{"id":11395,"date":"2026-09-12T16:31:32","date_gmt":"2026-09-12T15:31:32","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11395"},"modified":"2026-09-12T17:07:19","modified_gmt":"2026-09-12T16:07:19","slug":"o-eixo-civilizacional-em-rutura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11395","title":{"rendered":"O EIXO CIVILIZACIONAL EM RUTURA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ensaio sobre a mudan\u00e7a axial e o nascimento da pol\u00edtica relacional (Wagenknecht como sintoma)<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 momentos na hist\u00f3ria em que o solo treme sob os p\u00e9s das institui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se trata de sismos eleitorais, de altern\u00e2ncias de poder, de crises c\u00edclicas que o sistema digere e recicla. <strong>Trata-se de algo mais fundo e que implica a eros\u00e3o das pr\u00f3prias categorias com que pensamos o pol\u00edtico. Vivemos um desses momentos em que se torna urgente uma pol\u00edtica relacional para al\u00e9m da esquerda, da direita e do formalismo partid\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><strong>O arrazoamento pol\u00edtico-partid\u00e1rio que domina a governa\u00e7\u00e3o em toda a Uni\u00e3o Europeia e, por extens\u00e3o, no Ocidente, arrasta-se numa linguagem gasta, numa gram\u00e1tica de interesses que j\u00e1 n\u00e3o traduz a experi\u00eancia vivida das pessoas hodiernas. Os partidos falam, mas n\u00e3o dizem; prop\u00f5em, mas n\u00e3o escutam; governam, mas n\u00e3o vivem o presente e, no entanto, a exig\u00eancia de mudan\u00e7a n\u00e3o vem de fora, pois brota do pr\u00f3prio interior da crise, como uma for\u00e7a axial que reclama nova forma.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A rutura dos eixos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Desde a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, a pol\u00edtica de massas organizou-se em torno de dois conflitos fundamentais: a disputa sobre a desigualdade econ\u00f3mica e a tens\u00e3o entre valores conservadores-autorit\u00e1rios e liberais.<\/strong> A esquerda e a direita nasceram dessa topologia. Durante dois s\u00e9culos, essa b\u00fassola funcionou, imperfeitamente, mas funcionou.<\/p>\n<p><strong>O bus\u00edlis da quest\u00e3o \u00e9 que hoje e na nova era que se aproxima essa b\u00fassola perdeu o norte.<\/strong><\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, a imigra\u00e7\u00e3o, os refugiados, a afirma\u00e7\u00e3o de identidades religiosas e culturais reconfiguraram o campo de for\u00e7as. O velho eixo esquerda-direita foi atravessado por um novo eixo, aberto versus fechado, que n\u00e3o se deixa reduzir ao primeiro. <strong>As pessoas j\u00e1 n\u00e3o se reconhecem nas coordenadas tradicionais. Sentem que tudo o que lhes era familiar est\u00e1 amea\u00e7ado e buscam seguran\u00e7a na exclus\u00e3o do que percebem como estranho.<\/strong> <strong>Outras, pelo contr\u00e1rio, veem na globaliza\u00e7\u00e3o e no multiculturalismo uma promessa de vida mais rica.<\/strong> <strong>Este \u00e9 a nova clivagem e nenhum dos partidos tradicionais o enfrenta com honestidade.<\/strong><\/p>\n<p>Os partidos liberal-democratas, em particular, declinam por toda a Europa. O Ciudadanos espanhol desapareceu do parlamento. O FDP alem\u00e3o, que em 2009 atingiu 14,6% dos votos, foi eliminado nas elei\u00e7\u00f5es de 2025. A raz\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas conjuntural porque prov\u00e9m da falta de clareza das convic\u00e7\u00f5es e do afastamento das expectativas do eleitorado natural. <strong>Os partidos que outrora representavam a terceira via, o centro reformista, o liberalismo social, perderam a capacidade de encarar o real.<\/strong><\/p>\n<p>E, no entanto, a Comiss\u00e3o dos Assuntos Pol\u00edticos e da Democracia do Conselho da Europa alerta: os partidos pol\u00edticos t\u00eam uma responsabilidade particular na salvaguarda da coes\u00e3o e da estabilidade democr\u00e1ticas. Sem partidos, o pluralismo n\u00e3o pode ser representado de forma significativa e os parlamentos n\u00e3o podem funcionar eficazmente. <strong>O problema n\u00e3o \u00e9 a exist\u00eancia dos partidos, mas a sua fossiliza\u00e7\u00e3o.<\/strong> A diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de militantes, a ascens\u00e3o do sentimento antipartid\u00e1rio, a queda das taxas de participa\u00e7\u00e3o, a volatilidade eleitoral e a perce\u00e7\u00e3o persistente de elitismo, corrup\u00e7\u00e3o e interesse pr\u00f3prio minam a legitimidade do sistema.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A mudan\u00e7a axial<\/strong><\/p>\n<p>O que est\u00e1 em curso n\u00e3o \u00e9 uma simples crise pol\u00edtica, \u00e9 uma mudan\u00e7a axial.<\/p>\n<p>Karl Jaspers, Lewis Mumford e Eric Voegelin cunharam a no\u00e7\u00e3o de &#8220;\u00e9poca axial&#8221; para descrever momentos em que a humanidade reconfigura as suas categorias fundamentais de sentido. <strong>Uma mudan\u00e7a axial introduz uma nova <em>weltanschauung<\/em> que enfatiza a subsidiariedade em vez das estruturas centralizadas de poder, e um imperativo moral em que a mudan\u00e7a evolutiva \u00e9 impulsionada mais pela coopera\u00e7\u00e3o do que pela competi\u00e7\u00e3o.<\/strong> A descri\u00e7\u00e3o &#8220;axial&#8221; refere-se \u00e0 emerg\u00eancia de um eixo transformador que permite uma corre\u00e7\u00e3o de escala atrav\u00e9s de alternativas \u00e0s estruturas de poder existentes.<\/p>\n<p>Vito Mancuso, numa confer\u00eancia recente, descreve a nossa condi\u00e7\u00e3o como uma &#8220;perda de eixo do mundo&#8221;, a aus\u00eancia de um <em>axis mundi<\/em>, de um crit\u00e9rio maior do que o simples ego ganancioso. Sem essa dimens\u00e3o maior, temos muitos egos autocentrados e a impossibilidade de formar sociedade. <strong>A palavra sociedade, vem do latim <em>societas<\/em>, de s\u00f3cios e s\u00f3 existe quando h\u00e1 um interesse superior ao interesse estritamente individual. O que vale na economia, vale na pol\u00edtica.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A mudan\u00e7a axial n\u00e3o \u00e9 um conceito acad\u00e9mico. \u00c9 a experi\u00eancia vivida de milh\u00f5es de pessoas que j\u00e1 n\u00e3o se reconhecem nas coordenadas pol\u00edticas herdadas. \u00c9 a intui\u00e7\u00e3o de que algo mais profundo est\u00e1 a acontecer que n\u00e3o se limita apenas a uma troca de governos, mas uma transforma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria consci\u00eancia pol\u00edtica.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O sintoma Wagenknecht na Alemanha<\/strong><\/p>\n<p>Sahra Wagenknecht \u00e9, simultaneamente, sintoma e an\u00fancio.<\/p>\n<p>O B\u00fcndnis Sahra Wagenknecht (BSW), fundado em janeiro de 2024, combina pol\u00edticas econ\u00f3micas supostamente de esquerda com uma abordagem ultraconservadora da imigra\u00e7\u00e3o e uma pol\u00edtica externa pr\u00f3-russa. No seu programa de seis pontos, aprovado em junho de 2025, <strong>o BSW apresenta-se como &#8220;a for\u00e7a pol\u00edtica do despertar\u201d, contra o militarismo, a divis\u00e3o social e a tutela autorit\u00e1ria&#8221;, defendendo uma &#8220;pol\u00edtica da raz\u00e3o e do equil\u00edbrio social, da renova\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e da paz&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Wagenknecht define o partido como &#8220;a encarna\u00e7\u00e3o do que muitos partidos j\u00e1 n\u00e3o defendem: um conservadorismo esclarecido no sentido de que preserva tradi\u00e7\u00f5es e seguran\u00e7a nas ruas e espa\u00e7os p\u00fablicos, mas ao mesmo tempo empregos, sa\u00fade e pens\u00f5es&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Isto n\u00e3o \u00e9 nem esquerda nem direita no sentido tradicional. \u00c9 uma tentativa, ainda titubeante, ainda contaminada pelas maleitas do individualismo da nossa sociedade de transi\u00e7\u00e3o, de criar\u00a0 \u00a0o novo eixo. O BSW aponta para uma pol\u00edtica que ultrapassa a dicotomia herdada, mas ainda n\u00e3o encontrou a linguagem plena dessa ultrapassagem.<\/p>\n<p>Um fil\u00f3sofo e cr\u00edtico pol\u00edtico observaria que o BSW tem raz\u00e3o em denunciar o formalismo partid\u00e1rio e a governa\u00e7\u00e3o daninha que se esconde atr\u00e1s da ret\u00f3rica democr\u00e1tica. Mas erra ao n\u00e3o assumir plenamente a responsabilidade individual que a nova \u00e9poca exige. <strong>A mudan\u00e7a axial n\u00e3o se faz com novos partidos que repetem velhos v\u00edcios.<\/strong> Faz-se com pessoas que assumem a sua quota de responsabilidade pelo mundo que habitam.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Urge uma Racionalidade relacional<\/strong><\/p>\n<p>O que emerge como exig\u00eancia j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 emo\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, porque j\u00e1 temos excesso dela, \u00e0 direita e \u00e0 esquerda. O que est\u00e1 a emergir \u00e9 racionalidade relacional.<\/p>\n<p><strong>A l\u00f3gica da relacionalidade, desenvolvida por te\u00f3ricos como Qin Yaqing, argumenta que a relacionalidade precede a racionalidade. <\/strong>Um ato &#8220;racional&#8221; em rela\u00e7\u00e3o a um inimigo pode ser arracional e at\u00e9 irracional se dirigido a um amigo. <strong>A pol\u00edtica relacional n\u00e3o nega a racionalidade porque a redefine em termos de rela\u00e7\u00f5es e n\u00e3o de interesses isolados.<\/strong> Os processos de pol\u00edtica seguem uma l\u00f3gica de relacionamento, ou seja, atores que agem de forma a sustentar e refletir a teia de rela\u00e7\u00f5es na rede pol\u00edtica. <strong>O relacional e o racional n\u00e3o s\u00e3o alternativas porque cada sistema pol\u00edtico reflete ambos.<\/strong><\/p>\n<p>Esta \u00e9 a mudan\u00e7a de mentalidade que a \u00e9poca axial exige define-se por \u00a0uma pol\u00edtica orientada n\u00e3o pela emocionalidade das identifica\u00e7\u00f5es tribais, equacionadas no tribalismo da revolu\u00e7\u00e3o francesa que a qualificou de direita ou esquerda, n\u00f3s ou eles, mas pela raz\u00e3o que reconhece a primazia das rela\u00e7\u00f5es. <strong>Uma raz\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 fria calculadora de interesses, mas que compreende que o eu se constitui na rela\u00e7\u00e3o com o outro e no seu melhor social parte do n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Individualismo respons\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p><strong>A transi\u00e7\u00e3o para a nova \u00e9poca axial n\u00e3o se far\u00e1 sem uma reconfigura\u00e7\u00e3o do individualismo.<\/strong><\/p>\n<p>Lipovetsky distingue o individualismo respons\u00e1vel do individualismo irrespons\u00e1vel: o primeiro est\u00e1 circunscrito ao plano daquilo que se espera das reformas pol\u00edticas; o segundo \u00e9 a deriva hedonista que dissolve o la\u00e7o social. Na sociedade de transi\u00e7\u00e3o em que vivemos, ambos coexistem. <strong>O BSW, como todos os movimentos emergentes, padece desta ambiguidade: aponta para o assumir individual de responsabilidades, mas ainda se debate com as maleitas do individualismo irrespons\u00e1vel.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O que a nova pol\u00edtica exige \u00e9 um individualismo que n\u00e3o seja ego\u00edsmo, mas responsabilidade.<\/strong> Protagoniza uma autonomia que n\u00e3o se feche sobre si mesma, mas que se abra \u00e0 rela\u00e7\u00e3o e advoga uma liberdade que n\u00e3o seja indiferen\u00e7a, mas compromisso.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o paradoxo da \u00e9poca axial: quanto mais o indiv\u00edduo se assume como singular, mais se descobrir\u00e1 relacional. Quanto mais se responsabiliza, mais se compreende parte de algo maior. O <em>axis mundi<\/em> n\u00e3o \u00e9 uma transcend\u00eancia que anula o eu, mas uma dimens\u00e3o maior de si mesmo que o constitui.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O imprevis\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>E daqui surge o imprevis\u00edvel. Nenhuma an\u00e1lise, por rigorosa que seja, pode prever o que emerge quando a consci\u00eancia muda de eixo. <strong>A mudan\u00e7a axial n\u00e3o \u00e9 um programa pol\u00edtico que se implementa, mas sim uma transforma\u00e7\u00e3o que acontece e \u00e0 qual os partidos, se quiserem sobreviver, ter\u00e3o de se adaptar ou morrer.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O que se pode afirmar com exig\u00eancia \u00e9 isto: a pol\u00edtica que vier n\u00e3o ser\u00e1 nem de esquerda nem de direita, nem sequer de uma &#8220;terceira via&#8221; no sentido blairiano que se esgotou na aceita\u00e7\u00e3o acr\u00edtica da globaliza\u00e7\u00e3o. <\/strong>Ser\u00e1 uma pol\u00edtica relacional, que reconhece que os problemas da nossa \u00e9poca, ou seja, <strong>a crise ecol\u00f3gica, a solid\u00e3o urbana, a desintegra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, a perda de sentido, n\u00e3o se resolvem com mais Estado ou mais mercado, mas com novas formas de rela\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ser\u00e1 uma pol\u00edtica que ultrapasse o formalismo partid\u00e1rio e a governa\u00e7\u00e3o daninha que hoje se pratica em Bruxelas, Berlim, Londres, Paris ou Lisboa.<\/strong> Uma pol\u00edtica que assuma a responsabilidade individual como fundamento da responsabilidade coletiva. Uma pol\u00edtica que n\u00e3o tema o profetismo, n\u00e3o o profetismo messi\u00e2nico que promete para\u00edsos, mas <strong>o profetismo que ousa nomear o que est\u00e1 a nascer quando todos ainda olham para o que est\u00e1 a morrer.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Exig\u00eancia e criatividade<\/strong><\/p>\n<p><strong>O ensaio que aqui esbo\u00e7o n\u00e3o pretende ser um programa, pretende apenas ser um gesto, um gesto de exig\u00eancia e de criatividade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Exig\u00eancia, porque a \u00e9poca n\u00e3o tolera mais a mediocridade do arrazoamento partid\u00e1rio que se contenta com a gest\u00e3o do existente. Criatividade, porque o novo n\u00e3o nasce do velho por dedu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica. Nasce por rutura, por inven\u00e7\u00e3o, por abertura ao que ainda n\u00e3o \u00e9.<\/strong><\/p>\n<p>Os partidos, na sua forma atual, encontram-se num estado de consci\u00eancia subdesenvolvida. Equacionam interesses, argumentam num grau rudimentar e arcaico, como se a pol\u00edtica fosse ainda uma negocia\u00e7\u00e3o entre grupos de press\u00e3o. O BSW, embora inicie uma nova maneira de estar pol\u00edtico, ainda padece das maleitas dessa heran\u00e7a. Mas aponta \u2014 e isso \u00e9 o essencial. Aponta para uma pol\u00edtica que n\u00e3o se esgota na gest\u00e3o dos interesses, mas que se abre \u00e0 responsabilidade pelo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O aspeto prof\u00e9tico<\/strong><\/p>\n<p>O que est\u00e1 em curso n\u00e3o \u00e9 uma crise, \u00e9 um nascimento e n<strong>as dores do parto, \u00e9 natural que se confundam os gritos da morte com os primeiros vagidos da vida. Mas quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir reconhece os sinais que indicam que a mudan\u00e7a axial est\u00e1 a acontecer.<\/strong> <strong>A pol\u00edtica ocidental, mais cedo ou mais tarde, ter\u00e1 de se reconfigurar. Os partidos que sobreviverem ser\u00e3o aqueles que compreenderem que a racionalidade relacional n\u00e3o \u00e9 uma concess\u00e3o ao sentimentalismo, mas a forma mais alta de raz\u00e3o.<\/strong> Que o individualismo respons\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 comunidade, mas o seu fundamento. Que a mudan\u00e7a de mentalidade n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mas uma urg\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Urge mudan\u00e7a necess\u00e1ria no arrazoamento pol\u00edtico-partid\u00e1rio.<\/strong> N\u00e3o por decreto, n\u00e3o por programa, n\u00e3o por revolu\u00e7\u00e3o, mas por axialidade. Porque o eixo do mundo est\u00e1 a deslocar-se, e quem n\u00e3o se mover com ele ser\u00e1 deixado para tr\u00e1s, n\u00e3o pela for\u00e7a dos advers\u00e1rios, mas pelo peso da pr\u00f3pria in\u00e9rcia.<\/p>\n<p>Resumindo: <strong>a crise em que nos encontramos anuncia a mudan\u00e7a axial e o prof\u00e9tico nascimento da pol\u00edtica relacional. Filosoficamente seria de dizer que o momento axial em que nos encontramos aponta\u00a0 para uma crise das categorias com que formulamos as perguntas. E o BSW pode estar a antecipar uma das formas da recomposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica futura.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nPegadas do Tempo\u00a0 \u00a9<br \/>\nORCID: <a href=\"https:\/\/orcid.org\/0009-0003-6251-1578\">https:\/\/orcid.org\/0009-0003-6251-1578<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ensaio sobre a mudan\u00e7a axial e o nascimento da pol\u00edtica relacional (Wagenknecht como sintoma) H\u00e1 momentos na hist\u00f3ria em que o solo treme sob os p\u00e9s das institui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se trata de sismos eleitorais, de altern\u00e2ncias de poder, de crises c\u00edclicas que o sistema digere e recicla. Trata-se de algo mais fundo e que implica &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11395\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">O EIXO CIVILIZACIONAL EM RUTURA<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,14,4,5,17,6,7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-11395","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-escola","category-filosofia","category-migracao","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11395"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11397,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11395\/revisions\/11397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}