{"id":1109,"date":"2007-11-17T10:23:00","date_gmt":"2007-11-17T09:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1109"},"modified":"2007-11-17T10:23:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:23:00","slug":"a-descoberta-da-feminidade%e2%80%a6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1109","title":{"rendered":"\u00c0 descoberta da feminidade\u2026"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\"> Nas par\u00f3quias as mulheres podem organizar liturgias espec\u00edficas para elas. Esta possibilidade \u00e9 por\u00e9m pouco praticada. A oferta de liturgias para mulheres \u00e9 uma necessidade evidente, tal como para outros grupos.<\/p>\n<p>As comunidades locais n\u00e3o d\u00e3o resposta aferida \u00e0s necessidades e \u00e0s expectativas duma comunidade cada vez mais diferenciada.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o episcopal alem\u00e3, atrav\u00e9s da <b>investiga\u00e7\u00e3o Sinus-Milieu-Studie, constatou com inquieta\u00e7\u00e3o que as par\u00f3quias apenas d\u00e3o resposta a 4 dos 10 milieux existentes na sociedade, definidos pela sociologia.<\/b><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m muitas expectativas na liturgia n\u00e3o s\u00e3o correspondidas nem se encontram aferidas \u00e0s necessidades hodiernas. Para isso pessoas e grupos ter\u00e3o que anunciar as suas necessidades nos locais que frequentam. Se as comunidades n\u00e3o perder a relev\u00e2ncia social e humana que tinham em s\u00e9culos passados, ter\u00e3o de dar resposta \u00e0s necessidades hodiernas do ser humano a caminho, transformando-se em albergues do esp\u00edrito, tal como os albergues surgidos para as necessidades corporais nos tempos medievais.<\/p>\n<p>Hoje muitos grupos procuram sossego, estabilidade e confian\u00e7a na religi\u00e3o esperando uma espiritualidade da experi\u00eancia interior e o sentimento de perten\u00e7a. Tamb\u00e9m as mulheres querem interferir e ser tomadas a s\u00e9rio como mulheres em situa\u00e7\u00f5es concretas, querem o acesso feminino a Deus. Querem participar da miss\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o da igreja na sociedade n\u00e3o s\u00f3 duma maneira subsidi\u00e1ria. Seria miopia criar entraves ao carisma feminino, \u00e0 mulher.<\/p>\n<p>Em muitas par\u00f3quias os p\u00e1rocos t\u00eam ainda uma linguagem e um agir demasiado masculinos n\u00e3o considerando a realidade feminina nas liturgias dominicais. Um argumento tipicamente macho poder\u00e1 rezar: elas v\u00e3o \u00e0 igreja para rezar, para se encontrarem com Deus e n\u00e3o para seguir o padre; Deus est\u00e1 para l\u00e1 do masculino e do feminino. Geralmente segue-se a in\u00e9rcia da rotina; o p\u00e1roco preocupa-se apenas com a prepara\u00e7\u00e3o, quando muito, da homilia e o conselho paroquial com as festas e aquisi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>                        <b>Liturgia de mulheres para mulheres<\/b><br \/>As mulheres est\u00e3o mais viradas para a troca de experi\u00eancias sobre a sua vida religiosa, e a espiritualidade.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio do Vaticano II tentou com a sua exig\u00eancia \u201cpartipatio actuosa\u201d colocar uma perspectiva nova na liturgia da comunidade. Sugere uma celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria na multiplicidade de pap\u00e9is lit\u00fargicos.<\/p>\n<p>O movimento da teologia feminina levou muitas mulheres a criar uma liturgia feminina. Esta est\u00e1 ligada a uma compreens\u00e3o de teologia feminina (RadfordRuether e Elisabeth Sch\u00fcssler Fiorenza, Mary Hunt e Diann Neu) baseada na liberta\u00e7\u00e3o da mulher e na emancipa\u00e7\u00e3o de mecanismos de submiss\u00e3o. H\u00e1 a necessidade de se libertarem da domin\u00e2ncia masculina e oficial.<\/p>\n<p>A liturgia feminina obedece mais a crit\u00e9rios de partilha de autoridade e de divis\u00e3o de tarefas. No seu agir n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 em vista o produto, o fim, mas ao mesmo tempo o processo, a caminhada. H\u00e1 um equil\u00edbrio e rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre processo e produto. Al\u00e9m disso, nessa liturgia est\u00e1 tamb\u00e9m presente a experi\u00eancia da opress\u00e3o como motivadora para a mudan\u00e7a e cria\u00e7\u00e3o de estruturas mais justas na sociedade e na igreja.<\/p>\n<p>Uma liturgia feminina \u00e9 um servi\u00e7o lit\u00fargico de mulheres, com mulheres para mulheres.<br \/>Nela se tornam vis\u00edveis as fases e situa\u00e7\u00f5es da vida da mulher. A\u00ed experimentam Deus a partir da sua personalidade e experi\u00eancia pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Tais liturgias partem do seu mundo: da vida aqui e agora. Elas querem viver afinadas com a vida na unidade de pensar, sentir e agir. O homem \u00e9 mais dicot\u00f3mico, mais dial\u00e9ctico, normalmente chega-lhe o \u201corgasmo\u201d intelectual ou parcial em qualquer outro sector da vida fora da vis\u00e3o do todo. Elas falam da experi\u00eancia. Querem uma espiritualidade n\u00e3o s\u00f3 do esp\u00edrito mas tamb\u00e9m do corpo.<\/p>\n<p>A sua prontid\u00e3o para participar activamente e o consequente empenho possibilita-lhes, atrav\u00e9s da viv\u00eancia processual, o assumir a direc\u00e7\u00e3o da liturgia, mesmo para aquelas que parecem mais meditativas ou retra\u00eddas.<\/p>\n<p>Tais celebra\u00e7\u00f5es s\u00f3 podem ser celebradas como liturgia da palavra atendendo que a ordena\u00e7\u00e3o ainda se continuar a limitar \u00e0 parte masculina do ser humano. Elas realizam as liturgias por for\u00e7a da sua espiritualidade.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de liturgias femininas n\u00e3o quer dizer concorr\u00eancia com as outras celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. A experi\u00eancia da vida e a sua espiritualidade certamente colaborar\u00e3o para a renova\u00e7\u00e3o de muitas celebra\u00e7\u00f5es domingueiras demasiado formais.<\/p>\n<p>A comunidade local ter\u00e1 que dispor dum grande leque de ofertas para poder dar resposta adequada \u00e0 pluralidade de necessidades e de dons. Ter\u00e1 que haver espa\u00e7o tamb\u00e9m para o secular especialmente no \u00e2mbito da arte e de express\u00f5es espec\u00edficas. A comunidade paroquial ter\u00e1 que se tornar express\u00e3o da realidade humana no seu todo e no seu espec\u00edfico. Doutro modo desintegrar-se-\u00e1 da vida deixando de dar impulsos \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>    <b>No encal\u00e7o da feminidade, a grande chance de futuro<\/b><br \/>Uma nova consci\u00eancia implicar\u00e1 a descoberta dos carismas femininos. Os seus carismas t\u00eam estado na reserva, debaixo do alqueire. A vis\u00e3o integral ter\u00e1 de incluir na realidade, a perspectiva feminina superando a vis\u00e3o unilateral polar masculina que at\u00e9 hoje domina intolerante. N\u00e3o se trata de traduzir apenas o vocabul\u00e1rio masculino para o feminino, isso seria hip\u00f3crita. A nossa sociedade \u00e9 de cima a baixo masculina. Talvez os transsexuais sejam um protesto, o sinal da necessidade da mudan\u00e7a, da integra\u00e7\u00e3o da feminidade a nossa vida e nas estruturas sociais e de pensamento.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a linguagem de Deus ter\u00e1 uma express\u00e3o mais feminina na par\u00f3quia e a compet\u00eancia social aumentar\u00e1. Os servi\u00e7os lit\u00fargicos institucionalizados tornar-se-\u00e3o mais vivos, mais vida e menos desobriga. Vai sendo tempo da institui\u00e7\u00e3o acordar do sono da Bela Adormecida. A maternidade de Deus ainda soa estranha para uma mentalidade que abusa e padece do abuso do p\u00f3lo masculino.<\/p>\n<p>A necessidade da reestrutura\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 evidente: a necessidade cria o \u00f3rg\u00e3o! \u2026<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio  Justo<br \/>Te\u00f3logo<br \/>\u201cPegadas do tempo\u201d                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas par\u00f3quias as mulheres podem organizar liturgias espec\u00edficas para elas. Esta possibilidade \u00e9 por\u00e9m pouco praticada. A oferta de liturgias para mulheres \u00e9 uma necessidade evidente, tal como para outros grupos. 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