{"id":10384,"date":"2025-10-17T01:34:21","date_gmt":"2025-10-17T00:34:21","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10384"},"modified":"2025-10-17T01:34:21","modified_gmt":"2025-10-17T00:34:21","slug":"para-alem-da-matriz-masculina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10384","title":{"rendered":"PARA AL\u00c9M DA MATRIZ MASCULINA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Uma an\u00e1lise cr\u00edtica da domin\u00e2ncia masculina nas estruturas sociopol\u00edticas e a necessidade de reequilibrar os princ\u00edpios feminino e masculino<\/strong><\/p>\n<p>Por Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o: O Colonialismo Mental da Matriz Masculina<\/strong><\/p>\n<p>Neste ensaio procuro elaborar uma proposta de um modelo antropol\u00f3gico equilibrado com base no princ\u00edpio da complementaridade.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A sociedade contempor\u00e2nea encontra-se enredada num paradoxo fundamental: enquanto se proclama a igualdade de g\u00e9nero e se celebram conquistas no campo dos direitos das mulheres, a estrutura profunda que organiza o pensamento, o poder e a economia permanece fundamentalmente masculina na sua ess\u00eancia. Este &#8220;colonialismo mental&#8221;, como aqui o designamo, n\u00e3o poupa homens nem mulheres, condicionando o desenvolvimento humano e social a padr\u00f5es aparentemente arbitr\u00e1rios, determinados pelo zeitgeist de cada \u00e9poca, mas invariavelmente ancorados numa l\u00f3gica de afirma\u00e7\u00e3o, competi\u00e7\u00e3o e dom\u00ednio.<\/p>\n<p>O presente artigo prop\u00f5e uma an\u00e1lise te\u00f3rica, anal\u00edtica e cr\u00edtica da nossa matriz antropol\u00f3gica e sociopol\u00edtica, procurando n\u00e3o apenas diagnosticar o problema, mas apresentar um modelo alternativo que honre genuinamente tanto o princ\u00edpio da feminilidade como o da masculinidade, n\u00e3o como categorias biol\u00f3gicas fixas, mas como dimens\u00f5es complementares presentes em cada ser humano e necess\u00e1rias ao equil\u00edbrio social.<\/p>\n<ol>\n<li><strong> Arqueologia da Diferencia\u00e7\u00e3o: Das Origens \u00e0 Divis\u00e3o do Trabalho<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>1.1. As Ra\u00edzes Evolutivas da Especializa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Nos prim\u00f3rdios da humanidade, a divis\u00e3o de tarefas entre ca\u00e7a e recolha estabeleceu padr\u00f5es de especializa\u00e7\u00e3o cognitiva e social que reverberam at\u00e9 hoje. O homem ca\u00e7ador desenvolveu capacidades de vis\u00e3o ao longe, pensamento abstrato e estrat\u00e9gico, capacidade de risco calculado e a\u00e7\u00e3o decisiva, caracter\u00edsticas que designo como &#8220;masculinas&#8221;. A mulher recolectora especializou-se na aten\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo e ao concreto, na gest\u00e3o do espa\u00e7o dom\u00e9stico, na nutri\u00e7\u00e3o e no cuidado, as pressupostas caracter\u00edsticas &#8220;femininas&#8221;.<\/p>\n<p>Esta diferencia\u00e7\u00e3o inicial, produto de necessidades adaptativas, n\u00e3o era hier\u00e1rquica, mas complementar. Duas leis evolutivas operavam em equil\u00edbrio: a <strong>lei da afirma\u00e7\u00e3o seletiva<\/strong> (sele\u00e7\u00e3o natural, competi\u00e7\u00e3o, dom\u00ednio do mais forte) e a <strong>lei da colabora\u00e7\u00e3o<\/strong> (coopera\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o, interdepend\u00eancia). Ambas eram necess\u00e1rias \u00e0 sobreviv\u00eancia do grupo.<\/p>\n<p><strong>1.2. Da Deusa-M\u00e3e ao Patriarcado: A Viragem Neol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>No per\u00edodo neol\u00edtico, com o surgimento da agricultura e da pecu\u00e1ria, o culto da deusa-m\u00e3e testemunhava o reconhecimento da mulher como princ\u00edpio de continuidade da vida, associada \u00e0 terra f\u00e9rtil e \u00e0 natureza. Esta fase representa talvez o \u00faltimo momento hist\u00f3rico de equil\u00edbrio real entre os princ\u00edpios feminino e masculino nas estruturas simb\u00f3licas e de poder.<\/p>\n<p>Com o desenvolvimento da metalurgia, da guerra organizada e das primeiras estruturas estatais complexas, inicia-se a progressiva masculiniza\u00e7\u00e3o das estruturas de poder. O princ\u00edpio masculino expresso em \u00a0afirma\u00e7\u00e3o, conquista, hierarquia e dom\u00ednio, passa a colonizar todas as esferas do social.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>A Economia como Motor da Masculiniza\u00e7\u00e3o Social<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>2.1. Da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial \u00e0 Era Digital<\/strong><\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Industrial marca um ponto de viragem crucial. A transi\u00e7\u00e3o dos modelos agr\u00edcola e artesanal para a produ\u00e7\u00e3o industrial em larga escala exigia cada vez mais m\u00e3o-de-obra. As mulheres constitu\u00edam uma reserva estrat\u00e9gica, mas para serem integradas no mundo industrial, tinham de se adaptar \u00e0 l\u00f3gica masculina da produ\u00e7\u00e3o: competi\u00e7\u00e3o, efici\u00eancia, hierarquia r\u00edgida, separa\u00e7\u00e3o entre trabalho e vida.<\/p>\n<p>A p\u00edlula anticoncepcional, significativamente criada para as mulheres, n\u00e3o para os homens, simboliza esta instrumentaliza\u00e7\u00e3o: permitia \u00e0s mulheres entrarem no mercado de trabalho nos termos masculinos, controlando a reprodu\u00e7\u00e3o para n\u00e3o interromper a produ\u00e7\u00e3o. A maternidade, princ\u00edpio feminino por excel\u00eancia, tornava-se um &#8220;problema&#8221; a gerir sob o princ\u00edpio da masculinidade.<\/p>\n<p>O pragmatismo e o utilitarismo substitu\u00edram progressivamente a filosofia, a religi\u00e3o e a \u00e9tica social como fundamentos do pensamento coletivo. A sociologia tornou-se a pilar da democracia, mas uma democracia crescentemente reduzida \u00e0 gest\u00e3o pragm\u00e1tica e cosm\u00e9tica, orientada para resultados mensur\u00e1veis a curto prazo, numa l\u00f3gica essencialmente masculina expressa tamb\u00e9m na funcionalidade e logaritmos.<\/p>\n<p><strong>2.2. O Marketing e a Instrumentaliza\u00e7\u00e3o da Feminilidade<\/strong><\/p>\n<p>Paradoxalmente, enquanto as estruturas se masculinizavam, o marketing descobria na sensibilidade feminina um fil\u00e3o a explorar. As mulheres, mais orientadas para o sentimento e para a dimens\u00e3o relacional e do consumo (versus o foco masculino no prop\u00f3sito), tornaram-se alvos privilegiados da ind\u00fastria e dos servi\u00e7os. Mas esta &#8220;valoriza\u00e7\u00e3o&#8221; da feminilidade era, na verdade, mais uma forma da sua instrumentaliza\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o do princ\u00edpio masculino: o lucro, a expans\u00e3o, o progressos ou seja, o crescimento pelo crescimento.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> O Princ\u00edpio &#8220;Divide et Impera&#8221; Aplicado ao G\u00e9nero<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>3.1. A Falsa Dial\u00e9tica da Luta de G\u00e9neros<\/strong><\/p>\n<p>O antigo princ\u00edpio pol\u00edtico e militar &#8220;divide para reinar&#8221; (divide et impera) encontra na quest\u00e3o do g\u00e9nero uma aplica\u00e7\u00e3o particularmente insidiosa. Tal como na luta entre ricos e pobres, a dial\u00e9tica entre homens e mulheres \u00e9 frequentemente enquadrada em termos de conflito, competi\u00e7\u00e3o e conquista de poder, numa palavra, em termos masculinos de car\u00e1cter meramente sociol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Grande parte do ativismo feminista contempor\u00e2neo, embora animado por leg\u00edtimas reivindica\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a, adota estrat\u00e9gias de luta de car\u00e1cter extremamente masculino: afirma\u00e7\u00e3o agressiva, confronta\u00e7\u00e3o, conquista de territ\u00f3rios de poder. Esta contradi\u00e7\u00e3o performativa, lutar pela feminilidade com armas masculinas, revela at\u00e9 que ponto a matriz masculina colonizou at\u00e9 os movimentos que pretensamente a contestam.<\/p>\n<p><strong>3.2. A Naturaliza\u00e7\u00e3o do Paradigma Militar<\/strong><\/p>\n<p>A naturalidade com que se discute hoje a introdu\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio tamb\u00e9m para mulheres constitui um sintoma revelador. O modelo militar, hierarquia r\u00edgida, obedi\u00eancia, viol\u00eancia organizada, sacrif\u00edcio individual ao coletivo abstrato, representa a quintess\u00eancia do princ\u00edpio masculino. Que a &#8220;igualdade de g\u00e9nero&#8221; se afirme atrav\u00e9s da integra\u00e7\u00e3o das mulheres neste modelo, em vez de questionar o pr\u00f3prio modelo, demonstra o grau de internaliza\u00e7\u00e3o da matriz masculina. Tamb\u00e9m a mulher reduzida a mera funcionalidade.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> Mutila\u00e7\u00f5es Contempor\u00e2neas: Homens Efeminados e Mulheres Masculinizadas<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>4.1. O Mito da Feminiza\u00e7\u00e3o Social<\/strong><\/p>\n<p>Observamos hoje homens aparentemente mais &#8220;efeminados&#8221;, o que \u00e9 frequentemente interpretado como sinal de feminiza\u00e7\u00e3o da sociedade. Esta leitura \u00e9 duplamente equivocada. Primeiro, porque confunde efemina\u00e7\u00e3o (caricatura da feminilidade) com feminilidade genu\u00edna (princ\u00edpio de integra\u00e7\u00e3o, cuidado, rela\u00e7\u00e3o). Segundo, porque estes homens n\u00e3o s\u00e3o agentes de uma mudan\u00e7a estrutural, mas sintomas e v\u00edtimas do zeitgeist, manifesta\u00e7\u00f5es de uma crise de identidade masculina que n\u00e3o altera a domin\u00e2ncia da matriz masculina nas estruturas de poder.<\/p>\n<p><strong>4.2. O Drama das Mulheres em Posi\u00e7\u00f5es de Poder<\/strong><\/p>\n<p>Sintomaticamente, mulheres em cargos de lideran\u00e7a tendem frequentemente a ser mais agressivas, mais &#8220;masculinas&#8221; na sua gest\u00e3o do que muitos homens. Este fen\u00f3meno n\u00e3o \u00e9 acidental: numa estrutura masculina, as mulheres sentem necessidade de &#8220;provar&#8221; o seu valor adotando e exacerbando os c\u00f3digos masculinos. \u00c9 uma forma de compensa\u00e7\u00e3o que, tragicamente, perpetua o sistema que as limita.<\/p>\n<p>A verdadeira igualdade n\u00e3o vir\u00e1 de mulheres que se tornam &#8220;homens honor\u00e1rios&#8221;, mas da transforma\u00e7\u00e3o das estruturas para que possam acolher genuinamente o princ\u00edpio feminino.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> A Era Digital e a Intensifica\u00e7\u00e3o da Masculiniza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>5.1. Hiperconex\u00e3o e Individualiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o digital, com a Intelig\u00eancia Artificial, a automa\u00e7\u00e3o, os Big Data e a biotecnologia, promete (ou amea\u00e7a) uma transforma\u00e7\u00e3o sem precedentes. Paradoxalmente, num mundo hiperconectado, observamos uma intensifica\u00e7\u00e3o da individualiza\u00e7\u00e3o (acentua\u00e7\u00e3o do ego), mais uma manifesta\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio masculino (autonomia, separa\u00e7\u00e3o, competi\u00e7\u00e3o) em detrimento do feminino (interdepend\u00eancia, comunidade, cuidado).<\/p>\n<p>A l\u00f3gica algor\u00edtmica que domina a era digital \u00e9 essencialmente masculina: an\u00e1lise, divis\u00e3o, classifica\u00e7\u00e3o, otimiza\u00e7\u00e3o, efici\u00eancia. Os pr\u00f3prios algoritmos refor\u00e7am soslaios de g\u00e9nero existentes, perpetuando a matriz masculina em c\u00f3digo.<\/p>\n<p><strong>5.2. A Crise da Vis\u00e3o a Longo Prazo<\/strong><\/p>\n<p>O modelo masculino dominante, focado na afirma\u00e7\u00e3o imediata e na conquista de objetivos a curto prazo, mostra-se crescentemente inadequado face aos desafios contempor\u00e2neos. As crises ecol\u00f3gica, clim\u00e1tica e de sustentabilidade exigem precisamente as qualidades do princ\u00edpio feminino: cuidado com o longo prazo, aten\u00e7\u00e3o aos efeitos sobre o todo, responsabilidade relacional, prud\u00eancia.<\/p>\n<p>A incapacidade das nossas estruturas pol\u00edticas e econ\u00f3micas de responderem adequadamente a estes desafios n\u00e3o \u00e9 acidental, \u00e9 estrutural, produto da domin\u00e2ncia da matriz masculina.<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong> Proposta de um Modelo Antropol\u00f3gico Equilibrado<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>6.1. Reconhecer a Bival\u00eancia de Cada Pessoa<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro passo \u00e9 reconhecer que cada pessoa, independentemente do sexo biol\u00f3gico, \u00e9 portadora de caracter\u00edsticas masculinas e femininas. A masculinidade (afirma\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise, abstra\u00e7\u00e3o, competi\u00e7\u00e3o) e a feminilidade (integra\u00e7\u00e3o, s\u00edntese, materialidade, tangibilidade: colabora\u00e7\u00e3o) n\u00e3o s\u00e3o propriedades de homens e mulheres, mas dimens\u00f5es da psique humana (Aninus e Anima) e princ\u00edpios organizadores da sociedade.<\/p>\n<p><strong>6.2. Reequilibrar as Estruturas de Poder<\/strong><\/p>\n<p>Em vez de procurar a &#8220;igualdade&#8221; atrav\u00e9s da adapta\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e0 matriz masculina, \u00e9 necess\u00e1rio transformar as pr\u00f3prias estruturas para que valorizem genuinamente:<\/p>\n<p><strong>&#8211; Decis\u00f5es a longo prazo<\/strong> (versus resultados imediatos)<\/p>\n<p><strong>&#8211; Cuidado e sustentabilidade<\/strong> (versus crescimento e conquista)<\/p>\n<p><strong>&#8211; Colabora\u00e7\u00e3o e interdepend\u00eancia<\/strong> (versus competi\u00e7\u00e3o e autonomia)<\/p>\n<p><strong>&#8211; Concreto e local<\/strong> (versus abstrato e global)<\/p>\n<p><strong>&#8211; Processos e rela\u00e7\u00f5es<\/strong> (versus objetivos e hierarquias)<\/p>\n<p><strong>6.3. Reformular a Educa\u00e7\u00e3o e a Cultura<\/strong><\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o deve cultivar conscientemente ambos os princ\u00edpios em todas as pessoas:<\/p>\n<p>&#8211; Capacidade de afirma\u00e7\u00e3o e de integra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&#8211; Pensamento anal\u00edtico e sint\u00e9tico<\/p>\n<p>&#8211; Competi\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e colabora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&#8211; Autonomia e interdepend\u00eancia<\/p>\n<p>&#8211; Corpo e alma em di\u00e1logo de complementaridade<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong> Para Al\u00e9m do Zeitgeist: Liberdade de Pensar<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>7.1. &#8220;Conhece-te a Ti Mesmo&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>O princ\u00edpio socr\u00e1tico &#8220;conhece-te a ti mesmo&#8221; \u00e9 aqui fundamental. Enquanto n\u00e3o reconhecermos conscientemente a coloniza\u00e7\u00e3o das nossas mentes pela matriz masculina, permaneceremos seus prisioneiros. O autoconhecimento individual e coletivo \u00e9 a precondi\u00e7\u00e3o da liberdade.<\/p>\n<p><strong>7.2. Criatividade e Inova\u00e7\u00e3o Genu\u00ednas<\/strong><\/p>\n<p>A verdadeira criatividade e inova\u00e7\u00e3o exigem liberdade de pensar para al\u00e9m dos padr\u00f5es estabelecidos. Um modelo antropol\u00f3gico equilibrado, que honre ambos os princ\u00edpios, seria genuinamente inovador; n\u00e3o no sentido do &#8220;progressismo globalista&#8221; (que \u00e9 frequentemente mais uma forma de imperialismo da matriz masculina), mas no sentido de abrir possibilidades realmente novas de organiza\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong> Conclus\u00e3o: Rumo a uma Nova Complementaridade<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A sociedade contempor\u00e2nea encontra-se numa encruzilhada. A intensifica\u00e7\u00e3o da matriz masculina, longe de nos conduzir a um futuro sustent\u00e1vel e humanamente satisfat\u00f3rio, est\u00e1 certamente a produzir uma era de &#8220;desumaniza\u00e7\u00e3o do humano&#8221;, um novo nomadismo desenraizado, uma crise \u00e9tica de propor\u00e7\u00f5es sem precedentes.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa por inverter simplesmente a polaridade, substituir a tirania do masculino pela do feminino, mas por reconhecer a necessidade de ambos os princ\u00edpios numa rela\u00e7\u00e3o de complementaridade genu\u00edna, n\u00e3o hier\u00e1rquica.<\/p>\n<p>Homens e mulheres, cada um com a sua particular combina\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas masculinas e femininas, precisam de estruturas sociais, pol\u00edticas e econ\u00f3micas que valorizem essa riqueza em vez de a mutilarem. Apenas assim ser\u00e1 poss\u00edvel um desenvolvimento verdadeiramente humano, nem exclusivamente masculino nem exclusivamente feminino, mas integralmente humano.<\/p>\n<p>O desafio n\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnico, mas civilizacional: trata-se de re-imaginar a pr\u00f3pria estrutura do poder, da economia e da organiza\u00e7\u00e3o social para al\u00e9m do paradigma da domina\u00e7\u00e3o. Trata-se, afinal, de realizar a promessa n\u00e3o cumprida da modernidade: uma sociedade de pessoas livres e iguais em dignidade, capazes de afirma\u00e7\u00e3o e de integra\u00e7\u00e3o, de autonomia e de interdepend\u00eancia, de conquistar e de cuidar.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o horizonte de uma verdadeira inova\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica, n\u00e3o a adapta\u00e7\u00e3o das mulheres ao mundo masculino, mas a cria\u00e7\u00e3o de um mundo verdadeiramente humano.<\/p>\n<p>O progresso verdadeiro n\u00e3o \u00e9 apenas t\u00e9cnico, mas humano; n\u00e3o \u00e9 apenas crescimento, mas desenvolvimento; n\u00e3o \u00e9 apenas afirma\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Considero urgente que os temas de que a ci\u00eancia, a economia e a pol\u00edtica se deveriam ocupar priorit\u00e1ria e criticamente seriam os seguintes: Matriz masculina, princ\u00edpios feminino e masculino, complementaridade de g\u00e9nero, antropologia social, cr\u00edtica da modernidade, economia do cuidado, colonialismo mental, desenvolvimento humano integral.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>Te\u00f3logo e Pedagogo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma an\u00e1lise cr\u00edtica da domin\u00e2ncia masculina nas estruturas sociopol\u00edticas e a necessidade de reequilibrar os princ\u00edpios feminino e masculino Por Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo &nbsp; Introdu\u00e7\u00e3o: O Colonialismo Mental da Matriz Masculina Neste ensaio procuro elaborar uma proposta de um modelo antropol\u00f3gico equilibrado com base no princ\u00edpio da complementaridade.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10384\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">PARA AL\u00c9M DA MATRIZ MASCULINA<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,14,4,5,6,7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-10384","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-escola","category-migracao","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10384"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10384\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10385,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10384\/revisions\/10385"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}