{"id":10662,"date":"2026-01-25T11:43:03","date_gmt":"2026-01-25T10:43:03","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10662"},"modified":"2026-01-25T12:26:25","modified_gmt":"2026-01-25T11:26:25","slug":"multipolaridade-e-o-colapso-das-ilusoes-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10662","title":{"rendered":"MULTIPOLARIDADE E O COLAPSO DAS ILUSOES NA EUROPA"},"content":{"rendered":"<p>Vivemos uma mudan\u00e7a hist\u00f3rica de grandes propor\u00e7\u00f5es. A ordem mundial que emergiu ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial e se consolidou com o fim da Guerra Fria est\u00e1 a desfazer-se. <strong>O mundo caminha para uma realidade multipolar e a Europa n\u00e3o estava preparada.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Durante d\u00e9cadas, o Ocidente acreditou poder ditar as regras globais. Hoje, essa convic\u00e7\u00e3o esbarra numa realidade incontorn\u00e1vel que \u00e9 o poder a redistribuir-se.<\/strong> <strong>Estados Unidos, China, \u00cdndia e R\u00fassia s\u00e3o actores centrais de um novo equil\u00edbrio multipolar inst\u00e1vel. Fingir que esta transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe \u00e9 um erro estrat\u00e9gico grave e que tem levado a EU a um caminho errado. <\/strong><\/p>\n<p><strong>A Europa distraiu-se; n\u00e3o considerou a realidade geopol\u00edtica e em nome da abertura desestabilizou-se<\/strong>. No plano interno, a pol\u00edtica da Uni\u00e3o Europeia, marcada por numerosas medidas intervencionistas sobre as tradi\u00e7\u00f5es culturais dos Estados-Membros e obriga\u00e7\u00e3o \u00a0de imigra\u00e7\u00e3o descontrolada, <strong>revelou-se como promotora de um projeto de desconstru\u00e7\u00e3o da identidade cultural europeia, ao servi\u00e7o de um ideal internacionalista, socialista e globalista.<\/strong> <strong>Essa orienta\u00e7\u00e3o gerou um amplo descontentamento social, mobilizando cidad\u00e3os tanto da esquerda como da direita. <\/strong>Tal converg\u00eancia de cr\u00edticas provocou uma significativa desorganiza\u00e7\u00e3o no panorama partid\u00e1rio, ao esbater as linhas divis\u00f3rias tradicionais e revelar afinidades inesperadas entre for\u00e7as pol\u00edticas historicamente antag\u00f3nicas. <strong>Na consequ\u00eancia, criou uma certa miscel\u00e2nea entre capitalismo e socialismo assistindo-se \u00e0 dilui\u00e7\u00e3o das clivagens ideol\u00f3gicas cl\u00e1ssicas. <\/strong>Deste modo aproximou discursos associados ao capitalismo e ao socialismo e enfraqueceu as fronteiras que anteriormente os separavam. Esse fen\u00f3meno provocou particular inquieta\u00e7\u00e3o e agita\u00e7\u00e3o na esquerda, que via emergir, a partir dessa promiscuidade ideol\u00f3gica, o refor\u00e7o da chamada direita populista.<\/p>\n<p><strong>A esquerda europeia, habituada a expor-se com brilho nos corredores do poder, encontra-se desorientada na era iniciada por Trump que congrega em sua volta as for\u00e7as contra o globalismo.<\/strong> Tamb\u00e9m a sua base eleitoral tradicional, ligada ao trabalho, \u00e0 ind\u00fastria, \u00e0 mobilidade social atrav\u00e9s do ensino superior, fragmentou-se. A promessa de ascens\u00e3o social via universidade j\u00e1 n\u00e3o convence como antes. Em muitos pa\u00edses, o futuro deixou de ser vis\u00edvel nos lugares onde a esquerda costumava encontrar apoio.<\/p>\n<p><strong>Entretanto, as elites pol\u00edticas e econ\u00f3micas parecem interessadas em enfraquecer a classe m\u00e9dia e os sectores pensantes da sociedade.<\/strong> Quanto menor a capacidade cr\u00edtica, mais f\u00e1cil se torna a governa\u00e7\u00e3o por pequenos c\u00edrculos de poder, uma esp\u00e9cie de troika informal que decide acima dos povos. At\u00e9 o jornalismo, por vezes, reflecte este esp\u00edrito do tempo: um pedantismo travestido de igualitarismo, onde tudo \u00e9 medido pela mesma rasoura, eliminando nuance e profundidade para se acomodar ao Zeitgeist e ao politicamente correcto.<\/p>\n<p><strong>A Europa enfrenta um dilema existencial. Aceitar a multipolaridade n\u00e3o significa abdicar da soberania nem entregar o controlo a pot\u00eancias externas. Significa, isso sim, pensar estrategicamente. A coopera\u00e7\u00e3o europeia tem de ser refor\u00e7ada e isso inclui rela\u00e7\u00f5es pragm\u00e1ticas com a R\u00fassia, se a Europa quiser manter influ\u00eancia global e evitar guerras econ\u00f3micas ou hegem\u00f3nicas de motiva\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A alternativa \u00e9 ficar ref\u00e9m do jogo imprevis\u00edvel dos Estados Unidos ou das rivalidades entre grandes pot\u00eancias. Nenhuma dessas op\u00e7\u00f5es serve os interesses europeus.<\/strong><\/p>\n<p>Respeitar fronteiras continua a ser essencial, n\u00e3o apenas geogr\u00e1ficas, mas tamb\u00e9m culturais. Isso n\u00e3o impede a coexist\u00eancia; pelo contr\u00e1rio, torna-a poss\u00edvel. A harmonia nasce do reconhecimento da diferen\u00e7a, n\u00e3o da sua nega\u00e7\u00e3o. Naturalmente, que a diferen\u00e7a que se fecha no gueto, deve ser feita com esp\u00edrito atento.<\/p>\n<p>Num mundo em transforma\u00e7\u00e3o acelerada, a Europa precisa de pensamento claro, lideran\u00e7a respons\u00e1vel e uma esfera p\u00fablica menos intoxicada pela emo\u00e7\u00e3o e mais orientada pela raz\u00e3o. Sem isso, arrisca-se a tornar-se espectadora da Hist\u00f3ria, quando deveria ser uma das suas protagonistas.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos uma mudan\u00e7a hist\u00f3rica de grandes propor\u00e7\u00f5es. A ordem mundial que emergiu ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial e se consolidou com o fim da Guerra Fria est\u00e1 a desfazer-se. O mundo caminha para uma realidade multipolar e a Europa n\u00e3o estava preparada. Durante d\u00e9cadas, o Ocidente acreditou poder ditar as regras globais. 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