{"id":11261,"date":"2026-08-04T11:22:31","date_gmt":"2026-08-04T10:22:31","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11261"},"modified":"2026-08-04T11:22:31","modified_gmt":"2026-08-04T10:22:31","slug":"dazwischen-ali-mesmo-no-meio-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11261","title":{"rendered":"DAZWISCHEN (ALI MESMO NO MEIO (1)"},"content":{"rendered":"<p>Entre o teu nome e o meu, entre a ave e a \u00e1rvore,<br \/>\nentre a fenda da terra e a ab\u00f3bada do c\u00e9u,<br \/>\nouve-se a m\u00fasica, n\u00e3o a que os astros tecem,<br \/>\nmas a de Afrodite que afina o espa\u00e7o do intervalo,<br \/>\nesse v\u00e3o suspenso onde dois seres se respiram<br \/>\nsem ainda se tocarem, na \u00e2nsia de se acharem.<\/p>\n<p>Nesse dazwischen, o f\u00f3sforo da ideia<br \/>\ndesce, risco breve e l\u00facido, ao centro do peito:<br \/>\nn\u00e3o queima, ilumina e no rosto incendeia<br \/>\num sorriso que desfolha, p\u00e9tala a p\u00e9tala,<br \/>\no inverno do sil\u00eancio. As m\u00e3os erguem-se,<br \/>\nc\u00e1lice de vazio e suspiram por mais,<br \/>\nmais carne onde o feminino se faz onda<br \/>\ne o masculino, penhasco que a recebe,<br \/>\nmais c\u00e9u onde a terra aprende a sua queda<br \/>\npara, ao cair, se saber feita de estrela.<\/p>\n<p>Mas olha a surpresa, num \u00e1pice, o golpe de asa:<br \/>\no dazwischen solveu-se. Nem sopro, nem f\u00f3sforo.<br \/>\nUm mero beijo e o entre-dois ruiu<br \/>\ncomo um castelo de sal ao primeiro orvalho.<br \/>\nO que era ponte \u00e9 agora travessia consumada;<br \/>\no que era m\u00fasica, pausa que o l\u00e1bio preencheu.<\/p>\n<p>Que esse beijo, por\u00e9m, se prolongue, amigos,<br \/>\nque caia, lento e cego, como p\u00f3len que o acaso<br \/>\nconfia \u00e0 asa da abelha sem b\u00fassola nem destino,<br \/>\nn\u00e3o para as flores que o caminho guarda<br \/>\nno seu livro de herb\u00e1rio, mas para as outras,<br \/>\nas que a pr\u00f3pria senda desconhece e evita,<br \/>\nas que germinam onde o passo hesita,<br \/>\nno limite agreste onde o feminino \u00e9 seiva<br \/>\ne o masculino, a luz que a verticaliza,<br \/>\ne a terra, ao subir, n\u00e3o fere o c\u00e9u, abra\u00e7a-o.<\/p>\n<p>E nesse p\u00f3len, o f\u00f3sforo reacende-se,<br \/>\nj\u00e1 n\u00e3o como ideia, mas como corpo mundano.<br \/>\nE o beijo, sendo um, \u00e9 todo o voo e toda a raiz,<br \/>\nporque o que cai em flor n\u00e3o finda em ch\u00e3o,<br \/>\nascende em fruto e no fruto, a semente,<br \/>\ne na semente, o g\u00e9rmen do novo intervalo,<br \/>\no recome\u00e7o do sopro que, incans\u00e1vel,<br \/>\nafina outra vez o arco entre o teu nome e o meu,<br \/>\nentre o voo e o ramo, entre o c\u00e9u e a terra,<br \/>\nporque o encontro nunca \u00e9 um fim, mas a fenda<br \/>\nonde a \u00e2nsia escondida, enfim, se sabe eterna<br \/>\na repetir-se, f\u00e9rtil, no p\u00f3len do instante.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nPegadas do Tempo \u00a9<br \/>\nORCID: <a href=\"https:\/\/orcid.org\/0009-0003-6251-1578\">https:\/\/orcid.org\/0009-0003-6251-1578<\/a><\/p>\n<p>(1) &#8220;Dazwischen&#8221; \u00e9 um palavra alem\u00e3 que significa literalmente, \u201cali entre\u201d, &#8220;pelo meio&#8221;, &#8220;no meio&#8221; ou &#8220;entre as coisas&#8221; \u00e9 precisamente esse espa\u00e7o invis\u00edvel. \u00c9 aquilo que n\u00e3o se v\u00ea \u00e0 superf\u00edcie, mas que une tudo e revela o que est\u00e1 oculto, sem precisar de tocar no que \u00e9 material ou superficial (como a &#8220;roupa&#8221;). \u00c9 a perce\u00e7\u00e3o pura, a intui\u00e7\u00e3o ou a liga\u00e7\u00e3o profunda que vai direto ao ponto essencial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre o teu nome e o meu, entre a ave e a \u00e1rvore, entre a fenda da terra e a ab\u00f3bada do c\u00e9u, ouve-se a m\u00fasica, n\u00e3o a que os astros tecem, mas a de Afrodite que afina o espa\u00e7o do intervalo, esse v\u00e3o suspenso onde dois seres se respiram sem ainda se tocarem, na &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11261\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">DAZWISCHEN (ALI MESMO NO MEIO (1)<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,16],"tags":[],"class_list":["post-11261","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11261","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11261"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11261\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11262,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11261\/revisions\/11262"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11261"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11261"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11261"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}