{"id":11346,"date":"2026-08-25T13:44:51","date_gmt":"2026-08-25T12:44:51","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11346"},"modified":"2026-08-25T14:52:59","modified_gmt":"2026-08-25T13:52:59","slug":"o-mar-de-luzes-da-branca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11346","title":{"rendered":"O MAR DE LUZES DA BRANCA"},"content":{"rendered":"<p><em>Entre a Quinta Outeiro da Luz, Aveiro, a Barra e Espinho, a luz estende o nosso olhar e convida-nos a permanecer em cada mirada, a vir e sempre de novo voltar, para manter no cora\u00e7\u00e3o aquela luz que nos faz brilhar.<\/em><\/p>\n<p>Quando em S\u00e3o Juli\u00e3o, na Branca, o sol rubro se vai deitar,<br \/>\num derradeiro brilho rasga o horizonte aberto sobre o mar.<br \/>\nMal cessa a b\u00ean\u00e7\u00e3o do dia e a sombra desce em modo devagar,<br \/>\nda encosta, em suave romaria, um rio de luzes corre para o mar.<\/p>\n<p>Primeiro uma, depois outra se acende e a noite faz da terra outro c\u00e9u;<br \/>\ncada luz que ao longe resplende guarda uma vida por detr\u00e1s do v\u00e9u.<br \/>\nAli dormem sombras, amor e dor, romances sob o mesmo teto;<br \/>\ncada casa tem seu fulgor, seu fado, seu sonho mais secreto.<\/p>\n<p>Somos todos filhos da Luz, misteriosos no voo estelar;<br \/>\natr\u00e1s dela vamos, pequeninos, como quem procura onde ficar.<br \/>\nPois toda a luz que l\u00e1 fora arde tem sua nascente no nosso peito;<br \/>\ncomo o vulc\u00e3o que se fez terra e tarde e no pirilampo renasce perfeito.<\/p>\n<p>Da Quinta Outeiro da Luz, ao fim do dia, o olhar se estende at\u00e9 ao mar;<br \/>\no Sol despede-se sobre a ria como quem parte e promete voltar.<br \/>\nA Terra repousa, horizontal, serena, entregue \u00e0 paz do entardecer;<br \/>\ne cada luz que no horizonte acena parece algu\u00e9m que voltamos a ver.<\/p>\n<p>E n\u00f3s, do alto, em sil\u00eancio, a olhar, n\u00e3o sabemos quem chora ou quem sorri;<br \/>\nmas cada luz, a caminho do mar, traz-nos algu\u00e9m que j\u00e1 passou por aqui.<br \/>\nDecerto um rosto, talvez um amigo, uma voz que o tempo n\u00e3o levou;<br \/>\nalgu\u00e9m que j\u00e1 n\u00e3o caminha comigo, mas dentro de mim a luz guardou.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o vemos s\u00f3 a paisagem, mas vidas acesas na amplid\u00e3o:<br \/>\npequenas luzes na breve viagem que o tempo recolhe no cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO Farol da Barra acena ao Mar, a ria de Aveiro alonga o seu brilho capuz;<br \/>\ne Outeiro da Luz fica, em sil\u00eancio, a olhar a noite acender-se luz ap\u00f3s luz.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o compreendemos, sem saber porqu\u00ea, que h\u00e1 luzes que o tempo n\u00e3o desfaz:<br \/>\nficam em n\u00f3s, mesmo quando n\u00e3o se v\u00ea quem as acendeu e ficou para tr\u00e1s.<br \/>\nE quando a \u00faltima claridade se desfaz e a noite abra\u00e7a a ria e o mar profundo,<br \/>\na luz apaga-se no c\u00e9u, em paz, para se acender em n\u00f3s e no mundo.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nPegadas do Tempo \u00a9<br \/>\nORCID: <a href=\"https:\/\/orcid.org\/0009-0003-6251-1578\">https:\/\/orcid.org\/0009-0003-6251-1578<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre a Quinta Outeiro da Luz, Aveiro, a Barra e Espinho, a luz estende o nosso olhar e convida-nos a permanecer em cada mirada, a vir e sempre de novo voltar, para manter no cora\u00e7\u00e3o aquela luz que nos faz brilhar. 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