{"id":1112,"date":"2007-11-17T10:30:00","date_gmt":"2007-11-17T09:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1112"},"modified":"2007-11-17T10:30:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:30:00","slug":"bilinguismo-%e2%80%93-a-vantagem-de-ser-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1112","title":{"rendered":"Bilinguismo \u2013 A Vantagem de Ser Diferente"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>De crian\u00e7as binacionais a pessoas biculturais \/ interculturais<\/b><\/p>\n<p>Muitas vezes as crian\u00e7as filhas de imigrantes s\u00e3o intituladas e definidas na subcategoria de \u201cEstrangeiras\u201d. Vivem numa situa\u00e7\u00e3o discriminat\u00f3ria e coerciva entre os outros, a maioria, com consequ\u00eancias determinantes no seu processo de aprendizagem, na sua biografia. Esta situa\u00e7\u00e3o arrast-se por gera\u00f5es e manifesta-se, por vezes, em sintomas de fobia e em irregularidades na viv\u00eancia do dia a dia.<\/p>\n<p>Na minha actividade profissional com crian\u00e7as bilingues conhe\u00e7o casos de recusa e at\u00e9 de mutismo. Referir-me-ei (1) mais \u00e0 realidade luso-alem\u00e3, dado ser este o meu campo de ac\u00e7\u00e3o (professor de crian\u00e7as e jovens bilingues de origem portuguesa, brasileira, angolana, etc.).<\/p>\n<p>A heterogeneidade demogr\u00e1fica da Alemanha, onde aproximadamente 9% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 estrangeira, n\u00e3o tem sido suficientemente tida em conta no processo educativo. De notar que o comportamento da popula\u00e7\u00e3o estrangeira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alem\u00e3 \u00e9 muito diferenciado. Dois extremos: a popula\u00e7\u00e3o portuguesa tende n\u00e3o s\u00f3 a integrar-se mas at\u00e9 a deixar-se assimilar totalmente pela popula\u00e7\u00e3o ambiente. J\u00e1 no que se refere \u00e0 popula\u00e7\u00e3o turca ou em geral mu\u00e7ulmana observa-se o extremo contr\u00e1rio. Esta reage negativamente, duma maneira geral, a qualquer tentativa de integra\u00e7\u00e3o preferindo viver no ghetto formando mesmo uma sociedade paralela nas grandes cidades. Naturalmente que esta realidade n\u00e3o tem explica\u00e7\u00e3o monocausal.<\/p>\n<p>A atitude quer dos aut\u00f3ctones quer dos imigrantes em rela\u00e7\u00e3o ao outro \u00e9 determinante no sucesso ou insucesso da crian\u00e7a estrangeira. A carga \u00e9tnico-cultural aliada \u00e0 carga da camada social em que se nasce condiciona, ainda hoje, determinantemente o ser e estar social da pessoa humana\u2026<\/p>\n<p>O fen\u00f3meno do bilinguismo \u00e9 de tal forma complexo e diferenciado que seria irrespons\u00e1vel tirar-se conclus\u00f5es generalizadas e generalizantes a partir de qualquer investiga\u00e7\u00e3o por mais cient\u00edfica que ela seja.<\/p>\n<p>              <b>Defini\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as Bilingues<\/b><br \/>A ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime na defini\u00e7\u00e3o de bilingue (pessoa crescida em duas culturas). Na investiga\u00e7\u00e3o alguns definem bilinguismo em rela\u00e7\u00e3o ao come\u00e7o da aprendizagem. Este pode ser m\u00ednimo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda l\u00edngua. Outros, como Bloomfeld, pressup\u00f5em que as duas l\u00ednguas n\u00e3o s\u00f3 se dominem como l\u00ednguas maternas mas que a crian\u00e7a tenha convivido com as duas l\u00ednguas desde o nascimento. Para aqueles que partem principalmente do crit\u00e9rio de efici\u00eancia lingu\u00edstica acentuando mais a tradi\u00e7\u00e3o estruturalista da psicolingu\u00edstica considera-se relevante o emprego das duas l\u00ednguas em diferentes contextos sociais.<\/p>\n<p>Outros distinguem o bilinguismo em \u201cnatural\u201d, \u201c aditivo\u201d e \u201c subtractivo\u201d. No bilinguismo natural pai e m\u00e3e falam cada um o seu idioma com a crian\u00e7a; no bilinguismo aditivo uma pessoa apropria-se duma segunda l\u00edngua mantendo as capacidades da sua l\u00edngua materna ou alargando-as; fala-se de bilinguismo subtractivo quando a compet\u00eancia da l\u00edngua materna \u00e9 influenciada negativamente atrav\u00e9s da aprendizagem duma segunda l\u00edngua. (Isto acontece muitas vezes nos filhos de trabalhadores imigrantes).<\/p>\n<p>Segundo a minha experi\u00eancia importante \u00e9 a aquisi\u00e7\u00e3o da l\u00edngua duma forma aut\u00eantica envolvida numa cultura segundo o princ\u00edpio \u201cuma pessoa uma l\u00edngua\u201d. Determinante \u00e9 que as duas l\u00ednguas funcionem independentemente uma da outra n\u00e3o havendo necessidade de recorrer \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>           <b>  O areal cerebral da l\u00edngua materna e paterna<\/b><br \/>\u00c9 important\u00edssimo que a crian\u00e7a oi\u00e7a e fale as duas l\u00ednguas at\u00e9 aos tr\u00eas anos porque, especialmente at\u00e9 a\u00ed, o c\u00e9rebro elabora um espa\u00e7o (areal) espec\u00edfico pr\u00f3prio onde localiza a l\u00edngua materna (ou paterna e materna) possibilitando uma diferencia\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas aprendidas n\u00e3o havendo assim interfer\u00eancia delas. Este sector cerebral da (s) l\u00edngua (s) materna (s) come\u00e7a-se a fechar a partir dos tr\u00eas anos. A Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica Nuclear (NMR) funcional mostra que a partir dos tr\u00eas anos j\u00e1 s\u00e3o englobadas outras partes do c\u00e9rebro na fun\u00e7\u00e3o de gravar e de produzir a l\u00edngua.<\/p>\n<p>A confronta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com as duas l\u00ednguas constitui um treino fisiol\u00f3gico do c\u00e9rebro: capacidade da identifica\u00e7\u00e3o da diferenciada fon\u00e9tica, etc. No primeiro ano de vida o beb\u00e9 \u00e9 muito sens\u00edvel \u00e0 melodia e muito receptivo \u00e0 variedade de sons registando-os na malha cerebral onde os sons se registam. A dificuldade que muitas pessoas t\u00eam na exactid\u00e3o da fon\u00e9tica deve-se a terem ouvido s\u00f3 mais tarde determinados sons. A partir dos 7 anos o centro cerebral onde se localizam as l\u00ednguas maternas encerra-se passando a aprendizagem a ser assumida por outras zonas cerebrais, as l\u00ednguas aprendem-se ent\u00e3o com se aprendem outras coisas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel a aprendizagem duma terceira l\u00edngua. Importante \u00e9 que o falante seja original, isto \u00e9, que a l\u00edngua que fala seja a l\u00edngua do cora\u00e7\u00e3o, isto \u00e9 uma esp\u00e9cie de l\u00edngua materna.<\/p>\n<p>                         <b>Problematiza\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o bilingue<\/b><br \/>H\u00e1 investigadores que problematizam o ensino bilingue como um conflito a acrescentar aos que a crian\u00e7a j\u00e1 tem no seu desenvolvimento normal. Estes defendem que a crian\u00e7a deve ser iniciada apenas numa l\u00edngua materna, s\u00f3 assim poderiam atingir um desenvolvimento m\u00e1ximo da sua personalidade e das suas capacidades lingu\u00edsticas e cognitivas. Afirmam que a aprendizagem simult\u00e2nea de duas l\u00ednguas constitui uma exig\u00eancia demasiada para a crian\u00e7a conduzindo a um atraso no desenvolvimento de cada uma das l\u00ednguas. Esta vis\u00e3o foi ultrapassada e refutada por uma investiga\u00e7\u00e3o moderna mais s\u00e9ria, salvo em casos em que as duas l\u00ednguas faladas em casa se processem sem n\u00edvel nem estrutura.<\/p>\n<p>A realidade ensina que a aprendizagem da l\u00edngua e o desenvolvimento da personalidade \u00e9 individualmente muito diferenciado de pessoa para pessoa independentemente do aprendente ser bilingue ou monolingue. As investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas t\u00eam mostrado que os bilingues se movimentam dentro do \u00e2mbito da norma da aprendizagem uma vez comparados com os monolingues. O problema da op\u00e7\u00e3o por uma l\u00edngua materna como ponto de partida vantajoso para a aprendizagem carece de base cient\u00edfica atendendo a que h\u00e1 muitos outros factores que fogem \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas ou melhor, que n\u00e3o s\u00e3o integrados nelas. Muitas crian\u00e7as crescem em meios deficit\u00e1rios a n\u00edvel de l\u00edngua e cultura: emigra\u00e7\u00e3o muitas vezes falando linguagem familiar.<\/p>\n<p>Na literatura sobre bilinguismo domina a opini\u00e3o de que a aprendizagem simult\u00e2nea de duas l\u00ednguas n\u00e3o prejudica a aprendizagem nem a socializa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. As pesquisas mostram que h\u00e1 v\u00e1rios ritmos de aprendizagem dependendo ele de crian\u00e7a para crian\u00e7a independentemente do ser bilingue ou monolingue. Bilingues misturam por vezes os idiomas mas logo que se encontram num ambiente monolingue j\u00e1 n\u00e3o o fazem. Eu mesmo pude observar esse fen\u00f3meno na escola. Problem\u00e1tica \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o daquelas crian\u00e7as que crescem num meio onde se fala uma mistura espont\u00e2nea de duas l\u00ednguas ou um portugu\u00eas e um alem\u00e3o macarr\u00f3nicos. As crian\u00e7as, neste caso, correm o perigo de semilinguismo n\u00e3o falando nenhuma l\u00edngua bem, passando a interfer\u00eancia lingu\u00edstica a ser regra nas duas l\u00ednguas. As desvantagens que poder\u00e3o aparecer s\u00e3o geralmente devidas ao estatuto social familiar em que vive a crian\u00e7a e ao ambiente mais ou menos refract\u00e1rio a ela ou \u00e0 sua cultura. O prest\u00edgio ou desprest\u00edgio da l\u00edngua desempenha um grande papel na aquisi\u00e7\u00e3o bilingue.<br \/>Poss\u00edveis defici\u00eancias lingu\u00edsticas, num caso ou noutro, inerentes \u00e0 aprendizagem recuperam-se no ensino secund\u00e1rio. Pelo que pude observar nos meus alunos a aprendizagem da l\u00edngua portuguesa deu-se de forma muit\u00edssimo gratificante at\u00e9 ao sexto ano. Do 7\u00b0 ao 9\u00b0 manifesta-se mais a concorr\u00eancia do ensino alem\u00e3o em desvantagem do portugu\u00eas, voltando este a ter grande relev\u00e2ncia do 9\u00b0. ao 13\u00b0. ano. Nesta fase Portugal e a cultura portuguesa fascina-os. O resultado da educa\u00e7\u00e3o bilingue depende sempre da maneira de educar dos pais e da reac\u00e7\u00e3o do meio ambiente envolvente ao bilinguismo.<\/p>\n<p>                         <b>Experi\u00eancia e Estrat\u00e9gias<\/b><br \/>Em casa a minha esposa que \u00e9 alem\u00e3 fala sempre alem\u00e3o com os filhos e eu falo o portugu\u00eas, desde o nascimento da primeira filha\u2026 O princ\u00edpio \u201cuma pessoa uma l\u00edngua\u201d revela-se important\u00edssimo para a estabiliza\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas. Isto \u00e9 indispens\u00e1vel para que a crian\u00e7a desenvolva um mecanismo e uma orienta\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica.<\/p>\n<p>Tivemos quatro filhos a que demos educa\u00e7\u00e3o bilingue: a Graciette, a Sonnya, o Elias e o David. Interessante foi ter observado diferentes comportamentos deles a partir do momento em que entraram no Jardim-de-inf\u00e2ncia. Enquanto que o David a partir da\u00ed se negou a falar o Portugu\u00eas comigo os outros continuaram a fal\u00e1-lo. Pude ver esta experi\u00eancia repetida em alunos provenientes de casamentos mistos em que um parceiro falava portugu\u00eas e o outro alem\u00e3o. As crian\u00e7as falavam sempre, entre elas, o alem\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 \u00e0 entrada no jardim-de-inf\u00e2ncia a crian\u00e7a responde automaticamente em portugu\u00eas ao pai e em alem\u00e3o \u00e0 m\u00e3e ou apenas em portugu\u00eas no caso dos dois parceiros falarem o portugu\u00eas.<\/p>\n<p>A partir da entrada da crian\u00e7a para o Jardim-de-inf\u00e2ncia s\u00e3o necess\u00e1rias estrat\u00e9gias especiais para que a \u201cl\u00edngua fraca\u201d n\u00e3o sofra porque a l\u00edngua dominante tende a excluir a outra. Neste caso pode recorrer-se \u00e0 funcionalidade escolhendo determinados meios onde ela se fale e estrat\u00e9gias adequadas. No caso de pais estrangeiros \u00e9 \u00f3bvio que em casa se fale sistematicamente o portugu\u00eas apesar da poss\u00edvel resist\u00eancia por parte da crian\u00e7a. Al\u00e9m disso torna-se necess\u00e1rio planear encontros regulares gratificantes onde se fale a l\u00edngua em maioria. \u00c9 relevante falar-se uma l\u00edngua com bom n\u00edvel e com vocabul\u00e1rio rico. Aqui pode ajudar o recurso \u00e0 leitura de livros.<\/p>\n<p>Pude constatar que os meus alunos duma maneira geral falam o portugu\u00eas em casa com os pais e alem\u00e3o fora de casa com os outros interlocutores. Da actividade com os meus alunos posso concluir que aqueles onde os pais falam o alem\u00e3o em casa ou uma mistura espont\u00e2nea sem m\u00e9todo, esses alunos t\u00eam muita dificuldade em aprender o portugu\u00eas e exprimem-se como se tratasse duma l\u00edngua estrangeira. Geralmente estes t\u00eam dificuldades tamb\u00e9m na disciplina de alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma constante: geralmente os pais falam consequentemente o portugu\u00eas em casa enquanto que muitas m\u00e3es, a partir do momento em que o filho entra no jardim infantil ou na escola, procuram falar alem\u00e3o com os filhos ou misturam. Talvez na tentativa de aperfei\u00e7oarem o seu alem\u00e3o ou at\u00e9 para serem corrigidas. Isto \u00e9 muito problem\u00e1tico. \u00c9 natural que a crian\u00e7a que entra na escola ofere\u00e7a resist\u00eancia e queira falar o alem\u00e3o em casa porque n\u00e3o nota a sua relev\u00e2ncia no meio em que vive.<br \/>H\u00e1 crian\u00e7as que se negam a falar a l\u00edngua materna, chegando at\u00e9 ao mutismo. Se a crian\u00e7a recusa falar o portugu\u00eas n\u00e3o a devemos for\u00e7ar. Mesmo assim o pai e a m\u00e3e (no caso de serem os dois de l\u00edngua portuguesa) deveriam falar com ela s\u00f3 portugu\u00eas.<\/p>\n<p>                <b>Vantagens que as crian\u00e7as bilingues t\u00eam <\/b><br \/>Duma maneira geral as crian\u00e7as bilingues s\u00e3o mais inteligentes.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos monolingues, os bilingues chegam a apresentar maior n\u00edvel de compet\u00eancia social e emocional-cognitiva. As capacidades emp\u00e1ticas e a abertura ao novo tornam-se normalidade.<br \/>Efectivamente, a actividade cerebral da crian\u00e7a bilingue foi j\u00e1 cedo confrontada com processos mais complexos na sua aprendizagem.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia nas suas investiga\u00e7\u00f5es regista uma rela\u00e7\u00e3o positiva entre intelig\u00eancia e bilinguismo.<br \/>Investigadores provaram que bilingues aprendem mais facilmente o ingl\u00eas. Na parte cerebral que elabora a l\u00edngua tamb\u00e9m se encontra o areal cerebral para a mem\u00f3ria do trabalho e o areal para a solu\u00e7\u00e3o de problemas. Com o treino das l\u00ednguas estes areais tamb\u00e9m s\u00e3o abrangidos e treinados. Uma outra vantagem \u00e9 o facto de bilingues reagirem mais depressa e activarem mais a capacidade de reflectir criticamente. Crian\u00e7as com educa\u00e7\u00e3o bilingue conseguem, depois da escola prim\u00e1ria, melhores resultados na leitura, dado se concentrarem mais no sentido do que no som (fon\u00e9tica). Aprendem com mais facilidade l\u00ednguas estrangeiras e desenvolvem as capacidades intelectuais e de abstrac\u00e7\u00e3o desenvolvendo v\u00e1rias estrat\u00e9gias de aprendizagem. Desenvolvem as capacidades de empatia, toler\u00e2ncia e de interpreta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo de menosprezar maior compet\u00eancia intercultural e de diplomacia. Enquanto que a forma\u00e7\u00e3o do pensamento do monolingue acontece numa rela\u00e7\u00e3o directa com um objecto, um meio homog\u00e9neo o bilingue torna-se menos formal, mais relacional. \u00c9 mais processual atendendo a que a \u201etabula rasa\u201d era din\u00e2mica.<\/p>\n<p>                      <b>Como educar uma crian\u00e7a bilingue<\/b><br \/>Para o linguista Jean Petit a aprendizagem bilingue assenta em dois princ\u00edpios fundamentais: bilinguismo desenvolve-se tanto mais natural quanto mais cedo come\u00e7ar a educa\u00e7\u00e3o correspondente. Ela \u00e9 experimentada de forma directa como meio de comunica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o com conte\u00fado de aprendizagem. Segundo ele os dois idiomas devem ser apresentados por dois educadores ou professores diferentes.<\/p>\n<p>A aprendizagem simult\u00e2nea das duas l\u00ednguas traz muitas vantagens. At\u00e9 aos tr\u00eas anos de idade o c\u00e9rebro da crian\u00e7a \u00e9 como uma esponja, muit\u00edssimo receptivo. A aprendizagem da l\u00edngua transmite n\u00e3o s\u00f3 informa\u00e7\u00f5es, mas sentimentos, cultura e outros conte\u00fados n\u00e3o verbais. Importante \u00e9 que quem fala a l\u00edngua n\u00e3o fale uma l\u00edngua estrangeira mas uma l\u00edngua do cora\u00e7\u00e3o. L\u00edngua do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela em que amamos, rogamos pragas e fazemos contas (l\u00edngua materna ou apadrinhada!).<br \/>\u00c9 muito importante que as crian\u00e7as aprendam as l\u00ednguas brincando.<\/p>\n<p>O prest\u00edgio da l\u00edngua da cultura \u00e9 determinante para o processo da sua aprendizagem. Aqui tornam-se muito importantes os testemunhos da mesma: o papel dos pais e dos educadores. O car\u00e1cter e rela\u00e7\u00e3o dos multiplicadores ir-se-\u00e1 projectar na maneira como a crian\u00e7a valorizar\u00e1 ou desvalorizar\u00e1 inconscientemente a determinada l\u00edngua ou cultura.<\/p>\n<p>Necessita-se por isso da cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os protegidos para a crian\u00e7a onde esta possa experimentar a mais valia da sua situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de aprendermos a ser portugueses, brasileiros ou alem\u00e3es, mas de aprendermos a tornar-nos seres humanos abertos.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a e as suas culturas precisam de ser defendidas e positivamente apreciadas pelo ambiente, pormenor a que os educadores dever\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o especial.<br \/>\u00c9 tamb\u00e9m relevante, para a efici\u00eancia do processo de aprendizagem, a posi\u00e7\u00e3o dos pais no que respeita \u00e0s vantagens ou desvantagens da educa\u00e7\u00e3o bicultural. Se um parceiro \u00e9 do parecer que a aprendizagem de duas l\u00ednguas \u00e9 prejudicial \u00e0 crian\u00e7a, esse facto torna-se por ele mesmo um factor negativo da aprendizagem.<\/p>\n<p>A reac\u00e7\u00e3o apropriada \u00e0 ren\u00fancia duma crian\u00e7a por um determinado idioma deve ser uma atitude compreensiva e ter como consequ\u00eancia uma maior dedica\u00e7\u00e3o afectiva \u00e0 crian\u00e7a. Mesmo no caso de div\u00f3rcio a crian\u00e7a n\u00e3o deve ser privada dos seus v\u00ednculos culturais e afectivos.<\/p>\n<p>A oferta de duas l\u00ednguas \u00e0 crian\u00e7a desde o princ\u00edpio s\u00e3o factores muito positivos parta o desenvolvimento psicol\u00f3gico e escolar como t\u00eam provado as investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Processo especial de Ensino Bilingue e sua inser\u00e7\u00e3o<br \/>O sistema educativo \u00e9 um processo gen\u00e9rico de integra\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a no anonimato social. Os nossos sistemas de ensino partem dum modelo est\u00e1tico de ensino que como tal n\u00e3o comporta o espec\u00edfico e como tal o bilinguismo.<\/p>\n<p>At\u00e9 1989, a n\u00edvel de investiga\u00e7\u00e3o, o bilingue era sempre enquadrado no sistema de ensino monolingue vigente que reduzia o bilingue a mero objecto de compara\u00e7\u00e3o com o monolingue. Os trabalhos de Grojean apresentaram ent\u00e3o a exig\u00eancia de se tratar o bilinguismo como independente. Viu-se a necessidade de n\u00e3o considerar o bilingue como dois monolingues numa mesma pessoa. O bilinguismo constitui uma realidade pr\u00f3pria que exigiria outros processos de diagnose pr\u00f3prios que possibilitem uma pedagogia espec\u00edfica. Neste sentido seria de fomentar mais processos especiais de ensino.<\/p>\n<p>A sociedade deveria partir dos recursos que os bilingues s\u00e3o portadores e foment\u00e1-los. Na Alemanha h\u00e1 v\u00e1rios modelos de resposta ao problema. A maioria deles por\u00e9m parte duma vis\u00e3o monolingue do ensino. A normalidade no ensino regular oferece a aprendizagem da l\u00edngua como idioma estrangeiro, havendo nalgumas escolas o ensino de l\u00edngua e cultura portuguesas para emigrantes. H\u00e1 tamb\u00e9m as escolas europeias e certas iniciativas privadas com grande gama de modelos pedag\u00f3gicos mais ou menos eficientes. O procedimento de integra\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as bilingues que frequentam as escolas europeias ou certas escolas internacionais \u00e9 mais eficiente mas normalmente para privilegiados.<\/p>\n<p>H\u00e1 modelos de jardins infantis que aplicam 13 horas Franc\u00eas \/ 13 horas Alem\u00e3o na semana. Durante dois dias \u00e9 respons\u00e1vel uma pedagoga e nos outros dois a outra. Os dois professores possibilitam a aprendizagem e identifica\u00e7\u00e3o das duas l\u00ednguas em diferentes situa\u00e7\u00f5es. \u00c9 importante que o idioma se aprenda num ambiente natural de jogo com outras crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Em Berlim, Frankfurt e Munique h\u00e1 iniciativas (associa\u00e7\u00f5es de brasileiros, portugueses e alem\u00e3es) tendentes a fomentarem uma educa\u00e7\u00e3o bilingue a n\u00edvel pr\u00e9-escolar. Isto exige grande compet\u00eancia e consci\u00eancia cultural.<br \/>Em algumas zonas onde lecciono observo, entre m\u00e3es mais novas a consci\u00eancia da necessidade de organizar e criar iniciativas onde se joga, canta e dan\u00e7a \u00e0 portuguesa. Movidas apenas pela necessidade e pela boa vontade n\u00e3o s\u00e3o apoiadas. Estas iniciativas individuais n\u00e3o deixar\u00e3o rasto porque depois do quarto ano as for\u00e7as adversas e alheias se tornam demasiado fortes na falta duma estrutura s\u00f3lida apoiante.<\/p>\n<p>                                    <b>Integra\u00e7\u00e3o Social<\/b><br \/>Quanto ao processo e aos diferentes procedimentos de inser\u00e7\u00e3o social, esta \u00e9 uma quest\u00e3o muito bicuda. De facto, no que respeita aos filhos de emigrantes trabalhadores, em geral estes n\u00e3o t\u00eam as mesmas chances que as crian\u00e7as dos pa\u00edses de acolhimento, atendendo \u00e0 sua autobiografia condicionada a um ambiente muitas vezes prec\u00e1rio e distante dos valores culturais. Por outro lado a integra\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as na escola \u00e9 insuficiente devido a uma politica escolar orientada para o monolinguismo. Muito prejudicial para crian\u00e7as de certas etnias torna-se o facto da sua demarca\u00e7\u00e3o perante a sociedade de acolhimento.<br \/>Na Alemanha, uma grande percentagem das crian\u00e7as estrangeiras, depois do 9\u00b0 e 10\u00b0 ano, n\u00e3o se encontra preparada para ingressar numa forma\u00e7\u00e3o profissional, segundo os resultados PISA (Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos). Principalmente a maior parte das crian\u00e7as turcas vivem em Getto tornando-se v\u00edtimas da vida familiar e pol\u00edtica vivendo num isolamento em grande parte querido, o que fomenta a exist\u00eancia de sociedades paralelas e atitudes agressivas.<\/p>\n<p>Com os portugueses observa-se o fen\u00f3meno contr\u00e1rio. Assimilam-se sem deixar rasto, o que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 bom. (O Portugu\u00eas embora consciente de si tem uma tend\u00eancia a considerar o que \u00e9 estrangeiro melhor que o nacional. Isto tem a ver com a experi\u00eancia inter-cultural e com a tradi\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria dum povo sempre obrigado a emigrar. Nesse sentido seria interessante fazer-se um estudo relativamente a maneiras de dizer portuguesas que manifestam um certo antagonismo entre admira\u00e7\u00e3o e menosprezo pelo nacional, e uma consci\u00eancia internacionalista, como se pode ver em: \u201cVer-se grego\u201d, \u201cisto \u00e9 chin\u00eas\u201d, \u201ctrabalhar como um mouro\u201d, \u201cisso \u00e9 uma americanice\u201d, \u201c\u00e9 como o espanhol\u201d mexe no que n\u00e3o deve, \u201c\u00e9 para ingl\u00eas ver\u201d, \u201cvive \u00e0 grande e \u00e0 francesa\u201d, no regatear \u201c\u00e9 pior que os marroquinos\u201d\u2026E se a coisa corre mal \u201c\u00e9 \u00e0 portuguesa\u201d).<\/p>\n<p>O n\u00edvel escolar e social das crian\u00e7as migrantes em geral \u00e9 fraco com uma grande taxa de insucesso escolar.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s crian\u00e7as portuguesas da regi\u00e3o em que ensino desde h\u00e1 27 anos, seria levado a afirmar que o n\u00edvel do seu sucesso escolar e social corresponde \u00e0 m\u00e9dia dos alunos alem\u00e3es. Atendendo \u00e0s circunstancias ambientais de proveni\u00eancia \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o excepcional.<br \/>Na Alemanha observa-se contudo grande interesse pela frequ\u00eancia da l\u00edngua materna ao contr\u00e1rio do que acontece na Fran\u00e7a. As pr\u00f3prias crian\u00e7as portuguesas comentam a triste figura que as crian\u00e7as filhas de portugueses residentes na Fran\u00e7a fazem nas f\u00e9rias em Portugal. Estas, em geral, n\u00e3o podem comunicar na l\u00edngua de seus pais. Um problema cultural e de pol\u00edtica de l\u00edngua! Aqui h\u00e1 muito a fazer. Tendo-me dado conta desta problem\u00e1tica, desde o in\u00edcio, e aproveitando do grande interesse dos portugueses pelos seus filhos procurei motivar atrav\u00e9s de reuni\u00f5es e iniciativas a for\u00e7as latentes nos encarregados de educa\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica do EPE (ensino portugu\u00eas no estrangeiro) esteve sempre demasiadamente orientada para os interesses duma administra\u00e7\u00e3o autista incapaz de captar as necessidades reais da comunidade portuguesa e dos luso-descendentes.<\/p>\n<p>As associa\u00e7\u00f5es portuguesas, que na emigra\u00e7\u00e3o portuguesa para a Europa foram t\u00e3o importantes como pontos de refer\u00eancia, cada vez se tornam mais prec\u00e1rias e raras. Urgem novas onde se proporcione o encontro de crian\u00e7as e jovens portugueses. O mesmo se diga sobre a incrementa\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es bilingues e grupos pr\u00e9-escolares onde se promova o interc\u00e2mbio intercultural. A precariedade financeira de iniciativas e projectos deveria ser compensada tamb\u00e9m pelo estado portugu\u00eas e pelos departamentos de cultura, conselhos de estrangeiros, etc.<\/p>\n<p>Dado a melhor altura para a aprendizagem autom\u00e1tica da l\u00edngua e cultura ser, segundo a minha experi\u00eancia, at\u00e9 ao sexto ano de escolaridade \u00e9 \u00f3bvia a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os, de lugares naturais da l\u00edngua e cultura portuguesas. Tamb\u00e9m depois s\u00e3o importantes locais onde se aprenda a l\u00edngua portuguesa por imers\u00e3o. Grupos consumidores conscientes de cultura deveriam incitar esfor\u00e7os no sentido de criarem centros de l\u00edngua portuguesa integrados por participantes dos v\u00e1rios pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>No centro de qualquer iniciativa ter\u00e1 que se ter presente a import\u00e2ncia de possibilitar \u00e0 crian\u00e7a tornar-se ela mesma. O incentivo ter\u00e1 que ter em conta a sua vontade e gostos. Se o ambiente \u00e9 natural n\u00e3o haver\u00e1 problemas. A l\u00edngua \u00e9 primeiramente rela\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. Quem n\u00e3o tiver intu\u00eddo isto dificultar\u00e1 o processo de aprendizagem.<\/p>\n<p>No caso dos casamentos mistos os dois p\u00f3los culturais dever\u00e3o estar em situa\u00e7\u00e3o de igualdade e ser apreendidos pela crian\u00e7a numa atmosfera de respeito numa rela\u00e7\u00e3o bicultural consciente entre os dois parceiros. As duas culturas s\u00e3o assim as duas traves mestras, as duas colunas que suportam o projecto educativo bicultural. Uma cultura tem caracter\u00edsticas espec\u00edficas, um esp\u00edrito, uma alma que a outra n\u00e3o tem. As duas s\u00e3o imprescind\u00edveis.<\/p>\n<p>Se uma cultura n\u00e3o for bem tratada e bem considerada, a crian\u00e7a poder\u00e1 passar a mancar pela vida fora \u201cenvergonhando-se\u201d duma parte do seu ser de cidad\u00e3o.<br \/>Tamb\u00e9m a frequ\u00eancia do Ensino do Portugu\u00eas se torna essencial para o alargamento e complementa\u00e7\u00e3o cultural para filhos de casamentos mistos ou de imigrantes.<\/p>\n<p>                                       <b>Resumindo<\/b><br \/>Uma educa\u00e7\u00e3o adaptada \u00e0s crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o bicultural ter\u00e1 que ter em conta j\u00e1 antes do nascimento do beb\u00e9 uma prepara\u00e7\u00e3o e uma preocupa\u00e7\u00e3o especial dos progenitores. Relativamente \u00e0 educa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a bilingue seria important\u00edssimo proporcionar-se o mais poss\u00edvel a aquisi\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas por imers\u00e3o, a n\u00edvel pr\u00e9-escolar e escolar e para-escolar. (2)<br \/>Pais bilingues dever\u00e3o come\u00e7ar a falar, desde o nascimento do beb\u00e9, os dois idiomas segundo o princ\u00edpio: \u201cUma pessoa \u2013 uma l\u00edngua\u201d. \u00c9 important\u00edssimo o aspecto emocional dos representantes das l\u00ednguas, no seu dia a dia, entre si e com as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve obrigar uma crian\u00e7a a falar. Pode recorrer-se a processos indirectos de a interessar, n\u00e3o desistindo de falar a l\u00edngua mesmo que a crian\u00e7a se negue a fal\u00e1-la.<\/p>\n<p>A l\u00edngua falada, diferente da l\u00edngua ambiental geral, deve ter espa\u00e7os pr\u00f3prios onde seja experimentada em ambiente de maioria com as caracter\u00edsticas culturais pr\u00f3prias, como jogo, dan\u00e7as, m\u00fasicas, futebol, filmes, e outras refer\u00eancias culturais. \u00c9 necess\u00e1rio o fomento de institui\u00e7\u00f5es com crian\u00e7as bilingues. (3)<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>Pedagogo<br \/>&#8220;Pegadas do Tempo&#8221;<\/p>\n<p>(1) Nota Pr\u00e9via: Depois de ter lido imensos autores que investigam o fen\u00f3meno bilingue verifiquei um problema subjacente ao sistema de sociedade defendida pelo investigador, confirmando os resultados das correspondentes investiga\u00e7\u00f5es a ideologia dominante. Se para uns dominava o esp\u00edrito nacionalista, outros correm o perigo de colocarem a sua investiga\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o dum multiculturalismo superficial. Um outro problema tem a ver com A investiga\u00e7\u00e3o feita na \u00e9poca em que se dava grande import\u00e2ncia \u00e0 defesa da ra\u00e7a privilegia s\u00f3 uma l\u00edngua materna sendo os resultados das suas investiga\u00e7\u00f5es negativas em rela\u00e7\u00e3o aos bilingues. Nas sociedades inter-culturais os resultados s\u00e3o positivos em rela\u00e7\u00e3o aos bilingues. Um outro problema da investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 a exist\u00eancia de muitos casos que descrevem a experi\u00eancia bilingue de fam\u00edlias isoladas. Outras investiga\u00e7\u00f5es analisam situa\u00e7\u00f5es escolares em que a popula\u00e7\u00e3o escolar prov\u00eam duma camada social em que a cultura como tal n\u00e3o \u00e9 apreciada. Investiga\u00e7\u00f5es com crian\u00e7as bilingues provenientes de elites apresentam resultados muit\u00edssimo positivos da educa\u00e7\u00e3o bilingue.<br \/>Para n\u00e3o me ilibar de subjectividades devo declarar que baseio as minhas posi\u00e7\u00f5es na longa experi\u00eancia de fam\u00edlia bilingue e de professor de bilingues, podendo estar subjacente o que escrevo, embora inconscientemente ao facto de ser defensor do inerculturalismo e n\u00e3o do multiculturalismo.<\/p>\n<p>(2) Teria muito mais a dizer, mas fica aqui um desafio para me envolverem na promo\u00e7\u00e3o desta realidade que \u00e9 o bilinguismo, ainda n\u00e3o presente na consci\u00eancia dos mais respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>(3) Ler tamb\u00e9m o meu artigo em: http:\/\/blog.comunidades.net\/justo<br \/>no Arquivo de Outubro n\u00famero 2, 2005 e o artigo no mesmo blog colocado em Novembro passado sob o t\u00edtulo \u201cBilinguismo. <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n<p><span class=\"texto\">                  <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De crian\u00e7as binacionais a pessoas biculturais \/ interculturais Muitas vezes as crian\u00e7as filhas de imigrantes s\u00e3o intituladas e definidas na subcategoria de \u201cEstrangeiras\u201d. Vivem numa situa\u00e7\u00e3o discriminat\u00f3ria e coerciva entre os outros, a maioria, com consequ\u00eancias determinantes no seu processo de aprendizagem, na sua biografia. 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