{"id":1122,"date":"2007-11-17T10:34:00","date_gmt":"2007-11-17T09:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1122"},"modified":"2007-11-17T10:34:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:34:00","slug":"o-estado-partidario-em-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1122","title":{"rendered":"O ESTADO PARTID\u00c1RIO EM CRISE"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\"><b>O Ressurgir duma Nova Consci\u00eancia Burguesa (1)<\/b><br \/>O vulc\u00e3o da religi\u00e3o estremece por todo o lado podendo vir a criar grandes convuls\u00f5es no mundo. ADe momento, aEuropa acorda e Deus levanta o dedo!<br \/>Com a queda do muro de Berlim em 1989 a seculariza\u00e7\u00e3o recebe um grande abalo e as ideologias marxistas perdem o seu encanto. Com a bancarrota do sistema sovi\u00e9tico o mundo modifica-se. A pol\u00edtica e as elites desacreditam-se. O fanatismo religioso e ateu acentuam-se. Por um lado assiste-se a uma f\u00e9 infantil cordial e por outro a uma cren\u00e7a arrogante ate\u00edsta racionalista. Uns vivem da f\u00e9 \u201cDeus criou o homem\u201d outros da cren\u00e7a \u201co Homem criou Deus\u201d.<br \/>Os tempos que correm s\u00e3o prop\u00edcios para fanatismos. A crise e o medo fomentam o sentimento de perten\u00e7a. O movimento de F\u00e1tima parece ganhar raz\u00e3o.<br \/>A Europa que no s\u00e9culo XIX tinha processado Deus (Marx, Nitzsche, etc), no s\u00e9culo XX executou-o, colocando no seu lugar a deusa Liberdade.<br \/>As sementes lan\u00e7adas no s\u00e9culo XIX e a proclamada morte de Deus transformam o s\u00e9culo XX no mais sangrento de todos os tempos que culminou na \u201csegunda guerra mundial, ati\u00e7ada por ate\u00edstas radicais\u201d ,( Wolfram Weimer, in \u201cCredo\u201d).<br \/>Com a experi\u00eancia das guerras a pol\u00edtica consegue triunfos a n\u00edvel material e mais desilus\u00e3o a n\u00edvel humano. A classe pol\u00edtica parece ter chegado aos seus limites tornando-se cada vez se menos cred\u00edvel. Desiludidos de Deus e da burguesia, os pol\u00edticos j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam convic\u00e7\u00f5es, s\u00e3o frios. A convic\u00e7\u00e3o e a paix\u00e3o cada vez se encontram mais da parte do povo, duma camada m\u00e9dia, a burguesia maltratada que parecia j\u00e1 ter perdido o esp\u00edrito.<br \/>Hoje, essa \u201cburguesia\u201d, da qual sempre dependeu o desenvolvimento cultural das sociedades, come\u00e7a a redescobrir-se e a afirmar-se religiosa. Isto tem muito que se lhe diga porque ela \u00e9 que arrasta a carro\u00e7a social, e \u00e9 determinante no seu meio, intervindo e assumindo sempre responsabilidade hist\u00f3rica no desenvolvimento. O resto segue ou aproveita-se mais ou menos inconscientemente da caravana, vivendo de filosofias coniventes com as pr\u00f3prias car\u00eancias, \u00e0 medida das necessidades do dia a dia. As elites come\u00e7am a acordar da Bela Adormecida. Da nova burguesia surgir\u00e3o os caudilhos de amanh\u00e3 que por\u00e3o o mundo na sua ordem.<br \/>Se \u00e9 verdade que o p\u00e3o \u00e9 que mata a fome, n\u00e3o se pode desprezar o facto de que o ser humano traz consigo a fome do esp\u00edrito, a fome da transcend\u00eancia, que reconhece como sua coluna vertebral. A necessidade \u00e9 determinada pela camada m\u00e9dia da sociedade, pelos que j\u00e1 t\u00eam o suficiente para estarem dispon\u00edveis a poder pensar.<br \/>As orgias intelectuais ideol\u00f3gicas contra a burguesia e seus valores j\u00e1 n\u00e3o entusiasmam nem convencem, desqualificando-se e auto-marginalizando-se. At\u00e9 \u00e0 d\u00e9cada de 90 viveu-se um tempo de adolesc\u00eancia interessante. S\u00f3 que os adolescentes de ent\u00e3o, os socialistas de ontem ocupam hoje as chefias da banca, das administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, do jornalismo e mesmo de muitos lugares da ind\u00fastria.<br \/>          <b>O processo decadente que se deu no sistema comunista sovi\u00e9tico repete-se na sociedade ocidental nos seus representantes institucionais. <\/b>Nos sistemas socialistas h\u00e1 sempre uma pesada administra\u00e7\u00e3o totalmente controlada por uma pequena nomenclatura ideol\u00f3gica todo-poderosa. Nos tempos que correm e que s\u00e3o de mis\u00e9ria ideol\u00f3gica e social, \u00e9 ut\u00f3pico e m\u00edope querer reduzir-se a pol\u00edtica a administra\u00e7\u00e3o, tal como naquele sistema. Os socialistas do lado de c\u00e1, do post real-socialismo, e os superficiais conservadores sem esp\u00edrito t\u00eam-lhe seguido as pegadas, acreditando todos numa sociedade planific\u00e1vel o que os t\u00eam levado a fomentar o poder das administra\u00e7\u00f5es e da burocracia. Ainda n\u00e3o notaram que o muro de Berlim j\u00e1 caiu. Ele caiu historicamente mas ainda n\u00e3o caiu nas cabe\u00e7as de muitos pol\u00edticos e intelectuais. Isto emperra o andar da hist\u00f3ria, tornando-se muitos dos progressistas, nos seus empecilhos. <b>S\u00f3crates luta contra este dem\u00f3nio bem instalado mas falta-lhe a \u00e1gua benta e o testemunho. <\/b><br \/>Falta a reflex\u00e3o e a empatia. A pol\u00edtica emp\u00edrica instalada d\u00e1 lugar a uma esp\u00e9cie de nepotismo ideol\u00f3gico \u00e0 maneira de establishment formal. Na pol\u00edtica repete-se o que muitas vezes acontece no casamento. Uma pessoa enamora-se e, sem prepara\u00e7\u00e3o, casa-se. Depois arranja-se e, finalmente, divorcia-se, deixando atr\u00e1s de si um mont\u00e3o de cacos.<br \/>          O pensamento que est\u00e1 por tr\u00e1s da pol\u00edtica a partir dos anos 60 partiu dum <b>falso pressuposto: destruir o espa\u00e7o religioso e os valores da burguesia para criar um espa\u00e7o livre da pol\u00edtica <\/b>onde o cidad\u00e3o indiv\u00edduo se possa desenvolver sem entraves nem responsabilidades. Como se observa pela crise cultural e de valores em que vivemos, essa ideologia deu barraca mas o infantilismo continua. A pol\u00edtica, ao arrogar-se para si o sentido, perdeu o sentido do pol\u00edtico. Ao a\u00e7ambarcar para si o espa\u00e7o da liberdade destr\u00f3i a Liberdade, o \u00faltimo sentido da pol\u00edtica. Como a ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se reduz a administrar renuncia-se \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Equivocou-se ao transformar o (Estado) espa\u00e7o livre de actua\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os numa inst\u00e2ncia paternalista em que se vinculam uns conglomerados de cidad\u00e3os prolet\u00e1rios, de pros\u00e9litos e se distribuem benesses a clientelas. Pela crise v\u00ea-se que isto n\u00e3o chega para fazer pol\u00edtica. <b>O s\u00e9culo XX cometeu um grande erro: desconhecer o conceito de cidad\u00e3o desonrando-o ao transform\u00e1-lo em cliente em prolet\u00e1rio do Estado<\/b>, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos partidos, que se apoderaram do Estado. J\u00e1 os regimes socialistas o tinham reduzido a prolet\u00e1rio. Assiste-se quer no sistema marxista quer no sistema ocidental \u00e0 instrumentaliza\u00e7\u00e3o, politiza\u00e7\u00e3o total do ser humano. A liberdade come\u00e7a onde a lei acaba. A pol\u00edtica tinha-se esquecido de Plat\u00e3o e do Catolicismo que recordam: quem suprime Deus e a Verdade acaba com a pol\u00edtica e destroi o Homem!<br \/>Toda a cultura \u00e9 filha da religi\u00e3o e a nossa cultura \u00e9 filha da religi\u00e3o judaico-crist\u00e3 depois de muitos anos de rumina\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o doutras culturas em especial a greco-romana. Quem, com responsabilidade pol\u00edtica e cultural n\u00e3o reconhecer essa realidade, como o ser da sua forma de estar, descarrila-se e n\u00e3o chega a lugar nenhum. A cren\u00e7a religiosa e a cren\u00e7a ate\u00edsta se querem tornar-se respons\u00e1veis ter\u00e3o de se dar as m\u00e3os. As duas s\u00e3o filhas do mesmo pai, o cristianismo. Trata-se de ssumir juntos a responsabilidade do futuro para o realizar e possibilitar. Com a queda da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 o mundo ficaria \u00e0s escuras. Trata-se de a aperfei\u00e7oar, sublimar e p\u00f4r ao servi\u00e7o da humanidade e do Homem em sintonia e sinergia de esfor\u00e7os.<br \/>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>In \u201c Pegadas do Tempo\u201d<br \/>(1) Primeira parte                   <\/p>\n<div align=\"right\"> <b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/div>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Ressurgir duma Nova Consci\u00eancia Burguesa (1)O vulc\u00e3o da religi\u00e3o estremece por todo o lado podendo vir a criar grandes convuls\u00f5es no mundo. ADe momento, aEuropa acorda e Deus levanta o dedo!Com a queda do muro de Berlim em 1989 a seculariza\u00e7\u00e3o recebe um grande abalo e as ideologias marxistas perdem o seu encanto. 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