{"id":11006,"date":"2026-06-05T16:52:40","date_gmt":"2026-06-05T15:52:40","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11006"},"modified":"2026-06-05T16:52:40","modified_gmt":"2026-06-05T15:52:40","slug":"o-globalismo-esta-a-ser-a-inversao-do-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=11006","title":{"rendered":"O GLOBALISMO EST\u00c1 A SER A INVERS\u00c3O DO CRESCIMENTO"},"content":{"rendered":"<p><em>Globalismo \u00e9 o poder que, dissolvendo o org\u00e2nico, desconstr\u00f3i a pessoa e as sociedades na exacta medida da sua invers\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma patologia oculta no cora\u00e7\u00e3o do globalismo contempor\u00e2neo: a invers\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o natural do crescimento humano.<\/strong> <strong>Toda a civiliza\u00e7\u00e3o que floresceu organicamente construiu-se de baixo para cima, da aldeia \u00e0 p\u00f3lis, da fam\u00edlia \u00e0 na\u00e7\u00e3o, do indiv\u00edduo \u00e0 humanidade. O que hoje nos \u00e9 proposto n\u00e3o \u00e9 crescimento, \u00e9 engenharia, desconstru\u00e7\u00e3o e desnatura\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>O globalismo vigente, na sua express\u00e3o mais acabada, pressup\u00f5e que o mundo possa ser administrado como um mercado. N\u00e3o \u00e9 uma tese nova, \u00e9 o velho sonho da gest\u00e3o total, o pesadelo que Tocqueville antecipou como &#8220;despotismo suave&#8221;: um poder imenso e tutelar que n\u00e3o destr\u00f3i radicalmente, mas que impede. Impede que nas\u00e7am coisas novas. Impede que os povos se reconhe\u00e7am a si mesmos, impede que o indiv\u00edduo se torne pessoa soberana e consciente. <strong>Os governantes s\u00e3o transformados em meros administradores, aplicadores de agendas e directrizes e os parlamentos reduzidos a instrumentos do \u201csim, senhor\u201d!<\/strong><\/p>\n<p><strong>O corpo social org\u00e2nico n\u00e3o nasce de cima; germina nas ra\u00edzes. Quando se inverte esta ordem, n\u00e3o se obt\u00e9m uma comunidade, obt\u00e9m-se uma clientela.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A alian\u00e7a estranha que governa este projeto \u00e9 a do capitalismo liberalista com o dirigismo socialista: dois absolutismos que partilham, no fundo, o mesmo desprezo pelo particular, pelo local, pelo irredut\u00edvel da pessoa humana. Um vende; o outro formata. Juntos, produzem o consumidor ideal: dependente, vigiado, e convencido de que escolhe livremente.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O instrumento invis\u00edvel desta nova governa\u00e7\u00e3o \u00e9 o algoritmo. <\/strong>\u00c9 orwelliano n\u00e3o por ser brutal at\u00e9 porque a brutalidade seria reconhec\u00edvel, resist\u00edvel, mas por ser am\u00e1vel, personalizado, inconsciente de si mesmo, torna-se estrat\u00e9gico na metodologia de produzir \u201ccidad\u00e3os\u201d servi\u00e7ais<strong>. <\/strong>O algoritmo n\u00e3o censura com decreto, mas silencia por omiss\u00e3o e pela interven\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas nele para que as redes sociais n\u00e3o questionem o arco do poder. N\u00e3o pro\u00edbe, mas tamb\u00e9m n\u00e3o mostra. <strong>Assim se constr\u00f3i a ortodoxia prepotente: n\u00e3o pela for\u00e7a, mas pela curvatura do espa\u00e7o em que o pensamento se pode mover.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o demogr\u00e1fica exp\u00f5e a contradi\u00e7\u00e3o mais crua do sistema. A queda da natalidade, fen\u00f3meno profundamente ligado \u00e0 precariedade existencial, ao adiamento do sentido, \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es, \u00e9 respondida com importa\u00e7\u00e3o humana. Como se uma pessoa descontextualizada, arrancada \u00e0 sua terra por necessidade e n\u00e3o por voca\u00e7\u00e3o, pudesse substituir a continuidade cultural de um povo<\/strong>. N\u00e3o se trata aqui de xenofobia, trata-se de reconhecer que nenhum ser humano \u00e9 produto substitu\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>A resposta que as popula\u00e7\u00f5es t\u00eam dado e que a nomenclatura europeia classifica precipitadamente de &#8220;extremismo&#8221;, \u00e9, na sua ess\u00eancia, um grito de reconhecimento. O extremismo n\u00e3o nasce do nada; nasce sempre como resposta a outro extremismo, o de uma governa\u00e7\u00e3o que deixou de reconhecer o seu povo como sujeito e o trata como objeto de gest\u00e3o. Os partidos que hoje assustam as elites s\u00e3o o espelho inc\u00f3modo do que essas elites criaram.<\/strong><\/p>\n<p>A sa\u00edda n\u00e3o est\u00e1 na condena\u00e7\u00e3o da realidade, mas sim na sua compreens\u00e3o. Compreender exige o que os Gregos chamavam gn\u00f3thi seaut\u00f3n: conhece-te a ti mesmo. Cada na\u00e7\u00e3o, cada cultura, cada pessoa que sente este mal-estar difuso tem de reconhecer em si mesma a origem de todo o mal e de todo o bem. N\u00e3o para se absolver, mas para se tornar capaz de agir.<\/p>\n<p><strong>A alternativa ao globalismo que desumaniza n\u00e3o \u00e9 o fechamento que empobrece, \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de uma ordem verdadeiramente subsidi\u00e1ria, onde o universal se edifica a partir do particular, e n\u00e3o contra ele. Onde se constroem f\u00e1bricas nos pa\u00edses de origem em vez de explorar a pobreza alheia. Onde a democracia n\u00e3o \u00e9 formato, mas sim subst\u00e2ncia viva.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Globalismo \u00e9 o poder que, dissolvendo o org\u00e2nico, desconstr\u00f3i a pessoa e as sociedades na exacta medida da sua invers\u00e3o. H\u00e1 uma patologia oculta no cora\u00e7\u00e3o do globalismo contempor\u00e2neo: a invers\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o natural do crescimento humano. 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