\u00f3grado ou de um Portugal cobaia. A na\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode andar sempre atr\u00e1s do comboio da hist\u00f3ria nem t\u00e3o-pouco p\u00f4r o carro \u00e0 frente dos bois. Desastroso seria se continu\u00e1ssemos a ser os ardinas das ideias dos outros, os ecos do comboio que passa.<br \/>Vive-se mais do e para o crer do que do e para o saber. O saber parece continuar a estar condenado ao doutrinarismo longe do ser do homem e do povo. Tamb\u00e9m isto se v\u00ea confirmado na nossa Hist\u00f3ria. Portugal precisa de um momento de reflex\u00e3o. Seria fatal se o pensamento portugu\u00eas, bem como o melhor do povo, fosse obrigado \u00e0 dissid\u00eancia, \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o. O restauro da portugalidade ter\u00e1 de partir da vontade de querer mudar e da an\u00e1lise do nosso ser colectivo, dos nossos costumes e mentalidade. N\u00e3o chega o esp\u00edrito mo\u00e7\u00e1rabe.<br \/>Para se dar resposta \u00e0 crise que domina os sectores mais relevantes da vida nacional n\u00e3o chega uma reforma nem uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Tamb\u00e9m n\u00e3o chega olhar para a Europa porque dela parece interessar-nos, mais que a reflex\u00e3o e as ideias, os seus erros. O 25 de Abril falhou em muitos aspectos porque se limitou s\u00f3 a uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica conquistando apenas a rua. Uma revolu\u00e7\u00e3o popular sem o povo. Este foi atrelado \u00e0 coleira da ideologia mediante uma agita\u00e7\u00e3o colectiva inicial, seguindo-se depois a fatalidade do dia a dia na luta pelo p\u00e3o. A revolu\u00e7\u00e3o de Abril, justa nos objectivos, foi conduzida sobretudo por ideologias mal mastigadas, por m\u00e3os de mercen\u00e1rios estrangeirados que se apoderaram dos dinheiros p\u00fablicos e da administra\u00e7\u00e3o. Ao velho regime seguiu-se o novo. Portugal encontra-se depauperado e emperrado numa m\u00e1quina de estado monstruosa e encalhado no turbo-capitalismo. Apesar da remessa di\u00e1ria de 6,2 milh\u00f5es de Euros dos emigrantes para Portugal e de 8 milh\u00f5es provenientes da EU a economia portuguesa encontra-se de rastos. A cronicidade da doen\u00e7a portuguesa transcende os seus regimes pol\u00edticos. Tem sido uma constante ao longo dos \u00faltimos s\u00e9culos. N\u00e3o parece ser poss\u00edvel haver alternativa entre a apagada e vil tristeza do \u201chonradamente s\u00f3s\u201d e a tradicional prostitui\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica estrangeira ao servi\u00e7o de interesses muito individuais e de clientelas. Constante na sociedade portuguesa tem sido o seu car\u00e1cter de palco em que a crise \u00e9 invari\u00e1vel e os mesmos actores se repetem ao longo dos s\u00e9culos mudando apenas as roupagens das ideologias. Enfim, apenas se t\u00eam trocado os pap\u00e9is num jogo de caracteres sem car\u00e1cter pr\u00f3prio. Porque \u00e9 que uma na\u00e7\u00e3o com um povo t\u00e3o honrado e trabalhador e com uma cultura riqu\u00edssima ter\u00e1 de continuar a andar encostado? Outras na\u00e7\u00f5es mais pequenas conseguem mais. N\u00e3o ser\u00e1 tamb\u00e9m uma das causas a exist\u00eancia duma \u201cburguesia vaidosa\u201d seguidora de modas, sem tempo para a reflex\u00e3o e para pensar, esgotada em accionismos e na pol\u00edtica do dia a dia?<br \/>O povo tem sido, desde h\u00e1 s\u00e9culos, reduzido a palco para os mesmos protagonistas, os traficantes de ideias e de \u201cdrogas\u201d, os muitos auferidores de postos e de honor\u00e1rios. As honrarias e \u201cconfrarias\u201d parecem viver da honra do povo. Todos se preocupam com o tratamento dos sintomas quando a raiz do mal est\u00e1 na maneira de ser do ser colectivo portugu\u00eas, em cada um de n\u00f3s portugueses, na alma de Portugal, e em especial na maneira de agir dos seus actores. Um tratamento s\u00e9rio dos nossos males exigiria, mais que placebos, uma reflex\u00e3o cultural, pol\u00edtica e hist\u00f3rica. Portugal precisa duma revolu\u00e7\u00e3o intelectual e moral, duma mudan\u00e7a de mentalidades. De resto continuar\u00e3o alguns beneficiados do sistema a viver da provisoriedade de falsos diagn\u00f3sticos e das receitas ao doente; tal como no passado continuam a adiar o futuro.<\/p>\n<p><b>Pol\u00edtica ao servi\u00e7o do capital \u2013 Intelig\u00eancia nacional ao servi\u00e7o da pol\u00edtica<\/b><\/p>\n<p>A ideologia e os seus oportunos tentam viver do que o momento d\u00e1 e do conformismo individualista subjacente. N\u00e3o acreditam na miss\u00e3o civilizadora da nossa cultura. Procuram instaurar uma cultura do provis\u00f3rio, subordinada ao consumismo ideol\u00f3gico e de produtos. Desestabilizam a moral popular apresentando apenas como alternativa moralismos ocasionais prop\u00edcios para clientelas. Superficiais, destroem a consci\u00eancia portuguesa. A na\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tabula rasa e uma revolu\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel n\u00e3o pode ser contra a ordem, a disciplina e a justi\u00e7a nem continuar a afirmar-se no relaxamento dos costumes ou na aposta em ideologias. Um tratamento adequado ter\u00e1 que come\u00e7ar por se preocupar com a identidade e a cultura portuguesas, com o seu esp\u00edrito, superando o ditado do dia a dia e da ideologia multiculturalista que se orienta pelo bel-prazer arbitr\u00e1rio e pela mediania. A intelig\u00eancia da na\u00e7\u00e3o ter\u00e1 que ressurgir no respeito pelo passado e na responsabilidade pelo futuro, n\u00e3o se pode deixar tentar pelos moralismos e pelo cantar das sereias ideol\u00f3gicas ao servi\u00e7o de alguns. O nosso grande prot\u00f3tipo \u00e9 Ulisses. A consci\u00eancia da na\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de ressurgir primeiro nos professores de universidade e nas personalidades da economia e da cultura. Estes n\u00e3o podem continuar a viver na depend\u00eancia e atrelados \u00e0 pol\u00edtica na subservi\u00eancia de postos. As universidades e as escolas ter\u00e3o de se tornar independentes e de se libertar dum burocratismo conservantista. Se os pol\u00edticos ocupam cargos importantes passageiros e se perdem no moment\u00e2neo, pensando apenas em categorias de per\u00edodos de legislatura, o professor, o intelectual d\u00e1 continuidade e perspectiva pensando em termos globais, em termos de passado, presente e futuro, em termos de povo e de na\u00e7\u00e3o com projecto e com uma voca\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. As elites, para o serem, n\u00e3o se podem limitar a administrar a mis\u00e9ria e a viverem dela. J\u00e1 chega de mediania. Tamb\u00e9m a Igreja administra demasiado a rotina sem interven\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, tamb\u00e9m a seu respeito&#8230; \u00c9 preciso ter-se coragem, mesmo coragem para errar. N\u00e3o chega uma sociedade de bem comportados. Precisam-se homens, mulheres com coluna vertebral de \u201cantes quebrar que torcer\u201d na abertura aos ventos do tempo sem a eles sucumbirem. N\u00e3o chega a vontade de inovar! Esta tem de ser acompanhada da renova\u00e7\u00e3o e da restaura\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma quest\u00e3o de se estar de servi\u00e7o. O povo, a na\u00e7\u00e3o j\u00e1 esperam h\u00e1 muito! \u201cQuem espera desespera\u201d e o agir sem esperan\u00e7a aliena. Urge mais que uma \u201cagenda\u201d uma reforma profunda! J\u00e1 no s\u00e9culo XIX um portugu\u00eas exemplar, um luso do nosso \u00e1lbum, Antero de Quental, tocava na ferida portuguesa ao dizer: \u201d Esta reforma, tanto tempo adiada pela in\u00e9rcia e pelo ego\u00edsmo, imp\u00f5e-se agora irresistivelmente\u201d. Mudaram-se os tempos mas a mesma realidade permanece. O fim tr\u00e1gico de Antero \u00e9 simb\u00f3lico do acto de desespero dum povo que continua de desilus\u00e3o em desilus\u00e3o a n\u00e3o se tomar a s\u00e9rio, a emigrar.<br \/>Hoje n\u00e3o h\u00e1 coragem e a liberdade deu lugar \u00e0 arbitrariedade. As pessoas simples e os intelectuais tornam-se cada vez mais iguais no medo e no c\u00e1lculo. Assiste-se \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o da vulgaridade. Esta \u00e9 tamb\u00e9m implementada por uma TV sem programas que a transcendam e que transcendam o vulgar, numa sociedade \u00e0 la \u201cbig brother\u201d. Por onde andam os homens livres? Ser\u00e1 que a nossa sociedade s\u00f3 produz dissidentes, adaptados e terroristas? Qual a nossa raz\u00e3o de ser como ser colectivo? Hoje as na\u00e7\u00f5es cada vez fazem mais lembrar rebanhos sem pastores em que c\u00e3es, sem orienta\u00e7\u00e3o, mant\u00eam o rebanho junto sem objectivo nem destino. O fim e destino hist\u00f3ricos dum pa\u00eds parecem estar limitados ao cheiro do curral que se reduz, por vezes, \u00e0 s\u00famula do cheiro da ovelha mais pr\u00f3xima e ao medo de eventuais ferradas caninas.<br \/>A cultura e a hist\u00f3ria continuam a ser instrumentalizadas no sentido de se fomentarem cidad\u00e3os adaptados, com h\u00e1bitos e cren\u00e7as ideol\u00f3gicas de trazer por casa. Da tradi\u00e7\u00e3o s\u00f3 passa a interessar o pol\u00edtico, o utilit\u00e1rio. A cultura da nacionalidade \u00e9 relegada para o museu. Assim da cultura s\u00f3 interessam alguns lugares comuns e na falta de reflex\u00e3o importam-se acriticamente do estrangeiro ideias oportunas, ideias tapa-buracos sem respeito pelo processo a elas inerentes.<br \/>No projecto de sociedade vigente s\u00f3 parece haver lugar para aplicadores, para pros\u00e9litos\u2026 O saber foi substitu\u00eddo pela opini\u00e3o. Despe-se da hist\u00f3ria o manto da dignidade e do rigor. Faz-se dela uma disciplina, uma pedagogia espec\u00edfica para formar cidad\u00e3os \u00e0 medida e reduzem-se os professores a aplicadores de did\u00e1cticas ou a meros assistentes sociais. A Hist\u00f3ria cient\u00edfica e cr\u00edtica, como nossa mem\u00f3ria, ajudar-nos-ia a melhor compreender o presente e a construir o futuro. N\u00e3o chega s\u00f3 o presente, como querem alguns desenraizados. Este precisa da rampa do passado e duma alma que contenha nela o germe e a garantia do futuro. O nosso presente ser\u00e1 o passado do futuro e este quer perspectiva. Dum passado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o s\u00f3 se recorda dele o ideologicamente utiliz\u00e1vel, talvez as p\u00e1ginas escuras para assim se desviarem as aten\u00e7\u00f5es dos defeitos do presente ou se apanhar alguns incautos para a pr\u00f3pria ideologia. Nesse sentido urge fomentar o respeito pela cultura nacional, como liturgia do dia a dia numa l\u00edngua com valores, h\u00e1bitos e mentalidade pr\u00f3prios. Esta situa-nos no grande contexto universal. A hist\u00f3ria universal, e a hist\u00f3ria europeia n\u00e3o poderiam ser explicadas sem a hist\u00f3ria portuguesa nem esta sem aquelas. Da cristianitas surgiu a nacionalidade, a consci\u00eancia da na\u00e7\u00e3o e das nacionalidades surgir\u00e1 a cidadania europeia, a cidadania dos direitos humanos que prov\u00eam da primeira.<br \/>Uma ideia universalista peregrina em muitas cabe\u00e7as do \u201cpensar correcto\u201dactual reduz o futuro a um sonho com pr\u00e1ticas progressistas numa estrat\u00e9gia de auto-afirma\u00e7\u00e3o pela contradi\u00e7\u00e3o, numa atitude pol\u00e9mica (n\u00e3o cr\u00edtica) contra o passado e na sua difama\u00e7\u00e3o fora de contexto. Estes seguem o mesmo equ\u00edvoco no seu projecto de constru\u00e7\u00e3o da sociedade nacional contra a fam\u00edlia encostando-se \u00e0 EU que se tem orientado mais por aspectos estrat\u00e9gicos e econ\u00f3micos contra os interesses dos povos europeus. A tomada de posi\u00e7\u00e3o francesa contra o projecto de Constitui\u00e7\u00e3o Europeia alerta para que n\u00e3o se esque\u00e7am do povo e da sua alma. Para l\u00e1 da moderna supersti\u00e7\u00e3o do progresso ter\u00e3o que permanecer os ideais de fraternidade, liberdade e igualdade, na consci\u00eancia que das ru\u00ednas das ideologias surgir\u00e3o as melhores ideias e as melhores virtudes.<br \/>Socialistas e Conservadores necessitam de repensar a sua pol\u00edtica e estrat\u00e9gias para actuarem na base dos valores nacionais crist\u00e3os e europeus. N\u00e3o chega seguir servilmente a EU. N\u00e3o chega a concentra\u00e7\u00e3o nas leis do mercado como reguladoras da sociedade e do futuro. A classe pol\u00edtica tem abdicado da sua responsabilidade de regular o capitalismo. A inseguran\u00e7a geral aumenta e manifesta-se num populismo antidemocr\u00e1tico j\u00e1 bastante not\u00f3rio na Am\u00e9rica Latina. Um capitalismo que n\u00e3o respeita a na\u00e7\u00e3o leva os povos a grandes convuls\u00f5es sociais e tem como consequ\u00eancia final a socializa\u00e7\u00e3o da economia de tipo dirigista. O furac\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o tem levado a sociedade a concentrar-se apenas no econ\u00f3mico \u00e0 custa dos valores de identidade do povo e em nome dum internacionalismo desalmado.<br \/>Seria um equ\u00edvoco fatal continuar com uma ideologia internacionalista \u00e0 custa do povo e da na\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso criar o equil\u00edbrio entre o internacionalismo e o nacionalismo. Para isso a economia de mercado tem que se tornar social e ecol\u00f3gica, tem que respeitar a pessoa, as regi\u00f5es e as na\u00e7\u00f5es. Doutro modo desenvolver-se-\u00e3o extremismos de direita e de esquerda. O meio-termo seria o patriota por estrat\u00e9gia; o patriota que tem por casa a na\u00e7\u00e3o e por tecto o mundo. Este n\u00e3o \u00e9 antiliberal mas tamb\u00e9m n\u00e3o p\u00f5e a na\u00e7\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, nem se envergonha da terra. \u00c9 um ecologista crist\u00e3o (Uma qualidade bem portuguesa dos tempos da nacionalidade!). S\u00e1bio, reflecte as ideologias aferindo-as ao seu sistema cultural e n\u00e3o vice-versa. Neste sentido, Portugal precisa dum debate s\u00e9rio, para l\u00e1 das trincheiras partid\u00e1rias e das ideologias, sobre a identidade nacional e a sua cultura. O processo de socializa\u00e7\u00e3o europeia \u00e9 muito diferente do das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p><b>Baptizados no Douro para partir de Bel\u00e9m, do Tejo, \u00e0 descoberta do mundo<\/b><\/p>\n<p>J\u00e1 passou a \u00e9poca em que um liberalismo e um socialismo envergonhados da na\u00e7\u00e3o podiam ganhar pontos na luta contra a p\u00e1tria na luta por valores internacionalistas. J\u00e1 \u00e9 demasiado longo o tempo da difama\u00e7\u00e3o da nossa cultura e do cristianismo. Chega de quimeras dum progresso falso. Uma cultura em que os valores n\u00e3o exigem compromisso fomenta a criminalidade e os extremismos de direita e de esquerda. Uma cultura que s\u00f3 suporta ardinas, e valores menores, conduz ao desmantelamento dela mesma, \u00e0 queda duma civiliza\u00e7\u00e3o. Produz deserdados e desenraizados.<br \/>Hoje quem est\u00e1 amea\u00e7ada \u00e9 a p\u00e1tria, a cultura da na\u00e7\u00e3o, os seus valores; falta-lhe um tecto transcendente e uma perspectiva. A cultura dominante de que somos portadores \u00e9 um grande bem a preservar. A grande heran\u00e7a greco-romana, judaico-crist\u00e3, com o seu humanismo e um certo iluminismo, aos quais est\u00e1 subjacente uma imagem de homem e de sociedade com os inalien\u00e1veis direitos humanos, n\u00e3o precisa de ter complexos nem de se temer perante o futuro. Esta cultura civilizacional com a sua imagem de Homem e o consequente modelo pol\u00edtico \u00e9 \u00fanica em termos comparativos mundiais tendo de tornar-se cada vez mais um termo de refer\u00eancia na rela\u00e7\u00e3o com os povos. Naturalmente que ter\u00e1 de ser purgada dos ego\u00edsmos, dos exageros colonialistas e dum capitalismo desenfreado que instrumentaliza o ser humano. Uma casa n\u00e3o pode constar s\u00f3 de portas e de janelas. Uma sociedade aberta como a europeia precisa duma refer\u00eancia cultural s\u00f3lida e sem complexos. Esta \u00e9 a judaico-crist\u00e3, sempre a ser renovada, que integrou a cultura greco-romana e se aculturou no seio dos outros povos. N\u00e3o pode aceitar-se que, num pa\u00eds ocidental, um pai mu\u00e7ulmano, por raz\u00f5es de f\u00e9, pro\u00edba a sua filha de frequentar as aulas de desporto. Um pa\u00eds democr\u00e1tico, que se declare pelos direitos humanos e pela igualdade entre homem e mulher n\u00e3o pode permitir isso legalmente. Uma consequ\u00eancia l\u00f3gica seria a inser\u00e7\u00e3o de um artigo na constitui\u00e7\u00e3o nacional, em que se declare a cultura nacional como um valor a defender e n\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<br \/>Os pontos altos da na\u00e7\u00e3o e as festas populares ter\u00e3o que ser mais que actos de desobriga a n\u00edvel de calend\u00e1rio. Estes actos domingueiros, como o festejo do 25 de Abril, politicamente usado, e outras iniciativas culturais ter\u00e3o de primar pela densidade de conte\u00fado em que acontecimentos, autores e personalidades celebrados deixem de ser usados apenas como bombos de festa ou objecto de discursos empolados sem uma rela\u00e7\u00e3o com a vida actual, apenas na complementaridade de um pouco de F\u00e1tima, Fado e Futebol.<br \/>H\u00e1 que redescobrir e consciencializar a ess\u00eancia do ser portugu\u00eas e a nossa maneira de estar no mundo. Logo nos alvores da nacionalidade houve a defesa dos interesses regionais e a casa dos vinte e quatro onde poder\u00edamos reatar tradi\u00e7\u00f5es e purificar mesmo outras importadas. O esp\u00edrito romano prevalecia em rela\u00e7\u00e3o ao b\u00e1rbaro. Para a nossa \u00e9poca j\u00e1 n\u00e3o chegam os profetas marxistas nem os ardinas do dia a dia, instalados por toda a parte. N\u00e3o s\u00e3o suficientes os escritores que os nossos comp\u00eandios escolares promovem por vezes ao servi\u00e7o do \u201cpensar correcto\u201d e do Zeitgeist. \u00c9 preciso cristalizar autores e marcos centen\u00e1rios da nossa cultura, para que entrem na mem\u00f3ria do povo e se tornem fontes de refer\u00eancia. Urge recuperar o tempo perdido, recuperar Portugal. A for\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia depender\u00e1 da vitalidade das na\u00e7\u00f5es. N\u00e3o s\u00e3o suficientes os mercen\u00e1rios bem pagos para a constru\u00e7\u00e3o da EU embora tamb\u00e9m estes sejam necess\u00e1rios no processo de fomento da superstrutura.<br \/>Para a vitalidade de um povo n\u00e3o chegam alguns sentimentos patriotas ocasionais nem t\u00e3o-pouco um c\u00f3digo de valores razo\u00e1veis consolidados numa Constitui\u00e7\u00e3o. Tudo isto \u00e9 corpo apenas, a que falta a alma da na\u00e7\u00e3o que o modernismo tem desprezado. A cultura, a literatura, a ci\u00eancia, o cristianismo e a arte constituem uma base e uma oportunidade para o reencontro. Portugal precisa de se reinterpretar porque tem andado \u00e0 deriva. \u00c9 preciso, na empatia com o passado viver o presente e assim construir o futuro, numa engrenagem que d\u00ea sentido e no di\u00e1logo com todas as culturas e na\u00e7\u00f5es recebendo e dando impulsos a integrar de modo espec\u00edfico por cada povo e por cada cidad\u00e3o. Desenvolver a capacidade de se criar o novo na inter-rela\u00e7\u00e3o pessoal, cultural, temporal e espacial. Neste sentido haver\u00e1 tamb\u00e9m que redescobrir a tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica da dignidade humana e consequentes direitos de que liberdade, fraternidade e igualdade e s\u00e3o express\u00e3o.<br \/>Portugal n\u00e3o pode permitir-se o luxo de deixar o esp\u00edrito portugu\u00eas na dissid\u00eancia, na migra\u00e7\u00e3o ou nalguns actos folcl\u00f3ricos, por muito importantes que sejam. A migra\u00e7\u00e3o bem como a juventude podem dar-lhe grandes impulsos. Tal como \u00e9 comum na arte e na poesia, Portugal tem de reencontrar o inconfund\u00edvel, o inconfund\u00edvel do nosso povo e da sua hist\u00f3ria na realiza\u00e7\u00e3o dum ideal comum. S\u00f3 na personaliza\u00e7\u00e3o nos realizaremos como pessoas, como povo e como na\u00e7\u00e3o. Dentro dum todo, cada um no seu enquadramento, com um panorama pr\u00f3prio de alma e corpo tem uma necessidade espec\u00edfica de realiza\u00e7\u00e3o e de salva\u00e7\u00e3o. Neste sentido, um apelo a estudiosos, artistas e a mecenas: fazerem uma fenemenologia, uma exegese e uma sinopse do ide\u00e1rio, do desenvolvimento e da praxis nacional portuguesa, nos seus diversos ramos, em rela\u00e7\u00e3o e compara\u00e7\u00e3o com as outras na\u00e7\u00f5es, especialmente com os Estados Unidos da Am\u00e9rica, a Fran\u00e7a, a Inglaterra e a Alemanha.<\/p>\n<p>Na Reconquista de Portugal continuar o Pinhal de Leiria, o esp\u00edrito ecol\u00f3gico<br \/>A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (greco-romana), a l\u00edngua e o agir comum constituem a alma do ser portugu\u00eas, uma alma n\u00e3o clerical, n\u00e3o jacobina, uma alma livre e aberta. No amor pela l\u00edngua e na saudade do ser portugu\u00eas viveremos o presente na constru\u00e7\u00e3o dum futuro sempre diferente. Esta saudade por\u00e9m tem de ser purgada dum sebastianismo, aquele resto \u00e1rabe que nos impede de ver a realidade e conduz \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de se definir na contradi\u00e7\u00e3o. Aqui ter\u00e1 tamb\u00e9m Portugal de se purificar dum anti-clericalismo primitivo, dum secularismo fan\u00e1tico e duma religiosidade meramente folcl\u00f3rica e tradicionalista. N\u00e3o chega ser-se devoto numa pr\u00e1tica religiosa que torna o cristianismo irreconhec\u00edvel! N\u00e3o se trata de viver na recorda\u00e7\u00e3o nem no futuro mas no agora presencializador de passado e futuro teleol\u00f3gico. Isto exige uma sinergia de for\u00e7as na converg\u00eancia de todo o pa\u00eds. Para isso n\u00e3o se poder\u00e1 poupar a religi\u00e3o, a p\u00e1tria, o governo nem o povo. Tudo sem tabus, porque tabu s\u00f3 h\u00e1 um: o da dignidade humana de cada pessoa. N\u00e3o estamos ao servi\u00e7o de sistemas mas dum povo; s\u00f3 assim podermos situar-nos responsavelmente no mundo. Todos juntos, podemos reconstruir o nosso barco com as madeiras do pinhal de Leiria, a que n\u00e3o falte o mastro firme a que possamos amarrar as nossas velas e assim chegar a porto seguro. Mesmo de cora\u00e7\u00e3o partido por tantas tempestades e incertezas n\u00e3o nos faltar\u00e1 o senso comum nem a coragem. A na\u00e7\u00e3o e o povo n\u00e3o merecem que os continuemos a imolar. Portugueses em Portugal e na di\u00e1spora s\u00e3o uma grande for\u00e7a que pode ser canalizada na constru\u00e7\u00e3o honrosa duma sociedade mais humana. Neste momento em que o extremismo mu\u00e7ulmano parece determinar os t\u00edtulos dos jornais e os sentimentos das pessoas, impondo-se pelo medo, mais se torna vis\u00edvel a ac\u00e7\u00e3o civilizadora do cristianismo. Esta ter\u00e1 que ser renovada na descoberta do homem e do povo. O cristianismo foi o sal\u00e3o de entrada de Portugal e de todas as na\u00e7\u00f5es europeias na cultura ocidental e mundial. Ele \u00e9 um bom exemplo de globaliza\u00e7\u00e3o e de continuidade, com altos e baixos. Trata-se de nos baptizarmos no Douro ousando uma vida nova, para assim chegarmos a Bel\u00e9m, \u00e0 foz do Tejo na descoberta do mundo. Nas ondas do tempo, sem complexos, d\u00e1-se a resposta \u00e0s exig\u00eancias da vida desde a er\u00f3tica mais vivida at\u00e9 \u00e0 m\u00edstica mais profunda, tal como faziam os nossos descobridores. Para isso \u00e9 preciso voltar a descobrir a vontade, a vontade, o grande mastro que possibilita o ser e a sua viagem. Trata-se de desenvolver um modelo pr\u00f3prio de considera\u00e7\u00f5es do mundo que se transponham a si mesmas. (N\u00e3o podemos continuar apenas a reagir, s\u00f3 abertos a modelos levianos n\u00e3o aferidos ao g\u00e9nio portugu\u00eas). Na hist\u00f3ria, na literatura e no nosso povo temos um fundus, uma mina sem limites, um m\u00e9dium dos valores de portuguesismo e de universalismo. No tempo da d\u00favida, da incerteza, da aliena\u00e7\u00e3o torna-se important\u00edssimo descobrir as quest\u00f5es mais relevantes do nosso tempo e centrar-nos nelas para reencontrarmos o vest\u00edgio da hist\u00f3ria do futuro. Esta repete-se continuamente. N\u00e3o se trata s\u00f3 de dar resposta a quest\u00f5es de injusti\u00e7a social, de emancipa\u00e7\u00e3o ou de economia. A cultura portuguesa tem uma paisagem muito variada e t\u00edpica na natureza, na hist\u00f3ria, na religi\u00e3o, folclore, tend\u00eancias, h\u00e1bitos e modos de vida. Portugal \u00e9 um todo em que as contradi\u00e7\u00f5es poder\u00e3o funcionar como cat\u00e1rsis dum povo a dar \u00e0 luz. Por companheiros temos um Cam\u00f5es, um Quental, um Pessoa, um Cristo (tamb\u00e9m os Cristos abandonados) e tantos outros. \u00c9 preciso reatar-se o fio condutor que esteve na base da forma\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o, dos concelhos (homens bons e vizinhos) e tentar regenerar a sociedade portuguesa, como defendia j\u00e1 Alexandre Herculano, atrav\u00e9s da sua exig\u00eancia de revitaliza\u00e7\u00e3o do municipalismo de inspira\u00e7\u00e3o medieval. (Hoje poder\u00edamos fomentar a regionaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica atrav\u00e9s da divis\u00e3o de Portugal em tr\u00eas regi\u00f5es). O estudo do esp\u00edrito, da vontade e dos mecanismos que levaram \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e ao auge da na\u00e7\u00e3o portuguesa poder\u00e1 levar \u00e0 descoberta do seu fio condutor e do sentido do car\u00e1cter espec\u00edfico de ser portugu\u00eas e a maneira de o concretizar. S\u00f3 assim o pa\u00eds poder\u00e1 ser governado pelo pr\u00f3prio pa\u00eds e n\u00e3o apenas por pessoas distantes num parlamento em que os deputados se submetem muitas vezes \u00e0s coac\u00e7\u00f5es das Frac\u00e7\u00f5es, de blocos e de lobbies. Trata-se de voltarmos ao esp\u00edrito dos \u201chomens bons\u201d guiados n\u00e3o apenas pela intelig\u00eancia, mas provados pela honestidade e pela dedica\u00e7\u00e3o. Na altura em que o centralismo europeu se faz mais sentir \u00e9 urgente fortalecer as regi\u00f5es e estabilizar a pol\u00edtica, livr\u00e1-las de compadrios e de qualquer servilismo partid\u00e1rio. Esta caminhada levaria a um redescoberta da natureza e a uma diminui\u00e7\u00e3o da ideologia que ao viver da cidade e para a cidade a favorecem em detrimento do campo, da prov\u00edncia, em contradi\u00e7\u00e3o com o esp\u00edrito condutor dos \u201chomens bons\u201d e da \u201cassembleia de vizinhos\u201d medievais.<br \/>Nas condi\u00e7\u00f5es reais concretas que nos s\u00e3o dadas resta-nos realizar a felicidade. Por vezes sob a luz vestida de melancolia como nos \u00e9 bem pr\u00f3prio na nossa saudade. Saudade dum futuro que nos vem duma realidade vivida. Apesar dos tempos dif\u00edceis em que vivemos n\u00e3o nos falta a vontade de viver, de viver a vida toda, duma maneira livre e apaixonada. Trata-se de dar oportunidade a um misto de devo\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica, na converg\u00eancia dum consenso dos extremos ao servi\u00e7o dum povo a caminho. A sua identidade assenta no fundamento crist\u00e3o e portugu\u00eas. Ignorar isto significaria cair na esquizofrenia, uma constante que tende a acentuar-se na nossa sociedade moderna. O falar e o agir s\u00e3o a express\u00e3o, do fogo que est\u00e1 por baixo das cinzas da vida e da hist\u00f3ria. O calor que nos abrasa pode tornar-se numa fogueira em Portugal, no mundo, a arder. Importante \u00e9 que cada cidad\u00e3o descubra o que est\u00e1 por baixo das cinzas da nossa hist\u00f3ria e a\u00ed acender a mecha e transmitir, esse fogo na constru\u00e7\u00e3o duma comunidade sempre nova, sem os coletes apertados das ideologias ou dos ismos (vivendo respeitosamente tamb\u00e9m com eles), fortalecidos por uma vontade corajosa de auto-realizacao na concretiza\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria a caminho. Trata-se de reconciliar o romantismo com o realismo, a est\u00e9tica com o establishment, a democracia da esquerda com a democracia da direita, o passado com o futuro, num presente promissor. N\u00e3o queremos um pa\u00eds de Bela Adormecida nem de ardinas. Queremos um pa\u00eds din\u00e2mico e cr\u00edtico onde o esp\u00edrito se expressa na voz do mar que \u00e9, ao mesmo tempo, eco e transcend\u00eancia, que expressa a \u00e2nsia dum povo por justi\u00e7a, fraternidade, solidariedade, bem-estar e eternidade. H\u00e1 que reavivar um debate em torno de uma ideia para Portugal. Tal como no s\u00e9culo XV conseguimos ser express\u00e3o da descoberta da terceira dimens\u00e3o que revolucionou o mundo de ent\u00e3o, tamb\u00e9m hoje teremos que estar atentos \u00e0 nova consci\u00eancia do tempo como quarta dimens\u00e3o da realidade (uni\u00e3o tempo-espa\u00e7o) \u2013 teorias da relatividade e dos quantas \u2013 que nos obrigar\u00e1 a uma nova maneira de estar no mundo e a arredar definitivamente do materialismo do s\u00e9culo XIX. Com as muletas dum socialismo materialista n\u00e3o chegaremos longe. Tal como o Infante D. Henrique os nossos jovens t\u00eam que se dedicar ao estudo da f\u00edsica, da biologia e da m\u00edstica. Vamos restaurar Portugal, vamos regenerar a sua democracia!<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>Pedagogo e Te\u00f3logo<br \/>Alemanha<br \/>Confer\u00eancia proferida em Abril<br \/>Publicada tamb\u00e9m como artigo                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Cultura Portuguesa \u2013 Um Bem a Inserir na Constitui\u00e7\u00e3o Na pista das falhas do 25 de Abril!Portugal sofre de mal cr\u00f3nico geral. As crises sucedem-se de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. J\u00e1 Alexandre de Gusm\u00e3o dividia os portugueses em dois grupos: Os que esperam pelo Messias e os que continuam a esperar por D. Sebasti\u00e3o. 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