{"id":11458,"date":"2026-10-13T23:04:59","date_gmt":"2026-10-13T22:04:59","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11458"},"modified":"2026-10-13T23:20:53","modified_gmt":"2026-10-13T22:20:53","slug":"politica-real-e-o-interesse-nacional-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11458","title":{"rendered":"POL\u00cdTICA REAL E O INTERESSE NACIONAL PORTUGU\u00caS"},"content":{"rendered":"<div class=\"xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">Excepcionalmente, coloco aqui o artigo do senhor embaixador Francisco Henriques da Silva por o achar muito esclarecedor para quem quer pensar por si pr\u00f3prio:<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">UCR\u00c2NIA &#8211; A REALPOLITIK E O INTERESSE NACIONAL PORTUGU\u00caS .<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">A Ucr\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 membro da NATO nem da Uni\u00e3o Europeia. Consequentemente, n\u00e3o lhe s\u00e3o aplic\u00e1veis as cl\u00e1usulas de defesa coletiva e de assist\u00eancia m\u00fatua previstas, respetivamente, no artigo 5.\u00ba do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte e no artigo 42.\u00ba, n.\u00ba 7, do Tratado da Uni\u00e3o Europeia.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Esta distin\u00e7\u00e3o jur\u00eddica \u00e9 fundamental. Portugal n\u00e3o assumiu, nem pode assumir, relativamente \u00e0 Ucr\u00e2nia, as mesmas obriga\u00e7\u00f5es de defesa que assumiu perante os seus aliados da NATO e os restantes Estados-Membros da Uni\u00e3o Europeia.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Condenar a invas\u00e3o russa, prestar ajuda humanit\u00e1ria e defender uma solu\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica n\u00e3o obriga, por\u00e9m, a apoiar indiscriminadamente todas as decis\u00f5es de Kiev, nem a assumir compromissos militares, financeiros ou pol\u00edticos sem uma avalia\u00e7\u00e3o rigorosa dos custos, dos riscos e dos benef\u00edcios para Portugal. E \u00e9 isso que nos interessa<\/div>\n<div dir=\"auto\">A solidariedade internacional n\u00e3o pode ser confundida com a obriga\u00e7\u00e3o de participar num conflito, nem a condena\u00e7\u00e3o de uma agress\u00e3o implica a ades\u00e3o incondicional \u00e0 estrat\u00e9gia do Estado agredido.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Na minha perspetiva, Portugal deve privilegiar a ajuda humanit\u00e1ria, a diplomacia e a procura de uma solu\u00e7\u00e3o negociada, evitando sempre um envolvimento militar direto e avaliando com o m\u00e1ximo rigor qualquer apoio adicional, designadamente financeiro ou militar. N\u00e3o por indiferen\u00e7a perante o sofrimento dos ucranianos, mas porque compete aos respons\u00e1veis pol\u00edticos portugueses determinar, antes de mais, o que serve os interesses nacionais e quais os riscos que o Pa\u00eds est\u00e1 disposto a assumir.<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u00c9 isso que entendo por realpolitik e neutralidade pragm\u00e1tica: n\u00e3o uma neutralidade jur\u00eddica formal, nem a indiferen\u00e7a perante as viola\u00e7\u00f5es do direito internacional, mas a recusa de transformar Portugal num ator subordinado a estrat\u00e9gias alheias, sem uma avalia\u00e7\u00e3o aut\u00f3noma das suas consequ\u00eancias.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Afinal, o que est\u00e1 em causa para Portugal?<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u00c9 aqui que regressamos ao essencial: o interesse nacional portugu\u00eas.<\/div>\n<div dir=\"auto\">O nosso pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 uma grande pot\u00eancia militar, n\u00e3o disp\u00f5e de recursos ilimitados e n\u00e3o pode assumir todos os conflitos internacionais como se a sua seguran\u00e7a estivesse diretamente amea\u00e7ada em cada um deles.<\/div>\n<div dir=\"auto\">A nossa pol\u00edtica externa deve assentar numa avalia\u00e7\u00e3o aut\u00f3noma dos interesses nacionais, no cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es internacionais efetivamente assumidas, na defesa do direito internacional e na capacidade de distinguir entre solidariedade, prud\u00eancia e envolvimento militar.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Devemos preservar a rela\u00e7\u00e3o transatl\u00e2ntica, cumprir os compromissos decorrentes da NATO e da Uni\u00e3o Europeia e manter uma diplomacia ativa, capaz de dialogar com diferentes interlocutores. Mas devemos igualmente evitar que a solidariedade com um pa\u00eds em guerra se transforme numa ades\u00e3o autom\u00e1tica a todas as suas op\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas.<\/div>\n<div dir=\"auto\">A quest\u00e3o fundamental n\u00e3o \u00e9 saber se somos mais favor\u00e1veis a Kiev ou a Moscovo, se nos identificamos mais com a narrativa ocidental ou com a russa, ou se esta ou aquela posi\u00e7\u00e3o \u00e9 mais popular no nosso espa\u00e7o pol\u00edtico.<\/div>\n<div dir=\"auto\">A quest\u00e3o \u00e9 outra: que pol\u00edtica serve melhor Portugal, protege os portugueses, reduz o risco de uma escalada militar e contribui realisticamente para uma paz duradoura?<\/div>\n<div dir=\"auto\">Numa guerra que envolve uma pot\u00eancia nuclear, esta pergunta n\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio acad\u00e9mico. \u00c9 uma exig\u00eancia elementar de responsabilidade pol\u00edtica.<\/div>\n<div dir=\"auto\">N\u00e3o podemos esquecer que uma guerra prolongada tem custos humanos, econ\u00f3micos e estrat\u00e9gicos enormes; que a escalada militar comporta riscos dif\u00edceis de controlar; e que uma vit\u00f3ria militar proclamada politicamente pode n\u00e3o corresponder a uma paz sustent\u00e1vel.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Defender uma solu\u00e7\u00e3o negociada n\u00e3o significa aceitar antecipadamente todas as exig\u00eancias de Moscovo. Significa reconhecer que a diplomacia, por mais dif\u00edcil que seja, tem de continuar a ser uma alternativa real \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o da guerra. E este ponto \u00e9 fundamental.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Enfim, n\u00e3o se trata de Direita contra Esquerda, nem de simpatias pessoais por este ou aquele dirigente. Trata-se de pol\u00edtica externa, de responsabilidade e de interesses nacionais.<\/div>\n<div dir=\"auto\">A condena\u00e7\u00e3o da invas\u00e3o russa n\u00e3o nos obriga a abdicar do pensamento cr\u00edtico. A solidariedade com a Ucr\u00e2nia n\u00e3o exige um cheque em branco. E a defesa dos interesses de Portugal n\u00e3o pode ser confundida com cobardia, indiferen\u00e7a ou cumplicidade com a R\u00fassia.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Ap\u00f3s quase 4 d\u00e9cadas a servir o pa\u00eds como diplomata, continuo a acreditar que o realismo pol\u00edtico, o pragmatismo e o bom senso n\u00e3o s\u00e3o sinais de fraqueza. S\u00e3o condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para uma pol\u00edtica externa respons\u00e1vel.<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u00c9 essa a posi\u00e7\u00e3o que defendo. E \u00e9 precisamente por considerar que a mat\u00e9ria \u00e9 demasiado s\u00e9ria para ser tratada com ligeireza que me recuso a abdicar de a discutir com frontalidade.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Estamos a falar de problemas complexos de povos eslavos em vastos territ\u00f3rios da Europa Oriental. N\u00e3o podemos minimizar nem simplificar estes problemas .<\/div>\n<div dir=\"auto\">E sobretudo , no caso vertente: n\u00e3o confundir: moralidade (agir respeitando valores e princ\u00edpios) com moralismo (julgar por esses mesmos valores).&#8221;<\/div>\n<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">O meu coment\u00e1rio:<br \/>\n<span class=\"x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs x1xmvt09 x1lliihq x1s928wv xhkezso x1gmr53x x1cpjm7i x1fgarty x1943h6x xudqn12 x3x7a5m x6prxxf xvq8zen xo1l8bm xzsf02u\" dir=\"auto\" lang=\"pt\">Portugal est\u00e1 a fazer o favor aos interesses do grupo E3. Especialmente a Alemanha, a Inglaterra e a a Fran\u00e7a est\u00e3o interessadas na guerra porque favorece as suas ambi\u00e7\u00f5es e interesses, e em especial a ind\u00fastria da guerra, al\u00e9m disso estas pot\u00eancias premeiam pessoas de partidos do arco do poder portugu\u00eas para bons postos em institui\u00e7\u00f5es internacionais. A guerra tem a vantagem para os governantes de ocuparem o povo com este assunto e assim distrair o povo de outros problemas graves que corresponderiam aos verdadeiros interesses portugueses. A guerra da Ucr\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 nossa; \u00e9 uma guerra geoestrat\u00e9gica e como tal do interesse da rivalidade entre as grandes pot\u00eancias. Al\u00e9m disso a conta da guerra depois dela fica em aberto porque um dia a Ucr\u00e2nia querer\u00e1 ser reconstru\u00edda e isso custar\u00e1 caro aos que colaboraram na guerra devido \u00e0s destrui\u00e7\u00f5es que provocaram impedindo tamb\u00e9m uma pol\u00edtica diplom\u00e1tica de conversa\u00e7\u00f5es e de paz!<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\">Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Excepcionalmente, coloco aqui o artigo do senhor embaixador Francisco Henriques da Silva por o achar muito esclarecedor para quem quer pensar por si pr\u00f3prio: UCR\u00c2NIA &#8211; A REALPOLITIK E O INTERESSE NACIONAL PORTUGU\u00caS . A Ucr\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 membro da NATO nem da Uni\u00e3o Europeia. 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