{"id":10399,"date":"2025-10-30T11:40:18","date_gmt":"2025-10-30T10:40:18","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10399"},"modified":"2025-10-31T23:26:33","modified_gmt":"2025-10-31T22:26:33","slug":"entre-a-noite-das-sombras-e-o-dia-da-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10399","title":{"rendered":"ENTRE A NOITE DAS SOMBRAS E O DIA DA LUZ"},"content":{"rendered":"<p>Na aldeia de <strong>S\u00e3o Martinho das Fontes<\/strong>, o tempo tinha a respira\u00e7\u00e3o lenta do sino. O povo, embalado por essa cad\u00eancia e embebido pela maresia, guardava na pele uma languidez dourada e, nas veias, o vigor salgado do mar.<\/p>\n<p>O vento, mensageiro de mem\u00f3rias antigas, corria os becos e punha as janelas a falar: umas, em sussurros de receio; outras, em murm\u00farios de prece.<br \/>\nEra a v\u00e9spera de Todos os Santos.<br \/>\nE como vai acontecendo com o andar dos tempos, a aldeia j\u00e1 n\u00e3o sabia bem o que celebrava.<\/p>\n<p>Nas vitrines do centro comercial da vila vizinha, ab\u00f3boras ocas e bruxas sinuosas entretinham um di\u00e1logo mudo de piscares luminosos, atraindo tanto os olhos curiosos das crian\u00e7as como o sorriso contido de adultos.<br \/>\nO riso met\u00e1lico das promo\u00e7\u00f5es fundia-se com o alvoro\u00e7o infantil, enquanto as m\u00e3es, rendidas ao cansa\u00e7o e \u00e0 press\u00e3o da quadra, se deixavam levar entre prateleiras que sussurravam promessas de alegria instant\u00e2nea.<br \/>\nUma delas, <strong>Dona Am\u00e9lia<\/strong>, segurava a m\u00e3o do filho, o Tiago, de sete anos.<br \/>\nO menino queria uma m\u00e1scara.<br \/>\nEla hesitou.<br \/>\nSabia que o dinheiro mal dava para o p\u00e3o e o g\u00e1s. Mas, ao olhar em volta, viu as outras m\u00e3es comprando m\u00e1scaras para os filhos. Sob o peso invis\u00edvel daquela compara\u00e7\u00e3o, soltou um sorriso resignado e disse:<br \/>\n\u201cV\u00e1 l\u00e1, Tiago, escolhe uma&#8230;\u201d<\/p>\n<p>A crian\u00e7a agarrou uma caveira luminosa.<br \/>\nE Am\u00e9lia pensou, sem o dizer:<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 que \u00e9 isto que o mundo quer que eu ensine ao meu filho? Que o riso vem do medo e a alegria do disfarce?\u201d<\/p>\n<p>No regresso, o vento pareceu escutar-lhe o pensamento e murmurou-lhe ao ouvido:<\/p>\n<p>\u201cNem tudo o que brilha \u00e9 luz, minha filha. H\u00e1 brilhos que apenas escondem o escuro.\u201d<\/p>\n<p>\u00c0 noite (v\u00e9spera de Todos os Santos), a aldeia parecia ferida ao encher-se de sombras. As crian\u00e7as, enfeitadas de dem\u00f3nios e fantasmas, percorriam as travessas com risos que n\u00e3o pertenciam \u00e0 inf\u00e2ncia, e batiam \u00e0s portas com vozes de amea\u00e7a disfar\u00e7ada: \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u201c<strong>Do\u00e7ura ou travessura!\u201d<\/strong><\/p>\n<p>E o medo, vestido de brincadeira, passeava-se livremente.<br \/>\nOs risos pareciam leves, mas deixavam no ar um sabor vazio, como o de um p\u00e3o sem miolo, e uma frieza reminiscente das tardes escuras de novembro.<\/p>\n<p>Sentia-se uma tristeza nas casas meio adormecidas na sua caiada solid\u00e3o, a contemplar as faces de ab\u00f3bora que, em papel, consumiam de uma vez s\u00f3 o seu fogo ef\u00e9mero.<br \/>\nAs velhas oliveiras da encosta, que guardavam na seiva o sal das l\u00e1grimas e da ora\u00e7\u00e3o, estremeciam e uma delas, muito velha, sussurrou \u00e0 lua:<\/p>\n<p>\u201cTantas gera\u00e7\u00f5es de m\u00e3os que rezaram sob mim&#8230; e agora vejo crian\u00e7as mascaradas de fantasmas, brincando com o que nunca deviam temer.\u201d<\/p>\n<p>A Lua, de rosto magro e saudoso, perguntava-se se os homens ainda se lembravam que ela tamb\u00e9m iluminava os caminhos dos anjos, mas respondeu:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 o medo o problema, minha amiga, \u00e9 o esquecimento. O homem esqueceu que a morte \u00e9 caminho, n\u00e3o destino.\u201d<\/p>\n<p>Mas o tempo, que tudo transforma, caminhou sobre a noite, e quando os galos cantaram, na manh\u00e3 seguinte, o sino da igreja ergueu-se sobre a aldeia como um cora\u00e7\u00e3o que desperta.<\/p>\n<p>Era <strong>Dia de Todos os Santos<\/strong>.<br \/>\nE as mesmas ruas que na v\u00e9spera ecoavam gargalhadas, agora acolhiam passos lentos e vozes baixas.<br \/>\nAs pessoas subiam ao cemit\u00e9rio com flores e velas, como quem sobe um monte de esperan\u00e7a. E as campas, antes frias, sorriram sob o toque das m\u00e3os humanas que as\u00a0\u00a0 vestiam de flores e velas. Ali at\u00e9 as almas dos finados pareciam espreitar entre as p\u00e9talas e o incenso, e as campas, que tantas vezes guardaram l\u00e1grimas, murmuraram uma melodia suave:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temais a noite, que ela \u00e9 apenas o v\u00e9u da aurora.\u201d<\/p>\n<p>Tiago, o menino da m\u00e1scara, foi com a m\u00e3e ao cemit\u00e9rio.<br \/>\nLevava na m\u00e3o um raminho de cris\u00e2ntemos e no bolso, ainda o resto do doce da noite anterior.<br \/>\nAo chegar junto da campa do av\u00f4, Dona Am\u00e9lia ajoelhou-se.<br \/>\nAcendeu uma vela.<br \/>\nO lume tremia como uma ora\u00e7\u00e3o viva.<\/p>\n<p>Tiago perguntou:<br \/>\n\u201cM\u00e3e, o av\u00f4 ouve-nos?\u201d<br \/>\nE ela respondeu, num murm\u00fario que parecia tamb\u00e9m falar consigo pr\u00f3pria:<br \/>\n\u201cO av\u00f4 vive noutro tempo, filho. Num tempo que n\u00e3o passa.\u201d<\/p>\n<p>O menino ficou a olhar o lume e, de repente, retirou do bolso o doce que tinha guardado e colocou-o junto da vela.<br \/>\n\u201c\u00c9 para o av\u00f4.\u201d<br \/>\nE sorriu j\u00e1 com um sorriso leve, sem medo.<\/p>\n<p>A chama comovida dan\u00e7ou mais alta, e o vento soprou suavemente.<br \/>\nParecia aprovar o gesto.<\/p>\n<p>No dia de Todos os Santos, as crian\u00e7as da aldeia, j\u00e1 sem m\u00e1scaras, sa\u00edram outra vez \u00e0s ruas, mas agora, com os bolsos vazios e o cora\u00e7\u00e3o cheio, dizendo:<br \/>\n\u201c<strong>P\u00e3o por Deus!\u201d<\/strong><\/p>\n<p>E cada porta que se abria era uma b\u00ean\u00e7\u00e3o partilhada, n\u00e3o um neg\u00f3cio programado.<br \/>\nQuem dava, dava por amor, pelas almas dos seus.<br \/>\nQuem recebia, levava o p\u00e3o como s\u00edmbolo de amor e mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>A aldeia parecia renascer nesse gesto simples: um gesto que a ind\u00fastria n\u00e3o podia vender, porque n\u00e3o cabia em embalagem.<\/p>\n<p>\u00c0 tardinha, o sol desceu como um sacerdote sobre o vale e o velho padre da par\u00f3quia, sentado ao p\u00e9 do cruzeiro, falava para quem quisesse ouvir:<\/p>\n<p>\u201cAs sombras s\u00f3 assustam quem esquece o sol.<br \/>\nO Halloween celebra o medo da morte.<br \/>\nO Dia de Todos os Santos celebra a vida que n\u00e3o morre.<br \/>\nUm vende m\u00e1scaras, o outro revela rostos.<br \/>\nUm alimenta o vazio, o outro sacia a alma.\u201d<\/p>\n<p>E acrescentou, olhando para as estrelas:<\/p>\n<p>\u201cAqueles que brincam com a morte como se fosse um brinquedo, acabam por esquecer o valor da vida.<br \/>\nMas quem contempla a morte \u00e0 luz de Deus, encontra nela a porta da eternidade e vive sem medos.\u201d<\/p>\n<p>Naquela noite, Dona Am\u00e9lia adormeceu em paz.<br \/>\nSonhou com o av\u00f4 de Tiago, sentado sob uma grande oliveira.<br \/>\nEle sorria e dizia:<\/p>\n<p>\u201cEnsina o menino a escolher a luz, mesmo quando o mundo vende trevas em promo\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>E quando o sino tocou de novo ao amanhecer, o vento levou consigo a voz do tempo:<\/p>\n<p>\u201cEntre a Noite das Sombras e o Dia da Luz, o homem escolhe o que servir: o medo ou o amor.\u201d<\/p>\n<p>Na aldeia de S\u00e3o Martinho das Fontes, nunca mais o Halloween teve o mesmo sabor.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as continuaram a brincar, mas agora sabiam que o medo s\u00f3 \u00e9 senhor enquanto esquecemos o Amor.<\/p>\n<p>E quando chegava o \u201cP\u00e3o por Deus\u201d, cada peda\u00e7o de p\u00e3o era uma semente de eternidade partilhada entre o c\u00e9u e a terra, entre os vivos e os que j\u00e1 vivem noutra forma de luz.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>\u00a9 Pegadas do Tempo: https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10399<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nota do Autor<\/strong><\/p>\n<p>A sociedade veste o medo de festa e chama-lhe cultura.<br \/>\nMas h\u00e1 uma diferen\u00e7a profunda entre <strong>celebrar a morte<\/strong> e <strong>celebrar os mortos<\/strong>.<br \/>\nA primeira afasta-nos do sentido; a segunda reconcilia-nos com o mist\u00e9rio.<br \/>\nO Halloween (noite de 31 de Outubro) alimenta o com\u00e9rcio das sombras; o Dia de Todos os Santos (1 de Novembro) alimenta a mem\u00f3ria da luz. . O Advento do Estranho e a Mem\u00f3ria do Sagrado.<\/p>\n<p>Num tempo em que se poderia celebrar a autenticidade dos costumes locais, assiste-se \u00e0 estranha ascens\u00e3o do Halloween. Esta festividade importada, com o seu fasc\u00ednio pelo macabro e pelo ef\u00e9mero, vai gradualmente ofuscando o significado profundo de uma tradi\u00e7\u00e3o enraizada: a comemora\u00e7\u00e3o do Dia de Todos os Santos.<\/p>\n<p>Esta, independentemente da base que a motiva, \u00e9 um momento de recolhimento e de raiz. Materializa-se em reuni\u00f5es familiares e nas visitas serenas aos cemit\u00e9rios, gestos simples que t\u00eam por fim primordial recordar os que partiram e, assim, honrar a heran\u00e7a que nos define. \u00c9 uma celebra\u00e7\u00e3o que valoriza a mem\u00f3ria afetiva e a continuidade cultural.<\/p>\n<p>No entanto, o significado crist\u00e3o deste feriado v\u00ea-se agora amea\u00e7ado por uma cortina de n\u00e9voa e fantasia. Enquanto a f\u00e9 crist\u00e3 celebra a vida eterna e a santidade, que \u00e9 um olhar de esperan\u00e7a voltado para a transcend\u00eancia, o Halloween oferece um culto ao medo e a uma certa fealdade vazia. Para aqueles que anseiam por esta est\u00e9tica do tenebroso e do desprovido de sentido, ele representa a celebra\u00e7\u00e3o de um feriado profundamente deprimente, um espet\u00e1culo vazio que esquece a serenidade da eternidade em favor do susto passageiro.<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, tradi\u00e7\u00f5es e costumes diversos sobrep\u00f5em-se. A Igreja Cat\u00f3lica, num processo de incultura\u00e7\u00e3o, adaptou v\u00e1rios costumes b\u00e1rbaros \u00e0 nova cultura vigente, criando rituais substitutos. Um exemplo not\u00e1vel \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o dos rituais pag\u00e3os destinados a afugentar o medo da morte pela celebra\u00e7\u00e3o do Dia de Todos os Santos. Atualmente, contudo, s\u00e3o os interesses comerciais que mais proveito tiram destas tradi\u00e7\u00f5es, ao promoverem e acentuarem os antigos ritos, como se v\u00ea na populariza\u00e7\u00e3o do Halloween.<\/p>\n<p>Talvez o desafio de cada um de n\u00f3s hoje seja devolver \u00e0s nossas crian\u00e7as o sentido do sagrado, para que saibam que, na eternidade, a morte n\u00e3o \u00e9 um fim, \u00e9 apenas um novo come\u00e7o de amor.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na aldeia de S\u00e3o Martinho das Fontes, o tempo tinha a respira\u00e7\u00e3o lenta do sino. O povo, embalado por essa cad\u00eancia e embebido pela maresia, guardava na pele uma languidez dourada e, nas veias, o vigor salgado do mar. 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