{"id":10579,"date":"2026-01-02T12:28:35","date_gmt":"2026-01-02T11:28:35","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10579"},"modified":"2026-01-02T14:53:24","modified_gmt":"2026-01-02T13:53:24","slug":"o-circo-dos-iluminados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10579","title":{"rendered":"O CIRCO DOS ILUMINADOS"},"content":{"rendered":"<p><em>(Em homenagem \u00e0 Arte das Cantigas de Esc\u00e1rnio e Maldizer<br \/>\ntestemunho aqui o Estado da Atualidade pol\u00edtico-social<br \/>\nde bom Senso desalojado e de del\u00edrio coletivo)<\/em><\/p>\n<p>Bem-vindos ao espet\u00e1culo, senhoras e senhores,<br \/>\nAo grande teatro europeu dos son\u00e2mbulos!<br \/>\nOnde Bruxelas, essa Babel climatizada,<br \/>\nFabrica leis como quem cospe pap\u00e9is mascados.<\/p>\n<p>Aqui os tratados leem-se de pernas para o ar,<br \/>\nComo manuais de instru\u00e7\u00f5es chineses mal traduzidos.<br \/>\nA liberdade? Essa velha prostituta reformada,<br \/>\nAgora vende cosm\u00e9ticos em discursos polidos.<\/p>\n<p>Os valores, ah, os valores! Servem de papel de embrulho<br \/>\nPara o bezerro de ouro que mugia na sala VIP.<br \/>\nCada burocrata, doutorado em prestidigita\u00e7\u00e3o,<br \/>\nTransforma responsabilidade em fumo de cachimbo hip (da moda).<\/p>\n<p>No topo da torre de vidro, menos senso que na tasca,<br \/>\nOnde o Z\u00e9 da esquina resolve o mundo em tr\u00eas cervejas.<br \/>\nMas n\u00f3s? Somos a plateia obrigat\u00f3ria desta \u00f3pera bufa,<br \/>\nAplaudindo quem valsa com o diabo nas festas alheias.<\/p>\n<p>Portugal, esse palco de marionetas baratas,<br \/>\nOnde treze mil almas dormem em papel\u00e3o sob as estrelas,<br \/>\nEnquanto os iluminados gastam milh\u00f5es em gala diplom\u00e1tica:<br \/>\n&#8220;\u00c9 o pre\u00e7o da grandeza!&#8221;, urram da sua janela.<\/p>\n<p>Na Alemanha, a fornalha militar devora fortunas,<br \/>\nO povo encolhe como roupa mal lavada na m\u00e1quina.<br \/>\nMas tranquilos! Os estadistas de gravata apertada<br \/>\nRepresentam o progresso na televis\u00e3o matina.<\/p>\n<p>A m\u00e3o invis\u00edvel de que falam os economistas de sof\u00e1?<br \/>\nEssa n\u00e3o move mercados, move tachos e contratos!<br \/>\nVira concursos como quem baralha cartas marcadas,<br \/>\nNum clube onde s\u00f3 entram os bem aparentados e natos.<\/p>\n<p>Narrativas opacas, esse cimento p\u00f3s-verdade,<br \/>\nEsmagam o m\u00e9rito como quem pisa formigas no ch\u00e3o.<br \/>\nA tribo no poder, com seu c\u00f3digo de sangue,<br \/>\nBanqueteia-se enquanto ao povo sobra a escurid\u00e3o.<\/p>\n<p>Portugal, esse sal\u00e3o de espelhos embaciados,<br \/>\nOnde todos se conhecem desde o ber\u00e7o ou da ma\u00e7onaria.<br \/>\nSobe-se n\u00e3o por talento, isso \u00e9 coisa de ot\u00e1rios!<br \/>\nMas por quem sabe a cor da cueca da hierarquia.<\/p>\n<p>Democracia nep\u00f3tica, rep\u00fablica de compadres,<br \/>\nOnde o humano mostra sua face mais podre e pequena:<br \/>\nCarreiras feitas de trai\u00e7\u00f5es bem documentadas,<br \/>\nEst\u00e1tuas erguidas sobre funda\u00e7\u00f5es de hipocrisia obscena.<\/p>\n<p>E a corrup\u00e7\u00e3o? Essa senhora respeit\u00e1vel,<br \/>\nVive confort\u00e1vel no ar condicionado dos gabinetes.<br \/>\nTem cart\u00e3o de membro, pens\u00e3o vital\u00edcia,<br \/>\nE manda beijinhos aos cidad\u00e3os marionetas.<\/p>\n<p>Mas o povo, ah, o povo! Esse coitado cego,<br \/>\nAinda sonha com justi\u00e7a, verdade, horizontes claros&#8230;<br \/>\nComo quem acredita em Pai Natal aos quarenta anos,<br \/>\nEnquanto os doutos leem tratados ao contr\u00e1rio nos seus carros.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>Nota do autor:<br \/>\nEsta \u00e9 uma Cantiga de Esc\u00e1rnio e Maldizer que se identifica com um bobo da corte que ainda acredita que o riso pode curar a lepra pol\u00edtica. A verdade \u00e9 que n\u00e3o pode, mas pelo menos entret\u00e9m enquanto afundamos!<\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 tamb\u00e9m que ter em conta que, cinismo em doses excessivas pode causar lucidez s\u00fabita, e isso assusta os bem-instalados e causa estranheza aos cordeiros. Que possam servir de alerta, embora suspeite que quem precisa de ouvir est\u00e1 ocupado em aplaudir o pr\u00f3ximo ilusionista na televis\u00e3o. Esta cantiga foca-se no circo pol\u00edtico europeu e nas suas personagens grotescas que se imitam e repetem umas \u00e0s outras, mas na pra\u00e7a s\u00f3 uma crian\u00e7a n\u00e3o bem-educada poder\u00e1 notar que o rei vai nu. Quem vive num s\u00f3 pa\u00eds membro da EU ter\u00e1 dificuldade em observar a banalidade com que se repetem em c\u00f3pia perfeita dos altifalantes de Bruxelas-Berlim que no momento demostram ter os mais desqualificados pol\u00edticos de sempre. O mesmo se constata com os diferentes jornais. Na poesia falo de tratados lidos ao contr\u00e1rio querendo referir-me ao Tratado de Lisboa que pretendia refor\u00e7ar a efici\u00eancia e a legitimidade democr\u00e1tica da Uni\u00e3o e melhorar a coer\u00eancia da sua a\u00e7\u00e3o. O objetivo central da UE era promover a paz, os seus valores e o bem-estar dos seus povos. Os dan\u00e7arinos do poder abandonaram o povo para se perderam em cenas quim\u00e9ricas sob a bandeira do internacionalismo e do progressismo ideol\u00f3gico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Em homenagem \u00e0 Arte das Cantigas de Esc\u00e1rnio e Maldizer testemunho aqui o Estado da Atualidade pol\u00edtico-social de bom Senso desalojado e de del\u00edrio coletivo) Bem-vindos ao espet\u00e1culo, senhoras e senhores, Ao grande teatro europeu dos son\u00e2mbulos! Onde Bruxelas, essa Babel climatizada, Fabrica leis como quem cospe pap\u00e9is mascados. 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