{"id":10824,"date":"2026-03-06T15:53:51","date_gmt":"2026-03-06T14:53:51","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10824"},"modified":"2026-03-06T16:49:14","modified_gmt":"2026-03-06T15:49:14","slug":"lobo-antunes-morreu-mas-vive-no-espelho-do-pais-que-deixou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10824","title":{"rendered":"LOBO ANTUNES MORREU, MAS VIVE NO ESPELHO DO PA\u00cdS QUE DEIXOU"},"content":{"rendered":"<p><em>Neste ensaio procuro desenredar o legado de Lobo Antunes \u00e0 luz da sua psican\u00e1lise \u00e0 alma portuguesa <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Morte de Lobo Antunes e a Sombra no Fado <\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, 5 de mar\u00e7o de 2026, aos 83 anos. Mas a frase, assim, despida e objetiva, soa a engano, tal como mentira soa a calmaria depois de uma batalha. De facto, foi-se um homem, um m\u00e9dico, um escritor, mas ficou o vendaval. <strong>Ficou a obra, essa &#8220;casa dos m\u00f3veis que estalam \u00e0 noite&#8221;, como ele pr\u00f3prio descreveria a solid\u00e3o. Dele ficou, sobretudo, o retrato de um pa\u00eds que ele anatomizou como poucos: Portugal, esse paciente eterno deitado no div\u00e3 da psiquiatria, com as suas mem\u00f3rias mal resolvidas a pulsarem sob a pele do presente.<\/strong><\/p>\n<p>Nascido em Lisboa em 1942, numa fam\u00edlia da burguesia, cedo percebeu que a literatura era uma ins\u00f3nia, a &#8220;ins\u00f3nia dos bons livros \u201c. Mas antes das letras, veio a medicina e a guerra. Chamaram-lhe &#8220;herdeiro de Faulkner e C\u00e9line&#8221;, mas a sua verdadeira genealogia liter\u00e1ria forjou-se no limbo, no &#8220;cu de Judas&#8221; onde esteve destacado como m\u00e9dico durante a Guerra Colonial em Angola, entre 1971 e 1973. Foi l\u00e1 que aprendeu que a morte n\u00e3o tem \u00e9pica e que a coragem \u00e9, muitas vezes, apenas o medo que se verga. <strong>Foi em Angola que o jovem psiquiatra come\u00e7ou a acumular o material cl\u00ednico para a longa an\u00e1lise a que submeteria a na\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O Cirurgi\u00e3o das Almas e a Ferida da Guerra<\/strong><\/p>\n<p>Lobo Antunes mais que escrever livros, escrevia aut\u00f3psias. A sua experi\u00eancia em Angola n\u00e3o \u00e9 um tema liter\u00e1rio, \u00e9 o motor de toda a sua inspira\u00e7\u00e3o. <strong>Em \u201cOs Cus de Judas\u201d (1979), o seu segundo romance, o alferes-m\u00e9dico que regressa a Lisboa n\u00e3o encontra uma p\u00e1tria acolhedora, mas sim um pa\u00eds de paredes caiadas que finge que a guerra n\u00e3o existiu.<\/strong> O di\u00e1logo com a mulher an\u00f3nima, numa noite de copos, \u00e9 uma catarse falhada. <strong>\u00c9 o desabafo de quem percebe que &#8220;viver \u00e9 como escrever sem corrigir \u201ce que o que l\u00e1 est\u00e1, de dor e de sangue, n\u00e3o pode ser apagado.<\/strong><\/p>\n<p>Foi essa a grande fratura que Lobo Antunes denunciou: Portugal, ap\u00f3s o 25 de Abril, tratou a descoloniza\u00e7\u00e3o como um assunto administrativo, mas nunca como um trauma coletivo (Havia politicamente muito a esconder que impedia ser-se aut\u00eantico!). <strong>Os soldados voltaram, mas vieram de boca calada. Os retornados chegaram, mas foram recebidos com a vergonha alheia de quem v\u00ea um espelho partido e por isso foram t\u00e3o maltratados. O pa\u00eds preferiu o esquecimento \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o, e essa mem\u00f3ria recalcada, como nos ensina Lobo Antunes, \u00e9 a mat\u00e9ria de que s\u00e3o feitos os fantasmas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>As Naus e o Regresso dos Mortos como Desconstru\u00e7\u00e3o do Mito<\/strong><\/p>\n<p><strong>Se h\u00e1 livro que funcione como chave para entender esta tese, \u00e9 \u201cAs Naus\u201d (1988). Neste romance desassossegado, Lobo Antunes faz o que melhor sabia na qualidade de psiquiatra: pega nos her\u00f3is canonizados de \u201cOs Lus\u00edadas\u201d e devolve-os a um Portugal p\u00f3s-colonial, pequenino e irrelevante. Vasco da Gama, Cam\u00f5es, os navegadores, regressam a Lisboa como retornados pobres, perdidos, b\u00eabados e deslocados.<\/strong> <strong>O passado glorioso desembarca no cais mas j\u00e1 n\u00e3o cabe no novo cen\u00e1rio, empenhado em fabricar novos fantasmas e her\u00f3is de craveira hist\u00f3rica, os tais &#8216;hist\u00f3ricos&#8217; do novo regime, que tomem o lugar dos velhos espectros e garantam a continuidade dessa epopeia pol\u00edtico-cultural que mant\u00e9m Portugal em permanente sess\u00e3o no div\u00e3 da psican\u00e1lise.<\/strong><\/p>\n<p>O que o escritor fez foi uma cirurgia ao imagin\u00e1rio nacional. Durante s\u00e9culos, Portugal alimentou-se da nostalgia do imp\u00e9rio, do mito seb\u00e1stico do &#8220;Encoberto&#8221; que um dia h\u00e1 de voltar para nos salvar. Mas Lobo Antunes mostra-nos D. Sebasti\u00e3o n\u00e3o como um salvador, mas como uma figura grotesca, um rei menino perdido num pa\u00eds que j\u00e1 n\u00e3o tem trono nem altar. <strong>Aqui Lobo Antunes faz a cr\u00edtica mais feroz ao Sebastianismo que se resume na esperan\u00e7a irracional de que algo de exterior nos venha resgatar da mediocridade, essa cren\u00e7a de que o passado pode funcionar como salva\u00e7\u00e3o para o presente.<\/strong><\/p>\n<p>Assim, Portugal de Lobo Antunes \u00e9 um pa\u00eds desorientado. Vive na &#8220;sombra da antiga grandeza&#8221;, como aponta o seu pensamento, mas sem saber o que fazer dessa sombra. \u00c9 essa dualidade que nos torna, aos olhos dele, uma na\u00e7\u00e3o de melanc\u00f3licos a viver da consci\u00eancia da decad\u00eancia agudizada pela mem\u00f3ria do esplendor. <strong>O viver nessa melancolia, sombra enraiada j\u00e1 na alma portuguesa, continua a viver no esp\u00edrito do Encoberto que se encontra agora em Bruxelas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;Portugal \u00e9 um pa\u00eds que vive mais do que foi do que do que \u00e9&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Esta frase, que lhe \u00e9 atribu\u00edda, condensa toda a sua vis\u00e3o. Para Lobo Antunes, a identidade portuguesa constr\u00f3i-se sobre um sil\u00eancio espesso. \u00c9 feita de orgulho, pela gesta dos descobrimentos; de culpa, pela viol\u00eancia colonial; de nostalgia, pelo imp\u00e9rio perdido; e de sil\u00eancio, pela incapacidade de discutir abertamente a guerra e a descoloniza\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m por de forma desalmada, continuar a afirmar-se ou a distrair-se na narrativa do desassossego de esquerda e de direita.<\/p>\n<p>Esse sil\u00eancio, contudo, n\u00e3o \u00e9 um vazio, mas sim uma presen\u00e7a barulhenta, como ele t\u00e3o magistralmente descreveu ao constatar &#8220;Tanto ru\u00eddo no interior deste sil\u00eancio: s\u00e3o as vozes dos outros a falar em mim \u201c. E esses outros s\u00e3o os que ficaram para tr\u00e1s em \u00c1frica, os que regressaram sem ch\u00e3o, os que morreram na guerra, os que viveram a opress\u00e3o da Rep\u00fablica e do Estado Novo. O Salazarismo, com a sua cartilha do &#8220;Deus, P\u00e1tria e Fam\u00edlia&#8221;, n\u00e3o criou apenas obedi\u00eancia, mas tamb\u00e9m conten\u00e7\u00e3o emocional que perdura. <strong>Hoje como ontem, continua-se o h\u00e1bito do medo de falar, da hipocrisia social, de uma vida interior que se esconde atr\u00e1s da fachada da ordem.<\/strong><\/p>\n<p>A ironia e o humor negro surgem, na sua obra, como a \u00fanica arma poss\u00edvel contra essa trag\u00e9dia muda. \u00c9 o riso de quem j\u00e1 viu o pior e sabe que as palavras s\u00e3o fr\u00e1geis. <strong>Quando perguntado sobre o Nobel, a resposta clara como seca foi &#8220;Quero que o Nobel se f*da&#8221;; esta rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o era apenas desd\u00e9m; era a defesa da soberania do escritor contra as glorifica\u00e7\u00f5es oficiais, a recusa em deixar que a literatura fosse engolida pelo mesmo sistema que ele denunciava, tal como o foi Saramago ao ser usado como arma de um polo contra o outro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O Fantasma do Imp\u00e9rio e a Decomposi\u00e7\u00e3o na Europa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na \u00faltima fase do seu pensamento, que as suas notas t\u00e3o bem captam, Lobo Antunes antecipou o debate contempor\u00e2neo sobre o p\u00f3s-colonialismo e a identidade europeia. No meu entender, se o 25 de Abril matou o imp\u00e9rio, a entrada na Uni\u00e3o Europeia, nos anos 80, funcionou como uma esp\u00e9cie de segunda morte.<\/strong><\/p>\n<p>Compensados economicamente pelos fundos comunit\u00e1rios, os portugueses viram-se confrontados com uma nova forma de perda de soberania. <strong>Desta vez, n\u00e3o perd\u00edamos col\u00f3nias; perd\u00edamos a ilus\u00e3o de sermos o centro do mundo e na\u00e7\u00e3o intacta. Pass\u00e1mos a ser a periferia da Europa, um pa\u00eds encostado \u00e0 boleia de Berlim e Bruxelas. <\/strong>Esta integra\u00e7\u00e3o, se por um lado trouxe desenvolvimento, por outro aprofundou o sentimento de insignific\u00e2ncia e de decomposi\u00e7\u00e3o cultural que o escritor j\u00e1 diagnosticava.<\/p>\n<p><strong>Deste modo o fantasma do imp\u00e9rio permanece, j\u00e1 n\u00e3o como projeto pol\u00edtico, mas como assombra\u00e7\u00e3o.<\/strong> Vive na nostalgia cultural, nos manuais escolares, nas comemora\u00e7\u00f5es oficiais de dan\u00e7arinos do poder. Vive tamb\u00e9m na culpa dos que olham para a hist\u00f3ria e veem o horror da guerra. <strong>Vive, sobretudo, na dificuldade que Portugal tem em se definir a si mesmo fora da matriz imperial e por isso se encosta \u00e0 nova forma de imperialismo que \u00e9 o imperialismo mental de Bruxelas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A T\u00e9cnica Liter\u00e1ria como Espelho da Alma Coletiva<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se pode falar de Lobo Antunes sem falar do seu estilo. <strong>A sua t\u00e9cnica narrativa, essa prosa que parece um rio de vozes, onde passado e presente se misturam, onde v\u00e1rias personagens falam ao mesmo tempo sem aviso pr\u00e9vio, \u00e9 a express\u00e3o formal da sua vis\u00e3o do mundo e em especial de Portugal e da Europa.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 enredo linear porque n\u00e3o h\u00e1 identidade linear.<\/strong> Portugal \u00e9, para ele, um pa\u00eds de camadas geol\u00f3gicas expressas no substrato romano, na camada medieval, no basalto do imp\u00e9rio e no cimento bruto da modernidade europeia. <strong>Tudo se encontra misturado e fraturado.<\/strong> Os seus romances funcionam como consci\u00eancias coletivas confusas, assombradas por fantasmas hist\u00f3ricos que irrompem no discurso sem serem convidados.<\/p>\n<p><strong>Ao dar voz aos \u2018vencidos da vida\u2019, aos retornados do seu livro \u201cO Esplendor de Portugal\u201d, aos soldados de \u201cOs Cus de Judas\u201d, aos loucos e marginais que povoam os seus livros, Lobo Antunes fez uma opera\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a po\u00e9tica ao dar express\u00e3o e corpo \u00e0queles que a hist\u00f3ria oficial preferiu esquecer.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O Fim de uma Era<\/strong><\/p>\n<p>Com a morte de Ant\u00f3nio Lobo Antunes, Portugal perde mais do que um escritor. Portugal perde o seu mais arguto int\u00e9rprete. Num tempo em que a Europa debate o racismo estrutural, a revis\u00e3o da hist\u00f3ria e o lugar dos antigos imp\u00e9rios, a sua obra permanece como um aviso: a mem\u00f3ria n\u00e3o se apaga e recalcamento n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os m\u00f3veis continuar\u00e3o a estalar \u00e0 noite. As vozes continuar\u00e3o a sussurrar no interior do sil\u00eancio. <strong>E n\u00f3s, portugueses, continuaremos confrontados com essa pergunta inc\u00f3moda que ele deixou a ecoar na consci\u00eancia: quem somos n\u00f3s, agora que o imp\u00e9rio se dissipou e a Europa j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a miragem que fomos um dia?<\/strong><\/p>\n<p>Lobo Antunes n\u00e3o nos deu a resposta, mas deixou-nos o espelho. E, como nos seus livros, olhar para ele \u00e9 sempre um acto de coragem, iminentemente necess\u00e1rio<strong>. Fica a obra e com ela a ins\u00f3nia. Fica a certeza de que, como ele dizia, &#8220;os maus romances contam hist\u00f3rias; os bons romances mostram-nos a n\u00f3s mesmos&#8221;. Mas o fado, esse canto t\u00e3o belo e inebriante que tolda a alma lusa, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a carpideira velada de um Portugal que chora e carpe, sem o saber, o desencanto de si pr\u00f3prio e de todos os outros.<\/strong><\/p>\n<p>Lobo Antunes deixou-nos um \u201cbom romance\u201c, uma grande obra que nos espelha Portugal.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>\u00a9\u00a0 Pegadas do Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ensaio procuro desenredar o legado de Lobo Antunes \u00e0 luz da sua psican\u00e1lise \u00e0 alma portuguesa A Morte de Lobo Antunes e a Sombra no Fado Ant\u00f3nio Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, 5 de mar\u00e7o de 2026, aos 83 anos. 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