{"id":10618,"date":"2026-01-13T23:30:30","date_gmt":"2026-01-13T22:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10618"},"modified":"2026-01-14T00:13:48","modified_gmt":"2026-01-13T23:13:48","slug":"carta-aberta-aos-candidatos-a-presidencia-da-republica-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10618","title":{"rendered":"CARTA-ABERTA AOS CANDIDATOS \u00c0 PRESID\u00caNCIA DA REP\u00daBLICA PORTUGUESA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Aos onze Candidatos que aspiram representar a Na\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Escrevo esta carta n\u00e3o apenas em meu nome, mas na qualidade de porta-voz de milh\u00f5es de portugueses cujas vozes raramente ecoam nos corredores do poder. <\/strong>Dirijo-me a v\u00f3s com a esperan\u00e7a de quem ainda acredita que a democracia pode ser mais do que um exerc\u00edcio formal, e que os governantes podem verdadeiramente servir o seu povo.<\/p>\n<p>Quando Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito Presidente, escrevi-lhe expondo estas mesmas preocupa\u00e7\u00f5es. A carta ficou sem resposta, como tantas outras vozes que se erguem e se perdem no vazio. Dirijo-me agora a v\u00f3s, candidatos, com a esperan\u00e7a de que pelo menos um demonstre que a democracia portuguesa ainda ouve o seu povo. Respondei a estas quest\u00f5es. Mostrai que sois diferentes.<\/p>\n<p>H\u00e1 quest\u00f5es fundamentais que exigem respostas claras e compromissos firmes. N\u00e3o pe\u00e7o promessas vazias, mas coragem pol\u00edtica para enfrentar aquilo que durante d\u00e9cadas tem permanecido intoc\u00e1vel por conveni\u00eancia ou cobardia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Quest\u00e3o Constitucional que ningu\u00e9m ousa discutir<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quem entre v\u00f3s se atreve a propor a elimina\u00e7\u00e3o do pre\u00e2mbulo da Constitui\u00e7\u00e3o da passagem que aponta como objetivo do Estado o &#8220;rumo ao socialismo&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o meramente t\u00e9cnica ou simb\u00f3lica. Numa democracia verdadeiramente plural, o Estado n\u00e3o pode estar constitucionalmente comprometido com uma \u00fanica ideologia pol\u00edtica. Este anacronismo, herdado de um momento revolucion\u00e1rio espec\u00edfico da nossa hist\u00f3ria, colide frontalmente com o princ\u00edpio da neutralidade do Estado e com a liberdade pol\u00edtica que deve caracterizar uma sociedade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Durante d\u00e9cadas, todos os partidos do chamado &#8220;arco do poder&#8221; mantiveram um sil\u00eancio c\u00famplice sobre esta anomalia. Porqu\u00ea? Que interesses se escondem por detr\u00e1s desta recusa em abrir o debate? Uma Constitui\u00e7\u00e3o deve unir todos os portugueses, n\u00e3o consagrar a vis\u00e3o de mundo de apenas uma parte deles.<\/strong><\/p>\n<p>A nossa hist\u00f3ria recente foi quase toda narrada a partir de um \u00fanico enquadramento ideol\u00f3gico, que imp\u00f4s limites ao pensamento e ao debate p\u00fablico. Exijo, em nome dos portugueses que desejam uma democracia madura, que este tema seja finalmente discutido sem tabus e sem chantagens morais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O Povo esquecido<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto nos pedem que sigamos, sem discuss\u00e3o interna, as decis\u00f5es das pot\u00eancias europeias e os seus interesses geopol\u00edticos e econ\u00f3micos, incluindo o financiamento de conflitos distantes, <strong>o povo portugu\u00eas sofre em sil\u00eancio:<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8211; 1,4 milh\u00f5es de reformados sobrevivem com pens\u00f5es iguais ou inferiores a 500 euros mensais.<\/strong> S\u00e3o pessoas que trabalharam uma vida inteira, que constru\u00edram este pa\u00eds, e que agora s\u00e3o abandonadas \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 indignidade.<\/p>\n<p><strong>&#8211; 14.476 portugueses vivem nas ruas ou em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias<\/strong>, entre os quais 1.686 casais sem teto e 263 fam\u00edlias sem casa. Estas n\u00e3o s\u00e3o estat\u00edsticas abstratas. S\u00e3o seres humanos, compatriotas nossos, que perderam tudo enquanto os recursos da na\u00e7\u00e3o s\u00e3o desviados para prioridades alheias ao bem-estar do povo.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 poss\u00edvel que um Estado que se proclama social permita tamanha injusti\u00e7a?<\/strong> Como podemos falar de solidariedade europeia quando n\u00e3o somos capazes de cuidar dos nossos pr\u00f3prios cidad\u00e3os?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A pergunta que exige resposta<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quem entre v\u00f3s se compromete, como tarefa principal, a defender o bem comum e a felicidade do povo portugu\u00eas?<\/strong><\/p>\n<p>Quem ter\u00e1 a coragem de dizer &#8220;basta&#8221; \u00e0 subservi\u00eancia autom\u00e1tica perante interesses que n\u00e3o s\u00e3o os nossos? Quem colocar\u00e1 as necessidades concretas dos portugueses acima dos jogos de poder internacional?<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o vos pe\u00e7o que sejais inimigos da Europa ou do mundo. Pe\u00e7o apenas que sejais, antes de tudo, defensores de Portugal e dos portugueses.<\/strong> Que tenhais a dignidade de afirmar que, antes de contribuir para guerras ou para os or\u00e7amentos de burocracias distantes, temos a obriga\u00e7\u00e3o moral de garantir que nenhum idoso morre de frio ou de fome, que nenhuma fam\u00edlia dorme na rua, que nenhum trabalhador \u00e9 condenado \u00e0 pobreza depois de uma vida de esfor\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Um apelo \u00e0 coragem <\/strong><\/p>\n<p>Esta carta \u00e9 um desafio. Um desafio para que pelo menos um de v\u00f3s se erga acima do conformismo pol\u00edtico e diga as verdades que outros calam. Para que algu\u00e9m tenha a honestidade de reconhecer que a nossa democracia tem limites artificiais que precisam de ser ultrapassados.<\/p>\n<p>O povo portugu\u00eas merece governantes que o respeitem, que o ou\u00e7am, que defendam os seus interesses com a mesma determina\u00e7\u00e3o com que defendem os interesses de Bruxelas ou de Washington. Merece l\u00edderes que n\u00e3o tenham medo de abrir debates inc\u00f3modos, de questionar consensos falsos, de colocar a justi\u00e7a social acima da conveni\u00eancia partid\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Pergunto-vos, candidatos (1): tereis essa coragem?<\/strong><\/p>\n<p>Ou continuaremos a assistir ao espet\u00e1culo de campanhas vazias, repletas de sorrisos e promessas, mas desprovidas da subst\u00e2ncia e da ousadia necess\u00e1rias para transformar verdadeiramente a vida dos portugueses?<\/p>\n<p>O pa\u00eds espera. O povo aguarda. E a hist\u00f3ria julgar\u00e1 n\u00e3o apenas as vossas palavras, mas sobretudo o vosso sil\u00eancio.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><br \/>\n<em>Cidad\u00e3o portugu\u00eas, jornalista e defensor de uma democracia mais justa e verdadeira<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(1)\u00a0Dos 11 candidatos, os principais:<\/p>\n<p>Marques Mendes<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Cotrim de Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal)<\/p>\n<p>Catarina Martins (apoiada pelo Bloco de Esquerda)<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Filipe (apoiado pelo PCP)<\/p>\n<p>Jorge Pinto (apoiado pelo Livre)<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Ventura<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos onze Candidatos que aspiram representar a Na\u00e7\u00e3o: Escrevo esta carta n\u00e3o apenas em meu nome, mas na qualidade de porta-voz de milh\u00f5es de portugueses cujas vozes raramente ecoam nos corredores do poder. 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