{"id":11225,"date":"2026-07-30T14:25:15","date_gmt":"2026-07-30T13:25:15","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11225"},"modified":"2026-07-30T14:57:04","modified_gmt":"2026-07-30T13:57:04","slug":"a-natureza-nao-engana-nem-rejeita-o-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11225","title":{"rendered":"A NATUREZA N\u00c3O ENGANA NEM REJEITA O HUMANO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Humanidade acima de Gritos de Guerra<\/strong> <strong>e de\u00a0 Lutas culturais<\/strong><\/p>\n<p>A cidade de Berlim, marcada pelo sangue e pelo medo ap\u00f3s o atentado islamista contra as pessoas no CSD (Christopher Street Day), n\u00e3o clama apenas por justi\u00e7a, mas tamb\u00e9m por um exame de consci\u00eancia. O sangue que corre \u00e9 um eco doloroso que exp\u00f5e a ferida de civiliza\u00e7\u00f5es que desaprendem a comungar com a ess\u00eancia humana. Assistimos \u00e0 triste e vergonhosa metamorfose de termos como &#8220;diversos&#8221;, &#8220;trans&#8221; e &#8220;homossexuais&#8221; em aut\u00eanticos gritos de guerra. Em vez de designarem a riqueza da biografia humana, estas palavras s\u00e3o hoje instrumentalizadas por institui\u00e7\u00f5es que utilizam vidas individuais como meros pe\u00f5es para atingir fins de ordenamento social. Reduzem o Homem a objeto, onde o ser humano \u00e9 despido da sua dignidade tanto por defensores como por opositores, num jogo de for\u00e7as que ignora a pureza da natureza inerente a cada indiv\u00edduo e a soberania da consci\u00eancia individual como defende o cristianismo leal.<\/p>\n<p>A sociedade n\u00e3o tem donos. Ningu\u00e9m \u00e9 senhor do tecido social. Quando casais homossexuais ou indiv\u00edduos diversos s\u00e3o empurrados para as margens, ou quando grupos tentam estabelecer &#8220;zonas privadas&#8221; de aceita\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o na pra\u00e7a p\u00fablica, quebra-se o respeito pelo humano, pelo Todo criado. \u00c9 leg\u00edtimo que cada institui\u00e7\u00e3o crie as suas normas internas, mas h\u00e1 um limite sagrado e este pressup\u00f5e que deve permanecer sempre um espa\u00e7o reservado onde a humanidade geral tenha lugar independentemente da regra e da excep\u00e7\u00e3o. A exist\u00eancia n\u00e3o pode ser regulada pela exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante do terror de Berlim, onde a natureza humana b\u00e1sica foi barbaramente aniquilada, imp\u00f5e-se uma pergunta que \u00e9 essencial: porque \u00e9 que algu\u00e9m culpa o outro por aquilo que a natureza, criada por Deus, planeou? A cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o comete erros; a sua assinatura \u00e9 a pluralidade que mostra a sua tinta na diversidade. Se olh\u00e1ssemos para a biosfera sem as lentes do preconceito, ver\u00edamos que a natureza n\u00e3o discrimina a folha que nasce torta nem a flor que exibe uma cor singular. Ela acolhe todas as manifesta\u00e7\u00f5es da vida na sua harmonia vasta. O preconceito n\u00e3o \u00e9 uma lei natural; \u00e9 uma proje\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 o esgoto interior dos indiv\u00edduos que transborda, invadindo o discurso p\u00fablico com coment\u00e1rios desdenhosos e viol\u00eancia f\u00edsica, destilando um \u00f3dio cego que tenta apagar o rosto que a natureza preservou em cada ser. Tamb\u00e9m a gritaria social de um lado ou do outro n\u00e3o serve o \u201cdiferente\u201d e at\u00e9 o compromete quando \u00e9 usado por for\u00e7as ideol\u00f3gicas que tendem criar o caos numa sociedade ordeira que querem destruir.<\/p>\n<p>As pessoas \u201cdiversas\u201d ou diferentes partilham da mesma vulnerabilidade que une toda a esp\u00e9cie humana; conhecem o c\u00e1rcere do medo, mas n\u00e3o precisam e n\u00e3o devem implorar por serem aceites. O direito \u00e0 exist\u00eancia e \u00e0 busca da felicidade \u00e9 intr\u00ednseco, inalien\u00e1vel e universal. As ideologias g\u00e9meas, que tentam impor o sil\u00eancio e o esquecimento \u00e0s minorias, falham porque tentam lutar contra a pr\u00f3pria Cria\u00e7\u00e3o. Actos de agress\u00e3o e terrorismo urbano n\u00e3o geram a verdadeira visibilidade que edifica; pelo contr\u00e1rio, camuflam os problemas reais e estruturais da sociedade, funcionando como uma cortina de fumo para a nossa incapacidade coletiva de promover a paz.<\/p>\n<p>O caminho para a cura exige uma viagem interior. Se cada cidad\u00e3o prestasse mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pr\u00f3pria hostilidade interna, purificando os seus ressentimentos e dogmas, o cont\u00e1gio do \u00f3dio exterior perderia a sua for\u00e7a motriz. Uma sociedade que tolera em demasia o esp\u00edrito negativo e a barb\u00e1rie acaba, inevitavelmente, por castigar o bom e o justo. Urge, por isso, resgatar um mundo que tenha a natureza como espelho, garantindo um lugar seguro para todos e para cada um, onde a \u00fanica lei universal seja o respeito absoluto pela dignidade humana.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>\nPegadas do Tempo<\/p>\n<p>ORCID: https:\/\/orcid.org\/0009-0003-6251-1578<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Humanidade acima de Gritos de Guerra e de\u00a0 Lutas culturais A cidade de Berlim, marcada pelo sangue e pelo medo ap\u00f3s o atentado islamista contra as pessoas no CSD (Christopher Street Day), n\u00e3o clama apenas por justi\u00e7a, mas tamb\u00e9m por um exame de consci\u00eancia. 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