{"id":1094,"date":"2007-11-17T10:17:00","date_gmt":"2007-11-17T09:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1094"},"modified":"2007-11-17T10:17:00","modified_gmt":"2007-11-17T09:17:00","slug":"uma-nacao-que-tem-jogado-ao-25-de-abril-enquanto-a-banda-passa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=1094","title":{"rendered":"Uma na\u00e7\u00e3o que tem jogado ao 25 de Abril enquanto a banda passa!"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"texto\">                    <b>Insucesso Escolar em Portugal &#8211; Cantando e Rindo&#8230;<\/b><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o escolar em Portugal \u00e9 catastr\u00f3fica. Isto \u00e9-nos confirmado a n\u00edvel internacional pelo Estudo-PISA da OECD e pelos \u00faltimos dados estat\u00edsticos fornecidos pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o ( GLASE) sobre o insucesso escolar em Portugal nos \u00faltimos nove anos.<\/p>\n<p>Os resultados do Teste PISA que compara a n\u00edvel internacional o rendimento escolar dos alunos em 40 pa\u00edses tem sido sucessivamente um testemunho, a alto n\u00edvel, da inefici\u00eancia do nosso sistema escolar. Portugal ocupa na lista das na\u00e7\u00f5es um lugar baix\u00edssimo. Dos 40 pa\u00edses investigados em tr\u00eas sectores do saber, os alunos portugueses encontram-se no 30\u00b0 lugar em Matem\u00e1tica, 28\u00b0 em Leitura e 32\u00b0 em Ci\u00eancias Naturais.<\/p>\n<p>Dos valores apresentados pelo ME (GLASE) relativamente ao per\u00edodo que va\u00ed de 1994 a 2003, a gravidade da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 gritante. torna-se mais evidente atendendo aos destinos individuais n\u00e3o referidos. Assim, em 2003, do milh\u00e3o e meio de estudantes do ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio que frequentavam as escolas portuguesas, 280.000 alunos reprovavam. A percentagem de reten\u00e7\u00e3o escolar no ensino b\u00e1sico at\u00e9 ao 9\u00b0 ano foi constante (13%) nos 9 anos apresentados no estudo.<\/p>\n<p>A taxa de reten\u00e7\u00e3o e de desist\u00eancia no ensino secund\u00e1rio (10.\u00b0 ao 12.\u00b0) ainda foi maior, verificando-se uma m\u00e9dia de 34,33 % relativa ao per\u00edodo de refer\u00eancia. Um em cada tr\u00eas alunos chumba. Em 2003 mesmo 43,5 % dos alunos do 12\u00b0 n\u00e3o faziam todas as disciplinas , culminando o ensino tecnol\u00f3gico com 53,6 por cento de chumbos.<\/p>\n<p><b>Uma na\u00e7\u00e3o em agonia e ningu\u00e9m se interessa<\/b><\/p>\n<p>Uma cat\u00e1trofe a n\u00edvel individual e nacional se atendermos n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s v\u00edtimas do sistema, aos destinos individuais, como tamb\u00e9m aos preju\u00edzos n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f3micos nacionais aderentes \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. Para quem sabe ler, isto significa um atestado de incompet\u00eancia a todo o sistema escolar a n\u00edvel de estruturas e de recursos humanos. Uma hipoteca para o futuro num pa\u00eds que irresponsavelmente tem vivido para ingl\u00eas ver. Onde est\u00e1 a voz dos intelectuais, dos pol\u00edticos e dos jornalistas? Que prepara\u00e7\u00e3o levam os alunos para um mundo cada vez mais em mudan\u00e7a, mais competitivo e global? Quem sociedade suceder\u00e1 duma elite med\u00edocre portuguesa embu\u00e7ada?<\/p>\n<p>No estudo nota-se um desaferimento crasso na passagem de um ciclo para o outro: se no no fim do 1\u00b0 ciclo do Ensino B\u00e1sico (4\u00b0 ano) chumbam 8,4 %, no 5\u00b0 ano j\u00e1 chumbam 14,9%; no 6\u00b0 ano, fim do 2\u00b0 ciclo chumbam 14,6% e j\u00e1 no 7\u00b0ano,in\u00edcio do terceiro ciclo do Ensino B\u00e1sico, chumbam 24,4%; se no 9\u00b0 ano ficam retidos 15% j\u00e1 no in\u00edcio do Ensino Secund\u00e1rio, no 10\u00b0 ano chumbam 34,8%. Um factor imediatamente evidente nestes dados \u00e9 a falta de aferimnto e de d\u00ed\u00e1logo entre as escolas (ou ciclos) que passam os seus alunos dum estabelecimento ou dum ciclo para o outro. A m\u00e3o esquerda n\u00e3o sabe o que faz a direita.<\/p>\n<p>Os dados tanto da Administra\u00e7\u00e3o Portuguesa, como os da organiza\u00e7\u00e3o internacional respons\u00e1vel por PISA apontam para uma conclus\u00e3o, ou melhor, para um diagn\u00f3stico: uma administra\u00e7\u00e3o deficiente que se limita a administrar a mis\u00e9ria, uns sindicatos apenas interessados em defender os interesses pontuais da classe, uma classe pol\u00edtica irrespons\u00e1vel e uns respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o adormecidos, desatentos e desinteressados pelo futuro dos seus educandos e da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>De Crise em Crise : Tal Escola, Tal Na\u00e7\u00e3o <\/b><\/p>\n<p><b>Urg\u00eancia duma Comunidade Educativa<\/b><\/p>\n<p>Um dos grandes males das sociedades modernas \u00e9 a falta de disciplina e de conceitos concludentes. Se este \u00e9 um problema internacional a quest\u00e3o em Portugal eleva-se \u00e0 terceira pot\u00eancia. Vai sendo tempo de Portugal despertar e de olhar menos para os outros tal como fazia nos s\u00e9culos preparat\u00f3rios da nacionalidade e dos descobrimentos e investir na pr\u00f3pria identidade e assim poder dar novos mundos ao mundo. Deixemos de nos tornar cada vez mais estrangeirados para nos tornarmos mais portugueses, mais universais. A salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem de fora nem de ladainhas muitas vezes repetidas por ideologias j\u00e1 de segunda m\u00e3o. De fora t\u00eam vindo ideologias que encantam um povo desatento e que se v\u00ea na necessidade de se refugiar em festas de futebol e em orgias de fogos, para fugir \u00e0 realidade decadente consumidora. Apostemos nas ra\u00edzes da nossa cultura e na tradi\u00e7\u00e3o que nos tornou grandes. A\u00ed encontraremos os valores que nortearam o sucesso, conscientes por\u00e9m que indiv\u00edduo e sociedade est\u00e3o sempre em cont\u00ednuo processo de renova\u00e7\u00e3o sendo ao simult\u00e2na e reciprocamente condicionantes e condicionados.<\/p>\n<p><b>Um novo Perfil de Professor \u2013 Cada Escola com um Perfil pr\u00f3prio<\/b><\/p>\n<p>Na na\u00e7\u00e3o como na escola n\u00e3o chegar\u00e3o professores empenhados na sua disciplina, mas professores pessoalmente empenhados numa rela\u00e7\u00e3o pessoal professor-aluno, numa rela\u00e7\u00e3o pessoal de comunidades: comunidade docente e comunidade discente; n\u00e3o chega o di\u00e1logo \u00e9 preciso rela\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o \u00edntima. Na rela\u00e7\u00e3o dum eu-tu consciente de que o pr\u00f3prio eu nasce dum tu.<\/p>\n<p>Urge que a escola deixe de ser um sumat\u00f3rio de indiv\u00edduos, uma massa amorfa de pastores e ovelhas n\u00e3o identificados e desmotivados. A comunidade nasce de pessoas capazes de assumir responsabilidade e exercita-se j\u00e1 na responsabilidade comunit\u00e1ria escolar em servi\u00e7o m\u00fatuo, na autoconsci\u00eancia e na capacidade de poder adiar a satisfa\u00e7\u00e3o imediata. A comunidade escolar ter\u00e1 que se preocupar com a terceira coluna: a comunidade dos pais, a terceira coluna da comunidade educativa. A escola precisa de ideias claras e valores assentes; menos dever e mais ser. Todos os intervenientes ter\u00e3o de trabalhar na elabora\u00e7\u00e3o dum conceito de educa\u00e7\u00e3o consensual \u00e0 margem de partidarismos e de ideologias; neste sentido n\u00e3o se poder\u00e3o culpar individualmente os pais pelos diferentes h\u00e1bitos e sistemas educativos, atendendo a que partidos e ci\u00eancia os tem considrado cubaias e presa. Cada escola precisa de menos regulamenta\u00e7\u00e3o e necessita dum perfil que a distinga das outras, que se torne ela pr\u00f3pria com um sentimento de perten\u00e7a com uma identidade pr\u00f3pria, um distintivo em que alunos e professores falem da sua escola de modo semelhante ao daqueles que falam do seu grupo de futebol ou do seu grupo de m\u00fasica. A falta de perfil das escolas uma consequ\u00eancia de responsabilidades delegadas deve-se tanto \u00e0 rotina como a ideologias da moda assim como a um experimentalismo leviano, tudo isto baseado no abdicar da pr\u00f3pria identidade.<\/p>\n<p>Nesta Europa desorientada e confusa e em Portugal n\u00e3o h\u00e1 um consenso pol\u00edtico nem cient\u00edfico de como educar, tornando-se a escola presa f\u00e1cil de ideologias partid\u00e1rias ou de experimentalismos precoces. H\u00e1 muito que Portugal se encontra num processo de tranforma\u00e7\u00e3o de valores em que, em nome duma liberdade que n\u00e3o existe, se negam rituais, disciplina, ordem, educa\u00e7\u00e3o&#8230; Parece querer-se um campo pedag\u00f3gico fr\u00e1gil. \u00c9 tamb\u00e9m fatal um esp\u00edrito modernista mal entendido contra elites. Precisa-se uma nova educa\u00e7\u00e3o: educar para elites respons\u00e1veis e n\u00e3o para craques ou afortunados que se alistam numa ou noutra organiza\u00e7\u00e3o, seja ela partid\u00e1ria, mass\u00f3nica, futebol\u00edstica ou religiosa; n\u00e3o chega uma elite de postos. Em pedagogia n\u00e3o h\u00e1 nada de novo que j\u00e1 n\u00e3o fosse expresso num ou noutro m\u00e9todo j\u00e1 velho. As ci\u00eancias da pedagogia e da psicologia necessitam de maior independ\u00eancia deixando de estar tanto ao servi\u00e7o de ideologias ou modas. A escola tem qu se tornar num centro de vida e de interesses comprometedores em que a palavra rela\u00e7\u00e3o seja honrada. O docente mais que um cientista \u00e9 um educador. A sua forma\u00e7\u00e3o tem de ser mais completa e a sua escolha obedecer a crit\u00e9rios mais rigorosos. O crit\u00e9rio de funcion\u00e1rio p\u00fablico tornou-se anacr\u00f3nico numa sociedade moderna e democr\u00e1tica. N\u00e3o deveria ser priorit\u00e1ria a motiva\u00e7\u00e3o pela seguran\u00e7a do funcion\u00e1rio p\u00fablico. A este sistema p\u00fablico est\u00e3o inerentes v\u00edcios de classe acrescentados dos v\u00edcios pr\u00f3prios da administra\u00e7\u00e3o que se inclina a conservar.<\/p>\n<p>Saber, juventude e um pouco de ingenuidade e de did\u00e1tica n\u00e3o s\u00e3o suficientes para se formarem homens e mulheres conscientes e respons\u00e1veis na realiza\u00e7\u00e3o dum sonho e duma realidade pessoal e nacional.. N\u00e3o se trata apenas de transmitir saber e de avaliar o aluno. Este tem que descobrir-se como consci\u00eancia num processo de crescimento sem fim. Mais que nas notas, o padr\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o e de medi\u00e7\u00e3o da actividade de professor\/aluno deve verificar-se no desenvolvimento da personalidade e das compet\u00eancias espec\u00edficas de cada aluno, \u00e0 sua medida e da comunidade.<\/p>\n<p>Rigor n\u00e3o exclui solicitude e encorajamento. Mais rela\u00e7\u00e3o e respeito e menos medo e hierarquia. Um projecto consciente exige mais dos professores e dos alunos. Discilplina \u00e9 a base da liberdade respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>O sentido da personalidade, o respeito m\u00fatuo, e a consci\u00eancia de nos encontrarmos a caminho duma transcend\u00eancia que supera a pr\u00f3pria na\u00e7\u00e3o, s\u00e3o, entre outros valores crist\u00e3os, meios avalizados e provados ao longo da nossa hist\u00f3ria e que poderiam tornar-se mais xobjecto de estudo an\u00e1lise e aplica\u00e7\u00e3o num sistema escolar prec\u00e1rio, sempre em crise, perpetuador de crise.<\/p>\n<p>Um cultura iconoclasta que apenas substitui os seus santos de igreja pelos santos ou corifeus da ideologia, da literatura, da cultura ou da pol\u00edtica n\u00e3o passa de uma cultura de beatas, que se engana a si pr\u00f3pria : imagens de imagens ; e os seus corifeus: cegos guiando outros cegos&#8230;<\/p>\n<p>Professores, pol\u00edticos, jornalistas, j\u00e1 vai sendo tempo de deixarmos de jogar \u00e0s escondidas com o povo e com a na\u00e7\u00e3o. At\u00e9 quando teremos de continuar a ser um povo de fugida?&#8230;<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>Professor de L\u00edngua e Cultura Portuguesas na Alemanha<\/p>\n<p>Email: antonio.justo@web.de<\/p>\n<p>Tel: 0049 561 407783                   <\/span><\/p>\n<div align=\"right\"> <span class=\"texto\"><b>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/b> <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Insucesso Escolar em Portugal &#8211; Cantando e Rindo&#8230; A situa\u00e7\u00e3o escolar em Portugal \u00e9 catastr\u00f3fica. Isto \u00e9-nos confirmado a n\u00edvel internacional pelo Estudo-PISA da OECD e pelos \u00faltimos dados estat\u00edsticos fornecidos pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o ( GLASE) sobre o insucesso escolar em Portugal nos \u00faltimos nove anos. 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