{"id":1105,"date":"2007-11-17T10:22:00","date_gmt":"2007-11-17T09:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1105"},"modified":"2007-11-17T10:22:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:22:00","slug":"luta-por-um-simbolo-luta-por-uma-religoiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1105","title":{"rendered":"Luta por um S\u00edmbolo &#8211; Luta por uma Religoi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>O len\u00e7o (v\u00e9u) para a cabe\u00e7a<\/b><br \/>Na R. F. da Alemanha acentua-se o conflito em torno do uso do len\u00e7o por funcion\u00e1rias de religi\u00e3o isl\u00e2mica. Os estados da Baviera, do Baden W\u00fcrttenberg e de Hessen preparam uma lei para proibir o uso do len\u00e7o da cabe\u00e7a a professoras no exerc\u00edcio da sua fun\u00e7\u00e3o escolar.<br \/>Na discuss\u00e3o aqui na Alemanha manifestam-se principalmente aqueles que reduzem o len\u00e7o a um bocado de pano e falam de intoler\u00e2ncia e de rassismo e aqueles que temem perder as aquisi\u00e7\u00f5es da sociedade laica. Escondem-se por detr\u00e1s das argumenta\u00e7\u00f5es principalmente lutas de duas concep\u00e7\u00f5es: a duma ordem ocidental questionada e a de uma ordem isl\u00e2mica tabu. De premeio muitos descontentes com a ordem ocidental (com argumentos s\u00f3lidos contra o turbo-capitalismo) e que v\u00eaem na quest\u00e3o uma oportunidade para atacarem o poder estabelecido e alguns preocupados com a rela\u00e7\u00e3o Estado-Pessoa.<br \/>Indirectamente est\u00e1 em quest\u00e3o um Isl\u00e3o, que se encontra ainda na sua Idade M\u00e9dia, e a que falta a experi\u00eancia dum renascimento humanista, e duma contesta\u00e7\u00e3o protestante renovadora e dum certo iluminismo purificador. Tradicionalistas defendem um isl\u00e3o entrincheirado num colectivismo ideol\u00f3gico contra tudo o que cheire a individua\u00e7\u00e3o ou modernidade. Usam-no como instrumento e sinal da propaga\u00e7\u00e3o fundamentalista. Pretendem que todas as mulheres sejam obrigadas a trazer o len\u00e7o, como testemunho da \u00fanica ordem reconhecida, a isl\u00e2mica.<br \/>Naturalmente que \u00e0s mulheres n\u00e3o devem ser reduzidos os j\u00e1 de si escassos direitos a n\u00edvel p\u00fablico! Seria por\u00e9m ing\u00e9nuo reduzir o porte do len\u00e7o a um testemunho pessoal quando, na Europa, os mais agressivos defensores do v\u00e9u e do Ghetto s\u00e3o muitas vezes pessoas (homens) acad\u00e9micas motivadas por uma missiona\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-religiosa que instrumentaliza o len\u00e7o e as mulheres para os seus fins.<br \/>O princ\u00edpio da neutralidade do estado \u00e9 uma pr\u00e1tica n\u00e3o aceite pelos estados mu\u00e7ulmanos dado que o Isl\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o pol\u00edtica com uma forma de estado que \u00e9 a teocracia sendo insepar\u00e1vel a religi\u00e3o do estado.Ele compreende-se como um corpo e define-se na demarca\u00e7\u00e3o cultural. Direitos humanos individuais e seculariza\u00e7\u00e3o, tais com s\u00e3o conhecidos nas sociedades ocidentais s\u00e3o-lhe estranhos e inaceit\u00e1veis. A religi\u00e3o do Cor\u00e3o reduz o homem a ser religioso sendo a religi\u00e3o ao memo tempo a forma de vida, uma ordem pol\u00edtica que envolve e obriga moralmente a pessoa na sua totalidade e nas suas ac\u00e7\u00f5es e tende para o totalitarismo, como escreve o escritor marroquino Ben Jelloun. \u00c9 natural que o princ\u00edpio da neutralidade \u00e9 uma espada de dois gumes e question\u00e1vel desde que haja proibi\u00e7\u00e3o ou obriga\u00e7\u00e3o de qualquer coisa. O princ\u00edpio de neutralidade numa civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 tamb\u00e9m pode correr o risco de ser descriminador da maioria&#8230;<br \/>Seja embora verdade que perante a lei devam ser todos tratados segundo o princ\u00edpio de igualdade n\u00e3o se pode justificar a equipara\u00e7\u00e3o de ideologias e religi\u00f5es at\u00e9 porque neste aspecto o Cor\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com a Constitui\u00e7\u00e3o do estado alem\u00e3o, tal como afirma Peter Scholl-Latour, grande conhecedor do mundo isl\u00e2mico. O porte de len\u00e7o por professoras iria contra a Constitui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do estado que defende a igualdade de direitos dos sexos. Os tradicionalistas n\u00e3o reconhecem poder superior ao isl\u00e3o, pelo que o porte do len\u00e7o pode ser testenunho do n\u00e3o reconhecimento da Constitui\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a ser funcion\u00e1rio do estado.<br \/>O len\u00e7o \u00e9 muitas vezes marca de diferencia\u00e7\u00e3o social e ideol\u00f3gica. \u00c9 s\u00edmbolo de intoler\u00e2ncia religiosamente motivada. \u00c9 um s\u00edmbolo com efeito pol\u00edtico. \u00c9 sinal de coac\u00e7\u00e3o e de viol\u00eancia( cfr. Talibans, Ir\u00e3o, etc.), \u00e9 s\u00edmbolo de retrocesso, de repress\u00e3o da mulher e sinal da rejei\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental e da modernidade. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que ainda hoje \u00e9 pro\u00edbido o uso do len\u00e7o em reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas na Turquia.<br \/>O len\u00e7o \u00e9 sinal da rela\u00e7\u00e3o dos sexos que se revela na separa\u00e7\u00e3o estrita da esfera privada da esfera p\u00fablica e que se expressa no encobrimento da mulher, subjugada \u00e0 privada. Representa a fun\u00e7\u00e3o de guarda dos homens. O Cor\u00e3o (sura 4,38) diz que os homens s\u00e3o superiores \u00e0s mulheres e gozam de preced\u00eancia (2,228) perante Deus. Segundo o direito isl\u00e2mico o homem para se divorciar basta que diga tr\u00eas vezes a f\u00f3rmula \u201ceu divorcio-me de ti\u201d perante a mulher, enquanto que a mulher para o fazer tem de o declarar perante um tribunal. Uma palavra do homem vale por duas da mulher. Um homem de religi\u00e3o isl\u00e2mica pode casar-se com uma mulher n\u00e3o isl\u00e2mica, porque a religi\u00e3o se transmite automaticamente do pai para filhos, n\u00e3o da m\u00e3e; a mulher s\u00f3 pode casar-se com homem mu\u00e7ulmano. Por isso muitos alem\u00e3es se v\u00eaem obrigados a converter-se e at\u00e9 a circuncisarem-se para poderem casar com mulheres turcas. (Naturalmente que a circuncis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exclusivado do mundo \u00e1rabe, ela pode refectir um aspecto cultural, como tamb\u00e9m pode ser usada como meio de identifica\u00e7\u00e3o e de demaraca\u00e7\u00e3o).<br \/>Embora o uso do len\u00e7o n\u00e3o seja espec\u00edfico s\u00f3 dos meios isl\u00e2micos, ele \u00e9 revindicado por fan\u00e1ticos como sinal da f\u00e9 isl\u00e2mica e meio de controlo dum g\u00e9nero enfraquecido religiosa e culturalmente. A mulher pertence \u00e0 esfera privada e o homem \u00e9 quem domina. A individualidade da mulher tem que desaparecer na massa. Que fizeram os homens isl\u00e2micos do seu sinal de reconhecimento isl\u00e2mico p\u00fablico, o turbante?<br \/>O Cor\u00e3o (24,31 e 33,59) fala do encobrimento da mulher para que \u201cn\u00e3o sejam importunadas e sejam reconhecidas\u201d. Ao contr\u00e1rio do que acontecia no mundo \u00e1rabe onde a mulher era totalmente indefesa e sem direitos, hoje o homem j\u00e1 est\u00e1 mais civilizado e educado, n\u00e3o precisando a mulher de ser defendida desse modo.<br \/>Um debate baseado num idealismo ing\u00e9nuo que coloca a toler\u00e2ncia acima de todos os outros valores seria fatal para a democracia e mesmo contra o desenvolvimento do Isl\u00e3o porque apoiaria os extremistas dando raz\u00e3o aos retr\u00f3grados que obrigam as mulheres a trazerem o len\u00e7o e que defendem o gheto e o apartheid dos sexos. A compara\u00e7\u00e3o entre cruxifixo e len\u00e7o como s\u00edmbolos religiosos \u00e9 errada. O direito de liberdade de opini\u00e3o n\u00e3o pode ser princ\u00edpio justificador suficiente da veracidade de uma conclus\u00e3o, nem qualquer compara\u00e7\u00e3o \u00e9 automaticamente leg\u00edtima.<br \/>\u00c9 compreens\u00edvel o medo de muitos mu\u00e7ulmanos perante uma sociedade que perdeu muitos dos seus valores tradicionais e que apresenta muitos sinais de decad\u00eancia. Alguns argumentam que \u201co cristianismo falhou\u201d n\u00e3o querendo eles incorrer nos mesmos \u201cerros\u201d. A falta de valores expressa na falta de espinha dorsal, na desmontagem da fam\u00edlia, na instrumentaliza\u00e7\u00e3o da mulher como objecto sexual, bairros de lata, cultura de sexo pervertido, drogas, trabalhar at\u00e9 cair e uma atitude antireligiosa, s\u00e3o elementos que apelam ao instinto de pessoas religiosas de outras culturas a refugiarem-se no seu Ghetto e na sua verdade \u00fanica; refugiam-se em pr\u00e1ticas externas conscientes de que a toler\u00e2ncia apregoada mais n\u00e3o \u00e9 que uma fraqueza duma sociedade de si j\u00e1 decadente. Nestes meios h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o suficiente para tudo: \u201do Ocidente \u00e9 o culpado de tudo\u201d&#8230; Toler\u00e2ncia tem os seus limites, n\u00e3o devendo capitular perante a intoler\u00e2ncia. Enquanto que na sociedade ocidental, o valor do indiv\u00edduo, o estado de direito e a liberdade s\u00e3o valores constitucionais sagrados, no isl\u00e3o o indiv\u00edduo s\u00f3 tem consist\u00eancia dentro do grupo n\u00e3o tendo o direito \u00e0 individualidade; o estatuto da mulher est\u00e1 na depend\u00eancia do homem. O Cor\u00e3o, como \u00e9 interpretado hoje, \u00e9 contra qualquer fundamento da ordem democr\u00e1tica livre.<br \/>Na discuss\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter em conta o fomento de um isl\u00e3o moderno. Seria anacr\u00f3nico voltar \u00e0 Idade M\u00e9dia, cendendo a uma intoler\u00e2ncia que exige toler\u00e2ncia. Na nossa sociedade h\u00e1 crentes democratas que se riem dos valores crist\u00e3os e precisamente esses mesmos revelam-se como puros apologetas de tradi\u00e7\u00f5es obsuletas, considerando tradi\u00e7\u00f5es culturais como valores superiores aos valores individuais da pessoa., refugiando-se numa casu\u00edstica de defesa de valores secund\u00e1rios em desfavor dos valores principais que deveriam ser inalien\u00e1veis da pessoa humana. Naturalmente que, para muitos homens, n\u00e3o \u00e9 irrelevante o facto de que a moderniza\u00e7\u00e3o do isl\u00e3o ter\u00e1 como consequ\u00eancia o retrocesso de um machismo ideal priveligiado e ainda protegido na sociedade isl\u00e2mica onde a lei do mais forte parece pervalecer. Naturalmente que a lei do mais forte prevalece tamb\u00e9m no turbo-capitalismo onde o factor religioso \u00e9 mais visto como factor de distrac\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata aqui de defender um turbo-capitalismo interessado no seu dom\u00ednio geo-estrat\u00e9gico sobre as regi\u00f5es isl\u00e2micas ricas em \u00f3leo, nem de aceitar o imperialismo dum isl\u00e3o hegem\u00f3nico e agressivo, baseado num Cor\u00e3o contradit\u00f3rio em que os fins justificam os meios. Trata-se de estarmos atentos \u00e0 luta das culturas que instrumentalizam as pessoas em nome de quaisquer princ\u00edpios ou sistemas. Sob uma perspectiva religiosa e de luta intercultural \u00e9 compreens\u00edvel uma luta quase desesperada dum mundo instintivamenete religioso que se v\u00ea questionado por um turbo-capitalismo que n\u00e3o respeita valores culturais e define o homem apenas como factor e resultado do trabalho. Uns lutam por uma golbaliza\u00e7\u00e3o unilateralmente econ\u00f3mica, outros combatem por um islamismo global.<br \/>O problema n\u00e3o estar\u00e1 certamente no len\u00e7o que mulheres possam trazer, mas sim nas ideias que se escondem debaixo das cabe\u00e7as tapadas pelos len\u00e7os e nos seus fomentadores. Certo ser\u00e1 que o desenvolvimento do Isl\u00e3o e a liberta\u00e7\u00e3o dum isl\u00e3o machista actual s\u00f3 poder\u00e1 ser alcan\u00e7ado com uma revolu\u00e7\u00e3o iniciada pela mulher isl\u00e2mica. \u00c9 importante apoiar os movimentos das mulheres isl\u00e2micas que lutam contra as peias impostas subrepticiamente por uma sociedade macho. Zafer Senocak no seu livro \u201cZungenentfernung\u201d diz que o \u201cencobrimento da mulher \u00e9 o s\u00edmbolo duma tradi\u00e7\u00e3o intacta dum sistema dominado pelo homem\u201d. (1)<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<br \/>Tel.0049 561 407783<br \/>E-mail: A.C.Justo@t-online.de<\/p>\n<p>(1) Num mundo em que o homem se torna cada vez mais explorador do homem, \u00e9 importante que as religi\u00f5es se tornem as garantes do Homem e da sua dignidade. Naturalmente que n\u00e3o sou culturalmente eunuco, defendo uma defesa intransigente dos valores humanistas, das liberdades pessoais, da igualdade de direitos entre homens e mulheres de todas as ra\u00e7as e de todos os credos, como aprendi no meu meio familiar e nos Salesianos onde recebi grande parte da minha forma\u00e7\u00e3o humanista. \u00c9 dif\u00edcil escrever-se sem ferir sensibilidades religiosas; a luta por\u00e9m pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e fraterna n\u00e3o deve poupar as institui\u00f5es religiosas na consci\u00eancia por\u00e9m que estas s\u00e3o necess\u00e1rias mas em processo. <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O len\u00e7o (v\u00e9u) para a cabe\u00e7aNa R. F. da Alemanha acentua-se o conflito em torno do uso do len\u00e7o por funcion\u00e1rias de religi\u00e3o isl\u00e2mica. 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