{"id":1151,"date":"2007-11-17T10:48:00","date_gmt":"2007-11-17T09:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1151"},"modified":"2007-11-17T10:48:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:48:00","slug":"portugal-o-brasil-e-a-alemanha-sofrem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1151","title":{"rendered":"Portugal, o Brasil e a Alemanha sofrem"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>A vida fora de jogo<\/b><br \/>O Mundial n\u00e3o deixa ningu\u00e9m indiferente. Sob a press\u00e3o do sucesso, de desejos, de projec\u00e7\u00f5es, transfer\u00eancias e recalcamentos, tudo \u00e9 jogado no relvado. Tudo quer ganhar: ganhar custe o que custar, mesmo \u00e0 custa da arte porque quem n\u00e3o joga na defensiva arrisca-se.<br \/>Esta \u00e9 a hora dos s\u00edmbolos, dos sonhos, das ilus\u00f5es. \u00c9 a festa da vida em segunda m\u00e3o. Atr\u00e1s dos s\u00edmbolos, \u00e0 sombra da realidade agarrados, contra ou a favor, rimos, cant\u00e1mos e chor\u00e1mos. No hino \u00e0 recorda\u00e7\u00e3o, iludimos o presente, indo \u00e0 festa sem l\u00e1 estar. Nestas andan\u00e7as e na corrente das emo\u00e7\u00f5es vive-se da ideia, das imagens e sensa\u00e7\u00f5es colocadas nos s\u00edmbolos. A ideia relega a percep\u00e7\u00e3o e torna-se realidade substituindo-a mesmo; isto tanto na vida pensada, substitu\u00edda, tal como no futebol. Tanta palavra, tanta imagem, tanto pensar a impedir a observa\u00e7\u00e3o,a turvar a intelig\u00eancia. Com isto a nacionalidade, a portugalidade sobrevive na imagina\u00e7\u00e3o, nas reservas de Portugal emigradas\u2026<br \/>Passamos a cidad\u00e3os jogadores, deixamos de observar para fazermos parte do jogo, prisioneiros do relvado e do ecr\u00e3, perdidos pela p\u00e1tria no tempo a passar\u2026<br \/>Neste recanto de ref\u00fagio da realidade, levantamos os copos do presente bebendo-o \u00e0 sa\u00fade da sobreviv\u00eancia na comunidade nacional. Tamb\u00e9m nesta distrac\u00e7\u00e3o da vida queremos resgatar a realidade no gesto inocente duma vida n\u00e3o vivida, no retorno \u00e0 ilus\u00e3o. Depois o enjoo na cata duma nova ilus\u00e3o, inconscientes de que a vida anda fora de jogo. Aqui, como nas festas das utopias sacrifica-se a vida \u00e0 ideia da vida, submete-se a realidade \u00e0 ideia da mesma: um estado permanente de esquizofrenia. Neste contexto, mais que encontros de povos d\u00e3o-se torneios de ideias formadas sobre povos e sobre os actores do palco. O contacto f\u00edsico \u00e9 por\u00e9m o aspecto real que parece salvar a situa\u00e7\u00e3o. A proximidade corporal e emocional transp\u00f5e montanhas; ao fim e ao cabo a poesia \u00e9 que possibilita o amor, a compreens\u00e3o.<br \/>A express\u00e3o \u00e9 tudo. Manifesta-se a compaix\u00e3o, o sofrer com os que perdem e a admira\u00e7\u00e3o com os que ganham. De entremeio situa-se a vida. Esta \u00e9 complexa n\u00e3o se podendo reduzir aos padr\u00f5es para decalque que dela nos s\u00e3o possibilitados. Naturalmente que n\u00e3o somos seres puros, estamos condicionados pela pr\u00f3pria cultura. O que nos resta \u00e9 observarmo-nos a n\u00f3s e a ela para nos compreendermos e compreendermos um mundo de que fazemos parte sem nos reduzirmos a objectos ou mol\u00e9culas da grande massa.<br \/>No Mundial os povos das na\u00e7\u00f5es tiveram oportunidade de se tornarem conscientes da provisoriedade das suas fronteiras e das jerarquias inimigas do ser humano que aqui, por vezes, s\u00e3o quebradas. Tamb\u00e9m o preconceito das sombras nazis que pairavam nas cabe\u00e7as de muitas na\u00e7\u00f5es e tornavam os jovens alem\u00e3es cativos dum passado indigno \u00e9 dissipado atrav\u00e9s da maneira humana e sens\u00edvel como os alem\u00e3es t\u00eam sido descobertos.<br \/>Uma li\u00e7\u00e3o importante do futebol: o intelecto divide e o cora\u00e7\u00e3o une. Da rela\u00e7\u00e3o surge vida e energia. O relacionamento desbloqueia libertando energias salutares integrais e integradoras.<br \/>Um aspecto impressionador \u00e9 o facto de uma Europa que j\u00e1 se tinha libertado de Deus e em via de se libertar do Homem celebrar t\u00e3o comovida e liturgicamente o deus futebol. \u00c9 estranho que se tenha deitado Deus no caixote do lixo para criarmos outros deuses secund\u00e1rios que nos afastam da realidade reduzindo-nos \u00e0 categoria laica de adeptos, de adaptados. Tudo isto em nome duma liberdade que ainda se n\u00e3o sabe soletrar e de ideais idol\u00e1tricos.<br \/>Se a pol\u00edtica, a economia e a religi\u00e3o alimentam o sentimento, a emo\u00e7\u00e3o e a ilus\u00e3o, a ci\u00eancia vive do intelecto, os h\u00e1bitos vivem da rotina, tudo \u00e0 custa da realidade e do Homem\u2026<br \/>O futebol global n\u00e3o \u00e9 portugu\u00eas, brasileiro nem alem\u00e3o! \u00c9 um abstracto no relvado da imagina\u00e7\u00e3o. Tudo isso al\u00e9m do mais\u2026<br \/>Sim, at\u00e9 porque na realidade n\u00e3o!&#8230;<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida fora de jogoO Mundial n\u00e3o deixa ningu\u00e9m indiferente. Sob a press\u00e3o do sucesso, de desejos, de projec\u00e7\u00f5es, transfer\u00eancias e recalcamentos, tudo \u00e9 jogado no relvado. 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