{"id":1166,"date":"2007-11-17T10:56:00","date_gmt":"2007-11-17T09:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1166"},"modified":"2007-11-17T10:56:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:56:00","slug":"as-relacoes-entre-os-estados-unidos-da-america-e-a-europa-dois-continentes-num-so-destino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1166","title":{"rendered":"As Rela\u00e7\u00f5es entre os Estados Unidos da Am\u00e9rica e a Europa &#8211; Dois continentes num s\u00f3 destino!"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>O que a Europa deveria aprender da Am\u00e9rica e vice-versa<\/b><br \/>O Medo da Guerra leva \u00e0 Guerra do Medo.Nada f\u00e1cil o papel dos Estados Unidos da Am\u00e9rica no Mundo. Nos pa\u00edses \u00e1rabes os EUA s\u00e3o vistos como o reino do diabo, na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica como opressores; na Europa como rivais e imperialistas. Apesar da Alemanha ter sido libertada e economicamente apoiada pelos americanos verifico no povo e nos alunos grande afecta\u00e7\u00e3o contra os americanos e grande avers\u00e3o contra Busch.<br \/>Naturalmente que Busch n\u00e3o ajuda nada a desfazer preconceitos e os media s\u00f3 espalham o problem\u00e1tico. D\u00e1-se uma instrumentaliza\u00e7\u00e3o de Busch para efeitos pol\u00edticos internos e um aproveitamento pol\u00edtico do terrorismo, mediante uma explica\u00e7\u00e3o mono-causal que apresenta os atentados apenas como consequ\u00eancia da pol\u00edtica americana. Com \u00c2ngela Merkel no governo talvez o clima se mude um pouco.<\/p>\n<p>Identidade nacional \u00e0 custa da promo\u00e7\u00e3o de preconceitos?<br \/>A identidade europeia n\u00e3o pode ser fomentada \u00e0 custa da promo\u00e7\u00e3o de preconceitos contra os americanos. Esta necessidade de identidade europeia, os exageros do governo de Busch e o azedume duma esquerda que viu derrubados os seus sonhos do real-socialismo parecem justificar a avers\u00e3o propagada contra os EUA. A coliga\u00e7\u00e3o Verdes\/SPD alem\u00e3 alimentava-se da avers\u00e3o contra a administra\u00e7\u00e3o americana ao querer ganhar perfil perante a oposi\u00e7\u00e3o e perante os pa\u00edses europeus. Em contexto de coliga\u00e7\u00f5es internacionais de futuro seria miopia para os estados europeus e para os USA uma pol\u00edtica rival.<br \/>No povo, quase toda agente se sente perita em quest\u00f5es americanas atribuindo todas as atrocidades a Busch no Iraque ou \u00e0 sua guerra contra os terroristas. A refer\u00eancia \u00e0s atrocidades de Saddam Hussein que, entre outras, mata, com armas biol\u00f3gicas, 5.000 curdos em 1988 \u00e9 referida \u00e0 margem e contra a vontade. (Naturalmente que a guerra nunca \u00e9 justific\u00e1vel! Nem a do Cossovo nem a do Iraque!). Por outro lado conduzem a argumenta\u00e7\u00e3o sem refer\u00eancia aos terroristas como se estes fossem pobres diabos que agem em leg\u00edtima defesa; conduzem a discuss\u00e3o como se viv\u00eassemos num espa\u00e7o vazio sem necessidade de dar resposta para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas.<br \/>Islamistas resolvem todos os problemas internos atribuindo a culpa ao Ocidente. Sentem-se cronicamente ofendidos pelo mundo ocidental. Nunca se viu, por\u00e9m, que a Umma se pronunciasse contra o barbarismo nas suas fileiras, nem aplicasse penas justas aos autores de atentados. O ignorar estes e outros factos na argumenta\u00e7\u00e3o justifica indirectamente o terror.<br \/>Para contrabalan\u00e7ar tanta agress\u00e3o contra os agressores agredidos, vou mencionar, neste texto, aspectos esquecidos e que nos podem levar a uma discuss\u00e3o mais equilibrada sobre os americanos. Sou do parecer que os grandes destinos da Europa para se tornarem realiz\u00e1veis est\u00e3o condicionados a uma estreita rela\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o americano-europeia e a uma redescoberta da filosofia e da tradi\u00e7\u00e3o dos valores judaico-cris\u00e3os.<\/p>\n<p>                         <b>A Quarta Guerra Mundial<\/b><br \/>A 9.11.1989 deu-se a queda do muro de Berlim depois duma revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica no seio de alguns povos do leste europeu. Com este acontecimento d\u00e1-se o fim da terceira guerra mundial que foi a guerra-fria. Com o desfazer-se da cortina vermelha encerra-se propriamente um s\u00e9culo violento, mesmo brutal na Europa e esvanecem-se ao mesmo tempo os sonhos do socialismo marxista, o que provoca, por outro lado uma grande instabilidade mundial. Por toda a parte surge ent\u00e3o o fen\u00f3meno da guerrilha armada e intelectual. Dos antigos dois blocos resta apenas os EUA como centro de refer\u00eancia para a guerra e para a paz.<br \/>Enquanto que a Europa, para j\u00e1, se encontra pacificada a n\u00edvel regional, a Am\u00e9rica encontra-se desde 11.09. 2002 em guerra, devido ao traum\u00e1tico atentado \u00e0s suas torres, s\u00edmbolo do poder ocidental. Com o 11 de Novembro come\u00e7ou a quarta guerra mundial. (1)<br \/>Os Americanos desejam que os Europeus se tornem aliados de guerra contra o terrorismo. A Europa vivendo j\u00e1 as consequ\u00eancias da guerra cultural no medo e na conten\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o, apesar dos atentados de Madrid e de Londres prefere n\u00e3o falar de guerra, prefere a incerteza e a ingenuidade do n\u00e3o saber. Domina ainda uma atmosfera criada pela gera\u00e7\u00e3o de 68 que legitima, em grande parte, tudo o que leve a desestabilizar a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.<br \/>A Am\u00e9rica plural consegue ser um pa\u00eds de consenso, ao contr\u00e1rio da Europa. Na Am\u00e9rica n\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o contra o or\u00e7amento para a defesa que \u00e9 o maior. A na\u00e7\u00e3o \u00e9 orgulhosa da sua pot\u00eancia. A experi\u00eancia dos Estados Unidos, depois das guerras, foi, duma maneira geral positiva. Na Europa, a experi\u00eancia, depois de tantas guerras sangrentas, \u00e9 contr\u00e1ria. A cultura da recorda\u00e7\u00e3o b\u00e9lica est\u00e1 muito presente, em especial a das duas primeiras guerras mundiais. Estas tornaram a Europa depressiva, insegura, desorientada e descrente. Estrategicamente continua encostada aos Estados Unidos da Am\u00e9rica mas na alma dividida entre socialismo e capitalismo. Se a Am\u00e9rica vive voltada para o futuro a Europa vive voltada para o passado. Se a cultura americana \u00e9 uma cultura de esperan\u00e7a, a cultura europeia cultivada na pra\u00e7a p\u00fablica \u00e9 uma cultura do medo, da culpa e do ressentimento. A Europa cada vez se distancia mais da tradi\u00e7\u00e3o universalista judaico-crist\u00e3.<br \/>A Am\u00e9rica permaneceu uma na\u00e7\u00e3o religiosa. Religi\u00e3o e liberdade andaram sempre de m\u00e3os dadas; nunca houve uma religi\u00e3o de Estado, tamb\u00e9m nunca houve o laicismo nem o anti clericalismo. Nos USA as religi\u00f5es, comunidades religiosas, vivem na e da concorr\u00eancia, tendo cada uma que se esfor\u00e7ar pelas gra\u00e7as dos seus clientes. \u00c0 sexta-feira os parques de estacionamento est\u00e3o cheios \u00e0 volta das mesquitas mu\u00e7ulmanas; ao Domingo d\u00e1-se o mesmo nos parques ao lado das igrejas crist\u00e3s. A emancipa\u00e7\u00e3o d\u00e1-se com a religi\u00e3o. Ao contr\u00e1rio na Europa o movimento de emancipa\u00e7\u00e3o deu-se contra a religi\u00e3o e contra a igreja. De lembrar as lutas jacobinistas na Europa, o laicismo e as lutas religiosas. Nos Estados Unidos h\u00e1 uma separa\u00e7\u00e3o institucional entre Igreja e Estado mas na vida as pessoas s\u00e3o religiosas. Na Europa, a sociedade livre \u00e9 de maneira geral materialista agn\u00f3stica, ateia ou militante contra o cristianismo. Tenham-se presentes os objectivos dos iluminados da revolu\u00e7\u00e3o francesa. Na USA h\u00e1 uma consci\u00eancia religiosa civil. Todos os seus presidentes eram religiosos, enquanto que na Europa ministros da esquerda se negam a aceitar a refer\u00eancia a Deus no acto de juramento (ex. Chanceler alem\u00e3o Schr\u00f6der). A Europa tem uma identidade mais inst\u00e1vel. Aqui sociedade civil e sociedade religiosa concorrem em vez de darem as m\u00e3os.<\/p>\n<p>A Reeduca\u00e7\u00e3o dos Povos no Sentido da Democracia<br \/>76% dos americanos deseja ver a Am\u00e9rica na chefia do mundo. Os americanos v\u00eaem a liberdade como uma oferta de Deus e sentem-se orgulhosos pela sua democracia que \u00e9 o centro de atrac\u00e7\u00e3o de pessoas de todo o mundo e um exemplo da conviv\u00eancia de ra\u00e7as e religi\u00f5es sob a identidade americana. Assim t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o positiva e gratificante com o sentimento patri\u00f3tico. Os americanos querem liberdade, prosperidade e bem-estar para todo o mundo. Esta deve ser alcan\u00e7ada atrav\u00e9s da democracia em todo o mundo. As democracias n\u00e3o fazem guerras umas \u00e0s outras! S\u00e3o contra o fascismo isl\u00e2mico e contra as monarquias autocr\u00e1ticas. Embora geneticamente n\u00e3o tenhamos sido criados para sermos democratas os americanos acreditam na reeduca\u00e7\u00e3o, e sentem-se confirmados com o sucesso obtido na reeduca\u00e7\u00e3o do povo alem\u00e3o. Querem exportar a democracia como os portugueses queriam exportar o cristianismo para as novas terras a descobrir.<\/p>\n<p>               <b>Pol\u00edtica de Imigra\u00e7\u00e3o Inteligente nos USA<\/b><br \/>Enquanto a Am\u00e9rica continua a crescer em termos econ\u00f3micos e de popula\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o europeia diminui e duma maneira catastr\u00f3fica. Enquanto que a Am\u00e9rica recebe os imigrantes de pa\u00edses crist\u00e3os, sem problemas de identidade, a Europa recebe os imigrantes dos pa\u00edses isl\u00e2micos, tornando a sua identidade cada vez mais inst\u00e1vel, atendendo que estes n\u00e3o se tornam europeus.<br \/>A Am\u00e9rica \u00e9 uma sociedade de propriet\u00e1rios. A\u00ed os imigrantes integram-se. 48% dos latinos t\u00eam casa pr\u00f3pria e os chineses t\u00eam quase a mesma percentagem de casas como os americanos.<br \/>A emigra\u00e7\u00e3o para a Europa \u00e9, em grande parte, uma emigra\u00e7\u00e3o para as institui\u00e7\u00f5es sociais ou para servi\u00e7os desqualificados, criando a concorr\u00eancia a n\u00edvel das camadas mais baixas da sociedade. Aqui a burguesia \u00e9 a \u00fanica que \u00e9 servida com a imigra\u00e7\u00e3o, podendo usufruir de criadas de servir baratas, de clientes nos consult\u00f3rios m\u00e9dicos e nos consult\u00f3rios dos advogados; com a imigra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m os assistentes sociais e os professores t\u00eam mais lugares de emprego. N\u00e3o h\u00e1 uma consci\u00eancia de na\u00e7\u00e3o. Os partidos conduzem um discurso mais partid\u00e1rio do que nacional. Enquanto que uma direita est\u00e1 mais interessado na assimila\u00e7\u00e3o a esquerda fomenta mais uma pol\u00edtica do gueto baseada na defesa de direitos de culturas estrangeiras \u00e0 custa dos direitos individuais. (Um exemplo: na Alemanha as meninas mu\u00e7ulmanas s\u00e3o dispensadas de aulas de gin\u00e1stica pelo facto de estas serem mistas). A imigra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 instrumentalizada como compensa\u00e7\u00e3o duma pol\u00edtica anti-fam\u00edlia. Uma ideologia internacionalista, aliada aos interesses imediatos capitalistas, usaram-se dos imigrantes para os seus fins econ\u00f3micos ou ideol\u00f3gicos. Uma esquerda sonhadora ressentida contra a na\u00e7\u00e3o apaixona-se pelos estrangeiros na pra\u00e7a p\u00fablica mas deixando-os sozinhos na vida, entregues \u00e0 fam\u00edlia e a quem aparecesse. N\u00e3o estavam interessados em cidad\u00e3os mas sim em clientela. Irrespons\u00e1veis fomentam e defendem uma imigra\u00e7\u00e3o de forma descontrolada. Em vez de apoiarem os imigrantes individualmente ou de seguirem uma voca\u00e7\u00e3o de solidariedade internacional com a camada prolet\u00e1ria, mediante a transfer\u00eancia de capital e tecnologia para os pa\u00edses pobres ou exploradores de pobres ajudam a estabiliza\u00e7\u00e3o de regimes injustos dando guarida a inc\u00f3modos ou a pobres desses pa\u00edses. Por um lado ajudam incondicionalmente os regimes a oprimir o povo com o apoio e a venda de tecnologia e por outro, para disfar\u00e7ar a culpa fomentam o ref\u00fagio a exilados. (Recordem-se os apoios alem\u00e3es e franceses com a venda de tecnologia, at\u00e9 bacteriol\u00f3gica que Hussein empregou para liquidar o povo curdo, por outro lado recebem-se de bra\u00e7os abertos os curdos perseguidos). Numa Europa em que os partidos n\u00e3o t\u00eam um sentimento patri\u00f3tico aberto mas ideol\u00f3gico como querem os mesmos pol\u00edticos que os estrangeiros se identifiquem com a na\u00e7\u00e3o? Um contra-senso, uma hipocrisia! Na Am\u00e9rica h\u00e1 uma multicultura que funciona. L\u00e1 os pol\u00edticos dos v\u00e1rios partidos primeiro s\u00e3o americanos; s\u00f3 depois s\u00e3o republicanos, sociais-democratas, etc. Neste ambiente um latino sente-se latino com identidade americana. Todos os povos imigrados, mesmo os irlandeses e alem\u00e3es se integraram. Na Europa \u00e9 urgente a intercultura e n\u00e3o a multicultura, atendendo \u00e0 realidade europeia com uma cultura da luta cultural (Kulturkampf).<br \/>Um dos fundamentos do progresso americano \u00e9 o seu esp\u00edrito criativo e religioso<br \/>A Am\u00e9rica cada vez est\u00e1 mais conservadora e afirma-se no cultivo de valores conservadores que a mant\u00eam \u00e0 frente do mundo. (Uma esp\u00e9cie de meio-termo num mundo retr\u00f3grado!) \u00c9 interessante que um pa\u00eds conservador faz mais pelo progresso do mundo e dos povos do que os apologistas de pol\u00edticas prolet\u00e1rias e do que os pa\u00edses do real-socialismo falido. Parece estranho mas na Am\u00e9rica o aborto \u00e9 considerado assass\u00ednio. O democrata Clinton fala da trag\u00e9dia do aborto. Se a mulher diz que a barriga \u00e9 dela, ent\u00e3o o Estado n\u00e3o a protege. \u00c9 curioso que o presidente Busch tenha tido mais votos dos pretos e mais votantes cat\u00f3licos do que o presidente cat\u00f3lico (Clinton). O aspecto religioso dos americanos torna-se vis\u00edvel na sua orienta\u00e7\u00e3o para o futuro. Ningu\u00e9m se envergonha de estar desempregado. Por outro lado a economia de mercado americana \u00e9 mais viva do que a europeia. Os americanos s\u00e3o mais an\u00e1rquicos. Ao contr\u00e1rio dos europeus os americanos v\u00eam o governo do Estado como uma parte dos problemas e n\u00e3o como sua solu\u00e7\u00e3o. At\u00e9 2040 as caixas de reforma contam com saldo positivo enquanto que na Europa, devido ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, se conta com grandes problemas; na Alemanha j\u00e1 querem a reforma a partir dos 67 anos e daqui a 20\/30 anos a reforma passar\u00e1 a constituir apenas 45% do ordenado regular!<br \/>Aos Europeus falta-lhes o realismo: os pol\u00edticos europeus j\u00e1 fazem festa quando verificam que o seu avi\u00e3o com patente europeia consegue voar!&#8230;<br \/>A Europa tem naturalmente uma via mais pac\u00edfica e mais social para as camadas sociais mais carenciadas. O caminho por\u00e9m ter\u00e1 que passar pela restitui\u00e7\u00e3o da alma europeia ao povo europeu. Um povo sem alma perde a sua identidade e destr\u00f3i-se com o tempo. N\u00e3o chega s\u00f3 viver o dia a dia nem o ressentimento relativamente ao passado, para se dar resposta \u00e0s necessidades dum povo. O povo precisa de p\u00e3o e d\u00e3o-lhe ideologia. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que todos se confessem anualmente ou que v\u00e3o \u00e0 Igreja aos domingos. Importante \u00e9 que descubram a sua dignidade de povo digno, de homens livres e n\u00e3o de escravos seja de qual ideologia for, seja de que poder for. Na sociedade crist\u00e3 n\u00e3o pode haver escravos, s\u00f3 h\u00e1 filhos, s\u00f3 h\u00e1 irm\u00e3os; ela n\u00e3o conhece apenas os s\u00f3cios, os camaradas, os parceiros accionistas; todos s\u00e3o pr\u00f3ximo. Todos fizeram erros, igrejas, estados, ide\u00f3logos e pol\u00edticos. N\u00e3o se trata de dividir valores ou de os marralhar. Todos s\u00e3o necess\u00e1rios numa Europa reconciliada a construir numa tentativa de nos tornarmos mais Homens, mais sociedade, diria mesmo uma comunidade, uma comunidade de vida partilhada a todos os n\u00edveis, no respeito pelas ideias e formas de vida.<br \/>A Europa s\u00f3 tem hip\u00f3tese no futuro seguindo o caminho da reconcilia\u00e7\u00e3o entre o povo europeu e o americano. O problema \u00e9 que algumas pot\u00eancias europeias ainda se d\u00e3o ao devaneio de cultivar o anti-americanismo, motivo de orgulho e galhardia que n\u00e3o passa de miopia. O que \u00e9 preciso \u00e9 um di\u00e1logo cr\u00edtico mas convergente. O SPD e os Verdes conseguiram ganhar consecutivamente duas vezes as elei\u00e7\u00f5es na Alemanha com propaganda anti-americana. Uma estrat\u00e9gia de auto-afirma\u00e7\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade numa atitude antag\u00f3nica perante os outros, ou na reac\u00e7\u00e3o do contra n\u00e3o \u00e9 digna da heran\u00e7a judaico-crist\u00e3. Aqui tem dado bom exemplo a Pol\u00f3nia que n\u00e3o tem tido medo de se declarar amiga dos americanos, o que n\u00e3o implica abdica\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica. Os europeus s\u00e3o demasiadamente fracos para se poderem colocar \u00e0 mesma altura nas rela\u00e7\u00f5es de di\u00e1logo em mesa redonda com os americanos. Por outro lado s\u00e3o demasiado orgulhosos para seguirem o mesmo caminho. Os europeus n\u00e3o querem ser os pol\u00edcias do mundo, querem apenas o proveito. O sub-servilismo europeu tem a ver com a sua depend\u00eancia do petr\u00f3leo obrigando a Europa a engolir cobras e lagartos nas rela\u00e7\u00f5es com os \u00e1rabes. Os americanos t\u00eam uma relativa independ\u00eancia do petr\u00f3leo e s\u00e3o um povo jovem. Os europeus atormentam-se tamb\u00e9m com a m\u00e1 consci\u00eancia no que respeita ao colonialismo. Qualquer discuss\u00e3o s\u00e9ria actual, na falta de argumentos, n\u00e3o abdica da difama\u00e7\u00e3o do passado europeu, aterrando sempre nas cruzadas ou no colonialismo. Perguntai a qualquer crian\u00e7a algo importante sobre a hist\u00f3ria. N\u00e3o saber\u00e1! Em compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o faltar\u00e1 um saber emocional sobre bruxas, as crueldades s\u00f3 dos cruzados e as barbaridades dos descobrimentos e coloniza\u00e7\u00f5es. Enfim, a Hist\u00f3ria ao servi\u00e7o de ideologia contra a na\u00e7\u00e3o e contra o pensar judaico-cristao. A na\u00e7\u00e3o precisa mais de patriotas do que de ideologias. A luta contra o fantasma da Na\u00e7\u00e3o deveria j\u00e1 estar superada com umas aulitas de hist\u00f3ria sobre a \u00e9poca do absolutismo e das lutas liberais e sobre a guerra-fria entre o socialismo e o capitalismo.<br \/>                  <b>O significado da luta das culturas<\/b><br \/>O terror isl\u00e2mico constituir\u00e1 o problema comum dos pr\u00f3ximos quarenta anos (depois vir\u00e1 a China!). Ele \u00e9 mais que a guerra dos pobres. Na Europa surgir\u00e3o grandes problemas sociais atendendo a uma pol\u00edtica irrespons\u00e1vel para com as camaradas jovens, \u00e0 ingenuidade de camaradas e companheiros e a um turbo-capitalismo desumano. Uma contradi\u00e7\u00e3o: este turbo-capitalismo global far\u00e1, por\u00e9m, muito mais pelos povos pobres do terceiro mundo do que todos os programas de ajuda ao desenvolvimento que at\u00e9 agora se praticaram.<br \/>Os europeus andam \u00e0 deriva seguindo o esp\u00edrito da \u00e9poca. Mais nacionalistas que patriotas as na\u00e7\u00f5es europeias encostam-se \u00e0 Europa, n\u00e3o por convic\u00e7\u00e3o mas por raz\u00e3o. Inclinados ao moralismo, invejosos do pragmatismo americano inclinam-se mais ao discurso elitista irreal na desconsidera\u00e7\u00e3o de tudo o que \u00e9 povo, falando embora em seu nome.<br \/>O problema do futuro para os americanos e para os europeus ser\u00e1 o desenvolvimento da China que se arma cada vez mais podendo tornar-se potenciais parceiros ou advers\u00e1rios. Uma via poss\u00edvel do futuro n\u00e3o poder\u00e1 continuar a ser a via dial\u00e9ctica, a diverg\u00eancia entre as culturas, a rivalidade entre a Europa e a Am\u00e9rica, mas sim a via da converg\u00eancia, da m\u00edstica. A for\u00e7a judaico-crist\u00e3 com a sua capacidade integradora e de acultura\u00e7\u00e3o poder\u00e1, numa nova redescoberta que passar\u00e1 pela m\u00edstica, tornar-se a for\u00e7a motriz desta civiliza\u00e7\u00e3o, actualmente t\u00e3o sem alma, sem um tecto transcendente. Ent\u00e3o as nuvens negras que se descortinam no horizonte dissipar-se-\u00e3o e talvez a quarta guerra mundial se dissipe como a terceira, acabando-se ent\u00e3o com os muros das culturas, como se acabou com o muro de Berlim.<br \/>Como m\u00e3e sem pai a Europa orienta o di\u00e1logo e os americanos fazem a pol\u00edtica. Dialogam e oferecem conversa\u00e7\u00f5es mas n\u00e3o t\u00eam nada para oferecer.<br \/>Os EUA e a EU ter\u00e3o que se unir no esfor\u00e7o duma pol\u00edtica de normaliza\u00e7\u00e3o como foi feito com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica nos anos setenta. S\u00f3 assim a guerra-fria das culturas poder\u00e1 ser superada. Europeus e americanos t\u00eam de se tornar conscientes do seu papel civilizador no mundo. Uma cultura em que todo o ser humano passa a ser pr\u00f3ximo e n\u00e3o rival.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<br \/>a.c.justo@t-online.de<\/p>\n<p>(1) Esta guerra de culturas durar\u00e1 at\u00e9 que os pa\u00edses isl\u00e2micos d\u00eaem um grande passo em frente no desenvolvimento da sua sociedade, tal como aconteceu com a Europa no s\u00e9culo 16. O humanismo Isl\u00e3o ser\u00e1 provocado pelas classes intelectuais dos mu\u00e7ulmanos da di\u00e1spora, pela democratiza\u00e7\u00e3o do ensino nos pa\u00edses \u00e1rabes, por uma certa independ\u00eancia dos pa\u00edses do ocidente, mediante uma pol\u00edtica de promo\u00e7\u00e3o de energias alternativas ao petr\u00f3leo. A verdadeira revolu\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica ser\u00e1 ent\u00e3o levada a efeito pela mulher que acordar\u00e1 da longa letargia e obrigar\u00e1 a cultura \u00e1rabe a reconhecer a mulher, a m\u00e3e-terra e assim criar um equil\u00edbrio entre o princ\u00edpio masculino e o princ\u00edpio feminino. \u00c0 sobra das lutas culturais entre a cultura ocidental e a mu\u00e7ulmana a China crescer\u00e1 e afirmar-se-\u00e1. A R\u00fassia entre a Europa e a China ter\u00e1 um grande papel nos des\u00edgnios do futuro. <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que a Europa deveria aprender da Am\u00e9rica e vice-versaO Medo da Guerra leva \u00e0 Guerra do Medo.Nada f\u00e1cil o papel dos Estados Unidos da Am\u00e9rica no Mundo. Nos pa\u00edses \u00e1rabes os EUA s\u00e3o vistos como o reino do diabo, na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica como opressores; na Europa como rivais e imperialistas. 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