{"id":1096,"date":"2007-11-17T10:18:00","date_gmt":"2007-11-17T09:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1096"},"modified":"2007-11-17T10:18:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:18:00","slug":"timor-lesterelembrando-a-luta-pela-liberdade-dste-pais-irmao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1096","title":{"rendered":"Timor-Leste:Relembrando a luta pela liberdade dste pa\u00eds irm\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    TIMOR-LESTE: UM TESTEMUNHO A PESAR NA CONSCI\u00caNCIA DO MUNDO<\/p>\n<p>                               Pr\u00e9mio Nobel da Paz 1996<\/p>\n<p>Em Outubro de 1996 foi atribu\u00eddo o pr\u00e9mio Nobel da Paz, a D.Carlos Filipe Ximenes Belo,salesiano, bispo de Dili e a Jos\u00e9 Ramos Horta, tamb\u00e9m ele timorense,representante no exterior da Resit\u00eancia timorense.<br \/>At\u00e9 a\u00ed, Timor era uma ilha esquecida do mundo. Poucos souberam do genoc\u00eddio que a\u00ed aconteceu ou n\u00e3o quiseram saber! Portugal, apesar duma pol\u00edtica de descoloniza\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel, foi uma excep\u00e7\u00e3o: tentou chamar a aten\u00e7\u00e3o do mundo para os acontecimentos em Timor-Leste desde que a Indon\u00e9sia invadiu a antiga col\u00f3nia portuguesa.<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria de opress\u00e3o<\/p>\n<p>Desde 1975 a brutalidade e a repress\u00e3o indon\u00e9sia j\u00e1 provocou a morte a mais de 200 000 timorenses, numa tentativa de esmagar a voz dum povo que h\u00e1 20 anos luta pelo direito \u00e0 auto-determina\u00e7\u00e3o.<br \/>Timor Leste compreende a parte oriental da ilha, bem como a ilha de Ata\u00faro, o ilh\u00e9u de Jaco e o enclave de Oc-Cusse num total de 19.000 Kms quadrados,tendo em 1975 uma popula\u00e7\u00e3o de 700.000 habitantes . No mar entre Timor Leste e a Austr\u00e1lia h\u00e1 uma das grandes reservas petrol\u00edferas do mundo.<br \/>Timor-Leste pertenceu a Portugal desde o s\u00e9culo XVI at\u00e9 1975. Os timorenses n\u00e3o se sentiram,duma maneira geral, oprimidos no tempo da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa. Esta \u00e9 resultado duma pol\u00edtica de assimila\u00e7\u00e3o baseada no facto dos recursos humanos, militares, econ\u00f3micos e culturais de Portugal serem muito limitados. Portugal, pa\u00eds de brandos costumes exportara para Timor um regime feudal baseado numa autoridade central colaboradora ora mais com uns r\u00e9gulos locais ora mais com outros beneficiando tamb\u00e9m ela do colonialismo interno dos r\u00e9gulos e suas influ\u00eancias. Muitos timorenses converteram-se desde muito cedo ao catolicismo; em 1975 a popula\u00e7\u00e3o era constitu\u00edda por 35% de cat\u00f3licos subindo em pouco tempo, ap\u00f3s a invas\u00e3o indon\u00e9sia para 90% da popula\u00e7\u00e3o.Este fen\u00f3meno mostra bem a necessidade deste povo em apresentar o cristianismo como express\u00e3o\/factor da sua identifica\u00e7\u00e3o e sinal da sua vontade de auto-determina\u00e7\u00e3o esperando exasperadamente da Igreja, como institui\u00e7\u00e3o, aquilo que as outras institui\u00e7\u00f5es humanas n\u00e3o querem reconhecer: o direito a serem diferentes, a serem eles mesmos.<br \/> Na mitologia dos timorenses, os portugueses aparecem como irm\u00e3os.<\/p>\n<p>O fim do colonialismo portugu\u00eas<\/p>\n<p>Depois do 25 de Abril, Portugal deu a liberdade \u00e0 sua col\u00f3nia no oceano \u00edndico bem como \u00e0 maioria das outras col\u00f3nias. Ent\u00e3o, em Timor Leste surgiram dois partidos: a UDT (Uni\u00e3o Democr\u00e1tica de Timor), que defendia uma federa\u00e7\u00e3o com Portugal e a FRETILIN (Fronte Revolucion\u00e1ria de Timor Leste Independente) que aspirava \u00e0 independ\u00eancia depois de 5 anos de transi\u00e7\u00e3o. Um partido chamado APODETI (Associa\u00e7\u00e3o Popular Democr\u00e1tica de Timor) que queria a unifica\u00e7\u00e3o com a Indon\u00e9sia, n\u00e3o teve resson\u00e2ncia no povo.<br \/>A Indon\u00e9sia reclama para si o direito \u00e0 posse da ilha. No fim do tempo do colonialismo, Timor Leste era um pa\u00eds pouco desenvolvido embora fosse rico em cobre, petr\u00f3leo, carv\u00e3o e madeira de s\u00e2ndalo. S\u00f3 a FRETILIN consequiu apresentar um programa para o desenvolvimento pol\u00edtico e social de Timor. No dia 28 de Novembro de 1975 proclamou a &#8220;Rep\u00fablica &#8211; 1-<br \/>Democr\u00e1tica de Timor Leste&#8221; para se op\u00f4r a uma invas\u00e3o da Indon\u00e9sia, dado n\u00e3o poder esperar apoio de Portugal nem da Austr\u00e1lia, pelo que s\u00f3 lhe restava a \u00fanica hip\u00f3tese de se proclamar independente para assim poder levantar a sua voz autorizada na O.N.U e tentar atrav\u00e9s da Na\u00e7\u00f5es Unidas impedir a invas\u00e3o. A Tanzania, a Arg\u00e9lia, Angola e Mo\u00e7ambique reconheceram o novo estado. A ONU exigiu a retirada dos indon\u00e9sios de Timor Leste mas sem resultado. A proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia n\u00e3o conseguiu bloquear o mecanismo de guerra indon\u00e9sio.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o pelos indon\u00e9sios e as suas consequ\u00eancias<\/p>\n<p>No dia 7 de Dezembro de 1975, a Indon\u00e9sia invadiu Timor Leste e come\u00e7ou um grande genoc\u00eddio que continua at\u00e9 hoje. Os militares mataram homens, mulheres e crian\u00e7as. Isolaram a ilha do resto do mundo, destruiram as colheitas e proibiram o cultivo dos campos para vencerem a resist\u00eancia do povo atrav\u00e9s da fome. Duma popula\u00e7\u00e3o constituida por 700.000 habitantes morreram j\u00e1 nos primeiros meses entre 60.000 e 100.000 timorenses.<br \/>Uma grande parte da popula\u00e7\u00e3o fugiu para o interior montanhoso da ilha. As FALINTIL (For\u00e7as Armadas de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional de Timor Leste) na sua luta armada, apoiadas pela popula\u00e7\u00e3o, difamadas por colaboradores indon\u00e9sios como um punhado de &#8220;rebeldes&#8221;, s\u00e3o a express\u00e3o talvez desesperada e o grito dum povo que se sente lesado no seu direito e nas suas aspira\u00e7\u00f5es a ser Pa\u00eds. Em Setembro de 1978 no massacre de Fatumaca os soldados indon\u00e9sios mataram ca. de 5.000 pessoas depois de terem violado as mulheres \u00e0 vista das suas fam\u00edlias. Em 1979 as autoridades indon\u00e9sias prometeram uma amnestia para aqueles que capitulassem. Muitos deixaram o seu esconderijo devido \u00e0 fome e ao desespero, mas os ocupantes mataram 10.000 civis e membros da FRETILIN, que tinham seguido a promessa de amnestia. Naturalmente que tamb\u00e9m houve aqueles que atentos \u00e0 oportunidade da situa\u00e7\u00e3o acederam e se tornaram colaboradores do regime de Jacarta obtendo privil\u00e9gios \u00e0 custa dos interesses da causa timorense e aqueles que tiveram mesmo que resignar devido \u00e0 for\u00e7a das circunst\u00e2ncias. Xana Gusm\u00e3o, chefe da resist\u00eancia armada, s\u00edmbolo do povo amorda\u00e7ado encontra-se prisioneiro nas masmorras indon\u00e9sias.<br \/>Como resultado da pol\u00edtida da fome seguida pela Indon\u00e9sia, em 1979 grassava grande fome. 80 % dos sobreviventes sofriam de mal\u00e1ria, hepatite e tuberculose e quase todos sofriam de subalimenta\u00e7\u00e3o. O governo da Indon\u00e9sia elaborou um programa para esteriliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada no povo de Timor-Leste.<br \/>Apesar de todas estas crueldades e repress\u00e3o e do esfor\u00e7o indon\u00e9sio na constru\u00e7\u00e3o de estradas para os militares mais f\u00e1cilmente poderem atingir o interior, o governo indon\u00e9sio n\u00e3o conseguiu vencer a resist\u00eancia do povo maubere. Em Mar\u00e7o de 1983 o governo acordou um armist\u00edcio com a FRETILIN, mas j\u00e1 em Agosto do mesmo ano a ilha foi atacada por 35.000 soldados indon\u00e9sios. As obras de assist\u00eanica foram expulsas e a visitantes estrangeiros raras vezes lhes foi permitido visitar a ilha.Uma paz dos cemit\u00e9rios adquirida \u00e0 base duma pol\u00edtica de pacifica\u00e7\u00e3o compulsiva adquirida \u00e0 custa da morte, desterro, tortura, massacres, viola\u00e7\u00e3o de mulheres,desaparecidos e de colaboradores mesmo crist\u00e3os que por interesses pessoais ou para n\u00e3o terem de recear vingan\u00e7as ou a perda de certos privil\u00e9gios se v\u00eaem na necessidade de repudiar publicamente o movimento timorense.<br \/>O bispo Ximenes Belo est\u00e1 empenhado na defesa dos direitos humanos e na forma\u00e7\u00e3o escolar e acad\u00e9mica do povo. Belo, timorense de 48 anos, desde 1983 bispo de Dilli capital de Timor-Leste afirma o seguinte: &#8220;A soldadesca indon\u00e9sia que nos rouba a nossa liberdade e destr\u00f3i a nossa cultura trata-nos como c\u00e3es sarnosos. Justi\u00e7a \u00e9 para eles um termo estranho. Os indon\u00e9sios mant\u00eam-nos como escravos&#8230;em Timor h\u00e1 uma paz aparente apenas \u00e0 superf\u00edcie&#8230;de facto na ilha reina o p\u00e1nico, por toda a ilha se encontram soldados e pol\u00edcias indon\u00e9sios&#8230; eles fazem pris\u00f5es arbitr\u00e1rias tanto de dia como de noite &#8230;eles podem torturar e matar porque sabem que nada ser\u00e1 conhecido no exterior&#8230; todos os dias ouvimos falar de<br \/>                                                                    -2-<br \/>novos desaparecidos n\u00e3o se sabendo o que acontece com eles&#8230;vive-se numa inseguran\u00e7a cont\u00ednua&#8230;se na ilha h\u00e1 paz, como afirmam as autoridades indon\u00e9sias, porque \u00e9 que n\u00e3o deixam jornalistas estrangeiros visitar Timor-Leste?&#8230;n\u00f3s esperamos uma solu\u00e7\u00e3o humana pac\u00edfica e democr\u00e1tica para o problema de Timor-Leste&#8221;. Para se ter uma imagem da brutalidade indon\u00e9sia em Timor basta recordar que em 1991 no dia em que timorenses se juntaram para protestar pac\u00edficamente e rezar no cemit\u00e9rio de Santa Cruz em Dilli por dois timorenses assassinados pelos soldados indon\u00e9sios, estes, ent\u00e3o, dispararam sobre a multid\u00e3o matando 500 timorenses.<\/p>\n<p>A RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL<\/p>\n<p>Um povo massacrado e o mundo fecha os olhos<br \/>A chave para a solu\u00e7\u00e3o do problema em Timor-Leste est\u00e1 nas m\u00e3os dos grandes pa\u00edses ocidentais que apoiam a Indon\u00e9sia, pol\u00edtica, econ\u00f3mica e militarmente. A Indon\u00e9sia com os seus 200 milh\u00f5es de habitantes \u00e9 um mercado muito atrativo para o Ocidente. A Alemanha \u00e9 o segundo fornecedor de armas para a Indon\u00e9sia. Jornalistas australianos documentaram coura\u00e7as de Mercedes em ac\u00e7\u00e3o em Dili, a capital de Timor Leste. At\u00e9 oficiais militares e da pol\u00edcia da Indon\u00e9sia foram formados pela Bundeswehr. Na ONU, a Alemanha abstem-se do voto no que respeita a Timor Leste. At\u00e9 hoje nunca tentou influenciar o governo indon\u00e9sio no sentido da defesa do direito do povo timorense \u00e0 auto-determina\u00e7\u00e3o. A mesma coisa fazem os Estados Unidos que s\u00e3o o fornecedor mais importante de armas para a Indon\u00e9sia. A Austr\u00e1lia interessada na m\u00e3o de obra barata da Indon\u00e9sia e em alcan\u00e7ar dividendos na partilha (entre ela e a Indon\u00e9sia) dos direitos \u00e0s reservas de petr\u00f3leo existentes entre Timor Leste e a a Austr\u00e1lia tamb\u00e9m se cala. Jovens timorenses que &#8220;ocuparam&#8221; embaixadas estrangeiras na Indon\u00e9sia (isto \u00e9, que saltaram por cima dos muros da embaixada e desenrolaram transparentes em que manifestavam as suas exig\u00eancias no que respeita aos direitos humanos e \u00e0 independ\u00eancia), foram entregues \u00e0 pol\u00edcia indon\u00e9sia pelas embaixadas da Alemanha e da Fran\u00e7a. Outras embaixadas mandam-nos para Portugal onde recebem asilo pol\u00edtico. \u00c9 um esc\u00e1ndalo que por iniciativa da Alemanha Federal, em 1986 Timor Leste tenha sido tirado da &#8220;lista negra&#8221; da Comiss\u00e3o dos Direitos do Homem da ONU, embora a ONU n\u00e3o reconhe\u00e7a a anexa\u00e7\u00e3o de Timor-Leste pela Indon\u00e9sia e a invas\u00e3o lese direitos internacionais. Apenas Portugal, as antigas col\u00f3nias portuguesas africanas e outros pa\u00edses do Terceiro Mundo defendem Timor Leste.<\/p>\n<p>A atitude do governo alem\u00e3o (: prot\u00f3tipo do agir do Ocidente)<\/p>\n<p>Depois da atribui\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9mio Nobel da Paz respectivamente ao bipo de Dilli D.Carlos Ximenes Belo, e ao representante da resist\u00eancia timorense no exterior, Ramos Horta, em Outubro de 1996, o \u00fanico coment\u00e1rio do governo alem\u00e3o foi de que &#8220;respeitava&#8221; a decis\u00e3o da Academia Sueca.<br \/>No dia 28 de Outubro de 96, Kohl visitou o seu amigo Suharto em Jacarta. Depois do encontro s\u00f3 disse \u00e0cerca de Timor-Leste, que tinha uma opini\u00e3o diferente da de Suharto no que respeita aos direitos humanos.<br \/>\u00c9 sintom\u00e1tico que o bispo Belo, um homem desejoso de harmonia e paz tenha recusado o convite de Kohl. O corajoso Bispo deu uma li\u00e7\u00e3o ao mundo ocidental ao n\u00e3o aceitar encontrar-se com o chanceler Kohl na Indon\u00e9sia. Carlos Belo foi meu colega nos Salesianos em Portugal. Por isso penso interpretar bem a sua atitude. Ao basear a sua recusa por motivos pastorais, ele contrabalan\u00e7a o valor da vida cultural dum povo \u00e0 hegemonia do econ\u00f3mico. Ele sabe bem que o que preocupa Kohl n\u00e3o \u00e9 a defesa do povo amea\u00e7ado e da cultura amea\u00e7ada de Timor-Leste mas sim meros interesses econ\u00f3micos. Al\u00e9m disso, se Belo tivesse aceitado o convite reconheceria indirectamente o dom\u00ednio da Indon\u00e9sia sobre Timor-Leste. A declara\u00e7\u00e3o de Kohl de que ele era por uma &#8220;solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica&#8221; do problema em Timor n\u00e3o deixa<br \/>                                                                        -3-<br \/>transparecer grande convic\u00e7\u00e3o e d\u00e1 a impress\u00e3o de ser apenas uma frase devida \u00e0 espectativa da opini\u00e3o p\u00fablico que esperava uma tomada de posi\u00e7\u00e3o pelo chanceler alem\u00e3o.Etretanto, no fim de Outubro o bispo Belo pediu ao chanceler alem\u00e3o Kohl a realiza\u00e7\u00e3o de um encontro entre os dois em Bona, aquando da sua desloca\u00e7\u00e3o a Oslo&#8230;<\/p>\n<p>Pol\u00edtica \u00e0 margem da moral?<\/p>\n<p>O bispo n\u00e3o pode aceitar que o mundo assista impassivo a tanta repress\u00e3o e ao facto da Indon\u00e9sia atrav\u00e9s duma pol\u00edtica sistem\u00e1tica de envio de colonos mu\u00e7ulmanos indon\u00e9sios para a regi\u00e3o, pretender, a longo prazo, amea\u00e7ar a identidade \u00e9tnico-cultural dos timorenses de Leste podendo, com o tempo, vir a reduzi-los a uma minoria no pr\u00f3prio pa\u00eds.<br \/>Os timorenses t\u00eam raz\u00e3o para se sentirem esquecidos e atrai\u00e7oados pela comunidade internacional. A desilus\u00e3o ainda se acentua mais pelo facto dos timorenses de Leste serem portadores duma tradi\u00e7\u00e3o de quase 500 anos de Cristianismo &#8211; portanto a sua cultura ter ra\u00edzes ocidentais.<br \/>Esta tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 agora aniquilada com o consentimento t\u00e1cito e at\u00e9 com a ajuda do mundo ocidental, \u00e0 maneira de Judas, apesar do sentir comum dos timorenses com o ocidente.<br \/>A opini\u00e3o corrente de que se deve renunciar a uma pol\u00edtica exterior moralisante porque os interesses nacionais das na\u00e7\u00f5es fortes do Ocidente s\u00e3o de caracter econ\u00f3mico \u00e9 m\u00edope desumana e redutora. N\u00e3o tem sentido que o ocidente chegue a ponto de trocar a sua cultura por um prato de lentilhas (tal como a figura b\u00edblica de Isa\u00fa que entrega ao irm\u00e3o Jacob os seus direitos e o seu futuro a troco dum prato de lentilhas). Se em nome da defesa do bem estar econ\u00f3mico ocidental e da defesa dos lugares de trabalho se est\u00e1 disposto a pagar um t\u00e3o alto pre\u00e7o incluindo a destrui\u00e7\u00e3o e infelicidade de um povo irm\u00e3o, n\u00e3o se poder\u00e1 reclamar para si o respeito valores \u00e9ticos de humanismo e de responsabilidade universais.<br \/>Uma economia de legitima\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que fecha os olhos \u00e0 viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e \u00e0 ditadura \u00e9 uma trai\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria cultura e traz em si mesma o germe da pr\u00f3pria desagrega\u00e7\u00e3o e da auto-destrui\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma sociedade decadente.<br \/>A partir de Janeiro de 1997 Portugal passar\u00e1 a ter assento no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. Esperemos que da\u00ed Portugal n\u00e3o perca a oportunidade para mover a comunidade internacional no sentido da causa timorense. O parlamento belga ao pronunciar-se, em Novembro p.p.,pela causa do povo timorense \u00e9 j\u00e1 um indicativo duma certa sensibiliza\u00e7\u00e3o e abertura para o problema.<br \/>De esperar seria que, entre os portugueses migrantes, surgisse alguma iniciativa para apoiar este povo. Tamb\u00e9m a escola e as associa\u00e7\u00f5es n\u00e3o deveriam ser alheias a esta responsabilidade. Os alunos portugueses, bem documentados, poder\u00e3o ser ve\u00edculo de informa\u00e7\u00e3o, nas escolas que frequentam, apresentando temas nas semana-projecto e exposi\u00e7\u00f5es nas aulas. De n\u00e3o desprezar seria o envio de cartas \u00e0s frac\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias dos parlamentos chamando-as \u00e0 aten\u00e7\u00e3o do que se passa e pedindo-lhes o respectivo empenhamento.<\/p>\n<p>                                                                                          1.12. 1996<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Justo<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TIMOR-LESTE: UM TESTEMUNHO A PESAR NA CONSCI\u00caNCIA DO MUNDO Pr\u00e9mio Nobel da Paz 1996 Em Outubro de 1996 foi atribu\u00eddo o pr\u00e9mio Nobel da Paz, a D.Carlos Filipe Ximenes Belo,salesiano, bispo de Dili e a Jos\u00e9 Ramos Horta, tamb\u00e9m ele timorense,representante no exterior da Resit\u00eancia timorense.At\u00e9 a\u00ed, Timor era uma ilha esquecida do mundo. 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