{"id":10220,"date":"2025-08-08T15:20:55","date_gmt":"2025-08-08T14:20:55","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10220"},"modified":"2025-08-08T15:53:29","modified_gmt":"2025-08-08T14:53:29","slug":"quinta-outeiro-da-luz-na-branca-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10220","title":{"rendered":"QUINTA OUTEIRO DA LUZ NA BRANCA &#8211; AVEIRO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>O Lugar onde a Alma\u00a0 respira e repousa<\/strong><\/p>\n<p>Quero guardar na mem\u00f3ria a paisagem vista das alturas da Branca: o crep\u00fasculo dourado, o cintilar das estrelas e o bailado suave das luzes na noite.<\/p>\n<p>Das varandas da Quinta Outeiro da Luz (1), o olhar perde-se num horizonte mar\u00edtimo que se estende de Espinho at\u00e9 para al\u00e9m de Aveiro, uma vastid\u00e3o de mar e c\u00e9u que toca o interior da pessoa com a delicadeza de um sussurro divino.<\/p>\n<p>Cada p\u00f4r-do-sol \u00e9 um vers\u00edculo do livro da Cria\u00e7\u00e3o: uma revela\u00e7\u00e3o \u00fanica, irrepet\u00edvel, como se o cosmos se abrisse em cor e sil\u00eancio para nos dizer algo que nenhuma linguagem humana ousa traduzir. Aqui, como em lugares especiais de Portugal, a paisagem revela-se m\u00fasica no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ali, ao entardecer, ap\u00f3s um dia de lides cumpridas, a contempla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fuga, mas mergulho.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o mundo que se abandona, mas sim o mundo que se revela na sua nudez plena, no seu erotismo sagrado, um apelo a olharmos para al\u00e9m de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, sob o len\u00e7ol das estrelas, o peito recolhe o universo. Os astros cintilam como seios femininos a ro\u00e7ar a alma, contando hist\u00f3rias de vidas que arderam em pensamento e paix\u00e3o, numa mesma voz unida de fil\u00f3sofos, santos, trabalhadores, buscadores do eros e peregrinos do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Cada estrela \u00e9 uma mem\u00f3ria. Cada brisa \u00e9 um sopro de quem j\u00e1 passou.<\/p>\n<p>E no repouso e sil\u00eancio, tudo vive, mais intensamente que no alarido do dia.<\/p>\n<p>A natureza, aqui, n\u00e3o \u00e9 cen\u00e1rio, \u00e9 templo da alma e do corpo.<\/p>\n<p>O mar, o vento, o crep\u00fasculo e as constela\u00e7\u00f5es convergem para dentro do ser, insuflando-o como pulm\u00e3o c\u00f3smico.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma espiritualidade que nasce do contacto com o real, n\u00e3o como ideia, mas como carne vibrante.<\/p>\n<p>O eros, aqui, n\u00e3o \u00e9 apenas desejo, \u00e9 liga\u00e7\u00e3o, perten\u00e7a, escuta.<\/p>\n<p>\u00c9 no sil\u00eancio contemplativo que o ser reencontra a sua morada.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 doutrina mais profunda do que esta: estar diante do mundo com olhos nus, peito aberto e alma porosa.<\/p>\n<p>A vida, enfim, respira-se, enfiando-se por n\u00f3s dentro.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>(1) https:\/\/quinta-vacations.com\/pt\/home-portugues\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Lugar onde a Alma\u00a0 respira e repousa Quero guardar na mem\u00f3ria a paisagem vista das alturas da Branca: o crep\u00fasculo dourado, o cintilar das estrelas e o bailado suave das luzes na noite. 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