{"id":10751,"date":"2026-02-07T18:29:52","date_gmt":"2026-02-07T17:29:52","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10751"},"modified":"2026-02-07T18:29:52","modified_gmt":"2026-02-07T17:29:52","slug":"quando-se-junta-a-esquerda-e-a-direita-em-luta-contra-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10751","title":{"rendered":"QUANDO SE JUNTA A ESQUERDA E A DIREITA EM LUTA CONTRA A POBREZA?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>No cora\u00e7\u00e3o da sociedade lateja a \u00falcera de uma pobreza que contesta a democracia portuguesa<\/strong><\/p>\n<p>A pobreza em Portugal n\u00e3o \u00e9 uma estat\u00edstica passageira. \u00c9 uma chaga persistente, uma fronteira invis\u00edvel que divide o pa\u00eds ao meio e corr\u00f3i, dia ap\u00f3s dia, o cora\u00e7\u00e3o da nossa democracia. <strong>Em 2025, cerca de 1,995 milh\u00f5es de portugueses encontravam-se em risco de pobreza ou exclus\u00e3o social, o que corresponde a 18,6% da popula\u00e7\u00e3o, menos 1,1 pontos percentuais do que no ano anterior. A taxa de priva\u00e7\u00e3o material e social desceu para 10,2%, embora quase tr\u00eas em cada dez pessoas continuem sem capacidade para suportar uma despesa inesperada, enfrentando a ang\u00fastia di\u00e1ria de n\u00e3o conseguir viver com dignidade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os rostos desta emerg\u00eancia expressam-se sobretudo nas crian\u00e7as que crescem em agregados familiares onde por vezes menos de 422 euros t\u00eam de chegar para um m\u00eas inteiro; s\u00e3o os idosos, com 23,8% dos maiores de 65 anos em risco; s\u00e3o as mulheres, que representam 56% das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. S\u00e3o, ainda, os trabalhadores pobres, um dado que desmonta um dos pilares da nossa convic\u00e7\u00e3o social: quase metade (49,3%) dos adultos pobres est\u00e3o empregados, mas o trabalho, afinal, j\u00e1 n\u00e3o garante, por si s\u00f3, a liberta\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria.<\/strong> O limiar de Pobreza (2025) \u00e9 quem vive com menos de 632\u20ac\/m\u00eas (ou cerca de 700\u20ac segundo outras fontes baseadas em 2025).<\/p>\n<p><strong>A Prosperidade Ilus\u00f3ria e a Conta no Fim do M\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>Portugal ocupa o 26.\u00ba lugar em prosperidade na Europa. Para se viver com tranquilidade, estima-se que seja necess\u00e1rio um sal\u00e1rio entre 2.500 e 3.000 euros l\u00edquidos. <strong>A realidade, por\u00e9m, pinta um quadro diferente: as despesas m\u00e9dias familiares rondam os 2.900 euros, mas milh\u00f5es sobrevivem com entre 1.200 e 2.000 euros, dependendo do lugar do pa\u00eds onde calhou nascer.<\/strong> \u00c9 uma matem\u00e1tica do aperto, onde qualquer imprevisto se transforma em crise. (Naturalmente nas m\u00e9dias t\u00eam muito peso tanto os ordenados como os gastos das popula\u00e7\u00f5es com estatuto econ\u00f3mico mais relevante).<\/p>\n<p><strong>A taxa de pobreza entre os desempregados \u00e9 de 42,6%,<\/strong> um n\u00famero que fala por si. Mas o que verdadeiramente deve alarmar-nos \u00e9 a normaliza\u00e7\u00e3o da precariedade entre quem trabalha e a solid\u00e3o econ\u00f3mica na velhice, ap\u00f3s uma vida de descontos.<\/p>\n<p><strong>A Paralisia Perante um Problema Solucion\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto isto, a pol\u00edtica parece navegar \u00e0 superf\u00edcie, incapaz de travar o aprofundamento do abismo que separa ricos e pobres, n\u00e3o s\u00f3 em Portugal, mas globalmente. <strong>A distribui\u00e7\u00e3o de riqueza mundial \u00e9 uma fotografia da injusti\u00e7a: 1,6% da popula\u00e7\u00e3o det\u00e9m quase 48% da riqueza global, enquanto os 40% mais pobres partilham 0,6%.<\/strong> Esta desigualdade, que condena milhares de milh\u00f5es \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar, n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno distante. \u00c9 o sistema econ\u00f3mico no qual estamos todos inseridos e do qual Portugal n\u00e3o est\u00e1 imune.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1, pois, uma contradi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica gritante.<\/strong> <strong>Proclama-se que a terra e os seus frutos s\u00e3o para todos, mas constr\u00f3i-se uma sociedade onde a escadaria social tem degraus partidos. Chega-se a ter a impress\u00e3o que em pol\u00edtica cada um trata apenas da &#8220;sua vidinha&#8221;, preso a ciclos eleitorais curtos e a debates est\u00e9reis? N\u00e3o se pede uma equaliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e irrealista de todas as condi\u00e7\u00f5es.<\/strong> Pede-se honra, coer\u00eancia e coragem de Portugal longe das contendas entre as pot\u00eancias deixar de contribuir para guerras geopol\u00edticas resultantes da gan\u00e2ncia das pot\u00eancias. Pede-se uma pol\u00edtica que coloque no centro a dignidade humana inegoci\u00e1vel e crie, como prioridade absoluta, uma plataforma m\u00ednima de vida digna para todos: em habita\u00e7\u00e3o, em alimenta\u00e7\u00e3o, em sa\u00fade, em educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O Apelo da \u201cGuerra Santa\u201d: Unir o que a Pobreza Divide<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por isso, a pergunta que se imp\u00f5e n\u00e3o \u00e9 partid\u00e1ria, \u00e9 civilizacional: Quando \u00e9 que a esquerda e a direita se juntam numa verdadeira &#8220;guerra santa&#8221; contra a pobreza?<\/strong> <strong>Uma guerra que n\u00e3o seja de palavras, mas de a\u00e7\u00f5es concretas; que mobilize recursos com a mesma determina\u00e7\u00e3o com que se mobilizam para outras crises; que una o pa\u00eds em torno do \u00fanico objetivo que verdadeiramente o pode nobilitar: erradicar a humilha\u00e7\u00e3o da necessidade.<\/strong><\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 uma guerra de ideologias, \u00e9 uma <strong>guerra de humanidade<\/strong>. Enquanto houver uma crian\u00e7a a crescer privada do essencial, um reformado a escolher entre comida e medicamentos, ou um trabalhador a ver o seu ordenado evaporar-se antes do fim do m\u00eas, o projeto democr\u00e1tico estar\u00e1 inacabado. <strong>A pobreza \u00e9 o inimigo comum. Estar\u00e1 a nossa pol\u00edtica \u00e0 altura de declarar-lhe guerra, finalmente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>(1)\u00a0\u00a0\u00a0 <a href=\"https:\/\/ffms.pt\/pt-pt\/estudos\/pobreza-e-desigualdade-estao-diminuir\">https:\/\/ffms.pt\/pt-pt\/estudos\/pobreza-e-desigualdade-estao-diminuir<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pessoas2030.gov.pt\/2026\/01\/16\/risco-de-pobreza-em-portugal-atinge-em-2024-o-valor-mais-baixo-dos-ultimos-20-anos\/\">https:\/\/pessoas2030.gov.pt\/2026\/01\/16\/risco-de-pobreza-em-portugal-atinge-em-2024-o-valor-mais-baixo-dos-ultimos-20-anos\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/on.eapn.pt\/produtos\/relatorios\/\">https:\/\/on.eapn.pt\/produtos\/relatorios\/<\/a><\/p>\n<p><strong>O sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional em Portugal em 2026, \u00e9 920\u20ac brutos mensais ou seja 818,80\u20ac depois de\u00a0 11% de desconto para a Seguran\u00e7a Social .<\/strong><\/p>\n<p>Limiar de Pobreza: Em 2024, este limiar fixou-se em 723 euros mensais por adulto. : Cerca de 9% da popula\u00e7\u00e3o empregada continua em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, .A\u00e7ores, Alentejo e Oeste\/Vale do Tejo registam taxas de pobreza superiores a 17%<\/p>\n<p>Taxa de Risco de Pobreza: Atingiu 15,4% da popula\u00e7\u00e3o em 2024 (dados revelados no final de 2025), indicando uma redu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No cora\u00e7\u00e3o da sociedade lateja a \u00falcera de uma pobreza que contesta a democracia portuguesa A pobreza em Portugal n\u00e3o \u00e9 uma estat\u00edstica passageira. \u00c9 uma chaga persistente, uma fronteira invis\u00edvel que divide o pa\u00eds ao meio e corr\u00f3i, dia ap\u00f3s dia, o cora\u00e7\u00e3o da nossa democracia. 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