{"id":1149,"date":"2007-11-17T10:47:00","date_gmt":"2007-11-17T09:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1149"},"modified":"2007-11-17T10:47:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:47:00","slug":"cas-tristes-tristes-caes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1149","title":{"rendered":"C\u00e3s tristes &#8211; Tristes c\u00e3es!"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    Volto de f\u00e9rias passadas na calma e laboriosa Branca, Albergaria.<br \/>Trago comigo a nostalgia! N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a saudade daquela gente t\u00e3o boa e das paisagens impares, mas tamb\u00e9m aquela tristeza de premeio do latir dos c\u00e3es solit\u00e1rios e mendigos de carinho. Por companheiros t\u00eam apenas o cadeado e a voz dos outros parceiros de infort\u00fanio que se torna caracter\u00edstica ao anoitecer nas paisagens nortenhas. Tornados recorda\u00e7\u00f5es da terra, eles s\u00e3o sentinelas, testemunhas duma paisagem e duma humanidade inconsciente em que a identifica\u00e7\u00e3o com a natureza e com os animais se torna dif\u00edcil na luta pela subsist\u00eancia. O sofrer da natureza anda ligado ao sofrimento do Homem\u2026 Nos pa\u00edses pobres o c\u00e3o \u00e9 mais uma coisa que pode ser \u00fatil do que um ser vivo com sentimentos. Os seus latidos s\u00e3o tristezas n\u00e3o choradas, s\u00faplicas de povo \u00e0 terra atado.<br \/>Nesta minha nostalgia tamb\u00e9m anda uma recorda\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a. A daquele c\u00e3o de aldeia que j\u00e1 noite adiantada consegue libertar-se do cadeado que o prendia e, farejando, se dirige \u00e0 campa da sua dona, l\u00e1 no fundo da freguesia, nesse dia triste de Outono enterrada. Pressuroso, com as suas patas remove a terra da campa\u2026 De manh\u00e3 encontram-no, extenuado do cansa\u00e7o, repousando no buraco da terra parecendo escutar o segredo da dona que ali quer guardar.<br \/>Recordo tamb\u00e9m o caso do her\u00f3i Ulisses que ap\u00f3s a sua odisseia de muitos anos, depois do cerco de Tr\u00f3ia, ao voltar esfarrapado a sua casa na ilha de \u00cdtaca (Tiaqui), ningu\u00e9m o conhece. Apenas o seu velh\u00edssimo c\u00e3o o reconhece. Euf\u00f3rico por tornar a ver o seu dono o cora\u00e7\u00e3o rebenta-lhe de alegria caindo morto aos p\u00e9s de Ulisses.<br \/>Amigo e confidente de pessoas, companheiro de idosos, salvador de vidas entre escombros, ou colaborador na procura de drogas, o c\u00e3o a\u00ed est\u00e1 sempre pronto e dispon\u00edvel.<br \/>A sua companhia tem efeitos muito positivos e terap\u00eauticos sobre os donos. Estes dormem melhor e n\u00e3o precisam de visitar tantas vezes o m\u00e9dico nem de tomar tantos comprimidos. A sua vida prolonga-se. Tamb\u00e9m a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea dos seus donos funciona melhor atendendo a que t\u00eam de dar os seus passeios di\u00e1rios com ele, esteja bom ou mau tempo.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo                   <\/p>\n<div align=\"right\"> <b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/div>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volto de f\u00e9rias passadas na calma e laboriosa Branca, Albergaria.Trago comigo a nostalgia! N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a saudade daquela gente t\u00e3o boa e das paisagens impares, mas tamb\u00e9m aquela tristeza de premeio do latir dos c\u00e3es solit\u00e1rios e mendigos de carinho. 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