{"id":11197,"date":"2026-07-21T23:19:09","date_gmt":"2026-07-21T22:19:09","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11197"},"modified":"2026-07-21T23:19:09","modified_gmt":"2026-07-21T22:19:09","slug":"a-odisseia-transformada-em-manual-de-instrucoes-de-dominio-da-cultura-ocidental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11197","title":{"rendered":"A ODISSEIA TRANSFORMADA EM MANUAL DE INSTRU\u00c7\u00d5ES DE DOM\u00cdNIO DA CULTURA OCIDENTAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Invers\u00e3o do Mito e a Formata\u00e7\u00e3o do Pensamento Ocidental<\/strong><\/p>\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n<p>Este ensaio cr\u00edtico prop\u00f5e-se mostrar que, na leitura e interpreta\u00e7\u00e3o de cr\u00f3nicas, como a Odisseia de Homero, ou o relato de Caim e Abel, na B\u00edblia, importa fazer uma distin\u00e7\u00e3o fundamental. Com frequ\u00eancia, essas interpreta\u00e7\u00f5es negligenciam a an\u00e1lise da teoria do conhecimento que lhes subjaz e que, desde o in\u00edcio, as fundamenta. A sua reformula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se reduz a um mero aditamento porque pressup\u00f5e um avan\u00e7o epistemol\u00f3gico decisivo. N\u00e3o se trata apenas de reconhecer, na \u201cOdisseia\u201d, o conflito entre o princ\u00edpio organizador feminino e o masculino representado em culturas concretas, mas de denunciar a cristaliza\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica desse conflito. O que \u00e9 verdadeiramente de assombrar n\u00e3o \u00e9 o poema de Homero, mas o modo como a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental o transformou, fazendo-o passar de um di\u00e1rio de bordo de uma transi\u00e7\u00e3o civilizacional para um manual de instru\u00e7\u00f5es da domina\u00e7\u00e3o. Neste ensaio proponho-me desmontar esse mecanismo de invers\u00e3o, alargando o olhar ao epis\u00f3dio b\u00edblico de Caim e Abel, para, no final, esbo\u00e7ar uma via do conhecimento (hermen\u00eautica) que devolva ao ser humano a capacidade de se confrontar com a realidade descritiva, em vez de se curvar perante uma atitude moralizante dominante que entroniza o poder estruturante.<\/p>\n<p><strong>O Di\u00e1rio e o Manual como a Dupla Face do Padr\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Quando Homero comp\u00f4s (ou reuniu) a \u201cOdisseia\u201d (Ulisses), legou-nos um testemunho etnol\u00f3gico de primeira ordem. A epopeia descreve, em linguagem m\u00edtica, a violenta passagem de uma organiza\u00e7\u00e3o social de matriz feminina ct\u00f3nica, centrada na deusa-serpente, na fertilidade da terra e nos ciclos naturais, para uma organiza\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica, celeste, diurna e patriarcal. Nesse sentido, o poema \u00e9 um di\u00e1rio: regista a vit\u00f3ria do logos grego sobre o mito (mythos) indiferenciado, da paternidade sobre a maternidade arcaica, da ast\u00facia do her\u00f3i sobre a sedu\u00e7\u00e3o im\u00f3vel da deusa.<\/p>\n<p>Contudo, a tradi\u00e7\u00e3o ocidental (e nela incluo n\u00e3o apenas a exegese liter\u00e1ria, mas sobretudo a pedagogia social e os discursos de poder), n\u00e3o tratou este registo como uma descri\u00e7\u00e3o duvidosa e transformou-o num manual. O &#8220;regresso a \u00cdtaca&#8221; deixou de ser a narrativa particular de um guerreiro nost\u00e1lgico para se tornar o imperativo categ\u00f3rico de todo o homem ocidental: dominar, subjugar, ordenar, e, acima de tudo, fazer calar o feminino, seja ele representado pelas sereias, por Calipso ou, no plano dom\u00e9stico, pelas escravas enforcadas na corda.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia pr\u00e1tica \u00e9 brutal: onde poder\u00edamos extrair uma cr\u00edtica ao her\u00f3i (pois Ulisses \u00e9, afinal, mentiroso, cruel, desconfiado e profundamente inseguro), a moral dominante fez dele um modelo. O her\u00f3i \u00e9 absolvido a priori porque a sua fun\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 representar uma humanidade em conflito, mas sim formatar a humanidade segundo o molde da virilidade guerreira de que Ulisses se torna modelo. Nesta interpreta\u00e7\u00e3o da narrativa for\u00e7osa queimam-se as ambiguidades do di\u00e1rio para se erguer a rigidez inquestion\u00e1vel do manual. Ao optar pelo manual em detrimento do mito, perde-se a Verdade que lhe subjaz, substituindo-a por uma interpreta\u00e7\u00e3o que se imp\u00f5e acriticamente, sem nunca ser questionada.<\/p>\n<p><strong>A Moraliza\u00e7\u00e3o como Estrat\u00e9gia de Poder: O Caso de Ulisses<\/strong><\/p>\n<p>Se encararmos a Odisseia como descri\u00e7\u00e3o, o ju\u00edzo que recai sobre Ulisses \u00e9 inevitavelmente dial\u00e9tico. Admira-se a sua ast\u00facia (m\u00e9tis<em>)<\/em>, mas condena-se a sua desmesura (<em>hybris)<\/em> e a sua crueldade &#8220;dom\u00e9stica&#8221;. De facto, o epis\u00f3dio do enforcamento das criadas, que haviam sido violadas pelos pretendentes, \u00e9 um dos sil\u00eancios mais gritantes da cr\u00edtica liter\u00e1ria convencional. Por que raz\u00e3o este acto n\u00e3o \u00e9 lido como o pin\u00e1culo da paranoia do poder, mas antes como &#8220;justi\u00e7a restaurada&#8221;? Certamente porque importava impor uma matriz patriarcal.<\/p>\n<p>A resposta reside numa certa inten\u00e7\u00e3o inconsciente e n\u00e3o declarada de formatar as pessoas. A moraliza\u00e7\u00e3o do mito serve um prop\u00f3sito pol\u00edtico imediato: desvia a aten\u00e7\u00e3o da estrutura para o car\u00e1cter. Em vez de interrogarmos a ontologia que permite ao senhor dispor da vida da escrava, somos convidados a julgar se a escrava foi &#8220;leal&#8221; ou &#8220;desleal&#8221;. O verdadeiro problema passa a n\u00e3o ser a estrutura jer\u00e1rquica, mas sim a conduta dos indiv\u00edduos que a integram. A pol\u00edtica actual \u00a0procura camuflar esta quest\u00e3o ao conferir fun\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter masculino a mulheres que, imperceptivelmente, passam a servir o modelo androc\u00eantrico, negando, desse modo, o centro feminino da sua pr\u00f3pria identidade, pois, para se afirmarem, muitas vezes sentem necessidade de se mostrar mais belicosas do que os seus colegas homens. Este desvio para o dom\u00ednio moral e para o puramente funcional (a pragm\u00e1tica do poder) constitui o mecanismo mais eficaz de domestica\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias, porque oculta o tecto de ferro da estrutura sob o v\u00e9u da virtude. N\u00e3o se concede tempo para refletir sobre as causas das guerras; exige-se apenas que se escolha um lado, e, para tal, instalam-se os mais refinados sistemas de formata\u00e7\u00e3o e controlo.<\/p>\n<p><strong>O Paralelo b\u00edblico de Caim e Abel como S\u00edntese da Luta Agr\u00e1ria contra a Pastoril<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante focar aqui o epis\u00f3dio de Caim e Abel no que toca a uma antropologia econ\u00f3mica. A narrativa b\u00edblica (G\u00e9nesis, 4) \u00e9, na sua camada mais arcaica, o registo de um conflito civilizacional entre dois modos de produ\u00e7\u00e3o e de rela\u00e7\u00e3o com o divino:<\/p>\n<p>&#8211; Abel, o pastor, representa o nomadismo, a mobilidade, a oferta de gorduras e carnes, uma economia de apropria\u00e7\u00e3o directa, que agrada a um Deus que se move com o vento.<br \/>\n&#8211; Caim, o agricultor, representa a sedentariza\u00e7\u00e3o, a propriedade da terra, o suor do rosto e a oferta de frutos, uma economia de transforma\u00e7\u00e3o e espera, que exige um pacto com a iman\u00eancia da terra. Para isso tinha que sacrificar a tradi\u00e7\u00e3o para dar oportunidade ao novo desenvolvimento. Relevante \u00e9 tamb\u00e9m o caso de Deus ter perdoado a Caim ter matado o irm\u00e3o. Revela-se particularmente elucidativo o modo como a consci\u00eancia humana, as din\u00e2micas sociais e os processos econ\u00f3micos se condicionam e interferem mutuamente no seu desenvolvimento..<\/p>\n<p>O que a tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 fez com este relato? Transformou-o, tamb\u00e9m ele, num manual moral: Caim \u00e9 o mau, o invejoso, o assassino; Abel \u00e9 o bom, o justo, a v\u00edtima sacrificial. Contudo, se o lermos como di\u00e1rio hist\u00f3rico, como seria normal fazer \u00e0 Odisseia, vemos antes a vit\u00f3ria de uma determinada sociologia ou maneira de ser e de estar hist\u00f3rica (a do pastor n\u00f3mada) sobre outra (a do agricultor sedent\u00e1rio), reflexo das tens\u00f5es entre as tribos israelitas e os povos cananeus, que cultivavam a terra e adoravam Baal.<\/p>\n<p>Ao congelar este conflito num ju\u00edzo moral, a institui\u00e7\u00e3o religiosa realizou a mesma viol\u00eancia que a tradi\u00e7\u00e3o hom\u00e9rica: <strong>submergiu a an\u00e1lise sociol\u00f3gica em julgamento \u00e9tico<\/strong>. O povo, em vez de reflectir sobre a tens\u00e3o entre o nomadismo e a fixa\u00e7\u00e3o, entre a mobilidade e a propriedade, \u00e9 levado a odiar Caim e a imitar uma obedi\u00eancia cega (a de Abel) que, curiosamente, o leva \u00e0 morte. A hist\u00f3ria, assim, deixa de ser um campo de for\u00e7as para ser um tribunal de inten\u00e7\u00f5es. Esta tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 seguida hoje de maneira mais acentuada e que \u00e9 impulsionadora do globalismo liberal onde o Mamon se tornou na energia masculina concentrada.<\/p>\n<p><strong>A Hist\u00f3ria como Cimento do Poder e a Suspens\u00e3o do Pensamento<\/strong><\/p>\n<p>O cerne da quest\u00e3o que se coloca e que toca o \u00e2mago da nossa crise civilizacional resume-se na seguinte quest\u00e3o: porque \u00e9 que os povos fazem da Hist\u00f3ria um instrumento de sedimenta\u00e7\u00e3o do poder em vez de um exerc\u00edcio de autoconhecimento?<\/p>\n<p>A resposta assue um caracter estrutural. O poder s\u00f3 se perpetua quando o tempo para pensar \u00e9 escasso. A moraliza\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea (o &#8220;bom&#8221; Ulisses, o &#8220;mau&#8221; Caim) funciona como um <em>fast-food<\/em> epistemol\u00f3gico porque sacia a urg\u00eancia do julgamento sem exigir o esfor\u00e7o da digest\u00e3o hermen\u00eautica. Ao oferecer um her\u00f3i para imitar e um vil\u00e3o para detestar, o discurso p\u00fablico (seja ele cinematogr\u00e1fico, ideol\u00f3gico, religioso ou medi\u00e1tico) encurrala a polissemia do real. A vida \u00e9 poliss\u00e9mica porque uma mesma palavra ou narrativa assume significados distintos consoante o contexto. Da\u00ed a necessidade de recorrer \u00e0 intercontextualidade para perceber o fio condutor que liga os textos e as realidades em que nos movemos. Esse fio \u00e9 como um rio com duas margens complementares. De um lado, a materialidade e do outro, a espiritualidade. De um lado, a individualidade e do outro, a comunidade. \u00c9 justamente na rela\u00e7\u00e3o din\u00e2mica entre o eu e o outro que flui o verdadeiro rio do n\u00f3s.<\/p>\n<p>O agricultor Caim e o pastor Abel n\u00e3o s\u00e3o &#8220;bom&#8221; ou &#8220;mau&#8221;; s\u00e3o duas respostas poss\u00edveis \u00e0 dureza do mundo. Ulisses e as escravas enforcadas n\u00e3o s\u00e3o &#8220;justi\u00e7a&#8221; e &#8220;trai\u00e7\u00e3o&#8221;; s\u00e3o a manifesta\u00e7\u00e3o nua de uma l\u00f3gica de propriedade que reduz o Outro a coisa. Se aceitarmos a descri\u00e7\u00e3o, somos for\u00e7ados a olhar para o abismo da nossa pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o: descobrimos que carregamos em n\u00f3s a pastoral e a agr\u00e1ria, a ast\u00facia e a viol\u00eancia, o masculino dominador e o feminino subjugado. Da\u00ed resultam os diferentes discursos e ideologias que ao encerrarem-se em si mesmos<\/p>\n<p><strong>A Consci\u00eancia das Duas Margens e o Verdadeiro Humano<\/strong><\/p>\n<p>Prop\u00f5e-se, no final deste percurso, uma tarefa herc\u00falea: libertar o mito da sua pris\u00e3o moral. Isso implica uma pedagogia da suspeita, onde cada narrativa fundadora seja lida contra a sua tradi\u00e7\u00e3o interpretativa dominante.<\/p>\n<p>Ser &#8220;verdadeiro da humanidade&#8221; \u2013 na sua bela express\u00e3o \u2013 n\u00e3o \u00e9 escolher uma margem do rio para nela edificar a fortaleza do Eu. \u00c9, antes, reconhecer que a condi\u00e7\u00e3o humana se joga na travessia, na consci\u00eancia tensa de que a margem masculina e a margem feminina, a agr\u00e1ria e a pastoril, a ordem e o caos, a religiosa e a secular, coexistem em n\u00f3s como for\u00e7as vivas e contradit\u00f3rias. A consci\u00eancia individual e social ideal n\u00e3o brota da obedi\u00eancia a um manual, mas da coragem de viver o di\u00e1rio, ou seja, da coragem de ler Homero e a B\u00edblia como antropologias do conflito e n\u00e3o como cartilhas da submiss\u00e3o. Penso que para a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental \u00e9 chegada a hora de rever a matriz antropol\u00f3gica e de se ocupar com a f\u00f3rmula trinit\u00e1ria abordada sem preconceitos e aplicada em diferentes vertentes.<\/p>\n<p>S\u00f3 quando o p\u00fablico deixar de engolir as narrativas impostas e come\u00e7ar a perguntar, n\u00e3o &#8220;quem \u00e9 o her\u00f3i?&#8221;, mas &#8220;que interesses serve esta heroicidade?&#8221; estaremos a caminho dessa humanidade desperta: uma humanidade em que o princ\u00edpio masculino e o princ\u00edpio feminino, o princ\u00edpio material e o princ\u00edpio espiritual se entrela\u00e7am em empenho comum de compromisso em atitude de complementaridade. \u00a0O rio tem sempre duas margens, mas s\u00f3 o barco do pensamento cr\u00edtico e da raz\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o nos permite navegar entre elas, escapando \u00e0 corrente da propaganda e ao pantanal das areias movedi\u00e7as das ideologias e do moralismo.<\/p>\n<p>Que este ensaio seja, pois, uma pequena contribui\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o desse barco.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>\nPegadas do Tempo \u00a9<br \/>\nORCID: https:\/\/orcid.org\/0009-0003-6251-1578<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Invers\u00e3o do Mito e a Formata\u00e7\u00e3o do Pensamento Ocidental Resumo Este ensaio cr\u00edtico prop\u00f5e-se mostrar que, na leitura e interpreta\u00e7\u00e3o de cr\u00f3nicas, como a Odisseia de Homero, ou o relato de Caim e Abel, na B\u00edblia, importa fazer uma distin\u00e7\u00e3o fundamental. Com frequ\u00eancia, essas interpreta\u00e7\u00f5es negligenciam a an\u00e1lise da teoria do conhecimento que lhes &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11197\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">A ODISSEIA TRANSFORMADA EM MANUAL DE INSTRU\u00c7\u00d5ES DE DOM\u00cdNIO DA CULTURA OCIDENTAL<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,14,4,5,6,7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-11197","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-escola","category-migracao","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11197"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11197\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11198,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11197\/revisions\/11198"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}