{"id":11217,"date":"2026-07-29T14:04:11","date_gmt":"2026-07-29T13:04:11","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11217"},"modified":"2026-07-29T14:04:11","modified_gmt":"2026-07-29T13:04:11","slug":"uso-e-abuso-da-linguagem-e-reescrita-do-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11217","title":{"rendered":"USO E ABUSO DA LINGUAGEM E REESCRITA DO PASSADO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>J\u00e1 n\u00e3o bastava reescrever as palavras, mas at\u00e9 se come\u00e7a a querer reescrever a mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos escrevi sobre o uso e sobretudo sobre o abuso da linguagem. Chamava a aten\u00e7\u00e3o para uma tend\u00eancia que, entretanto, se tornou ainda mais vis\u00edvel: a necessidade de substituir palavras simples e diretas por express\u00f5es mais sofisticadas, aparentemente respeitadoras, mas muitas vezes destinadas apenas a tornar menos vis\u00edvel aquilo que continua a existir.<\/p>\n<p>A criada passou a empregada dom\u00e9stica; a empregada dom\u00e9stica passou a auxiliar de apoio domicili\u00e1rio; o cont\u00ednuo transformou-se em auxiliar de a\u00e7\u00e3o educativa; o vendedor de medicamentos tornou-se delegado de informa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica; o oper\u00e1rio passou a colaborador. Mudavam-se os nomes e, por vezes, parecia acreditar-se que tamb\u00e9m se tinha mudado a realidade. Era uma esp\u00e9cie de maquilhagem sem terapia.<\/p>\n<p>Hoje, por\u00e9m, parece-me que a quest\u00e3o ainda \u00e9 mais grave porque ultrapassou a linguagem. J\u00e1 n\u00e3o se trata apenas de mudar o nome \u00e0s coisas. Come\u00e7amos a querer mudar tamb\u00e9m a maneira como devemos olhar para aquilo que aconteceu antes de n\u00f3s. J\u00e1 n\u00e3o bastava reescrever as palavras e come\u00e7a a querer-se reescrever a mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Vivemos numa \u00e9poca que se considera, justamente ou n\u00e3o, mais esclarecida do que muitas das anteriores. Conhecemos melhor in\u00fameras injusti\u00e7as do passado e desenvolvemos uma sensibilidade mais atenta a formas de discrimina\u00e7\u00e3o que anteriormente eram ignoradas ou aceites. Isto representa, em muitos aspetos, um progresso.<\/p>\n<p>Mas existe uma tenta\u00e7\u00e3o nesse progresso: a de olhar para tr\u00e1s e imaginar que todas as \u00e9pocas anteriores foram apenas vers\u00f5es imperfeitas da nossa.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que aparece o anacronismo. Sentamo-nos confortavelmente no s\u00e9culo XXI, munidos dos valores, conceitos e sensibilidades do nosso tempo e julgamos homens e mulheres que viveram h\u00e1 s\u00e9culos como se tivessem recebido o mesmo manual moral que hoje temos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois admiramo-nos de descobrir que os gregos n\u00e3o eram modernos, que os romanos n\u00e3o pensavam como n\u00f3s, que a Idade M\u00e9dia n\u00e3o conhecia as nossas categorias pol\u00edticas e sociais e que Shakespeare e Cam\u00f5es n\u00e3o escreviam segundo os c\u00f3digos culturais do nosso tempo.<\/p>\n<p>Descobrimos, afinal, que o passado era passado e que por detr\u00e1s dele h\u00e1 uma linha de verdade m\u00edtica a descobrir.<\/p>\n<p>Estudar Hist\u00f3ria, por\u00e9m, n\u00e3o significa perguntar apenas se aquilo que aconteceu seria aceit\u00e1vel hoje. Significa tamb\u00e9m perguntar: como pensavam aquelas pessoas? Em que sociedade viviam? Que valores possu\u00edam? Que conhecimentos tinham? Que alternativas conheciam?<\/p>\n<p>S\u00f3 depois poderemos formar um ju\u00edzo.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de suspender a moral, mas de n\u00e3o a confundir com a Hist\u00f3ria. Podemos condenar a escravatura e estudar as sociedades escravistas; rejeitar a viol\u00eancia de uma guerra e procurar compreender por que aconteceu; defender hoje a igualdade entre homens e mulheres sem fingir que as sociedades antigas j\u00e1 funcionavam segundo os princ\u00edpios que consideramos justos.<\/p>\n<p>Podemos criticar o passado sem o falsificar nem abusar dele para fins de mero poder ideol\u00f3gico ou partid\u00e1rio. Esta distin\u00e7\u00e3o torna-se particularmente importante quando entramos no territ\u00f3rio da literatura, do cinema e das adapta\u00e7\u00f5es dos cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p>Pensemos em \u201cA Odisseia\u201d, que regressa agora ao grande cinema atrav\u00e9s de Christopher Nolan. Podemos fazer v\u00e1rias leituras dele e uma delas tem a ver com a cr\u00edtica que aqui apresento e a que ele n\u00e3o resiste. Mas a pr\u00f3pria obra de Homero permite colocar uma quest\u00e3o essencial: o que fazemos hoje com uma cria\u00e7\u00e3o que nasceu num mundo t\u00e3o distante do nosso? Na generalidade permanece o erro de obrig\u00e1-la a falar como n\u00f3s. Ou podemos procurar descobrir o que ela ainda tem para nos dizer precisamente por n\u00e3o ser como n\u00f3s.<\/p>\n<p>O mundo de Homero n\u00e3o \u00e9 o nosso. A sua concep\u00e7\u00e3o da honra, da guerra, da fam\u00edlia, da hospitalidade, da vingan\u00e7a, do poder, dos deuses e do destino pertence a uma ordem cultural muito diferente.<\/p>\n<p>Ulisses n\u00e3o \u00e9 um cidad\u00e3o europeu de 2026 perdido no Mediterr\u00e2neo. E, no entanto, reconhecemo-nos nele. Porqu\u00ea? Porque por detr\u00e1s da dist\u00e2ncia hist\u00f3rica existe aquilo a que poder\u00edamos chamar o fundo m\u00edtico da experi\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Em Homero al\u00e9m do mito que descreve a passagem axial de um mundo matriarcal para o patriarcal, na sua narrativa o homem regressa, perde-se, deseja,\u00a0 combate na tentativa de procurar a sua casa. Por\u00e9m o poder corrompe, a vaidade cega, a vingan\u00e7a destr\u00f3i e a fidelidade \u00e9 posta \u00e0 prova.<\/p>\n<p>O facto \u00e9 que mudam as \u00e9pocas e as institui\u00e7\u00f5es, mas certas estruturas profundas da condi\u00e7\u00e3o humana reaparecem no esp\u00edrito do tempo de cada \u00e9poca. \u00c9 por isso que os mitos sobrevivem e por vezes transmitem uma verdade mais profunda do que as verdades hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>E \u00e9\u00a0 aqui que uma cultura verdadeiramente moderna deveria ser mais criativa: em vez de adaptar o mito antigo aos preconceitos do presente, utiliz\u00e1-lo para interrogar o presente.<\/p>\n<p>Em vez de transformar Ulisses num homem contempor\u00e2neo, perguntar o que h\u00e1 de Ulisses no homem contempor\u00e2neo. Em vez de corrigir Pen\u00e9lope segundo as categorias atuais, perguntar o que continuam a significar a espera, a fidelidade e a resist\u00eancia. Em vez de tornar Aquiles moralmente aceit\u00e1vel para n\u00f3s, perguntar por que raz\u00e3o a sua c\u00f3lera continua a ser reconhec\u00edvel na actualidade. Isto seria uma verdadeira moderniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o modernizar o passado, mas modernizar o nosso olhar sobre n\u00f3s pr\u00f3prios. Os cl\u00e1ssicos n\u00e3o sobrevivem porque repetem o presente. Sobrevivem porque o transcendem.<\/p>\n<p>Cada gera\u00e7\u00e3o tem, naturalmente, o direito de os reinterpretar. A cultura s\u00f3 permanece viva porque \u00e9 continuamente relida. O problema come\u00e7a quando reinterpretar passa a significar corrigir e quando a interpreta\u00e7\u00e3o de uma obra deixa de ser uma possibilidade para se transformar na \u00fanica leitura moralmente autorizada.<\/p>\n<p>A censura contempor\u00e2nea nem sempre precisa de proibir. Pode simplesmente dizer: \u201cPodes ler, mas deves compreender isto da maneira correta.\u201d Uma cultura livre precisa, por\u00e9m, de preservar n\u00e3o apenas a circula\u00e7\u00e3o das obras, mas tamb\u00e9m a liberdade de as interpretar, sem ter dre as difamar para fazer passar bem na fotografia o politicamente correcto actual.<\/p>\n<p>\u00c9 chegada a hora em que nos dever\u00edamos desconfiar de uma cultura que se considera aberta \u00e0 diferen\u00e7a, mas tem dificuldade em aceitar a diferen\u00e7a das \u00e9pocas. H\u00e1 ainda um paradoxo adicional. Nunca tivemos tanta informa\u00e7\u00e3o e talvez nunca tenha sido t\u00e3o f\u00e1cil confundir informa\u00e7\u00e3o com conhecimento. Uma frase, um v\u00eddeo de poucos segundos, uma imagem, uma opini\u00e3o e uma indigna\u00e7\u00e3o sucedem-se numa avalanche permanente. E o bus\u00edlis da quest\u00e3o \u00e9 que temos\u00a0 apenas fragmentos e formamos certezas.<\/p>\n<p>Vivemos numa \u00e9poca que exige muita aten\u00e7\u00e3o e esp\u00edrito cr\u00edtico porque a informa\u00e7\u00e3o substitui o estudo, a opini\u00e3o substitui a reflex\u00e3o, a indigna\u00e7\u00e3o substitui o argumento. Talvez este seja um dos novos analfabetismos do nosso tempo: n\u00e3o o de quem n\u00e3o sabe ler, mas o de quem l\u00ea incessantemente sem saber distinguir, contextualizar, comparar e pensar.<\/p>\n<p>E assim o passado transforma-se facilmente num tribunal ou em instrumento de formatiza\u00e7\u00e3o \u00e0 medida do momento ou da ideologia que se quer fazer passar. E ent\u00e3o em vez de perguntarmos \u201cComo foi poss\u00edvel que isto acontecesse?\u201d, perguntamos apenas \u201cComo puderam eles fazer isto, quando hoje sabemos que estava errado?\u201d<\/p>\n<p>A primeira pergunta procura compreender. A segunda procura confirmar a nossa superioridade. Maior prud\u00eancia pressuporia mais sabedoria porque o passado n\u00e3o teve o nosso manual de instru\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>Todas as \u00e9pocas acreditaram, em maior ou menor grau, que tinham finalmente compreendido o mundo. Tamb\u00e9m n\u00f3s acreditamos. Tamb\u00e9m n\u00f3s temos os nossos preconceitos, as nossas cegueiras e as nossas verdades que parecem t\u00e3o evidentes precisamente porque pertencem ao nosso tempo e \u00e0 formata\u00e7\u00e3o que inconscientemente nos obriga. Esquecemos que por detr\u00e1s da dist\u00e2ncia hist\u00f3rica existe aquilo a que poder\u00edamos chamar o fundo m\u00edtico da experi\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Daqui a cem ou quinhentos anos, outros poder\u00e3o olhar para as nossas certezas com o mesmo espanto com que hoje olhamos para as certezas dos outros. \u00c9 essa possibilidade que deveria tornar-nos humildes perante a Hist\u00f3ria, perante religi\u00f5es, culturas e pessoas passadas. N\u00e3o precisamos de absolver o passado. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o precisamos de o reescrever. N\u00e3o precisamos de transformar Homero, Shakespeare ou Cervantes em nossos contempor\u00e2neos. Precisamos de compreend\u00ea-los como diferentes e, depois, perguntar o que essa diferen\u00e7a revela sobre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Porque o mito \u00e9 tamb\u00e9m um espelho. De facto, o tirano muda de nome e o her\u00f3i muda de roupa e a multid\u00e3o muda de pra\u00e7a para rede social. A propaganda deixa o pergaminho e entra no algoritmo. Mas a ambi\u00e7\u00e3o continua ambi\u00e7\u00e3o, a vaidade continua vaidade, o medo continua medo, o amor continua amor e a trai\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisou de ser modernizada.<\/p>\n<p>Talvez seja por isso que os cl\u00e1ssicos continuam a incomodar-nos. N\u00e3o porque estejam ultrapassados, mas porque n\u00e3o est\u00e3o suficientemente ultrapassados. Continuam a reconhecer-nos. E um espelho que reconhece o nosso rosto pode ser mais perturbador do que aquele que apenas confirma a imagem que gostar\u00edamos de ter.<\/p>\n<p>Comecei por falar da mudan\u00e7a das palavras. Hoje parece-me que a quest\u00e3o \u00e9 maior, porque primeiro mud\u00e1mos os nomes das coisas, depois come\u00e7\u00e1mos a mudar o significado das coisas e agora corremos o risco de mudar a maneira como recordamos aquilo que aconteceu.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que o eufemismo pode transformar-se em algo mais perigoso, porque uma coisa \u00e9 tornar a linguagem mais civilizada e outra \u00e9 tornar a mem\u00f3ria mais conveniente.<\/p>\n<p>Talvez a verdadeira atitude moderna n\u00e3o seja obrigar o passado a usar as roupas do presente. Talvez seja ter imagina\u00e7\u00e3o suficiente para olhar para o presente atrav\u00e9s dos olhos do passado e descobrir que, apesar de todas as nossas m\u00e1quinas, teorias e certezas, continuamos a representar muitos dos velhos dramas humanos.<\/p>\n<p>Em vez de perguntarmos apenas o que h\u00e1 de errado com os cl\u00e1ssicos \u00e0 luz dos nossos valores, seria de\u00a0 perguntar: O que \u00e9 que eles conseguem revelar sobre os nossos pr\u00f3prios limites?<\/p>\n<p>Essa pergunta exige mais conhecimento, mais imagina\u00e7\u00e3o, mais criatividade e, sobretudo, mais humildade, porque o passado n\u00e3o \u00e9 um aluno atrasado que espera pela nossa corre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Somos n\u00f3s que, inevitavelmente, acabaremos por ser passado. O nosso paradoxo contempor\u00e2neo \u00e9 sermos muito tolerantes com a diferen\u00e7a, mas s\u00f3 enquanto a diferen\u00e7a pensar como n\u00f3s.<\/p>\n<p>Penso que por tr\u00e1s de um discurso moderno e por vezes snobe se esconde uma modernidade que tem medo dos cl\u00e1ssicos. Que modernidade \u00e9 esta que pretende corrigir Homero para se sentir moralmente superior a Homero. Que modernidade \u00e9 esta que transforma Shakespeare num acusado e Cervantes num suspeito!<\/p>\n<p>O que falta no nosso tempo \u00e9 uma modernidade suficientemente segura de si para escutar o passado sem o domesticar e que talvez seja capaz de dizer :\u201cN\u00e3o penso como tu. Mas quero compreender por que pensavas assim e deixa-me descobrir o que em ti continua a existir em mim.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>\nPegadas do Tempo \u00a9<br \/>\nORCID: https:\/\/orcid.org\/0009-0003-6251-1578<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 n\u00e3o bastava reescrever as palavras, mas at\u00e9 se come\u00e7a a querer reescrever a mem\u00f3ria H\u00e1 alguns anos escrevi sobre o uso e sobretudo sobre o abuso da linguagem. Chamava a aten\u00e7\u00e3o para uma tend\u00eancia que, entretanto, se tornou ainda mais vis\u00edvel: a necessidade de substituir palavras simples e diretas por express\u00f5es mais sofisticadas, aparentemente &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11217\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">USO E ABUSO DA LINGUAGEM E REESCRITA DO PASSADO<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,14,4,5,6,7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-11217","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-escola","category-migracao","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11217"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11217\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11218,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11217\/revisions\/11218"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}