{"id":10453,"date":"2025-12-05T22:07:23","date_gmt":"2025-12-05T21:07:23","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10453"},"modified":"2025-12-05T22:07:23","modified_gmt":"2025-12-05T21:07:23","slug":"balada-do-caminho-nevado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10453","title":{"rendered":"BALADA DO CAMINHO NEVADO"},"content":{"rendered":"<p>Batem leve, levemente (1),<br \/>\nflocos do eterno natal.<br \/>\nComo mem\u00f3ria da gente<br \/>\nque vem do fundo invernal.<br \/>\nS\u00e3o iguais e s\u00e3o diferentes,<br \/>\nem espiral atemporal.<\/p>\n<p>A neve cai sobre o trilho<br \/>\nque o limpa-neve tra\u00e7ou.<br \/>\nE o tempo \u00e9 um longo respiro,<br \/>\nque o vento em n\u00f3s segredou.<br \/>\nE o meu rosto, tem marca de ex\u00edlio,<br \/>\no Norte que ali ficou.<\/p>\n<p>Nele a estrada branca se alonga,<br \/>\nde Bel\u00e9m at\u00e9 ao umbral.<br \/>\nEm cada m\u00e3e h\u00e1 uma longa<br \/>\nespera de luz eternal.<br \/>\nMaria \u00e9 a gruta e a esponja<br \/>\ndo amor que \u00e9 m\u00e3e universal.<\/p>\n<p>Acendem-se quatro velas<br \/>\ncontra a escurid\u00e3o do ser.<br \/>\nS\u00e3o as semanas que selas<br \/>\nno advento do teu viver.<br \/>\nN\u00e3o nasce em templos, nem em celas,<br \/>\nmas no ch\u00e3o que \u00e9 teu dever.<\/p>\n<p>Abrem-se as portas do dia,<br \/>\ncalend\u00e1rio do porvir.<br \/>\nA esperan\u00e7a que guia<br \/>\no passo do teu seguir.<br \/>\nNa noite que desfia,<br \/>\nteu caminho \u00e9 persistir.<\/p>\n<p>Oh, viajante que passas<br \/>\ne v\u00eas na neve o rumor:<br \/>\nas pegadas s\u00e3o as pausas<br \/>\nque lavram o teu interior.<br \/>\nA mesma estrada que arrasas<br \/>\nte leva ao mesmo amor.<\/p>\n<p>Batem leve, levemente,<br \/>\ncomo quem chama por ti.<br \/>\n\u00c9 o advento da semente<br \/>\nno ventre que a trouxe aqui.<br \/>\nNa gruta do peito, dormente,<br \/>\na neve cai sobre mim.<\/p>\n<p>E assim seguimos na dan\u00e7a<br \/>\ndos flocos, iguais e mil,<br \/>\nna sagrada semelhan\u00e7a<br \/>\ndo que \u00e9 eterno e febril.<br \/>\nA neve \u00e9 a nossa heran\u00e7a<br \/>\ne o caminho, o seu redil.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>(1) Nota do Autor<\/p>\n<p>Este poema \u00e9, antes de tudo, uma homenagem a Augusto Gil e \u00e0 sua \u201cBalada da Neve\u201d, que desde a inf\u00e2ncia se me gravou no esp\u00edrito como um legado de assombro e nostalgia. O verso \u201cBatem leve, levemente, \/ como quem chama por mim\u2026\u201d tornou-se para mim um acompanhante fiel, um eco que transcende o cen\u00e1rio invernal para ressoar na solid\u00e3o e na expectativa humana.<\/p>\n<p>No meu texto, procurei manter esse eco r\u00edtmico, transpondo-o para o contexto do Advento. Aqui, a caminhada da crian\u00e7a sob a neve transforma-se numa caminhada ativa da alma humana \u00a0em espera. A repeti\u00e7\u00e3o das esta\u00e7\u00f5es, do ritual, do pr\u00f3prio verso, n\u00e3o \u00e9 estagna\u00e7\u00e3o, mas um aprofundamento em espiral: cada volta aproxima-nos do essencial. O destino final n\u00e3o \u00e9 apenas o pres\u00e9pio de Bel\u00e9m, mas o Bel\u00e9m Celestial, arqu\u00e9tipo da Esperan\u00e7a que nos permite abrandar os andares dolorosos da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim, este poema busca acentuar a dimens\u00e3o espiritual e existencial da peregrina\u00e7\u00e3o que cada um de n\u00f3s e o mundo consigo e connosco, est\u00e1 sempre a empreender.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Batem leve, levemente (1), flocos do eterno natal. Como mem\u00f3ria da gente que vem do fundo invernal. S\u00e3o iguais e s\u00e3o diferentes, em espiral atemporal. A neve cai sobre o trilho que o limpa-neve tra\u00e7ou. E o tempo \u00e9 um longo respiro, que o vento em n\u00f3s segredou. E o meu rosto, tem marca de &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10453\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">BALADA DO CAMINHO NEVADO<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,8,16],"tags":[],"class_list":["post-10453","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10453","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10453"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10453\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10454,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10453\/revisions\/10454"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}