{"id":1120,"date":"2007-11-17T10:34:00","date_gmt":"2007-11-17T09:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1120"},"modified":"2007-11-17T10:34:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:34:00","slug":"mozart-nas-maos-de-fundamentalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1120","title":{"rendered":"MOZART NAS M\u00c3OS DE FUNDAMENTALISTAS?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\"> A Alemanha dedicou o ano 2006 a Mozart. A \u00d3pera \u201cIdomeneo de Sebastian Amadeus Mozart encenada por Hans Neuenfels na \u201cKomischen Oper\u201d em Berlim revelou-se num esc\u00e2ndalo ao mostrar o rei Idomeneo com as cabe\u00e7as decapitadas de Poseidon, Jesus, Buda e Maom\u00e9, facto este que provocou amea\u00e7as por parte de mu\u00e7ulmanos, levoando a Deutsch Oper de Berlim a cancelar as representa\u00e7\u00f5es previstas at\u00e9 amanh\u00e3, dia 26 de Novembro, dia em que seria encenada a pe\u00e7a da \u00d3pera \u201cFlauta M\u00e1gica de Mozart. A encena\u00e7\u00e3o apresentada por Hans Neuenfels distorce a \u00d3pera de Mozart colocando-a ao servi\u00e7o da ideologia contra Deus.<br \/>O encenador interpreta a\u00ed a perfei\u00e7\u00e3o da obra de Mozart como um recalcamento, uma tentativa de reprimir a fragilidade humana contra a realidade existencial. Projecta nele a vis\u00e3o do ser humano como um defeito de constru\u00e7\u00e3o. Muitos artistas, na incapacidade de criarem novos modelos, apenas reagem continuando amarrados \u00e0s ideologias do s\u00e9culo XIX sem sequer terem notado a revolu\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica e a relatividade na f\u00edsica do s\u00e9culo XX. Desconhecem as exig\u00eancias do novo s\u00e9culo vivendo ainda das exterioridades consumistas dum s\u00e9culo tr\u00e1gico. Encostam-se aos velhos s\u00edmbolos de identifica\u00e7\u00e3o dum pa\u00eds ou duma civiliza\u00e7\u00e3o, criticando-os e ridicularizando-os. Est\u00e3o certos de que, ao faz\u00ea-lo, receber\u00e3o as aten\u00e7\u00f5es dum p\u00fablico distra\u00eddo e superficial que s\u00f3 reage ao esc\u00e2ndalo. Tornou-se j\u00e1 moda de decadentes actuarem contra mitos e contra as coisas mais sagradas duma cultura para melhor poderem encher as caixas das bilheteiras e para se tornarem c\u00e9lebres. N\u00e3o conhecem o sagrado, a honra, o sentido. Incapazes de rela\u00e7\u00e3o s\u00f3 conseguem desligar, desordenar! Destroem os modelos das sociedades do passado sem alternativa para o futuro porque lhes falta uma vis\u00e3o de sociedade, um projecto. Limitam-se a recusar qualquer modelo afirmativo ou qualquer projecto de sociedade futura. Querem apenas uma realidade no seu estado primitivo, ca\u00f3tico e sem sentido. Encontram-se numa fase regressiva padecendo da cabe\u00e7a, duma intelectualidade selectiva que n\u00e3o quer Deus mas apenas \u00eddolos.<\/p>\n<p><b>Ruminadores da verdade ao servi\u00e7o do precariado<\/b><br \/>Usam e abusam dos representantes consumados duma cultura, dum povo, dos seus elementos fomentadores (refer\u00eancias) de identidade, como meios para se encenarem a si mesmos. D\u00e3o express\u00e3o ao acto destrutivo, ao thanatos, satisfazendo-se e limitando-se a decapitar os modelos antigos na incapacidade de criar novos. Com uma atitude adolescente s\u00f3 sabem protestar contra o pai ou contra a m\u00e3e que lhes deu o ser. N\u00e3o se sentem na tradi\u00e7\u00e3o criativa divina mas na interven\u00e7\u00e3o destrutiva, \u201cdiab\u00f3lica\u201d. N\u00e3o querem aceitar a realidade de que Mozart era de facto um compositor de Deus e para isso apresentam a arte de Mozart n\u00e3o como afirma\u00e7\u00e3o, como procura de Deus mas como um contra modelo, um projecto rival. Isso porque n\u00e3o aceitam que o ser humano se oriente pelo perfeccionismo, por Deus. Recusam-se a aceitar a grelha divina como a forma, a pauta em que Mozart procura lan\u00e7ar as suas notas.<br \/>Representantes duma cultura do precariado, uma cultura decadente, n\u00e3o aceitam que o homem se oriente pela ideia do bem, pela perfei\u00e7\u00e3o. Mozart era demasiado cat\u00f3lico para um mundo que se quer protestante, niilista. N\u00e3o aceitam um Deus humano que poderia trazer consequ\u00eancias para o pr\u00f3prio projecto humano. N\u00e3o conseguiram ainda compreender que a grandeza do cristianismo \u00e9 ter elevado a culpa, a falha \u00e0 divindade na teologia da cruz. S\u00f3 conseguem conceber o mundo em termos contradit\u00f3rios de mat\u00e9ria esp\u00edrito, de aqu\u00e9m-al\u00e9m, de bem-mal, verdade-mentira considerando-se a si mesmos como os ruminadores da verdade. Na encena\u00e7\u00e3o \u201c Idomeneo\u201d Cristo e outros representantes das religi\u00f5es s\u00e3o decapitados e colocados no mesmo tabuleiro porque s\u00e3o vistos como os respons\u00e1veis da afirma\u00e7\u00e3o da ideia de Deus, duma ordem no mundo. O fanatismo racionalista usa aqui os mesmos meios que o fanatismo religioso tem usado para se afirmar. Inconscientes de que s\u00e3o portadores do mesmo v\u00edrus que os fan\u00e1ticos religiosos combatem o mundo daqueles com a mentalidade deles. Contra toda a liga\u00e7\u00e3o e compromisso, com o seu \u00e0 parte, em Idomeneo afirmam-se como os representantes do niilismo moderno n\u00e3o notando que este j\u00e1 foi ultrapassado. Identificam toda a tradi\u00e7\u00e3o como ilus\u00e3o e no desespero duma vida n\u00e3o vivida cortam a cabe\u00e7a aos s\u00edmbolos dessa tradi\u00e7\u00e3o. Ao desligar-se assim de todas as liga\u00e7\u00f5es reduzem o horizonte humano \u00e0 subst\u00e2ncia original que seria o caos, que querem \u00e0 sua maneira.<\/p>\n<p>   <b>     No Reino dos Cegos quem tem um Olho \u00e9 Rei<\/b><br \/>Assim se procura minar todos os fundamentos humanos e sociais oferecendo em vez da Ilus\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o, a ilus\u00e3o do desespero. Interpretam mal Cristo reduzindo-o a um revisor ou bilheteiro da eternidade. N\u00e3o querem saber para poderem ter raz\u00e3o. O cristianismo n\u00e3o se limita a distribuir bilhetes de ida e volta para o mundo da ilus\u00e3o, ele n\u00e3o se deixa reduzir ao folclore religioso que muitas vezes apreenderam nas par\u00f3quias ou num discurso religioso superficial que reduz o cristianismo apenas a religi\u00e3o. O cristianismo n\u00e3o adia a vida para depois, para o alem, pelo contr\u00e1rio antecipa-a. O adiamento parece uma constante, uma esp\u00e9cie de condicionalismo humano tanto na chamada vida religiosa como na laica. O ser consciente contraria essa tend\u00eancia. A vida n\u00e3o se reduz a um jogo de excurs\u00f5es da vida.<br \/>Mozart quer mostrar com a sua perfei\u00e7\u00e3o musical a harmonia divina que resolve todos os contrastes. A cena das cabe\u00e7as cortadas foi uma interpola\u00e7\u00e3o abusiva.<br \/>O homem moderno n\u00e3o suporta a perfei\u00e7\u00e3o. No novo s\u00e9culo ainda rebentam os \u00faltimos foguetes do \u00faltimo s\u00e9culo que nos querem prostrados no ch\u00e3o, de rasto na afirma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria negatividade, querem-nos serpente, quando o s\u00e9culo XXI anseia por um novo homem, um novo Deus, quer reencontrar o sentido. A ess\u00eancia do homem \u00e9 reconhecer e amar.<br \/>No fim de Novembro, Hans Neutenfels encenar\u00e1 na mesma \u00d3pera de Berlim A \u201cFlauta M\u00e1gica\u201d. Oxal\u00e1 esta n\u00e3o passe pelas mesmas perip\u00e9cias porque passou \u201cIdomeneo\u201d dado que tamb\u00e9m ela se presta a muit\u00edssimas interpreta\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso \u00e9 uma \u00f3pera de car\u00e1cter iluminista, carregada de grande simbologia ma\u00e7\u00f3nica podendo dar azo a uma manifesta\u00e7\u00e3o provocante no dia a dia da luta cultural subjacente \u00e0 ma\u00e7onaria. Temos o teatro, o outro templo, o lugar secular, o outro lado onde o outro homo religiosus participa no rito do sacrif\u00edcio: aqui imola-se, mata-se Deus. Parece que a diferen\u00e7a dos devotos est\u00e1 apenas nos lugares frequentados. Afinal a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 essencial nem qualitativa. Se \u00e9 verdade que \u00e9 preciso limpar as teias de aranha e o caruncho da religi\u00e3o crist\u00e3, n\u00e3o \u00e9 menos verdade que \u00e9 necess\u00e1rio acabar com a arrog\u00e2ncia racionalista que quer que a origem do mundo comece na revolu\u00e7\u00e3o francesa e no extremismo do seu racionalismo. Este quer acabar com a mem\u00f3ria colectiva da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3. O extremismo religioso e o extremismo racionalista (iluminista) s\u00e3o iguais na sua ess\u00eancia, na sua estrat\u00e9gia e nos seus fins: uns agarram-se \u00e0 divindade Deus e os outros \u00e0 divindade Raz\u00e3o. Quem separa a unidade raz\u00e3o-cora\u00e7\u00e3o, a raz\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o fomenta duas ditaduras.<\/p>\n<p><b>A alternativa \u00e0 cat\u00e1strofe do s\u00e9culo XXI ser\u00e1 a M\u00edstica<\/b><br \/>O s\u00e9culo XXI talvez chegue a compreender e a aceitar a perfei\u00e7\u00e3o, (onde a harmonia dos contr\u00e1rios atinge a n\u00edvel musical tal perfei\u00e7\u00e3o, a que poder\u00edamos chamar de estagna\u00e7\u00e3o, o ponto da resson\u00e2ncia perfeita dos elementos) alcan\u00e7ada no terceto entre Sarastro, Tamino e Pamina da \u201cFlauta M\u00e1gica\u201d. Este estado da consci\u00eancia \u00e9 insuport\u00e1vel para uma cultura que no s\u00e9culo XIX e XX observa a realidade pelo prisma do paradigma dial\u00e9ctico, do contradit\u00f3rio. Apesar das mais diversas e contradit\u00f3rias for\u00e7as Mozart consegue-lhe o substrato comum na divindade do ser. Mozart resolve aqui a contradi\u00e7\u00e3o fazendo-a desaguar na perfei\u00e7\u00e3o harm\u00f3nica. Ele n\u00e3o faz sen\u00e3o resolver na m\u00fasica o que cr\u00ea e misticamente experimenta na realidade da trindade, expressa na f\u00f3rmula trinit\u00e1ria 3=1. A Realidade, a divindade, que \u00e9 uma, diferencia-se para se manifestar na forma do Esp\u00edrito gerador (Pai), na mat\u00e9ria (Jesus) que na rela\u00e7\u00e3o se torna Mat\u00e9ria divinizada (Jesus Cristo), o prot\u00f3tipo de toda a realidade que deixa de ser antag\u00f3nica e bipolar para se realizar e expressar na harmonia do esp\u00edrito criativo: o eu no n\u00f3s e vice-versa. Ele \u00e9 o \u201clugar\u201d onde se une e resolve a aparente dicotomia entre o indiv\u00edduo e o outro. Estes resolvem-se na harmonia do 1=3, n\u00e3o havendo mais contradi\u00e7\u00e3o entre a personalidade e a comunidade, entre cultura regional e global; a desarmonia resolve-se atrav\u00e9s do esp\u00edrito informador que \u00e9 o terceiro elemento pessoal. Aqui encontramo-nos j\u00e1 na via m\u00edstica que une raz\u00e3o e cora\u00e7\u00e3o; sintoniza pensar, sentir e agir.<br \/>Nesta vis\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o seria necess\u00e1rio transformar a beleza e a harmonia nem t\u00e3o-pouco a disson\u00e2ncia num cavalo de batalha como se fossem inimigas e distorcidoras duma realidade que se quer bruta. Enquanto cada p\u00f3lo antag\u00f3nico pretender persistir e subsistir por si mesmo sem o terceiro elemento (o esp\u00edrito, o Amor) nada se mudar\u00e1 no agir individual e social. Por isso s\u00e3o al\u00e9rgicos ao equador, procurando viver na extremidade polar, optando pelo oposto, tal como se v\u00ea no niilismo, no espiritualismo, na m\u00fasica desarm\u00f3nica, no partidarismo pol\u00edtico que sendo apenas um p\u00f3lo da realidade o afirmam como a vis\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p>                    <b>A Ess\u00eancia da Treva \u00e9 a Luz<\/b><br \/>No Idealismo alem\u00e3o e na m\u00fasica de Mozart e de Bach, a realidade atinge a perfei\u00e7\u00e3o superando a ideia de mundo como campo de batalha onde se trava o combate dos bons contra os maus. H\u00e1 uma tentativa de integrar e revalorizar todas as for\u00e7as e energias num interrelacionamento subsidi\u00e1rio. Quer-se descobrir a interioridade do agir, do pensar e do sentir. Essa tentativa foi contrariada pelo realismo que se lhe seguiu.<br \/>Os fundamentalistas da arte tornam-se al\u00e9rgicos a uma forma perfeita repudiando a aspira\u00e7\u00e3o est\u00e9tica orientada para harmonia criacionista. A est\u00e9tica passa a ser vista como atentado \u00e0 realidade, visto a beleza e o bem serem express\u00e3o duma ordem, duma est\u00e9tica estabelecida que vincula a pessoa a valores condicionadores da atitude e do agir. Numa palavra querem apenas notas musicais sem pauta e sem escala de notas, pretendendo a nega\u00e7\u00e3o da m\u00fasica. A destrui\u00e7\u00e3o da escala por\u00e9m n\u00e3o implicou a destrui\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o factual das notas entre si, o que lhes causa problemas. Al\u00e9rgicos \u00e0 realidade popular e ao seu folclore v\u00e3o para o outro oposto e declaram-se cacof\u00f3nicos e apologistas duma m\u00fasica sem escala. Colocam-se no outro extremo da verdade, combatendo-a da\u00ed. Se para uns a noite \u00e9 muito escura para outros o dia demasiado encandeante. Uns n\u00e3o v\u00eam a realidade devido \u00e0 demasiada luz outros devido \u00e0 demasiada escurid\u00e3o. Uns e outros n\u00e3o notaram que a ess\u00eancia das trevas \u00e9 a luz\u2026<br \/>Isto j\u00e1 o tinha reconhecido Paulo ao afirmar: Oh F\u00e9lix culpa!&#8230; N\u00e3o se trata da perfei\u00e7\u00e3o pela perfei\u00e7\u00e3o mas dum processo com sentido. A aceita\u00e7\u00e3o da fraqueza como elemento cultural e da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um axioma sempre presente na teologia da cruz. As nossas sombras n\u00e3o passam de formas de sofrimento, momentos da dor e do prazer. Se \u00e9 verdade que a morte \u00e9 mais natural que o amor, a for\u00e7a do amor \u00e9 que tudo sustenta. O niilismo quer reduzir a vida \u00e0 morte expressando o Eros como uma forma da morte. Se a dor nos acorda e conduz \u00e0 intimidade de n\u00f3s mesmos o amor relega-nos ao todo. A criatura tem de se assumir como tal e aceitar a realidade com as suas leis bem como o que as suporta.<br \/>          Deus escreve direito por linhas tortas e Wolfgang A. Mozart conseguiu a resson\u00e2ncia humana na pauta divina.<br \/>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>Te\u00f3logo<br \/>In \u201c Pegadas do Tempo\u201d                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Alemanha dedicou o ano 2006 a Mozart. 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