{"id":11357,"date":"2026-08-26T20:33:17","date_gmt":"2026-08-26T19:33:17","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11357"},"modified":"2026-08-26T20:33:17","modified_gmt":"2026-08-26T19:33:17","slug":"fabula-da-erva-do-prado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11357","title":{"rendered":"F\u00c1BULA DA ERVA DO PRADO"},"content":{"rendered":"<p>Havia, numa v\u00e1rzea f\u00e9rtil, um prado verde onde cresciam ervas tenras, regadas pelas chuvas e aquecidas pelo sol. Ali viviam tamb\u00e9m dois elefantes enormes e poderosos (1).<\/p>\n<p>Um dia, os dois elefantes zangaram-se por causa de territ\u00f3rio e travaram uma luta feroz. Pisaram o prado de um lado ao outro, arrancaram ra\u00edzes, partiram caules, e onde antes havia verde, ficou lama e destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Passado algum tempo, os mesmos elefantes fizeram as pazes, e sentindo-se atra\u00eddos um pelo outro, aproximaram-se para se acasalarem. E de novo, no seu jogo pesado e no seu abra\u00e7o descomunal, voltaram a calcar o mesmo ch\u00e3o, esmagando o que a erva tinha conseguido, entretanto, renascer.<\/p>\n<p>A pequena erva, que nada tinha a ver com as brigas nem com os amores dos gigantes, olhou para o c\u00e9u e perguntou baixinho:<\/p>\n<p>\u201cPorque sofro eu, Senhor, sempre que eles se movem, seja em guerra ou em amor?\u201d<\/p>\n<p>E uma voz suave, como a brisa entre as folhas, respondeu-lhe:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 por seres culpada, pequena erva. \u00c9 porque \u00e9s humilde e est\u00e1s sob os p\u00e9s dos grandes. Mas n\u00e3o temas porque onde eles passam, tu renasces sempre. A tua for\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 no tamanho, est\u00e1 na tua capacidade de recome\u00e7ar, verde, depois de cada pisadela&#8221;.<\/p>\n<p>E acrescentou ainda:<\/p>\n<p>\u201cMas ouve bem, ervinha, mesmo que sejas pisada, n\u00e3o te vergues por completo, nem penses que a culpa \u00e9 tua. Este solo n\u00e3o pertence s\u00f3 aos elefantes, \u00e9 de todos os que nele vivem, grandes e pequenos. A maldade n\u00e3o est\u00e1 em ti, que apenas queres crescer em paz; est\u00e1 naqueles que caminham sobre a terra sem cuidado, sem olhar por onde pisam nem por quem esmagam. Ergue-te sempre que puderes, ervinha minha, porque tamb\u00e9m tu tens direito a este solo. E que os grandes aprendam, um dia, a caminhar com mais respeito por aqueles que , em sil\u00eancio, sustentam toda a vida do prado.\u201d<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>\nPegadas do Tempo<\/p>\n<p>(1) Um dito popular lusitano diz: \u201cquando o mar bate na rocha quem se lixa \u00e9 o mexilh\u00e3o\u201d e um dito esloveno lamenta: \u201cN\u00e3o importa se os elefantes lutam entre si ou se se acasalam, \u00e9 sempre a relva que sofre\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia, numa v\u00e1rzea f\u00e9rtil, um prado verde onde cresciam ervas tenras, regadas pelas chuvas e aquecidas pelo sol. Ali viviam tamb\u00e9m dois elefantes enormes e poderosos (1). Um dia, os dois elefantes zangaram-se por causa de territ\u00f3rio e travaram uma luta feroz. 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