{"id":1142,"date":"2007-11-17T10:43:00","date_gmt":"2007-11-17T09:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1142"},"modified":"2007-11-17T10:43:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:43:00","slug":"o-papa-quer-conciliador-a-tradicao-com-a-epoca-moderna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1142","title":{"rendered":"O Papa quer conciliador a tradi\u00e7\u00e3o com a \u00e9poca moderna"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\"><b>Contra um iluminismo subserviente<\/b><br \/>          O mundo isl\u00e2mico reage extremamente intolerante e outros procuram a sua chance na afirma\u00e7\u00e3o pela contradi\u00e7\u00e3o.<br \/>A toler\u00e2ncia n\u00e3o poder ser uma estrada de sentido \u00fanico como at\u00e9 agora. \u00c9 leg\u00edtima a pergunta de at\u00e9 que ponto a toler\u00e2ncia pode tolerar a intoler\u00e2ncia. Os pa\u00edses isl\u00e2micos t\u00eam que empreender algo concreto para provarem na pr\u00e1tica que \u00e9 apenas preconceito a ideia que corre de que o Isl\u00e3o anda de bra\u00e7o dado com o terrorismo e com o fanatismo.<br \/>Alguns parecem querer continuar no status quo dum di\u00e1logo hip\u00f3crita contentando-se com a discuss\u00e3o sobre a oportunidade ou n\u00e3o oportunidade das cita\u00e7\u00f5es para assim passarem \u00e0 ordem do dia sem sequer terem preocupado com o conte\u00fado ou a leitura do texto completo. A outros s\u00f3 lhes ocorre o argumento de \u00e1guas passadas que n\u00e3o movem moinhos recorrendo ao ba\u00fa da tra\u00e7a das faltas da Igreja de antigamente. \u00c9 que pensar faz doer e o saber exacto responsabiliza.<br \/>O erudito Papa quer n\u00e3o s\u00f3 reconciliar mas sobretudo conciliar a tradi\u00e7\u00e3o com a \u00e9poca moderna e contempor\u00e2nea, a aldeia com o mundo global. Lan\u00e7a a iniciativa de se integrar a f\u00e9 e a raz\u00e3o como dois pratos da mesma balan\u00e7a. Doutro modo encontrar-nos-\u00edamos a caminho duma grande cat\u00e1strofe. Como interessado no di\u00e1logo respons\u00e1vel Bento apela \u00e0 boa vontade para que o di\u00e1logo n\u00e3o continue unilateral. O Isl\u00e3o n\u00e3o pode continuar a adiar o di\u00e1logo nem com as outras religi\u00f5es nem com o mundo secular. De facto no mundo isl\u00e2mico o mundo secular n\u00e3o existe, nele n\u00e3o h\u00e1 lugar para os ateus, agn\u00f3sticos e as outras religi\u00f5es s\u00e3o extremamente discriminadas. O actual presidente do Ir\u00e3o tem uma vis\u00e3o muito reduzida de vida social e da Hist\u00f3ria ao afirmar: \u201c a v\u00f3s pertenceu-vos o passado, a n\u00f3s o futuro\u201d.<br \/>Em todas as outras culturas a economia se desenvolve a largos passos enquanto que nos pa\u00edses isl\u00e2micos a riqueza continua na m\u00e3o de poucos e ao povo inocente s\u00f3 lhes deixam a religi\u00e3o como tubo de escape. Manipulam-no possibilitando-lhe apenas uma pseudo express\u00e3o pol\u00edtica no gesto de queimar s\u00edmbolos ocidentais e em rituais de punhos serrados, que s\u00f3 p\u00f5em a nu a sua fraqueza. O seu ex\u00e9rcito \u00e9 barato e f\u00e1cil de mobilizar: homens, mulheres e crian\u00e7as atr\u00e1s do facho da religi\u00e3o. Os mu\u00e7ulmanos emigrados para a Europa mais cultos e com mais dinheiro j\u00e1 n\u00e3o alinham nesses rituais p\u00fablicos, de auto-afirma\u00e7\u00e3o. Os chefes semeiam o caos mas a\u00ed de quem os lembra dele!<br \/>O mundo \u00e1rabe n\u00e3o pode ser deixado s\u00f3 na sua situa\u00e7\u00e3o de oprimido \u2013 opressor. O Papa defende-o tamb\u00e9m com o seu discurso. Ele quer uma pol\u00edtica do bem e quer lan\u00e7ar pontes. A sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 servir a humanidade, dentro das suas limita\u00e7\u00f5es naturalmente. \u201cO maior entre v\u00f3s deve ser o vosso criado\u201d. O Papa e muitos como ele j\u00e1 est\u00e3o fartos de tanta conversa fiada entre religi\u00f5es e povos, entre pol\u00edticos, partidos e cientistas. Todos t\u00eam falado em nome do bem do povo, da na\u00e7\u00e3o, da ci\u00eancia ou de Deus com posi\u00e7\u00f5es dial\u00e9cticas e absolutas \u00e0 custa duma realidade mais digna e da opress\u00e3o do povo cada vez mais na mesma. H\u00e1 meses atr\u00e1s dizia um jornalista do Egipto, ao falar sobre o mundo mu\u00e7ulmano numa confer\u00eancia em Berlim:\u201dN\u00f3s encontramo-nos numa situa\u00e7\u00e3o desesperada. O Estado \u00e9 desp\u00f3tico e incalcul\u00e1vel (caprichoso) e nos programas de TV os chefes religiosos debatem se ser\u00e1 isl\u00e2mico ter est\u00e1tuas nuas no jardim, enquanto que, todos os que de qualquer modo o podem, abandonam o nosso pa\u00eds\u201d.<br \/>Bento XVI conhece bem os problemas da Europa e do Mundo. Ele quer que se d\u00ea uma oportunidade ao futuro! Com o discurso e a argumenta\u00e7\u00e3o de car\u00e1cter cient\u00edfico o Papa dirige-se n\u00e3o tanto \u00e0 generalidade mas especialmente aos cientistas, aos do poder e quer dizer que o lugar da discuss\u00e3o deve come\u00e7ar pela ci\u00eancia, que o seu lugar \u00e9 a universidade e aqui n\u00e3o deve reinar a hipocrisia mas a for\u00e7a dos argumentos. Neste meio argumenta-se com n\u00edvel mas n\u00e3o se poupa ningu\u00e9m. \u00c9 que a opini\u00e3o p\u00fablica e a pol\u00edtica vivem bem das meias verdades e da lei do oportuno. As popula\u00e7\u00f5es vivem desinformadas e os \u201ccomerciantes\u201d n\u00e3o gostam que se fale da realidade concreta porque isso seria inoportuno para os seus neg\u00f3cios e talvez at\u00e9 n\u00e3o educado. Vivem do coment\u00e1rio e dum esp\u00edrito dial\u00e9ctico j\u00e1 ultrapassado pela nova f\u00edsica. Preferem o papel de mortos a enterrar mortos!.. no seguimento da bandeira de algum papa Nobel preso da dial\u00e9ctica na pra\u00e7a dum mundo que n\u00e3o est\u00e1 convencido dos seus pr\u00f3prios argumentos.<br \/>                    <b>  Infiltra\u00e7\u00e3o subcut\u00e2nea sem contrapartidas<\/b><br \/>Bento XVI respondeu bem a muitos \u201creaccion\u00e1rios\u201d que o criticavam. N\u00e3o se desculpou porque n\u00e3o havia nada de que se desculpar; lamentou a incompreens\u00e3o, o equ\u00edvoco provocado. Quem se desculpa acusa-se! O problema n\u00e3o est\u00e1 tanto nas palavras por ele ditas, mas sim na capacidade para as poder entender e no interesse de alguns em distorc\u00ea-las. O seu discurso \u00e9 cient\u00edfico para especialistas. Estes t\u00eam estado ausentes.<br \/>Permito-me fazer uma marginal observa\u00e7\u00e3o \u00e0 incompreens\u00e3o que alguns me t\u00eam feito relativamente \u00e0 escolha da cita\u00e7\u00e3o de Manuel II Palaiologos feita pelo Papa. Eu penso que <b>a escolha foi bem pensada e oportuna:Certamente que ele queria estabelecer rela\u00e7\u00f5es e compara\u00e7\u00f5es entre aquela \u00e9poca e a nossa \u00e9poca e uma certa crise que lhes \u00e9 comum. Queria apresentar certas semelhan\u00e7as entre a cor local de ent\u00e3o e a de hoje. Hoje como ent\u00e3o h\u00e1 o problema da separa\u00e7\u00e3o entre os crist\u00e3os bem como a quest\u00e3o do voluntarismo divino; hoje como ent\u00e3o a amea\u00e7a mu\u00e7ulmana est\u00e1 muito presente; hoje como ent\u00e3o dominam a indiferen\u00e7a e o desinteresse entre os crist\u00e3os; hoje como ent\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria uma discuss\u00e3o e um di\u00e1logo s\u00e9rio e sem papas na l\u00edngua ao servi\u00e7o dos povos; hoje como ent\u00e3o o di\u00e1logo s\u00f3 se reduz a interesses econ\u00f3micos. Na altura o Imperador bizantino Manuel II Palaiologos estava preocupado em superar o cisma de 1054 entre os crist\u00e3os; ele queria organizar a defesa contra os invasores osmanos (turcos); ele fazia o apelo \u00e0 uni\u00e3o das duas Igrejas para poder resistir \u00e0 press\u00e3o isl\u00e2mica, o cristianismo dividido facilitava o caminho dos invasores; ele queria um di\u00e1logo aut\u00eantico, tamb\u00e9m a n\u00edvel de princ\u00edpios e de concep\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel para todos os povos enquanto que os seus parceiros estavam apenas interessados na submiss\u00e3o das regi\u00f5es dominadas atrav\u00e9s da espada e em acordar a toler\u00e2ncia religiosa entre as religi\u00f5es do livro. Facto \u00e9 que o apelo do imperador em 1393 n\u00e3o foi ouvido e em 1453 os Turcos chegaram mesmo a apoderar-se de Constantinopla passando a chamar-lhe Istambul. <\/b><br \/>O mundo em que vivemos parece um mundo maluco e contradit\u00f3rio. O pensador Bento XVI exige um di\u00e1logo sem mitos subjugado \u00e0 raz\u00e3o e os nossos iluministas e esclarecidos exigem sil\u00eancio e hipocrisia do esclarecido Bento. Os nossos racionalistas j\u00e1 parecem ter medo da raz\u00e3o. Um iluminismo subserviente europeu parece actuar sob o lema: aconte\u00e7a o que acontecer sou o amigo do inimigo do meu rival.<br \/>O Frankfurter Allgemeine de 17.09.06 refere laconicamente: \u201c Mundo \u00e0s avessas: O homem de Deus advoga a causa da raz\u00e3o e os esclarecedores (Aufkl\u00e4rer) d\u00e3o a prefer\u00eancia \u00e0 obscurantista proibi\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica\u201d.<br \/>          A confus\u00e3o, o oportunismo e o medo podem muito!&#8230;<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>P. S. Esta posi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tentativa de resposta a alguns coment\u00e1rios e correio electr\u00f3nico que recebi em rela\u00e7\u00e3o ao artigo \u201cBento XVI \u2013 O Homem da Europa \u201c. <\/p>\n<div align=\"right\"> <b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/div>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contra um iluminismo subserviente O mundo isl\u00e2mico reage extremamente intolerante e outros procuram a sua chance na afirma\u00e7\u00e3o pela contradi\u00e7\u00e3o.A toler\u00e2ncia n\u00e3o poder ser uma estrada de sentido \u00fanico como at\u00e9 agora. \u00c9 leg\u00edtima a pergunta de at\u00e9 que ponto a toler\u00e2ncia pode tolerar a intoler\u00e2ncia. 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