{"id":1158,"date":"2007-11-17T10:52:00","date_gmt":"2007-11-17T09:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1158"},"modified":"2007-11-17T10:52:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:52:00","slug":"modelo-de-ensino-falhado-num-pais-a-disposicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1158","title":{"rendered":"MODELO DE ENSINO FALHADO NUM PA\u00cdS \u00c0 DISPOSI\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>As Escolas Espelho da Na\u00e7\u00e3o<\/b><br \/>O Ensino est\u00e1 cronicamente doente em Portugal. Este doente cr\u00f3nico reflecte o estado das elites que temos, por ele preparadas! Um ciclo vicioso!<br \/>Uma pol\u00edtica pedante incapaz de trabalho s\u00e9rio a n\u00edvel de concep\u00e7\u00e3o, de remodela\u00e7\u00e3o, de programa\u00e7\u00e3o, de estrat\u00e9gias e de empenho limita-se a estar presente na pra\u00e7a, de maneira desqualificada. Como \u00e9 j\u00e1 tradi\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o vai regularmente distraindo o povo apenas com ru\u00eddos pol\u00e9micos provenientes do \u201ctronco\u201d. O \u00faltimo, no novo projecto do estatuto da carreira docente, \u00e9 do seguinte teor: \u201cCada encarregado de educa\u00e7\u00e3o individualmente vai fazer uma avalia\u00e7\u00e3o do trabalho dos professores que d\u00e3o aulas aos seus filhos\u2026\u201d. A aprecia\u00e7\u00e3o dos pais ser\u00e1 depois tida em conta, na subida de escal\u00e3o dos docentes. O novo estatuto deve entrar em vigor a partir do dia 1 de Janeiro de 2007. Pol\u00edticos de quarta classe, na impossibilidade de conceberem e agirem, delegam nos pais a pr\u00f3pria fraqueza, de que todos somos v\u00edtimas. Procede-se \u00e0 desqualifica\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o dos professores pela qual o estado \u00e9 respons\u00e1vel.<br \/>Em teoria, esta legisla\u00e7\u00e3o seria \u00f3bvia e vi\u00e1vel se o povo se encontrasse j\u00e1 num estado de desenvolvimento superior ao dos nossos pr\u00f3prios governantes.<br \/>A ingenuidade, o oportunismo e a fraqueza pol\u00edtica, manifestas no presente projecto, s\u00f3 podem conduzir a situa\u00e7\u00f5es ca\u00f3ticas: aos alunos \u00e9 atribu\u00eddo um papel de testemunhas absolutas, in causa propria, nos pretensos falhan\u00e7os dos professores. Um malentendido e uma agress\u00e3o dum aluno contra o professor chega para movimentar pais, a n\u00e3o ser que se d\u00ea, tamb\u00e9m a estes, o direito \u2013 dever de irem assistir \u00e0s aulas\u2026<br \/>Torna-se evidente uma contradi\u00e7\u00e3o absoluta no nosso sistema democr\u00e1tico partid\u00e1rio: pol\u00edticos, representantes duma democracia representativa cada vez mais al\u00e9rgica ao povo, querem, irresponsavelmente, impor elementos de democracia directa aos outros\u2026 Ou ser\u00e1 que querer\u00e3o sorrateiramente fortalecer o poder de interven\u00e7\u00e3o das suas estruturas partid\u00e1rias a n\u00edvel local? Ou querem apenas impor \u201cjusti\u00e7a popular\u201d aos outros quando para eles se reservam \u201ca de Castela\u201d. Talvez apenas o jogo do rato e do gato!<\/p>\n<p>                         <b>Continua a ser noite em Portugal!&#8230;<\/b><br \/>Uma certa ideologia socialista errada procurou, por todo o lado, desmiolar o ensino e desautorizar o professorado para criar sistematicamente a rebaldaria e para \u00e0 sombra das ru\u00ednas melhor poder esconder a sua incompet\u00eancia e implementar uma imagem de \u201csociedade \u00e0 la carte\u201d. Para isso apoderaram-se do ensino e da administra\u00e7\u00e3o. Em pleno dia, \u00e0 sombra dos minist\u00e9rios, as cigarras continuam a viver e a cantar \u00e0 custa das formigas. Apesar da sua longa sesta, a na\u00e7\u00e3o d\u00e1-se ao luxo de n\u00e3o acordar!<br \/>Os an\u00f3nimos do poder, sem conceitos nem responsabilidade pelo bem comum deitam tudo abaixo destruindo uma sociedade organicamente estruturada, que se encontra doente devido a interven\u00e7\u00f5es ininterruptas meramente ideol\u00f3gicas e ocasionais. A sua oportunidade \u00e9 a rua e a sua mais valia est\u00e1 na c\u00f3pia de ideias peregrinas j\u00e1 ultrapassadas mas para eles imunes por terem sido lidas algures no estrangeiro. Assim destroem uma na\u00e7\u00e3o e abusam dum povo a quem quebraram a espinha dorsal depois de tantas \u00e9pocas de preponder\u00e2ncia e de irresponsabilidade. Em vez de meterem m\u00e3os \u00e0 obra duma restaura\u00e7\u00e3o, ainda por fazer, e que para ser s\u00e9ria ter\u00e1 de come\u00e7ar por eles, atiram areia para os olhos do povo que querem sem alma, \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a. Em tempos de crise chega destruir sistematicamente a autoridade, neste caso a dos professores.<br \/>A melhor prova de que a nossa escola precisa duma reforma profunda \u00e9 o facto de produzir respons\u00e1veis assim. Estes delegam o saber e a responsabilidade na rua mas o poder querem-no s\u00f3 para eles.<br \/>Esta medida desautoriza as comiss\u00f5es de pais j\u00e1 existentes bem como as organiza\u00e7\u00f5es de alunos nos diferentes gr\u00e9mios escolares. Porque n\u00e3o reformam todo o sistema e n\u00e3o fortificam estes gr\u00e9mios em vez de esconderem a incompet\u00eancia por detr\u00e1s de novos remendos?<br \/>Querem apenas um sistema de automatismos que prescinda da pessoa. Querem uma forma\u00e7\u00e3o para o anonimato e para a docilidade para com um estado partid\u00e1rio dum povo reduzido a votante ocasional. Para isso bane-se da escola o esfor\u00e7o, a autoridade, a responsabilidade. Pretende-se fazer da escola um \u201csistema social\u201d, um estado de gra\u00e7a. Tamb\u00e9m os professores para n\u00e3o serem incomodados dever\u00e3o distribuir mediocridade, oferecer boas notas na defesa da sua nota!&#8230;<br \/>O ensino p\u00fablico cada vez est\u00e1 mais deteriorado apesar do excesso duma forma\u00e7\u00e3o \u2013 indoutrina\u00e7\u00e3o cont\u00ednua sub-rept\u00edcia de professores atrav\u00e9s da interven\u00e7\u00e3o ministerial \u2013 partid\u00e1ria com formadores \u00e0 maneira em equipas de disposi\u00e7\u00e3o administrativa ou partid\u00e1ria tamb\u00e9m no sentido de aproveitar verbas \u2013 desperd\u00edcio da Uni\u00e3o Europeia. Haja forma\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de professores mas com regras bem definidas e transparentes, com objectividade e com rigor.<\/p>\n<p>              <b>Ontem \u201cem nome da na\u00e7\u00e3o\u201d hoje \u201cem nome da democracia\u201d! Um equ\u00edvoco?&#8230;<\/b><br \/>A escola e a pol\u00edtica mudam-se ao sabor dos tempos e das vontades! Hoje, o povo por\u00e9m, embora com mais tempo a aquecer os bancos da escola, e um pouco de mais sopa e p\u00e3o, est\u00e1 cada vez mais na mesma!&#8230; Nos outros tempos a escola do Estado Novo era mais cient\u00edfica, mais exigente. Era naturalmente mais selectiva e mais repressiva, preocupava-se sobretudo com os resultados, com \u201cos melhores\u201d. O seu car\u00e1cter cient\u00edfico e selectivo criava esp\u00edritos mais livres e independentes, mas em servi\u00e7o!&#8230; Hoje a escola \u00e9 mais social, nivela o ensino pelas bases, sem tanta exig\u00eancia cria mais adaptados.<b> A submiss\u00e3o deu lugar a subordina\u00e7\u00e3o<\/b>. As elites que antigamente governavam o povo partiam dum povo d\u00f3cil sem grandes exig\u00eancias: eram prisioneiras de si mesmas. A concorr\u00eancia dava-se sobretudo a n\u00edvel cient\u00edfico, no meio acad\u00e9mico, nas camadas m\u00e9dia e privilegiada. As melhores cabe\u00e7as da camada oper\u00e1ria tinham apenas a oportunidade de subir atrav\u00e9s da Igreja. \u00c0 frente do estado e da sociedade estavam consequentemente \u201cos melhores\u201d da respectiva classe.<br \/>A democracia partid\u00e1ria inverteu os termos a n\u00edvel de estrat\u00e9gias. Mas manteve os princ\u00edpios semelhantes a n\u00edvel de c\u00fapulas: servir-se do Estado! Agora \u00e9 a hora da constru\u00e7\u00e3o dum estado partid\u00e1rio, pior ainda dum povo partid\u00e1rio! O que antes estava reservado a poucos passa agora, pelo menos teoricamente, a estar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todas as classes s\u00f3cio-econ\u00f3micas. Um erro na mudan\u00e7a do sistema foi prescindir-se da qualidade. Massificou-se o ensino, socializando-o pelo princ\u00edpio do menor esfor\u00e7o das bases. Se antigamente o acesso aos bons lugares era efectuado atrav\u00e9s da burguesia instalada, hoje \u00e9 efectuada atrav\u00e9s dos partidos e correligion\u00e1rios instalados na administra\u00e7\u00e3o e em lugares reservados. Se no tempo de Salazar os privilegiados eram chamados a ocupar postos \u201cem nome do bem da na\u00e7\u00e3o\u201d, hoje s\u00e3o nomeados politicamente \u201cem nome da democracia\u201d. Se antigamente a disciplina escolar dava \u00e0 burguesia capacidade de acesso \u00e0s c\u00fapulas, o servi\u00e7o militar era a escola da na\u00e7\u00e3o para o povo simples\u2026 hoje a liberdade de opini\u00e3o confere a alguns o acesso \u00e0s c\u00fapulas e a propaganda partid\u00e1ria possibilita o acesso \u00e0a uma verdade para o povo. Se antigamente a escola era caracterizada pela disciplina e pela selec\u00e7\u00e3o conduzindo ao conformismo, e \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o dum lugar ao sol, hoje a escola \u00e9 mais libertina e social levando mais ao oportunismo, \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o, ao desrespeito, \u00e0 revolta e tamb\u00e9m a um lugar ao sol. Ser\u00e1 que s\u00f3 as moscas \u00e9 que mudam?!<\/p>\n<p>                    <b>Ontem os afilhados hoje os filiados!<\/b><br \/>Com o 25 de Abril entrou-se no experimentalismo, no provis\u00f3rio duma sociedade cobaia sempre na procura de novas teorias e oportunismos. A verdade n\u00e3o existe nem acontece, conquista-se!&#8230;<br \/>A escola sem meios, deve sarar as doen\u00e7as que a sociedade laxista e a pol\u00edtica irrespons\u00e1vel criam: tudo menos escola na escola.<br \/>Os professores devem ser tudo: pais, criados, psic\u00f3logos, assistentes sociais, tudo menos professores! Sim porque a sociedade est\u00e1 doente! A escola como panaceia para as doen\u00e7as da sociedade continua a fixar fatalmente o pobre \u00e0 pobreza e a impedir a cria\u00e7\u00e3o duma nova consci\u00eancia.<br \/>Parece que se quer um Estado cada vez mais partido, mas auto-suficiente que pretende um povo s\u00fabdito conformista e adaptado \u00e0 verdade ideol\u00f3gica e ao seu oportuno aparelho administrativo; um estado patr\u00e3o que faz do povo quintal cobaia, dos pais progenitores e da fam\u00edlia rival. Se os de antes queriam o Estado Novo, os de hoje pretendem o Novo Estado! Ontem os afilhados hoje os filiados!<br \/>          A classe dos professores embora socialmente relevante quer-se desprezada e molusca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<br \/>Para que compet\u00eancias quer o sistema de educa\u00e7\u00e3o que se eduque? N\u00e3o parece estar interessado em preparar para a vida e para a autonomia nem que os alunos aprendam a saber pensar e fazer. Tamb\u00e9m os representantes da nossa democracia parecem estar s\u00f3 interessados em formar ovelhas e n\u00e3o pastores. Quanto aos desamparados querem-se remediados mas pobres de esp\u00edrito!<br \/>Quando surge o 25 de Abril para todos? Para que o futuro do Povo portugu\u00eas n\u00e3o continue a ser adiado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso uma nova consci\u00eancia e uma nova ideia de homem e de sociedade!<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Escolas Espelho da Na\u00e7\u00e3oO Ensino est\u00e1 cronicamente doente em Portugal. Este doente cr\u00f3nico reflecte o estado das elites que temos, por ele preparadas! 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