{"id":11378,"date":"2026-09-04T11:27:36","date_gmt":"2026-09-04T10:27:36","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11378"},"modified":"2026-09-04T11:35:40","modified_gmt":"2026-09-04T10:35:40","slug":"a-ecologia-entra-no-coracao-da-teologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11378","title":{"rendered":"A ECOLOGIA ENTRA NO CORA\u00c7\u00c3O DA TEOLOGIA"},"content":{"rendered":"<p><em>O cuidado da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um ap\u00eandice moral, mas uma dimens\u00e3o constitutiva da f\u00e9 crist\u00e3. O novo documento da CTI, aprovado por Le\u00e3o XIV, insere a ecologia no n\u00facleo da teologia trinit\u00e1ria.<\/em><\/p>\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n<p><strong>O presente artigo que apresenta as novas orienta\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional (CTI) procura mostrar como a ecologia entra hoje no cora\u00e7\u00e3o da teologia, deixando de constituir um tema perif\u00e9rico para se tornar uma dimens\u00e3o estruturante do pensar teol\u00f3gico e exige a reconfigura\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios pressupostos ontol\u00f3gicos, antropol\u00f3gicos e sociais.<\/strong> Ao assumir a teologia trinit\u00e1ria como horizonte fundamental, depreende-se a necessidade de ultrapassar uma ontologia de matriz predominantemente grega, substancialista, hier\u00e1rquica e excessivamente marcada pelo masculino, em dire\u00e7\u00e3o a uma ontologia relacional, comunional e trinit\u00e1ria. <strong>O mist\u00e9rio trinit\u00e1rio revela o ser n\u00e3o como autossufici\u00eancia, mas como rela\u00e7\u00e3o, alteridade, reciprocidade e dom.<\/strong> Esta remodela\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica reclama, por sua vez, uma antropoginelogia que repense conjuntamente o humano, o masculino e o feminino, superando a redu\u00e7\u00e3o androc\u00eantrica da antropologia teol\u00f3gica e filos\u00f3fica e reconhecendo a diferen\u00e7a na igualdade e na reciprocidade. Tal transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode deixar de repercutir-se numa correspondente sociologia, capaz de questionar estruturas de domina\u00e7\u00e3o, apropria\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o e de pensar novas formas de conviv\u00eancia e comunh\u00e3o. <strong>A quest\u00e3o ecol\u00f3gica revela-se, deste modo, insepar\u00e1vel da quest\u00e3o antropoginol\u00f3gica e social, porque a rela\u00e7\u00e3o com a Terra prolonga e manifesta determinadas conce\u00e7\u00f5es de Deus, do ser e do humano. Uma teologia trinit\u00e1ria da cria\u00e7\u00e3o desloca o paradigma da posse para o da perten\u00e7a, da autonomia para a interdepend\u00eancia e do dom\u00ednio para o cuidado. A cria\u00e7\u00e3o emerge, assim, como tecido de rela\u00e7\u00f5es e comunidade de vida e n\u00e3o como exterioridade dispon\u00edvel \u00e0 soberania humana.<\/strong> A convers\u00e3o ecol\u00f3gica implica, portanto, uma convers\u00e3o das categorias fundamentais com que a teologia pensa Deus, a humanidade, a sociedade e o cosmos. \u00c9 nesta transforma\u00e7\u00e3o paradigm\u00e1tica que a ecologia deixa de ocupar as margens e entra verdadeiramente no cora\u00e7\u00e3o da teologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O novo passo da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 documentos eclesi\u00e1sticos que se leem como meras atualiza\u00e7\u00f5es disciplinares. Outros, poucos, marcam um antes e um depois na maneira como a Igreja compreende a sua pr\u00f3pria miss\u00e3o. <strong>O novo texto da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional (CTI), \u201cCuidar da nossa Casa comum\u201d \u00e9 a resposta respons\u00e1vel e fraterna ao Deus trinit\u00e1rio,<\/strong> pertence inequivocamente a este segundo grupo. <strong>Publicado com o visto de Le\u00e3o XIV, ap\u00f3s quatro anos de trabalho (2022-2026), o documento n\u00e3o se limita a ecoar a Laudato si\u2019 de Francisco, pelo contr\u00e1rio, aprofunda as suas intui\u00e7\u00f5es mais radicais e confere-lhes um fundamento teol\u00f3gico sistem\u00e1tico que faltava.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A tese da Comiss\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples quanto revolucion\u00e1ria ao afirmar<\/strong> \u00a0\u201c<strong>o nosso relacionamento com a natureza (ecologia) \u00e9 uma dimens\u00e3o constitutiva do nosso relacionamento com Deus Criador (teologia)\u201d. Dito de outro modo: a ecologia n\u00e3o \u00e9 um tema perif\u00e9rico da doutrina social da Igreja, nem uma concess\u00e3o ao esp\u00edrito do tempo. \u00c9 mat\u00e9ria teol\u00f3gica no sentido pleno<\/strong>. E, como tal, exige que se repense a pr\u00f3pria articula\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>De Francisco a Le\u00e3o XIV h\u00e1 uma linha de continuidade que se torna doutrina<\/strong><\/p>\n<p>Quando Francisco, em 2015, escreveu que \u00abtudo est\u00e1 interligado\u00bb, muitos leram a enc\u00edclica como um apelo \u00e0 consci\u00eancia ambiental. E era-o, certamente. Mas a novidade prof\u00e9tica estava noutro lugar: na recusa em separar a crise ecol\u00f3gica da crise social e em afirmar que a Terra \u00abclama contra o mal que lhe provocamos\u00bb. <strong>A \u2018Laudato si\u2019 foi, desde o in\u00edcio, um texto teol\u00f3gico, embora muitos tenham preferido l\u00ea-lo como um tratado de ecologia pol\u00edtica.<\/strong><\/p>\n<p>A CTI retoma agora esse fio condutor e leva-o at\u00e9 \u00e0s suas \u00faltimas consequ\u00eancias. <strong>O documento aprovado por Le\u00e3o XIV n\u00e3o substitui a enc\u00edclica; apresenta-lhe o seu n\u00facleo dogm\u00e1tico. A cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o palco onde decorre a hist\u00f3ria humana, mas sim a obra do Deus trinit\u00e1rio, marcada por uma \u00abimpress\u00e3o trinit\u00e1ria\u00bb que torna toda a realidade relacional. Nada \u00e9 uma m\u00f3nada. Tudo est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o, porque o pr\u00f3prio Deus \u00e9 rela\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Esta afirma\u00e7\u00e3o, aparentemente abstracta, tem consequ\u00eancias pr\u00e1ticas decisivas. <strong>Se a cria\u00e7\u00e3o traz em si a marca da Trindade, ent\u00e3o a interdepend\u00eancia ecol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 apenas um dado da biologia ou da f\u00edsica, \u00e9 tamb\u00e9m um dado teol\u00f3gico<\/strong>. Destruir a natureza \u00e9, por isso, deformar uma resposta ao Doador. Cuidar dela \u00e9, pelo contr\u00e1rio, entrar na l\u00f3gica do dom.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Nem senhor absoluto, nem mero animal: a antropologia crist\u00e3 em jogo<\/strong><\/p>\n<p>O documento da CTI evita com lucidez dois extremos igualmente redutores. <strong>O primeiro \u00e9 o \u00abantropocentrismo predat\u00f3rio\u00bb, que transforma o ser humano em propriet\u00e1rio absoluto do mundo, legitimando um uso ilimitado dos recursos. Este \u00e9 o pecado denunciado por Francisco: a Terra que clama contra o mal que lhe causamos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mas a Comiss\u00e3o recusa tamb\u00e9m o extremo inverso, expresso em certas formas de biocentrismo ou ecocentrismo que dissolvem a singularidade humana, equiparando a pessoa a qualquer outro ser vivo. <\/strong>A resposta crist\u00e3 situa-se no meio: o homem \u00e9 criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, o que lhe confere uma dignidade singular, mas essa dignidade n\u00e3o \u00e9 um t\u00edtulo de dom\u00ednio mas sim uma responsabilidade. <strong>O homem n\u00e3o \u00e9 propriet\u00e1rio da Casa comum. \u00c9 seu guardi\u00e3o, cultivador e servidor.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Neste ponto, o documento toca num dos nervos mais sens\u00edveis da teologia contempor\u00e2nea: a rela\u00e7\u00e3o entre a transcend\u00eancia divina e a iman\u00eancia do mundo. Ao afirmar que a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 obra do Pai, por meio do Filho, no Esp\u00edrito Santo, a CTI abre caminho a uma compreens\u00e3o mais profunda da Encarna\u00e7\u00e3o. Jesus Cristo n\u00e3o vem salvar apenas as almas, mas toda a cria\u00e7\u00e3o. E \u00e9 nessa perspectiva que a ecologia se torna cristologia aplicada.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Do \u00abpecado ecol\u00f3gico\u00bb ao pecado contra a cria\u00e7\u00e3o<\/strong> <strong>e o Criador<\/strong><\/p>\n<p><strong>Um dos contributos mais relevantes do documento \u00e9 a reformula\u00e7\u00e3o do conceito de \u00abpecado ecol\u00f3gico\u00bb. A express\u00e3o, difundida ap\u00f3s o S\u00ednodo para a Amaz\u00f3nia (2019), era teologicamente amb\u00edgua. A CTI prop\u00f5e agora uma formula\u00e7\u00e3o mais precisa expressando-o como \u00a0pecado contra a cria\u00e7\u00e3o e contra o Criador.<\/strong><\/p>\n<p>Esta dupla refer\u00eancia \u00e9 decisiva. <strong>O dano causado \u00e0 natureza n\u00e3o \u00e9 pecado apenas porque produz consequ\u00eancias ambientais negativas, mas porque contradiz o sentido que Deus imprimiu \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e a responsabilidade confiada ao ser humano. A polui\u00e7\u00e3o, a destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, a explora\u00e7\u00e3o desenfreada dos recursos tornam-se, assim, ofensas a Deus. N\u00e3o s\u00e3o meros erros de c\u00e1lculo econ\u00f3mico ou pol\u00edtico; s\u00e3o falhas morais que afectam a rela\u00e7\u00e3o do homem com o seu Criador.<\/strong><\/p>\n<p>A formula\u00e7\u00e3o \u00e9 inovadora e, ao mesmo tempo, profundamente tradicional. Sempre se soube que o pecado tem uma dimens\u00e3o social e c\u00f3smica. O que a CTI faz \u00e9 tornar essa dimens\u00e3o expl\u00edcita, articulando-a com a teologia da cria\u00e7\u00e3o e com a doutrina trinit\u00e1ria. <strong>O resultado \u00e9 uma vis\u00e3o integrada em que o \u00abclamor da Terra\u00bb e o \u00abclamor dos pobres\u00bb se fundem numa \u00fanica interpela\u00e7\u00e3o moral.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ecologia integral e justi\u00e7a social une o grito da terra ao dos pobres<\/strong><\/p>\n<p><strong>A ecologia proposta pela Igreja n\u00e3o pode ser verde sem ser vermelha, por assim dizer, ou seja, n\u00e3o pode proteger a natureza esquecendo as pessoas, especialmente os mais pobres.<\/strong> O documento da CTI \u00e9 inequ\u00edvoco neste ponto: <strong>as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis s\u00e3o as primeiras v\u00edtimas da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, da escassez de \u00e1gua, da desertifica\u00e7\u00e3o e das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/strong><\/p>\n<p>Por isso, a Comiss\u00e3o retoma uma das grandes linhas da Laudato si\u2019: o clamor da Terra e o clamor dos pobres s\u00e3o uma \u00fanica interpela\u00e7\u00e3o moral. <strong>E esta perspectiva conduz a uma cr\u00edtica corajosa do modelo econ\u00f3mico dominante, quando este transforma a natureza e as pessoas em meros recursos de produ\u00e7\u00e3o e consumo.<\/strong> <strong>A CTI aponta mesmo para a necessidade de um sistema econ\u00f3mico diferente, \u00abao servi\u00e7o da vida de todos\u00bb, orientado pela sustentabilidade e pelo respeito pelos ritmos da Casa comum.<\/strong><\/p>\n<p>Esta dimens\u00e3o social \u00e9 frequentemente esquecida nos debates sobre ecologia, que tendem a polarizar-se entre catastrofistas e negacionistas. O documento evita ambas as tenta\u00e7\u00f5es, propondo uma vis\u00e3o que \u00e9 ao mesmo tempo realista e esperan\u00e7osa. <strong>A crise ambiental \u00e9 um \u00absevero teste \u00e0 nossa esperan\u00e7a\u00bb, mas a esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o se confunde com optimismo superficial. A f\u00e9 na reden\u00e7\u00e3o, que abrange toda a cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 o horizonte \u00faltimo que d\u00e1 sentido ao esfor\u00e7o presente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Eucaristia e a sacramentalidade da cria\u00e7\u00e3o no mundo como dom e louvor<\/strong><\/p>\n<p>Talvez a passagem mais bela do documento seja aquela em que a CTI desenvolve a dimens\u00e3o sacramental da cria\u00e7\u00e3o. <strong>O mundo, sem se confundir com Deus, remete para Ele e manifesta algo da sua bondade e beleza. Esta \u00absacramentalidade\u00bb encontra na Eucaristia a sua express\u00e3o mais alta: o p\u00e3o e o vinho, frutos da terra e do trabalho humano, tornam-se o corpo e o sangue de Cristo.<\/strong><\/p>\n<p>Aqui, a ecologia crist\u00e3 n\u00e3o nasce apenas da preocupa\u00e7\u00e3o perante uma cat\u00e1strofe iminente, mas da gratid\u00e3o<strong>. O mundo \u00e9 recebido antes de ser utilizado. \u00c9 dom antes de ser recurso. E precisamente porque \u00e9 dom, pode tornar-se louvor. Esta intui\u00e7\u00e3o lit\u00fargica confere \u00e0 ecol\u00f3gica uma profundidade espiritual que falta a muitos discursos ambientais, mesmo quando bem-intencionados.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cuidar da Casa comum n\u00e3o \u00e9, portanto, uma tarefa pesada ou moralista. \u00c9 uma resposta de amor ao Doador.<\/strong> E \u00e9 nesse amor que se encontra a verdadeira motiva\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a de estilo de vida, para a convers\u00e3o ecol\u00f3gica, para a sobriedade partilhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A ecologia da esperan\u00e7a como quest\u00e3o teol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p>Agora importa sublinhar o que este documento n\u00e3o \u00e9, e o que verdadeiramente \u00e9. N\u00e3o \u00e9 uma nova defini\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica, nem um ato magisterial pessoal de Le\u00e3o XIV. <strong>A CTI \u00e9 um organismo consultivo e os seus textos t\u00eam a autoridade pr\u00f3pria de quem aprofunda a doutrina.<\/strong> Mas n\u00e3o se trata de um documento menor. Pelo contr\u00e1rio: oferece o quadro conceptual para que a reflex\u00e3o ecol\u00f3gica se integre no n\u00facleo da teologia cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>O que a CTI faz \u00e9 transformar a pergunta ecol\u00f3gica numa pergunta teol\u00f3gica: <strong>\u00abComo nos relacionamos com a cria\u00e7\u00e3o, nossa Casa comum, obra do Criador trinit\u00e1rio?\u00bb E a resposta \u00e9 inequ\u00edvoca porque essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 uma dimens\u00e3o da nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus. A ecologia deixa de ser um ap\u00eandice facultativo da vida crist\u00e3 para se tornar parte integrante das grandes realidades da f\u00e9: Cria\u00e7\u00e3o, Trindade, Encarna\u00e7\u00e3o, pecado, Eucaristia, justi\u00e7a, convers\u00e3o e esperan\u00e7a escatol\u00f3gica.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 este o passo decisivo dado pelo documento da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional que deveria orientar toda a discuss\u00e3o teol\u00f3gica. <strong>O desafio lan\u00e7ado \u00e0 Igreja e ao mundo \u00e9 viver a ecologia n\u00e3o como uma moda, mas como uma exig\u00eancia da f\u00e9; n\u00e3o como uma preocupa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, mas como uma dimens\u00e3o constitutiva do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo.<\/strong><\/p>\n<p>Nesse sentido, o texto da CTI n\u00e3o \u00e9 um ponto de chegada, mas um ponto de partida. <strong>A teologia trinit\u00e1ria que o fundamenta, com a sua \u00eanfase na rela\u00e7\u00e3o, na interdepend\u00eancia e na comunh\u00e3o, abre caminho a uma revis\u00e3o profunda da ontologia tradicional e a uma antropologia mais integrada diria, uma antopoginelogia. <\/strong>E isso, no fundo, \u00e9 o que sempre fez a teologia quando \u00e9 fiel \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o: n\u00e3o repetir o passado, mas iluminar o presente \u00e0 luz do mist\u00e9rio de Deus.<\/p>\n<p><strong>O cuidado da Casa comum \u00e9, assim, uma forma de responder ao pr\u00f3prio Deus. E essa resposta, como o documento nos recorda, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de op\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma quest\u00e3o de identidade crist\u00e3.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo \u00a9<br \/>\nORCID: <a href=\"https:\/\/orcid.org\/0009-0003-6251-1578\">https:\/\/orcid.org\/0009-0003-6251-1578<\/a><\/p>\n<p>(1) DA ONTOLOGIA DO DOM\u00cdNIO \u00c0 ONTOLOGIA DA RELA\u00c7\u00c3O: https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11307<\/p>\n<p>Documento da CTI: <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/cti_documents\/rc_cti_doc_20260821_prendersi-cura-casa-comune_it.html?utm_source=chatgpt.com\">https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/cti_documents\/rc_cti_doc_20260821_prendersi-cura-casa-comune_it.html?utm_source=chatgpt.com<\/a><\/p>\n<p>Outras refer\u00eancias: <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/vatican\/pt.html\">https:\/\/www.vatican.va\/content\/vatican\/pt.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cuidado da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um ap\u00eandice moral, mas uma dimens\u00e3o constitutiva da f\u00e9 crist\u00e3. 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