{"id":1097,"date":"2007-11-17T10:18:00","date_gmt":"2007-11-17T09:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1097"},"modified":"2007-11-17T10:18:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:18:00","slug":"timor-leste-visao-da-problematica-contextual-em-1999","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1097","title":{"rendered":"Timor-Leste: Vis\u00e3o da problem\u00e1tica contextual em 1999"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\"><b>Raz\u00f5es da Indiferen\u00e7a Alem\u00e3 perante o Genoc\u00eddio do Povo Timorense<\/b><br \/>A Indon\u00e9sia com uma popula\u00e7\u00e3o de 210 milh\u00f5es de habitantes, distribu\u00eddos por 9.000 ilhas, \u00e9 um mercado muito atractivo para o Ocidente. Em 1945 tornou-se independente. Outrora havia no pa\u00eds 61 povos, 360 etnias e 250 L\u00ednguas. Para efeitos de identidade foi criada artificialmente a l\u00edngua indon\u00e9sia e estendida a todo o pa\u00eds. A unidade do povo \u00e9 for\u00e7ada atrav\u00e9s de repress\u00e3o e da incrementa\u00e7\u00e3o do isl\u00e3o como religi\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o nacional. O governo indon\u00e9sio tem mesmo um Minist\u00e9rio para a Transmigra\u00e7\u00e3o que p\u00f5e em pr\u00e1tica a pol\u00edtica de coloniza\u00e7\u00e3o interna para desintegrar etnias tal como fez em 1975 aquando da ocupa\u00e7\u00e3o de Timor, enviando colonos mu\u00e7ulmanos para l\u00e1 com o fim de desinstabilizar uma regi\u00e3o com uma certa influ\u00eancia crist\u00e3; na altura 35% dos habitantes eram cat\u00f3licos que conviviam com as religi\u00f5es autoctones .<br \/>Durante a guerra fria fez parte da estrat\u00e9gia pol\u00edtica do Ocidente criar na \u00c1sia do sudeste um contrapeso contra a China. A Indon\u00e9sia, anti-comunista, torna-se membro dos pa\u00edses neutros (Bloco Livre). Assim p\u00f4de intervir brutalmente, sem ser incomodada por outras na\u00e7\u00f5es, contra v\u00e1rios povos no pa\u00eds e desde 1975 praticar em Timor Loro Sae das maiores barbaridades deste s\u00e9culo criando l\u00e1 o maior desemprego (70%) e a maior mortalidade do mundo. Como membro dos estados ASIAN renuncia ao armamento at\u00f3mico sendo um \u201epequeno tigre\u201c da regi\u00e3o com o maior aumento de armas e com grande aumento militar embora n\u00e3o tenha inimigos naturais.<br \/>A Indon\u00e9sia \u00e9 um forte parceiro comercial da Alemanha (em 1997 a export\u00e7\u00e3o da Alemanha para l\u00e1 atingiu 5,2 bili\u00f5es de Marcos). Exporta principalmente armas: Submarinos, navios-tanque, carros-blindados, etc. Um relat\u00f3rio da BRD em 1996 relativo ao fornecimento de armamento \u00e0 Indon\u00e9sia refere 600 fornecimentos nos \u00faltimos dez anos, sendo a Alemanha, depois da USA, o segundo fornecedor de armas da Indon\u00e9sia. Os alem\u00e3es est\u00e3o tamb\u00e9m muito integrados nas ind\u00fastrias principais do pa\u00eds: ind\u00fastria metal\u00fargica (Preusak), ind\u00fastria autom\u00f3vel (Ford alem\u00e3), construc\u00e7\u00e3o de avi\u00f5es, etc.<br \/>Por iniciativa do Governo Federal Alem\u00e3o a Indon\u00e9sia, apesar do genuc\u00eddio cont\u00ednuo em Timor, foi riscada da \u201eLista Negra\u201c da Comiss\u00e3o da ONU para os Direitos Humanos. A ONU, por\u00e9m, n\u00e3o reconheceu a anexa\u00e7\u00e3o de Timor-Leste pela Indon\u00e9sia. No que respeitava a Timor Leste a Alemanha abstinha-se sempre do voto, na ONU. Jovens timorenses que &#8220;ocuparam&#8221; embaixadas estrangeiras na Indon\u00e9sia (isto \u00e9, que saltaram por cima dos muros da embaixada e desenrolaram transparentes em que manifestavam as suas exig\u00eancias no que respeita aos direitos humanos e \u00e0 independ\u00eancia), foram entregues \u00e0 pol\u00edcia indon\u00e9sia pelas embaixadas da Alemanha e da Fran\u00e7a. Outras embaixadas mandavam-nos para Portugal onde recebim asilo pol\u00edtico.<br \/>No que respeita ao exporte de armamento a Indon\u00e9sia \u00e9 equiparada \u00e0 NATO, sendo t\u00e3o f\u00e1cil exportar para l\u00e1 armamento como para a Fran\u00e7a. Carros-blindados alem\u00e3es da Mercedes foram usados pelos militares indon\u00e9sios em massacres contra a popula\u00e7\u00e3o civil de Timor(cfr. Documenta\u00e7\u00e3o de jornalistas australianos). Agentes da pol\u00edcia e oficiais indon\u00e9sios s\u00e3o formados na Alemanha (\u00faltimo exemplar importante foi o genro de Suharto). Em Setembro de 1998 tornou-se p\u00fablico que o ex\u00e9rcito federal ambiciona fazer do ex\u00e9rcito indon\u00e9sio uma forte armada.<br \/>Do Movimento para a Paz na Alemanha n\u00e3o se pode esperar nada, ele est\u00e1 paralisado. Falta-lhe vida, convic\u00e7\u00e3o e parece burocratizar-se, dando a entender que a sua estrat\u00e9gia ser\u00e1 organizar-se como mediador entre parceiros em lit\u00edgio. O seu destino e ideais parecem andar ligados aos dos Verdes.<br \/>Um outro aspecto que explica o desinteresse nos massacres em Timor, \u00e9 a ideologia do Movimento 68 que via no isl\u00e3o a religi\u00e3o dos oprimidos e no cristianismo a religi\u00e3o dos colonializadores-opressores.<br \/>Por um lado, os M\u00e9dia alem\u00e3es de voca\u00e7\u00e3o popular s\u00e3o consensuais, informam normalmente sob uma perspectiva economicista nacional, na base de uma moral utilitarista. Por outro lado, o Governo, aspira assumir mais responsabilidades a n\u00edvel mundial, prisioneiro por\u00e9m da mesma mundivis\u00e3o, n\u00e3o se decide a tempo, hesita na ajuda a prestar, vendo-se obrigado a marcar presen\u00e7a desatempadamente, correndo atr\u00e1s dos acontecimentos. Este agir est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com a posi\u00e7\u00e3o que a Alemanha quer assumir internacionalmente. O assumir de responsabilidade exige capacidade e vontade de empenho num perspectiva que transponha a Alemanha.<br \/>No meio de tudo isto a Indon\u00e9sia usa a ambiguidade como estrat\u00e9gia pol\u00edtica: para o exterior fala de \u201eUnidade na Pluralidade\u201c e internamente pratica a repress\u00e3o e a descrimina\u00e7\u00e3o das etnias, especialmente dos \u201esem Deus\u201c que no sentido isl\u00e2mico s\u00e3o os que n\u00e3o pertencem a uma religi\u00e3o do livro. A extin\u00e7\u00e3o de etnias, a repress\u00e3o de religi\u00f5es e o fomento do isl\u00e3o como factor de identifica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds fazem parte da sua pol\u00edtica maquiav\u00e9lica. Por raz\u00f5es \u00f3bvias o Ocidente n\u00e3o est\u00e1 interessado em observar o que se passa e quer mesmo acreditar nas declara\u00e7\u00f5es falaciosas da Indon\u00e9sia.<br \/>A dupla-moral da Alemanha e dos M\u00e9dia no tratamento hist\u00e9rico do Kosovo e no ignorar de Timor mostra claramente que o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es humanit\u00e1rias mas puramente econ\u00f3micas. Sintom\u00e1tico foi o facto, de, a princ\u00edpio, o ministro dos neg\u00f3cios estrangeiros (Fischer) se mostrar muito preocupado com o problema da \u201edesinstabiliza\u00e7\u00e3o da Indon\u00e9sia\u201c&#8230; A opini\u00e3o de que se deve renunciar a uma pol\u00edtica exterior \u201emoralizadora\u201c, tendo em conta os interesses econ\u00f3micos, \u00e9 miope, desumana e autodestruidora. Ou ser\u00e1 que o sangue dos outros ter\u00e1 de ser a energia b\u00e1sica para o prosperar da nossa economia? Uma economia que fecha os olhos aos atropelos contra os Direitos Humanos e a ditatura atrai\u00e7oa a pr\u00f3pria cultura e significa a desagrega\u00e7\u00e3o da mesma, n\u00e3o podendo reclamar para si o respeito de valores humanistas nem assumir responsabilidades de caracter universal.<br \/>Ao concedermos \u00e0 intoler\u00e2ncia o direito a ser tolerada destruimos a toler\u00e2ncia e o estado de direito tal como aconteceu na Weimarer Republik.<\/p>\n<p><b>Uma  refer\u00eancia hist\u00f3rica<\/b><\/p>\n<p>Timor Leste compreende a parte oriental da ilha, bem como a ilha de Ata\u00faro, o ilh\u00e9u de Jaco e o enclave de Oc-Cusse num total de 19.000 Kms quadrados,tendo em 1975 uma popula\u00e7\u00e3o de 700.000 habitantes . No mar entre Timor Leste e a Austr\u00e1lia h\u00e1 uma das grandes reservas petrol\u00edferas do mundo. . No fim do tempo do colonialismo, Timor Leste era um pa\u00eds pouco desenvolvido embora fosse rico em cobre, petr\u00f3leo, carv\u00e3o e madeira de s\u00e2ndalo.<br \/>Timor-Leste pertenceu a Portugal desde o s\u00e9culo XVI at\u00e9 1975. Os timorenses n\u00e3o se sentiram,duma maneira geral, oprimidos no tempo da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa. Esta \u00e9 resultado duma pol\u00edtica de assimila\u00e7\u00e3o baseada no facto dos recursos humanos, militares, econ\u00f3micos e culturais de Portugal serem muito limitados. Portugal, exportara para Timor um regime feudal baseado numa autoridade central colaboradora ora mais com uns r\u00e9gulos locais ora mais com outros beneficiando tamb\u00e9m ela do colonialismo interno dos r\u00e9gulos e suas influ\u00eancias. Muitos timorenses converteram-se desde muito cedo ao catolicismo; em 1975 a popula\u00e7\u00e3o era constitu\u00edda por 35% de cat\u00f3licos subindo em pouco tempo, ap\u00f3s a invas\u00e3o indon\u00e9sia para 90% da popula\u00e7\u00e3o. Este fen\u00f3meno mostra bem a necessidade deste povo em apresentar o cristianismo como express\u00e3o\/factor da sua identifica\u00e7\u00e3o e sinal da sua vontade de auto-determina\u00e7\u00e3o esperando exasperadamente da Igreja, como institui\u00e7\u00e3o, aquilo que as outras institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o queriam reconhecer: o direito a serem diferentes, a serem eles mesmos.<br \/>           Na mitologia dos timorenses, os portugueses aparecem como irm\u00e3os.<br \/><b>O fim do colonialismo portugu\u00eas<\/b><br \/>Depois do 25 de Abril, Portugal deixou Timor bem como a maioria das outras col\u00f3nias em liberdade (por vezes irrespons\u00e1velmente abandonadas a si mesmas). Ent\u00e3o, em Timor Leste surgiram dois partidos: a UDT (Uni\u00e3o Democr\u00e1tica de Timor), que defendia uma federa\u00e7\u00e3o com Portugal e a FRETILIN (Fronte Revolucion\u00e1ria de Timor Leste Independente) que aspirava \u00e0 independ\u00eancia depois de 5 anos de transi\u00e7\u00e3o. A APODETI (Associa\u00e7\u00e3o Popular Democr\u00e1tica de Timor)- um partido sem resson\u00e2ncia no povo, que pretendia a unifica\u00e7\u00e3o com a Indon\u00e9sia.<br \/>          A Indon\u00e9sia reclama para si o direito \u00e0 posse da ilha.<br \/>Entretanto s\u00f3 a FRETILIN conseguiu apresentar um programa para o desenvolvimento pol\u00edtico e social de Timor. No dia 28 de Novembro de 1975 proclama a &#8220;Rep\u00fablica Democr\u00e1tica de Timor Leste&#8221; para se op\u00f4r a uma invas\u00e3o da Indon\u00e9sia. Como n\u00e3o podia esperar apoio de Portugal nem da Austr\u00e1lia, s\u00f3 lhe restava a hip\u00f3tese de se proclamar independente para assim poder levantar a sua voz autorizada na O.N.U e tentar atrav\u00e9s da Na\u00e7\u00f5es Unidas impedir a invas\u00e3o. A Tanzania, a Arg\u00e9lia, Angola e Mo\u00e7ambique reconheceram o novo estado. A ONU exigiu a retirada dos indon\u00e9sios de Timor Leste mas sem resultado. A proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia n\u00e3o conseguiu bloquear o mecanismo de guerra indon\u00e9sio.<br \/><b><br \/>A invas\u00e3o indon\u00e9sia<\/b><\/p>\n<p>No dia 7 de Dezembro de 1975, a Indon\u00e9sia invadiu Timor Leste iniciando um grande genoc\u00eddio que continua at\u00e9 hoje (directa ou indirectamente mais de 200.000 mortos). Os militares isolaram a ilha do resto do mundo, destruiram as colheitas e proibiram o cultivo dos campos para vencerem a resist\u00eancia do povo atrav\u00e9s da fome. Duma popula\u00e7\u00e3o constituida por 700.000 habitantes morrem j\u00e1 nos primeiros meses entre 60.000 e 100.000 timorenses.<br \/>Uma grande parte da popula\u00e7\u00e3o fugiu para o interior montanhoso da ilha. As FALINTIL (For\u00e7as Armadas de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional de Timor Leste \u2013Tamb\u00e9m chamadas FRETILIN) na sua luta armada, apoiadas pela popula\u00e7\u00e3o, difamadas por colaboradores indon\u00e9sios como um punhado de &#8220;rebeldes&#8221;, tornaram-se a express\u00e3o desesperada e o grito dum povo lesado nos seus direitos e nas aspira\u00e7\u00f5es a ser Pa\u00eds. Em Setembro de 1978 no massacre de Fatumaca os soldados indon\u00e9sios mataram ca. de 5.000 pessoas depois de terem violado as mulheres \u00e0 vista das suas fam\u00edlias. Em 1979 as autoridades indon\u00e9sias prometeram uma amnestia para aqueles que capitulassem. Muitos deixaram o seu esconderijo devido \u00e0 fome e ao desespero, mas os ocupantes mataram 10.000 civis e membros da FRETILIN, que tinham confiado na promessa de amnestia<br \/>Em 1979 a maioria dos sobreviventes sofria de mal\u00e1ria, hepatite e tuberculose e quase todos sofriam de subalimenta\u00e7\u00e3o devido \u00e0 pol\u00edtica da Indon\u00e9sia de esfomear o povo. O governo da Indon\u00e9sia elaborou um programa para esteriliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada do povo de Timor.<br \/>Apesar da repress\u00e3o e do esfor\u00e7o indon\u00e9sio na constru\u00e7\u00e3o de estradas para os militares mais f\u00e1cilmente poderem atingir o interior, o governo indon\u00e9sio n\u00e3o conseguiu vencer a resist\u00eancia do povo maubere. Em Mar\u00e7o de 1983 o governo acordou um armist\u00edcio com a FRETILIN, mas j\u00e1 em Agosto do mesmo ano a ilha era atacada por 35.000 soldados indon\u00e9sios. As obras de caridade e assist\u00eanica foram expulsas e impossibilitada a visita a estrangeiros para n\u00e3o haver testemunhos das atrocidades. Uma paz dos cemit\u00e9rios adquirida \u00e0 base duma pol\u00edtica de pacifica\u00e7\u00e3o compulsiva adquirida \u00e0 custa da morte, desterro, tortura, massacres, viola\u00e7\u00e3o de mulheres,desaparecidos e de colaboradores mesmo crist\u00e3os que por interesses pessoais ou para n\u00e3o terem de recear vingan\u00e7as ou a perda de certos privil\u00e9gios se v\u00eaem na necessidade de repudiar publicamente o movimento timorense.<br \/>Ximenes Belo desde 1983 bispo de Dilli capital de Timor-Leste relatava ent\u00e3o: &#8220;A soldadesca indon\u00e9sia que nos rouba a nossa liberdade e destr\u00f3i a nossa cultura trata-nos como c\u00e3es sarnosos. Justi\u00e7a \u00e9 para eles um termo estranho. Os indon\u00e9sios mant\u00eam-nos como escravos&#8230;em Timor h\u00e1 uma paz aparente apenas \u00e0 superf\u00edcie&#8230;de facto na ilha reina o p\u00e2nico&#8230; por toda a ilha se encontram soldados e pol\u00edcias indon\u00e9sios&#8230; eles fazem pris\u00f5es arbitr\u00e1rias tanto de dia como de noite &#8230;eles podem torturar e matar porque sabem que nada ser\u00e1 conhecido no exterior&#8230; todos os dias ouvimos falar de novos desaparecidos n\u00e3o se sabendo o que acontece com eles&#8230;vive-se numa inseguran\u00e7a cont\u00ednua&#8230;se na ilha h\u00e1 paz, como afirmam as autoridades indon\u00e9sias, porque \u00e9 que n\u00e3o deixam jornalistas estrangeiros visitar Timor-Leste?&#8230;n\u00f3s esperamos uma solu\u00e7\u00e3o humana pac\u00edfica e democr\u00e1tica para o problema de Timor-Leste&#8221;. Para se ter uma imagem da brutalidade indon\u00e9sia em Timor basta recordar que em 1991 no dia em que timorenses se juntaram para protestar pac\u00edficamente e rezar no cemit\u00e9rio de Santa Cruz em Dilli por dois timorenses assassinados pelos soldados indon\u00e9sios, estes, ent\u00e3o, dispararam sobre a multid\u00e3o matando 500 timorenses. Xanana Gusm\u00e3o, chefe da resist\u00eancia armada, s\u00edmbolo do povo amorda\u00e7ado \u00e9 aprisionado em 1992 e encerrado nas masmorras indon\u00e9sias.<\/p>\n<p><b>Uma nova era?<\/b><\/p>\n<p>A designa\u00e7\u00e3o de D. Ximenes Belo e de Ramos Horta em 1996 com o Pr\u00e9mio Nobel da Paz p\u00f4s a quest\u00e3o de Timor na ordem do dia, a n\u00edvel internacional. A 30.08.99 sob a observa\u00e7\u00e3o da ONU realizou-se um referendo com uma participa\u00e7\u00e3o de 98,6% dos eleitores timorenses, votando 78,5% pela independ\u00eancia. Mais uma vez o Povo Maubere mostra de maneira decidida o que quer. A Pol\u00edtica Internacional que n\u00e3o estava interessada na quest\u00e3o ficou surpreendida vindo-se obrigada agora a reagir. Sabidos os resultados a 4 de Setembrode imediato, as mil\u00edcias, armadas pela Indon\u00e9sia, matam 20.000 pessoas (segundo informa\u00e7\u00e3o da igreja cat\u00f3lica), 60.000 s\u00e3o deportados (segundo a ACNUR \u2013ONU). Dili, a capital, \u00e9 destru\u00edda; Jornalistas, embaixadores e organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias s\u00e3o expulsas; escolas, igrejas e a Cruz Vermelha Internacional s\u00e3o destru\u00eddas, padres e freiras s\u00e3o assassinados. A ONU que tinha deixado o povo Maubere \u00e0 merc\u00ea dos indon\u00e9sios v\u00ea-se agora obrigada a intervir&#8230;<br \/>Enquanto Portugal vive o problema de Timor at\u00e9 \u00e0 histeria a Alemanha dorme e engorda (pensando) pensando j\u00e1 no neg\u00f3cio que a \u00c1sia potencializa.Para o ministro dos neg\u00f3cios estrangeiros alem\u00e3o n\u00e3o conta a justi\u00e7a mas o direito dos mais fortes e os interesses econ\u00f3micos em quest\u00e3o. Apesar de tudo os timornses vencer\u00e3o. Tamb\u00e9m David ganhou contra Golias.<\/p>\n<p> Ant\u00f3nio Justo                                    2 de Outubro de 1999<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raz\u00f5es da Indiferen\u00e7a Alem\u00e3 perante o Genoc\u00eddio do Povo TimorenseA Indon\u00e9sia com uma popula\u00e7\u00e3o de 210 milh\u00f5es de habitantes, distribu\u00eddos por 9.000 ilhas, \u00e9 um mercado muito atractivo para o Ocidente. Em 1945 tornou-se independente. Outrora havia no pa\u00eds 61 povos, 360 etnias e 250 L\u00ednguas. 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