{"id":10386,"date":"2025-10-19T10:34:41","date_gmt":"2025-10-19T09:34:41","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10386"},"modified":"2025-10-19T10:34:41","modified_gmt":"2025-10-19T09:34:41","slug":"o-espelho-e-a-nevoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10386","title":{"rendered":"O ESPELHO E A N\u00c9VOA"},"content":{"rendered":"<p>Por Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Este conto \u00e9, tamb\u00e9m, uma alegoria.<br \/>\nAnt\u00f3nio e Leonor s\u00e3o espelhos de um casal, de uma \u00e9poca, de n\u00f3s mesmos.<br \/>\nA sua hist\u00f3ria, embora inventada, repete o que tantas vezes se oculta sob o nome de amor: dor travestida de entrega, fantasmas e feridas antigas que se insinuam no presente e procuram reden\u00e7\u00e3o nos outros.<br \/>\nO prop\u00f3sito \u00e9 duplo: liter\u00e1rio e pedag\u00f3gico. Contar a beleza e a ru\u00edna de um v\u00ednculo, mas tamb\u00e9m iluminar os movimentos invis\u00edveis de mecanismos inconscientes que mant\u00eam tantas almas cativas.<\/p>\n<p><strong>O Jardim e a Janela<\/strong><br \/>\nAnt\u00f3nio via-a atrav\u00e9s do vidro da janela da sala. No jardim, Leonor girava sobre si mesma, de bra\u00e7os abertos, o vestido branco a ondular como n\u00e9voa em turbilh\u00e3o. Parecia uma bailarina entregue a uma m\u00fasica secreta, invis\u00edvel ao mundo. A cena era de uma beleza dolorosa, quase f\u00edlmica ou mesmo sagrada.<br \/>\nMas Ant\u00f3nio sabia: aquele riso cristalino podia, a qualquer instante, dissolver-se em choro convulso, em sil\u00eancio glacial, em gritos que atravessavam as paredes. Era o equil\u00edbrio prec\u00e1rio da sua rainha, da sua menina, da sua condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dentro de casa, o telefone tocou. Era a m\u00e3e de Leonor, agora confinada a um lar.<br \/>\nA voz de Leonor mudou de repente: da euforia infantil e meiga para uma gravidade quase lit\u00fargica.<br \/>\n&#8211; J\u00e1 vou, m\u00e3e. Sim, levo o que precisa. Est\u00e1 tudo bem.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio suspirou. Conhecia bem esse duplo registo. Na noite anterior, aquela mesma boca que agora falava com do\u00e7ura gritara-lhe que era um in\u00fatil, um imbecil que a sufocava com a sua paix\u00e3o doente, que nunca a entenderia.<\/p>\n<p>Era o mesmo ciclo de h\u00e1 trinta anos, repetindo-se em discuss\u00f5es vazias que mais pareciam di\u00e1logos com fantasmas, as mesmas vozes do passado, dan\u00e7ando sobre a lama onde antes houvera vida.<\/p>\n<p><strong>O C\u00edrculo de Giz<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o me olhes assim! &#8211; irrompeu Leonor, entrando na sala como um furac\u00e3o. &#8211; Esse teu olhar de c\u00e3o abandonado faz-me sentir\u2026 suja!<\/p>\n<p>&#8211; Eu s\u00f3 estou a olhar para ti, Leonor. S\u00f3 te admiro e sempre te compreendi &#8211; disse Ant\u00f3nio, numa voz que parecia um fio gasto de paci\u00eancia e compax\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Admiras? Ou toleras? Tu \u00e9s t\u00e3o passivo! Um zero! Casei contigo para n\u00e3o ser o tapete de ningu\u00e9m e afinal tornei-me a esposa de um tapete!<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio calou-se, pensando na farsa de In\u00eas Pereira e a sua rela\u00e7\u00e3o com P\u00earo Marques. Sabia a cena de cor.<br \/>\nEla, a filha maltratada por um pai col\u00e9rico e ignorada por uma m\u00e3e distante e fria, procurara nele o pr\u00edncipe salvador. Ele, apaixonado e culto, enfeitara-a com ouro e joias, construiu-lhe uma gaiola dourada pensando erguer-lhe um trono. Mas Leonor descobrira cedo o seu trauma infantil e que s\u00f3 deixaria de ser v\u00edtima se se tornasse algoz. E Ant\u00f3nio, c\u00famplice perfeito, oferecia-se ao sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>&#8211; Desculpa, Leonor &#8211; murmurou ele, repetindo o mantra que o definia.<\/p>\n<p>Ela saiu, deixando para tr\u00e1s perfume caro e a n\u00e9voa de incompreens\u00e3o que o asfixiava.<\/p>\n<p><strong>Os Conselheiros do Labirinto<\/strong><\/p>\n<p>Na semana seguinte, dois gabinetes, duas vozes, dois mapas diferentes.<\/p>\n<p>No psic\u00f3logo:<br \/>\n&#8211; Sinto que ele me anula, doutor. Sinto que a minha energia se esvai\u2026<br \/>\n&#8211; A sua verdade \u00e9 soberana, Leonor, deve centrar-se na sua perspetiva. A vida \u00e9 sua e o seu marido, com todo o respeito, \u00e9 uma figura coadjuvante na sua narrativa. A Leonor precisa de adquirir poder e autoridade.<\/p>\n<p>Leonor saiu dali euf\u00f3rica e refor\u00e7ada no seu ego. Foi ao shopping \u00e0s compras. Gastou ainda mais do que de costume. Comprou vestidos e ilus\u00f5es, sentindo-se rainha por algumas horas.<\/p>\n<p>No gabinete do Director Espiritual (Padre Fernandes):<br \/>\n&#8211; Padre, sinto um vazio. Vivo como se fosse um jogo de sombra. Fa\u00e7o as lidas da casa e cuido de diversos afazeres\u2026 N\u00e3o sinto alegria e s\u00f3 em pensar na fam\u00edlia a falta de ar atafega-me.<br \/>\n&#8211; Talvez o caminho seja olhar para al\u00e9m de si. N\u00e3o como dever, mas como dom. Olhe para o Ant\u00f3nio n\u00e3o como um espelho que reflete o que voc\u00ea \u00e9, mas como uma outra alma, com as suas pr\u00f3prias lutas. Na vida de casal h\u00e1 um eu, um tu e um n\u00f3s e o n\u00f3s \u00e9 aquela \u201cpersonalidade\u201d que integra os dois e os faz crescer cada qual no seu ser de pessoa.<\/p>\n<p>Leonor saiu dali comovida e a pensar no altru\u00edsmo. Decidiu visitar a m\u00e3e todos os dias. Esqueceu-se, por\u00e9m, que era o anivers\u00e1rio de Ant\u00f3nio. Ele jantou sozinho, diante de um bolo frio.<\/p>\n<p><strong>A Alegoria da Farsa<\/strong><br \/>\nChegada a noite, a crise explodiu.<br \/>\n&#8211; Onde estiveste? &#8211; perguntou Ant\u00f3nio, sem acusar.<br \/>\n&#8211; Com a minha m\u00e3e! A fazer o que tu nunca farias! A ser uma pessoa decente! \u00c9s t\u00e3o ego\u00edsta! S\u00f3 pensas em ti!<\/p>\n<p>Ele deixou escapar uma gargalhada amarga.<br \/>\n&#8211; Isto \u00e9 uma farsa, uma farsa de uma genialidade tr\u00e1gica, Leonor. Passo a vida a pensar em ti, a aceitar os teus caprichos, a engolir os teus insultos, tolero o desprezo e as proje\u00e7\u00f5es a que me atiras\u2026 e sou eu o ego\u00edsta? N\u00e3o v\u00eas que me castigas pelo crime do teu pai e pela neglig\u00eancia de tua m\u00e3e? Eu n\u00e3o sou ele nem t\u00e3o-pouco sou tua m\u00e3e que vingas em mim!<\/p>\n<p>Leonor empalideceu. A sua narrativa interna vacilou ao ser tocada no seu roteiro inconsciente. Gritou, mas o grito soou oco, at\u00e9 aos seus pr\u00f3prios ouvidos. Caiu em l\u00e1grimas. O seu mundo de fantasia, onde ela era a v\u00edtima perp\u00e9tua, entrou em colapso por um segundo.<br \/>\n&#8211; Porque \u00e9 que ningu\u00e9m me ama? Porque \u00e9 que eu sou assim?<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio aproximou-se, mas n\u00e3o a tocou. O seu amor doentio, simbi\u00f3tico, pedia-lhe para a abra\u00e7ar, para a salvar, mas conteve-se. Algo novo emergiu: uma claridade dolorosa.<\/p>\n<p><strong>A Interven\u00e7\u00e3o do Espectador<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o foi um psic\u00f3logo espec\u00edfico, mas a pr\u00f3pria vida que os levou finalmente a uma consulta conjunta. Ant\u00f3nio colapsara tamb\u00e9m: o corpo n\u00e3o aguentara mais o peso do sil\u00eancio e de tantos sapos engolidos.<\/p>\n<p>O doutor, de fala serena e olhar anal\u00edtico, parecia um retrato vivo de Jung. Escutou-os. Horas seguidas. Depois falou.<\/p>\n<p>&#8211; O que temos aqui n\u00e3o \u00e9 um campo de batalha com um culpado e uma v\u00edtima. \u00c9 um sistema de espelhos quebrados, onde cada um reflete no outro as feridas do passado de forma distorcida. Leonor, dentro de si insurge-se um vazio insaci\u00e1vel, onde ainda grita a dor da menina que n\u00e3o foi vista nem tida em conta na inf\u00e2ncia. A Leonor, inconscientemente, exige que Ant\u00f3nio pague essa conta: que a veja, a preencha, a cure. Mas nenhum homem pode ser o pai ou a m\u00e3e que faltou, nenhum ser humano pode ser a salva\u00e7\u00e3o de outro. A sua instabilidade, a sua hipersensibilidade, a sua raiva, a sua fantasia de abandono\u2026 s\u00e3o sintomas de uma dor antiga. \u00c9 a sua \u2018menina maltratada\u2019 que grita, mas quem ouve e as paga \u00e9 o homem que a ama, n\u00e3o o pai que a magoou. A Leonor revive o abandono que experimentou na inf\u00e2ncia e fatidicamente auto-castiga-se ao fazer por voltar a ele.<\/p>\n<p>O terapeuta junguiano voltou-se para Ant\u00f3nio.<\/p>\n<p>&#8211; E voc\u00ea, Ant\u00f3nio, o seu apaixonamento \u00e9 nobre, mas tornou-se numa ren\u00fancia a si mesmo e isso n\u00e3o \u00e9 sadio. A sua toler\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 amor, a sua paci\u00eancia transformou-se em coniv\u00eancia com a doen\u00e7a. Ao n\u00e3o estabelecer limites, ao tolerar tudo, ao viver em simbiose, voc\u00ea n\u00e3o a est\u00e1 a ajudar. Est\u00e1 a alimentar os sintomas de Leonor. Com a sua exagerada compreens\u00e3o est\u00e1 a dar-lhe mais raz\u00f5es para ela n\u00e3o se respeitar a si mesma e como pode ela respeitar algu\u00e9m que se anula por ela? A sua paci\u00eancia \u00e9, paradoxalmente, uma forma de ego\u00edsmo: voc\u00ea prefere o sofrimento conhecido \u00e0 coragem de uma mudan\u00e7a real. O seu sacrif\u00edcio, longe de ser amor, tornou-se uma pris\u00e3o que o impede a si mesmo de ser e de se afirmar e assim impede Leonor de se enfrentar a si mesma e deste modo ela reconhecer o jogo entre a menina abandonada que aspira a ser rainha e fatalmente se vinga.<\/p>\n<p>&#8211; O caminho, continuou o doutor, n\u00e3o \u00e9 um resgatar o outro, mas cada um resgatar-se a si mesmo, numa de complementaridade, interajuda e compreens\u00e3o. Leonor, a sua jornada \u00e9 aprender a descobrir-se e encontrar a realidade para al\u00e9m do filtro da sua dor e que o mundo n\u00e3o gira \u00e0 sua volta, porque esta cren\u00e7a isola-a e destr\u00f3i-a.<br \/>\nAnt\u00f3nio, a sua jornada \u00e9 aprender que o amor n\u00e3o \u00e9 fus\u00e3o e sofrimento. \u00c9 aprender a ser um indiv\u00edduo completo, que apoia e ama sem desaparecer. Voc\u00ea conhece o segundo maior mandamento crist\u00e3o que \u00e9 amar o outro como a si mesmo. Isto pressup\u00f5e um n\u00edvel saud\u00e1vel de amor-pr\u00f3prio para poder amar e cuidar do pr\u00f3ximo de forma genu\u00edna.<\/p>\n<p><strong>A N\u00e9voa e o Mapa<\/strong><br \/>\nAnt\u00f3nio e Leonor deixaram o consult\u00f3rio sem dizer uma palavra.<br \/>\nN\u00e3o sentiam culpa, mas compreenderam algo mais profundo: a consci\u00eancia de que estavam presos a padr\u00f5es que agora se revelavam, como se uma m\u00e1scara tivesse ca\u00eddo.<br \/>\nN\u00e3o havia reden\u00e7\u00e3o milagrosa, apenas a clareza que obriga \u00e0 mudan\u00e7a.<br \/>\nDiante dessa nova consci\u00eancia, reconheceram a necessidade \u00e9tica da reconcilia\u00e7\u00e3o consigo mesmos e de se responsabilizarem por si e pela humanidade que representam.<br \/>\nPerceberam que o caminho seria longo, talvez n\u00e3o tivesse fim<br \/>\nNaquele dia, Ant\u00f3nio n\u00e3o pediu desculpa. E Leonor n\u00e3o o acusou. Pela primeira vez, n\u00e3o h\u00e1 acusa\u00e7\u00f5es nem desculpas. Caminham lado a lado, duas solid\u00f5es distintas, mas agora conscientes dos fantasmas que dan\u00e7avam neles e entre eles. A n\u00e9voa n\u00e3o se levantara, mas possu\u00edam agora um mapa rudimentar para n\u00e3o se perderem nela para sempre. E nesse mapa, a primeira indica\u00e7\u00e3o era a mais clara e a mais subtil: a de que a \u00fanica liberta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel come\u00e7ava no autoconhecimento.<br \/>\nConsidera\u00e7\u00e3o Final<\/p>\n<p>Este conto n\u00e3o ensina, reflete. \u00c9 um espelho erguido diante do humano onde a alma se reconhece e se estranha.<br \/>\nEm Ant\u00f3nio e Leonor, cada leitor poder\u00e1 entrever-se a si mesmo! Neles cintilam as m\u00faltiplas faces do humano: o que fere e o que cura, o que ama e o que teme, o que se entrega e o que foge, sempre como parte do mesmo c\u00edrculo de amor e perda.<br \/>\nA liberta\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 no sacrif\u00edcio do outro, mas na lucidez de quem se encontra consigo mesmo e descobre, na rela\u00e7\u00e3o aut\u00eantica, a for\u00e7a que sustenta o real que leva \u00e0 travessia interior que conduz ao reconhecimento da pr\u00f3pria verdade.<br \/>\nTalvez o destino mais alto do amor e a plenitude de uma vida partilhada seja este: compreender e pensar o eu a partir do n\u00f3s, no espa\u00e7o vivo do eu-tu-n\u00f3s, essa teia de reciprocidade onde o humano pressente o mist\u00e9rio da Trindade.<\/p>\n<p>\u00a9 Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo, Pegadas do Tempo, dezembro 2019<br \/>\nhttps:\/\/poesiajusto.blogspot.com\/2025\/10\/o-espelho-e-nevoa.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo Introdu\u00e7\u00e3o Este conto \u00e9, tamb\u00e9m, uma alegoria. 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