{"id":11173,"date":"2026-07-15T15:49:15","date_gmt":"2026-07-15T14:49:15","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11173"},"modified":"2026-07-15T17:34:41","modified_gmt":"2026-07-15T16:34:41","slug":"a-trindade-como-relacao-das-relacoes-no-contexto-da-fisica-quantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11173","title":{"rendered":"A TRINDADE COMO RELA\u00c7\u00c3O DAS RELA\u00c7\u00d5ES NO CONTEXTO DA F\u00cdSICA QU\u00c2NTICA"},"content":{"rendered":"<p><em>Se a Trindade \u00e9 rela\u00e7\u00e3o pura, ent\u00e3o o real n\u00e3o se deixa aprisionar em guetos disciplinares. Ci\u00eancia, teologia e arte n\u00e3o s\u00e3o linguagens rivais, mas modos complementares de tecer o mesmo v\u00e9u. Aparentes contr\u00e1rios como o emp\u00edrico e o metaf\u00edsico, o c\u00e1lculo e o s\u00edmbolo, a precis\u00e3o e o mist\u00e9rio, n\u00e3o se anulam; antes, articulam-se numa tens\u00e3o fecunda. Reconhecer essa complementaridade e o processo de acesso \u00e0 realidade n\u00e3o \u00e9 um gesto de concilia\u00e7\u00e3o ing\u00e9nua, mas a atitude fundamental de quem se disp\u00f5e a olhar para a realidade sem a despeda\u00e7ar em caixinhas separadas.<\/em><\/p>\n<p>O conceito trinit\u00e1rio de Deus, definido como rela\u00e7\u00e3o pura (rela\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es), oferece um paradigma te\u00f3rico e arquet\u00edpico capaz de fundamentar a transdisciplinaridade. Nesse quadro, conciliam-se sob uma mesma matriz relacional os distintos regimes de apreens\u00e3o do real: o cient\u00edfico, o teol\u00f3gico e o art\u00edstico.<\/p>\n<p><strong>A trindade como a rela\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>No debate teol\u00f3gico, o conceito-chave reside na interpenetra\u00e7\u00e3o m\u00fatua das tr\u00eas Pessoas divinas (pericorese), articulada \u00e0 defini\u00e7\u00e3o tomista de que, na Trindade, as pessoas s\u00e3o rela\u00e7\u00f5es subsistentes. Se o Transcendente (Deus) e o Encarnado (o Cosmos\/Cristo) se definem como pura rela\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a realidade deixa de ser um conjunto de &#8216;coisas&#8217; est\u00e1ticas para se configurar como um tecido de conex\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando se define a realidade desta forma, a transdisciplinaridade torna-se obrigat\u00f3ria. Se tudo \u00e9 rela\u00e7\u00e3o, nenhum m\u00e9todo isolado consegue capturar o todo. A teologia, a filosofia e a f\u00edsica qu\u00e2ntica tornam-se simplesmente diferentes comprimentos de onda ou perspetivas para observar a mesma rede relacional.<\/p>\n<p><strong>O ponto de encontro dos modelos e das imagens<\/strong><\/p>\n<p>A nova f\u00edsica \u00e9 indissoci\u00e1vel de seus construtos te\u00f3ricos (s\u00edmbolos). Ademais, constitui um facto epistemol\u00f3gico incontorn\u00e1vel que qualquer ferramenta utilizada para abordar a realidade recorre inevitavelmente a imagens.<\/p>\n<p>No que toca a Modelos e Met\u00e1foras, nem a f\u00edsica qu\u00e2ntica v\u00ea o electr\u00e3o em si, nem a teologia v\u00ea Deus em si. A f\u00edsica serve-se de construtos matem\u00e1ticos e imagens (como &#8220;ondas&#8221;, &#8220;part\u00edculas&#8221;, &#8220;spin&#8221; ou &#8220;campos&#8221;) para esquematizar o comportamento da mat\u00e9ria. A teologia serve-se de imagens e mitos (como &#8220;Pai&#8221;, &#8220;Filho&#8221;, &#8220;Sopro-Esp\u00edrito&#8221;) para delinear o mist\u00e9rio do Ser. (1)<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 ilus\u00e3o do M\u00e9todo Puro, o grande erro do cientificismo cl\u00e1ssico foi o dogmatismo metodol\u00f3gico, ou seja, acreditar que o m\u00e9todo cient\u00edfico era a pr\u00f3pria realidade e n\u00e3o apenas uma ferramenta de tradu\u00e7\u00e3o. Quando nos libertamos dessa fixa\u00e7\u00e3o cega, percebemos que tanto o f\u00edsico como o te\u00f3logo est\u00e3o a criar modelos representativos para decifrar as rela\u00e7\u00f5es constituintes do universo.<\/p>\n<p><strong>Onde reside o problema e qual a raz\u00e3o de ele existir?<\/strong><\/p>\n<p>Se esta converg\u00eancia \u00e9 t\u00e3o l\u00f3gica, porque \u00e9 que ela encontra tanta resist\u00eancia? O problema n\u00e3o \u00e9 de ordem do ser (ontol\u00f3gica), mas sim do estar (existencial), institucional e cultural! O bus\u00edlis da quest\u00e3o vem:<br \/>\na) do apego ao Poder Epist\u00e9mico (teoria do conhecimento) onde historicamente, as disciplinas defendem as suas fronteiras para manter a sua autoridade. O cientificismo rejeita a teologia por medo do regresso ao dogmatismo religioso; a teologia, por vezes, isola-se por medo de ver os seus mist\u00e9rios reduzidos a meros fen\u00f3menos psicol\u00f3gicos ou f\u00edsicos;<br \/>\nb) da confus\u00e3o de N\u00edveis de Realidade. O f\u00edsico Basarab Nicolescu, um dos pais da transdisciplinaridade, explica que a realidade \u00e9 composta por diferentes n\u00edveis. O erro acontece quando se tenta aplicar as leis de um n\u00edvel (como as equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas da f\u00edsica) diretamente noutro n\u00edvel (como a experi\u00eancia existencial do sagrado), gerando uma tradu\u00e7\u00e3o literal e grosseira em vez de um di\u00e1logo transdisciplinar simb\u00f3lico. (2).<\/p>\n<p>Ao assumir a &#8220;rela\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es&#8221; como a base de tudo, valida-se que a ci\u00eancia capta a dimens\u00e3o mensur\u00e1vel dessa rela\u00e7\u00e3o, enquanto a teologia e a m\u00edtica captam a sua dimens\u00e3o de sentido profundo, sem que uma precise de anular a outra.<\/p>\n<p>A f\u00edsica qu\u00e2ntica ao resgatar o papel de observador (e da imagem) na constru\u00e7\u00e3o da realidade est\u00e1 precisamente a seguir o modelo m\u00edstico de acesso \u00e0 realidade presente na teologia. O bus\u00edlis mais revolucion\u00e1rio da epistemologia contempor\u00e2nea situa-se precisamente no facto que \u00e9 o colapso da separa\u00e7\u00e3o absoluta entre o sujeito que conhece e o objeto conhecido. Ao colocar o observador no centro da constitui\u00e7\u00e3o do real, a f\u00edsica qu\u00e2ntica rompe com o ideal mecanicista de Newton e Galileu e aproxima-se, estruturalmente, do modelo m\u00edstico e teol\u00f3gico de acesso \u00e0 realidade.<\/p>\n<p><strong>O observador na f\u00edsica e na m\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p>Na f\u00edsica cl\u00e1ssica, o cientista era um espectador neutro a olhar atrav\u00e9s de uma janela para um mundo mec\u00e2nico preexistente. Na f\u00edsica qu\u00e2ntica, o observador torna-se participante:<\/p>\n<p>O Efeito do Observador: No n\u00edvel subat\u00f3mico, as part\u00edculas existem numa sobreposi\u00e7\u00e3o de possibilidades (onda). \u00c9 o acto de medi\u00e7\u00e3o, a interfer\u00eancia do observador, que colapsa essa onda numa realidade concreta (part\u00edcula). O real n\u00e3o est\u00e1 &#8220;l\u00e1 fora&#8221; \u00e0 espera de ser descoberto; ele coemerge com a observa\u00e7\u00e3o. (3)<\/p>\n<p>A Experi\u00eancia M\u00edstica: Na teologia m\u00edstica (como na tradi\u00e7\u00e3o de Mestre Eckhart ou no Pseudo-Dion\u00edsio), o conhecimento de Deus n\u00e3o acontece por via de uma an\u00e1lise exterior e distante. O mist\u00e9rio s\u00f3 se revela atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o e da uni\u00e3o. O m\u00edstico sabe que o seu pr\u00f3prio olhar e o seu estado de consci\u00eancia alteram e moldam a perce\u00e7\u00e3o do Divino. O sujeito e o objeto fundem-se na experi\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>O resgate da imagem e do s\u00edmbolo<\/strong><\/p>\n<p>A f\u00edsica qu\u00e2ntica, ao lidar com uma realidade que n\u00e3o pode ser vista diretamente (como os quarks ou as cordas) \u00e9 for\u00e7ada a abandonar o literalismo e a abra\u00e7ar a linguagem simb\u00f3lica, tal como a teologia:<\/p>\n<p>A Imagem como Ponte: Como o ser humano n\u00e3o consegue conceber algo que seja onda e part\u00edcula ao mesmo tempo, a f\u00edsica usa estas &#8220;imagens&#8221; como met\u00e1foras matem\u00e1ticas para aproximar a nossa mente de uma realidade irrepresent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O \u00cdcone Teol\u00f3gico: Na teologia, a imagem (o \u00edcone, o mito, o dogma) nunca \u00e9 a realidade \u00faltima (Deus), mas sim o ve\u00edculo necess\u00e1rio que permite ao observador humano relacionar-se com o Transcendente. Ambos os campos compreendem que a imagem n\u00e3o \u00e9 a coisa em si, mas a \u00fanica forma de o observador interagir com o invis\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>A realidade como coocorr\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Penso que \u00e9 poss\u00edvel criar linhas de pensamento em que a realidade, seja ela a mat\u00e9ria qu\u00e2ntica ou a transcend\u00eancia encarnada, funciona sob um princ\u00edpio de coocorr\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 uma realidade objetiva pura sem uma consci\u00eancia que a testemunhe, nem h\u00e1 uma consci\u00eancia sem uma realidade para se manifestar.<\/p>\n<p>O &#8220;problema&#8221; metodol\u00f3gico desaparece quando compreendemos que a m\u00edstica usa a intui\u00e7\u00e3o, a contempla\u00e7\u00e3o e o s\u00edmbolo para aceder ao Todo, enquanto a f\u00edsica qu\u00e2ntica usa o formalismo matem\u00e1tico e a experimenta\u00e7\u00e3o laboratorial para aceder \u00e0 textura relacional da mat\u00e9ria. O essencial em tudo isto \u00e9 que tanto a Teologia crist\u00e3 (f\u00f3rmula trinit\u00e1ria da realidade) como a nova f\u00edsica (f\u00edsica Qu\u00e2ntica) chegam \u00e0 mesma conclus\u00e3o de que a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ilus\u00e3o e que o fundamento do ser \u00e9 a intera\u00e7\u00e3o. (A f\u00edsica qu\u00e2ntica provou que o mundo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3lido, fixo ou objectivo, mas sim um campo din\u00e2mico de possibilidades).<\/p>\n<p>O f\u00edsico e fil\u00f3sofo Bernard d&#8217;Espagnat, com o seu conceito de \u201cRealismo Velado\u201c prop\u00f5e o princ\u00edpio que a realidade \u00faltima est\u00e1 escondida e s\u00f3 se mostra atrav\u00e9s das nossas estruturas conceituais. Por seu lado Alfred North Whitehead com a Teologia do Processo reformulou a ideia de Deus a partir deste dinamismo e interdepend\u00eancia qu\u00e2ntica.<\/p>\n<p>A Teologia do Processo, a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e o pensamento cosmote\u00e2ndrico de Raimon Panikkar convergem para equacionar a realidade de forma complementar atrav\u00e9s de um paradigma relacional e participativo. Em vez de exclu\u00edrem a f\u00edsica, estas tr\u00eas correntes integram-na como a descri\u00e7\u00e3o material e estrutural dessa mesma rede de rela\u00e7\u00f5es. Por seu lado, tamb\u00b4\u00e9m a f\u00edsica reconhece\u00a0 que n\u00e3o sobrevive sem recurso \u00e0 simbologia.<\/p>\n<p><strong>Teologia do Processo: a din\u00e2mica e o vir-a-ser da mat\u00e9ria<\/strong><\/p>\n<p>Inspirada na filosofia de Alfred North Whitehead, a Teologia do Processo abandona a ideia de um Deus est\u00e1tico que governa um universo mec\u00e2nico. (4)<\/p>\n<p><strong>O nexo qu\u00e2ntico<\/strong>: A realidade n\u00e3o \u00e9 feita de &#8220;coisas&#8221; duradouras, mas de eventos e processos em constante atualiza\u00e7\u00e3o. Deus n\u00e3o opera por coer\u00e7\u00e3o, mas por atra\u00e7\u00e3o e persuas\u00e3o, oferecendo possibilidades a cada instante do real.<\/p>\n<p><strong>Integra\u00e7\u00e3o com a f\u00edsica<\/strong>: Esta teologia encaixa-se na f\u00edsica qu\u00e2ntica. Nela, o eletr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma esfera s\u00f3lida numa posi\u00e7\u00e3o fixa, mas um evento din\u00e2mico que colapsa e se atualiza a cada instante na sua rela\u00e7\u00e3o com o ambiente. A mat\u00e9ria e o esp\u00edrito pertencem ao mesmo fluxo cont\u00ednuo de vir-a-ser. (5)<\/p>\n<p><strong>Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o: a rela\u00e7\u00e3o encarnada na hist\u00f3ria e na pr\u00e1xis<\/strong><\/p>\n<p>A Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o foca-se na hist\u00f3ria concreta, nas estruturas sociais e na urg\u00eancia da justi\u00e7a. \u00c0 primeira vista ligada apenas \u00e0 pol\u00edtica e \u00e0 sociologia, ela conecta-se com este tecido universal por vias profundas. (6)<\/p>\n<p>A pr\u00e1xis como observa\u00e7\u00e3o: Tal como a f\u00edsica qu\u00e2ntica provou que o observador altera o sistema ao intervir nele, a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o defende que o conhecimento teol\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 neutro. Conhecer a realidade exige engajamento e transforma\u00e7\u00e3o (pr\u00e1xis).<\/p>\n<p>Integra\u00e7\u00e3o com a f\u00edsica: Atrav\u00e9s da ecologia integral (como o trabalho de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Leonardo_Boff\">Leonardo Boff<\/a>), esta corrente compreende que a opress\u00e3o social e a destrui\u00e7\u00e3o ambiental derivam do mesmo erro: o atomismo mecanicista cl\u00e1ssico, que isola os seres humanos uns dos outros e da natureza. A liberta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 a restaura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es justas em todas as escalas da mat\u00e9ria (7).<\/p>\n<p><strong>A Trindade Radical de Panikkar: a intui\u00e7\u00e3o cosmote\u00e2ndrica<\/strong><\/p>\n<p>O te\u00f3logo Raimon Panikkar formulou o princ\u00edpio cosmote\u00e2ndrico, que prop\u00f5e que toda a realidade se estrutura numa &#8220;Trindade Radical&#8221; indissoci\u00e1vel composta por tr\u00eas dimens\u00f5es (8).<\/p>\n<p>O Divino (Teandrico): A profundidade infinita, o mist\u00e9rio e a abertura para o novo.<\/p>\n<p>O Humano (Antr\u00f3pico): A consci\u00eancia, o olhar do observador que d\u00e1 sentido e testemunha o real.<\/p>\n<p>O C\u00f3smico (Material): O tecido f\u00edsico do universo, a exterioridade corporizada.<\/p>\n<p>Integra\u00e7\u00e3o com a f\u00edsica: Para <a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/656498-semana-panikkariana-2025-raimon-panikkar-uma-vida-cosmoteandrica\">Panikkar<\/a>, Deus, o Homem e o Cosmos n\u00e3o s\u00e3o subst\u00e2ncias separadas. Eles est\u00e3o numa rela\u00e7\u00e3o de interpenetra\u00e7\u00e3o m\u00fatua (pericorese ou advaita). A f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 exclu\u00edda; ela \u00e9 o rastreamento rigoroso da dimens\u00e3o c\u00f3smica desta trindade estrutural (9). Sem a mat\u00e9ria (f\u00edsica), o mist\u00e9rio divino permaneceria desincorporado e a consci\u00eancia humana n\u00e3o teria onde manifestar-se (10).<\/p>\n<p><strong>A s\u00edntese complementar e transdisciplinar<\/strong><\/p>\n<p>Estas tr\u00eas abordagens dividem o trabalho de decifrar o real sem anular o laborat\u00f3rio do f\u00edsico:<\/p>\n<p>A teologia do processo foca-se na metaf\u00edsica do vir-a-ser e nela o tempo e a mat\u00e9ria s\u00e3o fluxos de eventos interligados num todo relacional e deste modo entra no di\u00e1logo com a Nova F\u00edsica ao validar a natureza indeterminada e flutuante do v\u00e1cuo qu\u00e2ntico.<\/p>\n<p>A teologia da liberta\u00e7\u00e3o encara o processo da pr\u00e1xis hist\u00f3rica e social onde a rela\u00e7\u00e3o exige compromisso \u00e9tico e transforma\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica. Deste modo supera o mito do observador neutro; o cientista molda o mundo em di\u00e1logo com a Nova F\u00edsica.<\/p>\n<p>A teologia de Panikkar foca a ontologia cosmote\u00e2ndrica. O seu contributo relacional v\u00ea toda a realidade como constitutivamente divina, humana e c\u00f3smica. Por seu lado entra em di\u00e1logo com a Nova F\u00edsica onde a f\u00edsica descreve a dimens\u00e3o material da teia de rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O problema metodol\u00f3gico desfaz-se se adotarmos a transdisciplinaridade. A f\u00edsica qu\u00e2ntica descreve a sintaxe da realidade (as regras matem\u00e1ticas de como os campos e part\u00edculas se correlacionam). A Teologia do Processo descreve a sua din\u00e2mica existencial. A Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o exige a sua \u00e9tica relacional concreta. Panikkar oferece a sem\u00e2ntica m\u00edstica definitiva: tudo o que existe \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es. Nenhuma delas anula a outra, pois s\u00e3o modos complementares de sintonizar a mesma sinfonia.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\nPegadas do Tempo<\/p>\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/www.maxwell.vrac.puc-rio.br\/16662_4.PDF\">https:\/\/www.maxwell.vrac.puc-rio.br\/16662_4.PDF<\/a><\/p>\n<p>(2) O manifesto: <a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/revistabalburdia\/um-manifesto-pelo-fim-da-disciplinaridade\/\">https:\/\/sites.usp.br\/revistabalburdia\/um-manifesto-pelo-fim-da-disciplinaridade\/<\/a><\/p>\n<p>(3) <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DWmuighDkVI\/\">https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DWmuighDkVI\/<\/a><\/p>\n<p>(4) Teologia do Processo: file:\/\/\/C:\/Users\/Antonio\/Downloads\/barroca,+A+teologia+do+processo+de+Whitehead.pdf<\/p>\n<p>(5) Mec\u00e2nica qu\u00e2ntica e teologia: 2https:\/\/unusmundus.academiaabc2.org.br\/mecanica-quantica-e-teologia\/<\/p>\n<p>(6) <a href=\"https:\/\/www.textoaureo.com.br\/2023\/3%C2%BA-trimestre-de-2023-adultos\/li%C3%A7%C3%A3o-2-a-deturpa%C3%A7%C3%A3o-da-doutrina-b%C3%ADblica-do-pecado-din%C3%A2micas-e-slides\">https:\/\/www.textoaureo.com.br\/2023\/3%C2%BA-trimestre-de-2023-adultos\/li%C3%A7%C3%A3o-2-a-deturpa%C3%A7%C3%A3o-da-doutrina-b%C3%ADblica-do-pecado-din%C3%A2micas-e-slides<\/a><\/p>\n<p>(7) Leonardo Boff: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Leonardo_Boff\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Leonardo_Boff<\/a><\/p>\n<p>(8) A Racionalidade: <a href=\"https:\/\/ojs.brazilianjournals.com.br\/ojs\/index.php\/BRJD\/article\/view\/40915\">https:\/\/ojs.brazilianjournals.com.br\/ojs\/index.php\/BRJD\/article\/view\/40915<\/a><\/p>\n<p>(9) Trindade Radical: file:\/\/\/C:\/Users\/Antonio\/Downloads\/admin,+Art+247+BJD.pdf<\/p>\n<p>(10) Vida cosmote\u00e2ndrica: <a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/656498-semana-panikkariana-2025-raimon-panikkar-uma-vida-cosmoteandrica\">https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/656498-semana-panikkariana-2025-raimon-panikkar-uma-vida-cosmoteandrica<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a Trindade \u00e9 rela\u00e7\u00e3o pura, ent\u00e3o o real n\u00e3o se deixa aprisionar em guetos disciplinares. Ci\u00eancia, teologia e arte n\u00e3o s\u00e3o linguagens rivais, mas modos complementares de tecer o mesmo v\u00e9u. Aparentes contr\u00e1rios como o emp\u00edrico e o metaf\u00edsico, o c\u00e1lculo e o s\u00edmbolo, a precis\u00e3o e o mist\u00e9rio, n\u00e3o se anulam; antes, articulam-se &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11173\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">A TRINDADE COMO RELA\u00c7\u00c3O DAS RELA\u00c7\u00d5ES NO CONTEXTO DA F\u00cdSICA QU\u00c2NTICA<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,14,4,5,6,7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-11173","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-escola","category-migracao","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11173","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11173"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11179,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11173\/revisions\/11179"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}