{"id":11057,"date":"2026-06-19T11:45:36","date_gmt":"2026-06-19T10:45:36","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11057"},"modified":"2026-06-19T11:53:57","modified_gmt":"2026-06-19T10:53:57","slug":"carta-aberta-ao-presidente-da-republica-ao-parlamento-e-a-todas-as-instituicoes-ainda-empenhadas-na-sustentabilidade-da-cultura-milenaria-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11057","title":{"rendered":"CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA REP\u00daBLICA, AO PARLAMENTO E A TODAS AS INSTITUI\u00c7\u00d5ES AINDA EMPENHADAS NA SUSTENTABILIDADE DA CULTURA MILEN\u00c1RIA PORTUGUESA"},"content":{"rendered":"<p><em>A mem\u00f3ria dos antepassados n\u00e3o \u00e9 um fardo do passado, mas a b\u00fassola do futuro. Integrar sem apagar, abrir sem se perder, construir com a sabedoria de quem nos precedeu, \u00e9 o que move o desafio perene que vos traz esta carta. Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados e Institui\u00e7\u00f5es da Na\u00e7\u00e3o, \u00e9 a v\u00f3s que me dirijo, na certeza de que a integra\u00e7\u00e3o plena do passado e do presente \u00e9 o \u00fanico caminho para edificarmos uma sociedade verdadeiramente humana e universal.<\/em><\/p>\n<p>A verdadeira integra\u00e7\u00e3o nunca se edifica sobre os escombros da cultura que pretende abra\u00e7ar. Quando, em nome de uma pretensa abertura, se suprime a identidade que nos define, o que se obt\u00e9m n\u00e3o \u00e9 coes\u00e3o, mas sim uma fratura silenciosa e profunda. \u00c9 precisamente este o cerne da quest\u00e3o que op\u00f5e o Presidente da Rep\u00fablica, Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro, ao decreto do Parlamento e que exp\u00f5e, de forma crua, o embate entre a defesa do interesse coletivo e a imposi\u00e7\u00e3o de agendas ideol\u00f3gicas fragment\u00e1rias.<\/p>\n<p>Em junho, o Chefe de Estado vetou o diploma que visava proibir o hastear de bandeiras &#8220;de natureza ideol\u00f3gica, partid\u00e1ria ou associativa&#8221; nos edif\u00edcios p\u00fablicos. Sob o argumento aparentemente plaus\u00edvel de que o texto encerra conceitos vagos e que as causas humanit\u00e1rias ou ambientais gozam de acolhimento constitucional, o Presidente oferece, na verdade, um flanco perigoso: o da relativiza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio s\u00edmbolo m\u00e1ximo da Na\u00e7\u00e3o. Ao fazer t\u00e1bua rasa da distin\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 estruturante e o que \u00e9 acess\u00f3rio, ele e as for\u00e7as que o apoiam abrem caminho para que a bandeira nacional seja remetida para um plano secund\u00e1rio, enquanto os estandartes sect\u00e1rios ocupam o espa\u00e7o p\u00fablico, sem resist\u00eancia e sem pudor.<\/p>\n<p>Ora, a bandeira de Portugal n\u00e3o \u00e9 um mero peda\u00e7o de pano; \u00e9 a condensa\u00e7\u00e3o viva da nossa liberdade democr\u00e1tica, da autoconfian\u00e7a do Estado de Direito social e da mem\u00f3ria coletiva de um povo. Critic\u00e1-lo por, de forma velada, alinhar com um ide\u00e1rio globalista ma\u00e7\u00f3nico e contest\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 uma acusa\u00e7\u00e3o leviana; \u00e9 constatar que a conten\u00e7\u00e3o interior que \u00e9 a base de qualquer estabilidade, se desvanece quando a totalidade \u00e9 colocada ao mesmo n\u00edvel da exce\u00e7\u00e3o. Quem det\u00e9m a for\u00e7a da totalidade sabe integrar a diferen\u00e7a sem a exaltar de modo a humilhar a maioria silenciosa que se rev\u00ea na tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a afirma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria baseada apenas no \u00edmpeto emocional, como a que se v\u00ea nos recintos desportivos, comove, mas fomenta um nacionalismo abstrato e est\u00e9ril, desligado da vida real do povo. A verdadeira lealdade \u00e0 P\u00e1tria n\u00e3o se esgota no grito, mas radica na continuidade de uma heran\u00e7a cultural que nos precede e nos ultrapassa. Nenhum esfor\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o triunfar\u00e1 se, em seu nome, se reprimir a cultura pr\u00f3pria ou se menosprezar o pend\u00e3o que nos congrega. Cabe perguntar, em que podem os cidad\u00e3os basear-se, se os seus valores mais caros forem sacrificados no altar da sensibilidade ativista? N\u00e3o podemos, por respeito a minorias ef\u00e9meras, abdicar da nossa matriz civilizacional, nem t\u00e3o-pouco diluir todos os valores num relativismo que iguala o todo \u00e0 particularidade de um dia.<\/p>\n<p>O Presidente deve ao pa\u00eds uma explica\u00e7\u00e3o cabal sobre esta aparente submiss\u00e3o \u00e0s correntes &#8220;woke&#8221;. Colocar as bandeiras ideol\u00f3gicas ao mesmo n\u00edvel da bandeira nacional n\u00e3o \u00e9 um gesto de pluralismo; \u00e9 um ato de desrespeito pela coletividade e pela cultura portuguesa. Esse zelo desmesurado, longe de revelar toler\u00e2ncia, denuncia uma confus\u00e3o estrat\u00e9gica que alimenta o caos simb\u00f3lico, com o claro prop\u00f3sito de relativizar tudo o que nos \u00e9 sagrado. Por detr\u00e1s desta posi\u00e7\u00e3o, adivinha-se a a\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que atuam contra a integridade da Na\u00e7\u00e3o, banalizando o seu g\u00e9nio hist\u00f3rico para o entregar, sem defesas, \u00e0s voragens do globalismo mais raso. Para tal, recorrem ao desmantelamento sistem\u00e1tico dos s\u00edmbolos e das tradi\u00e7\u00f5es que floresceram na Europa e que constituem a nossa singularidade.<\/p>\n<p>\u00c9 profundamente desolador constatar que j\u00e1 n\u00e3o se distingue a regra da excep\u00e7\u00e3o. A excep\u00e7\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima, mas quando \u00e9 al\u00e7ada \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de regra, deixa de enriquecer o todo para passar a destru\u00ed-lo. Este \u00e9 o cerne da trag\u00e9dia que se anuncia: a invers\u00e3o de valores, onde o acess\u00f3rio prevalece sobre o estruturante e o ef\u00e9mero se sobrep\u00f5e ao perene.<\/p>\n<p>Em nome da Raz\u00e3o, que exige clareza e hierarquia; e em nome do Cora\u00e7\u00e3o, que pulsa pela dignidade do nosso povo, urge que Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro e os representantes do Parlamento reflitam sobre o legado que pretendem deixar. A integra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o respeita a alma de uma Na\u00e7\u00e3o est\u00e1 condenada ao fracasso, pois uma P\u00e1tria que se envergonha dos seus s\u00edmbolos \u00e9 uma P\u00e1tria que prepara, em sil\u00eancio, a sua pr\u00f3pria dissolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com os profundos votos de que a lucidez prevale\u00e7a sobre a moda ideol\u00f3gica,<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mem\u00f3ria dos antepassados n\u00e3o \u00e9 um fardo do passado, mas a b\u00fassola do futuro. Integrar sem apagar, abrir sem se perder, construir com a sabedoria de quem nos precedeu, \u00e9 o que move o desafio perene que vos traz esta carta. 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