{"id":10688,"date":"2026-01-29T16:25:16","date_gmt":"2026-01-29T15:25:16","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10688"},"modified":"2026-01-29T16:25:59","modified_gmt":"2026-01-29T15:25:59","slug":"presidenciais-na-diaspora-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10688","title":{"rendered":"PRESIDENCIAIS NA DI\u00c1SPORA PORTUGUESA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Quando a dist\u00e2ncia ajuda a ver melhor<\/strong><\/p>\n<p><em>A democracia \u00e9 celebrada enquanto repete o discurso do poder;<br \/>\nquando pensa por conta pr\u00f3pria, passa a ser tratada como um erro de sistema.<\/em><\/p>\n<p>O candidato mais votado no estrangeiro foi Andr\u00e9 Ventura (Chega), com 40,93%, seguido de Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro (PS) com 23,69 % . (1)<\/p>\n<p>Os resultados da primeira volta das elei\u00e7\u00f5es presidenciais na di\u00e1spora dizem mais do que aquilo que os n\u00fameros, por si s\u00f3, parecem anunciar. Vistos com alguma dist\u00e2ncia, essa que a emigra\u00e7\u00e3o ensina, revelam um eleitorado menos perme\u00e1vel aos consensos fabricados e \u00e0s coreografias habituais do poder.<\/p>\n<p><strong>Talvez por viverem fora do ambiente pol\u00edtico-medi\u00e1tico nacional, talvez por lidarem diariamente com outras realidades e outros sistemas, muitos emigrantes parecem continuar a votar com a cabe\u00e7a pr\u00f3pria.<\/strong> <strong>N\u00e3o por rebeldia gratuita, mas por aprendizagem: depois de d\u00e9cadas de governos e promessas, muitos perceberam que votar ciclicamente nos representantes do mesmo sistema se tornou, muitas vezes, uma forma elegante de absten\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada.<\/strong><\/p>\n<p>Curiosamente, isto acontece apesar de, em muitos pa\u00edses de acolhimento, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, frequentemente apoiados por verbas p\u00fablicas, se alinharem de forma pouco discreta com uma determinada vis\u00e3o pol\u00edtica. <strong>Ainda assim, os emigrantes n\u00e3o parecem muito impressionados. Talvez porque quem emigra aprende cedo a desconfiar das verdades embaladas em papel de presente.<\/strong><\/p>\n<p>O que j\u00e1 surpreende menos \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o que se segue: quando o voto n\u00e3o coincide com as prefer\u00eancias dos instalados, rapidamente surgem r\u00f3tulos. Antidemocratas, populistas, extremistas, perigosos. <strong>A democracia \u00e9 exaltada, desde que produza os resultados certos. Quando n\u00e3o produz, o problema deixa de ser o sistema e passa a ser o eleitor.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 particularmente triste ver este discurso reproduzido dentro da pr\u00f3pria emigra\u00e7\u00e3o, como se houvesse emigrantes de primeira e de segunda categoria, dependendo do boletim de voto. <strong>A pluralidade, t\u00e3o celebrada nos discursos, torna-se inc\u00f3moda quando ganha forma concreta.<\/strong><\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o claros: Andr\u00e9 Ventura foi o candidato mais votado no conjunto do estrangeiro, enquanto Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro venceu em v\u00e1rios pa\u00edses europeus e africanos. H\u00e1 diversidade de escolhas, geografias pol\u00edticas distintas e at\u00e9 n\u00edveis de absten\u00e7\u00e3o que convidam a uma reflex\u00e3o s\u00e9ria, como em Fran\u00e7a, onde apenas cerca de 5% dos recenseados votaram. Tudo isto mereceria debate sereno. Em vez disso, prefere-se o ru\u00eddo.<\/p>\n<p><strong>Talvez porque o ru\u00eddo seja mais confort\u00e1vel do que escutar uma voz que n\u00e3o pede licen\u00e7a. A voz do povo, quando n\u00e3o repete o refr\u00e3o habitual, passa a ser tratada como disson\u00e2ncia. Mas a democracia n\u00e3o \u00e9 um coro afinado: \u00e9, por natureza, polif\u00f3nica e \u00e0s vezes desafinada.<\/strong><\/p>\n<p>Como escrevi noutros versos, fomos durante muito tempo alunos de um tom \u00fanico, repetidores de palavras gastas. Talvez a di\u00e1spora, por estar fora da sala, tenha come\u00e7ado a ouvir o sil\u00eancio entre as frases.<\/p>\n<p><strong>Mais espa\u00e7o para a voz do povo, portanto, mesmo quando ela incomoda e menos barulho por parte de quem confunde poder com raz\u00e3o e consenso com virtude.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 sabido que a dist\u00e2ncia do poder ensina aquilo que a proximidade costuma apagar: pensar n\u00e3o \u00e9 desobedecer.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/www.presidenciais2026.mai.gov.pt\/resultados\/estrangeiro\">https:\/\/www.presidenciais2026.mai.gov.pt\/resultados\/estrangeiro<\/a><\/p>\n<p>Na Alemanha Seguro (PS) recebeu 36,16 % (1.443 votos) e Ventura (CHEGA) 22,25 % (888 votos).<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a 60% dos eleitores votaram no candidato Andr\u00e9 Ventura (CHEGA) (em Fran\u00e7a\u00a0 houve 11.000 votantes dos 429.000 recenseados; 95% n\u00e3o votaram)!<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro venceu em 13 pa\u00edses europeus: \u00c1ustria (43,75%), B\u00e9lgica (38,93%), Bulg\u00e1ria (28%), Ch\u00e9quia (39,08%), Dinamarca (41,33%), Finl\u00e2ndia (46,38%), Gr\u00e9cia (36,67%), It\u00e1lia (47,29%), Noruega (39,04%), Reino Unido (33,38%), Su\u00e9cia (46,38%), Turquia (54,55%) e Pa\u00edses Baixos (38,08%).<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Ventura venceu em v\u00e1rios pontos do continente. Andorra recolheu 70,25% dos votos.Vence tamb\u00e9m em Fran\u00e7a (60,46%, com mais quatro mil votos do que Seguro), Luxemburgo (42,53%), S\u00e9rvia (33,33%) e Su\u00ed\u00e7a (63,46%).<\/p>\n<p>Em \u00c1frica, Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro vence em Cabo Verde (56,32%), Guin\u00e9-Bissau (41,38%), Qu\u00e9nia (33,33%) e S\u00e3o Tom\u00e9 e Principe (53,33%).<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Ventura lidera na \u00c1frica do Sul, com 82,46% e uma vantagem de 967 votos face a Seguro. Vence ainda na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (80%), Mo\u00e7ambique (30,19%), Nam\u00edbia (52,54%), Senegal (37,50%), Tun\u00edsia (55,56 %) e Zimbabu\u00e9 (63,16%).<\/p>\n<p>No continente americano, Andr\u00e9 Ventura vence na Argentina (37,70%), no Brasil (48,81%), no Chile (27,69%), na Col\u00f4mbia (26,47%), nos Estados Unidos (44,33%), no Canad\u00e1 (61,22%) e na Venezuela (50,25%),<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a dist\u00e2ncia ajuda a ver melhor A democracia \u00e9 celebrada enquanto repete o discurso do poder; quando pensa por conta pr\u00f3pria, passa a ser tratada como um erro de sistema. O candidato mais votado no estrangeiro foi Andr\u00e9 Ventura (Chega), com 40,93%, seguido de Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro (PS) com 23,69 % . 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