{"id":10988,"date":"2026-06-01T20:29:51","date_gmt":"2026-06-01T19:29:51","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10988"},"modified":"2026-06-01T20:29:51","modified_gmt":"2026-06-01T19:29:51","slug":"a-mina-e-a-todas-as-criancas-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10988","title":{"rendered":"\u00c0 MINA E A TODAS AS CRIAN\u00c7AS DO MUNDO"},"content":{"rendered":"<div>\n<div class=\"xyinxu5 xyri2b x1g2khh7 x1c1uobl\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>No dia em que a inf\u00e2ncia nos lembra quem somos<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 um tipo de luz que n\u00e3o vem do sol; vem dos olhos de uma crian\u00e7a quando te olha como se fosses o mundo inteiro. \u00c9 uma luz sem filtro, sem medo, sem hist\u00f3ria que a manche. \u00c9 o mundo como ele era antes de aprendermos a ter pressa e a correr atr\u00e1s da sombra dos outros.<\/p>\n<p>Penso na Mina e ao pensar nela, vejo-a em cada crian\u00e7a que ainda n\u00e3o aprendeu a fingir, que ri com o corpo todo, que chora sem vergonha, que ama sem condi\u00e7\u00f5es nem com segundas inten\u00e7\u00f5es. Mina tem sete anos e uma sabedoria que a maioria de n\u00f3s perdeu algures entre a inf\u00e2ncia e a idade adulta.<\/p>\n<p>\u00c0s m\u00e3es que constroem o primeiro fundamento firme, esse colo que \u00e9 o ber\u00e7o da coragem, o meu louvor mais fundo. Mina recebeu todo o amor e dedica\u00e7\u00e3o que uma m\u00e3e pode dar a uma crian\u00e7a e uma crian\u00e7a que cresce no aconchego cresce com ra\u00edzes. Tais ra\u00edzes s\u00e3o o que nos permite, um dia, dobrar sem partir.<\/p>\n<p>H\u00e1 dias, a Mina fitou-me nos olhos. N\u00e3o disse nada com a boca, mas disse tudo: <em>eu n\u00e3o sou um projeto teu, sou vida que j\u00e1 acontece, presente e inteira.<\/em> Ela \u00e9 testemunha de algo que os adultos complicam: que a riqueza da vida est\u00e1 no come\u00e7o, no agora, no simples. Algo que se expressa de forma diferente em cada esta\u00e7\u00e3o, mas come\u00e7a sempre ali, na pureza de quem ainda n\u00e3o sabe ter medo de amar.<\/p>\n<p>Depois sentou-se numa escrevaninha e desenhou. A\u00ed, com l\u00e1pis de cor e com vontade, pintou-nos aos dois: ela e eu, de olhos arregalados para a vida. E no canto da folha, com a letra ainda irregular, mas absolutamente certa, escreveu: \u00a0&#8220;Vov\u00f4, eu amo-te.&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 frases que n\u00e3o cabem num papel e esta \u00e9 uma delas. Transbordou e chegou ao meu peito e ficou l\u00e1, bem aquecida.<\/p>\n<p>Noutro dia, eu estava diante do computador, esse altar moderno onde sacrificamos o presente em nome do urgente e eu passo a vida a escrever. A Mina chegou, ficou \u00e0 porta do meu escrit\u00f3rio e disse com uma calma que envergonha:<\/p>\n<p>&#8220;Queria brincar contigo. Mas n\u00e3o quero que venhas se n\u00e3o puderes.&#8221;<\/p>\n<p>Sete anos que falam assim. Sete anos e j\u00e1 sabe que o amor n\u00e3o se pede \u00e0 for\u00e7a e n\u00e3o se mendiga. Oferece-se e respeita. H\u00e1 adultos que levam d\u00e9cadas a aprender isso. Mas Mina j\u00e1 sabia. (Minha querida, \u00e9s um amor e ensinas-me tanto da vida!)<\/p>\n<p>Por isso, neste dia que \u00e9 de todas as crian\u00e7as, o meu abra\u00e7o mais genu\u00edno vai para a Mina e, nela, para cada pequeno ser que ainda olha o mundo de olhos luminosos e com espanto. Que as crian\u00e7as nos lembrem, a n\u00f3s adultos distra\u00eddos, que o brilho n\u00e3o se perde com os anos. Apenas se esquece e esquecer, felizmente, tem cura.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pegadas do Tempo<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia em que a inf\u00e2ncia nos lembra quem somos H\u00e1 um tipo de luz que n\u00e3o vem do sol; vem dos olhos de uma crian\u00e7a quando te olha como se fosses o mundo inteiro. \u00c9 uma luz sem filtro, sem medo, sem hist\u00f3ria que a manche. \u00c9 o mundo como ele era antes de &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10988\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">\u00c0 MINA E A TODAS AS CRIAN\u00c7AS DO MUNDO<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,16],"tags":[],"class_list":["post-10988","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10988"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10988\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10989,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10988\/revisions\/10989"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}