{"id":10186,"date":"2025-08-03T21:31:14","date_gmt":"2025-08-03T20:31:14","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10186"},"modified":"2025-08-03T21:31:14","modified_gmt":"2025-08-03T20:31:14","slug":"europa-na-encruzilhada-energetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10186","title":{"rendered":"EUROPA NA ENCRUZILHADA ENERG\u00c9TICA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>A verdadeira Luta n\u00e3o \u00e9 entre Ocidente e Oriente, mas entre Oligarcas e Povos<\/strong><\/p>\n<p>A recente decis\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia de importar petr\u00f3leo e g\u00e1s obtidos atrav\u00e9s de fractura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica dos Estados Unidos, que corresponde a uma pr\u00e1tica amplamente criticada pelos seus impactos ambientais, coloca em evid\u00eancia uma contradi\u00e7\u00e3o gritante. Se, por um lado, Bruxelas proclama a urg\u00eancia da transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, por outro, cede \u00e0 press\u00e3o econ\u00f3mica e geopol\u00edtica, comprando energia que descredibiliza os seus pr\u00f3prios princ\u00edpios. Ser\u00e1 este um erro t\u00e1tico para evitar uma guerra alfandeg\u00e1ria com os EUA? Ou um sinal de que a pol\u00edtica energ\u00e9tica europeia est\u00e1 ref\u00e9m de ideologias e incoer\u00eancias?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Hipocrisia do &#8220;Green Deal&#8221; e o Pre\u00e7o da Depend\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A Europa orgulha-se de ser pioneira no combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, mas a realidade mostra uma estrat\u00e9gia fr\u00e1gil, marcada por decis\u00f5es precipitadas e contradi\u00e7\u00f5es. O caso da Alemanha \u00e9 paradigm\u00e1tico: ao abandonar a energia nuclear e, em seguida, o carv\u00e3o, sem ter fontes renov\u00e1veis suficientemente consolidadas, deixou-se ref\u00e9m do g\u00e1s e do petr\u00f3leo estrangeiros. Como bem resumiu O ex-ministro alem\u00e3o Peter Altmaier, resumiu bem a situa\u00e7\u00e3o\u00a0 ao dizer, esta foi &#8220;a pol\u00edtica energ\u00e9tica mais est\u00fapida do mundo&#8221;.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia energ\u00e9tica europeia n\u00e3o s\u00f3 enfraquece a sua autonomia estrat\u00e9gica como mina a credibilidade do discurso ecol\u00f3gico. Se o sol e o vento s\u00e3o o futuro, por que continuamos a depender de combust\u00edveis f\u00f3sseis obtidos atrav\u00e9s de m\u00e9todos poluentes, como o fracking norte-americano? A resposta \u00e9 simples: porque a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, tal como est\u00e1 a ser conduzida, \u00e9 mais ideol\u00f3gica do que pragm\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O Perigo do Extremismo Verde e o Empobrecimento da Europa<\/strong><\/p>\n<p>A narrativa apocal\u00edptica sobre as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, amplificada diariamente pelos media, transformou-se numa ferramenta de doutrina\u00e7\u00e3o quase di\u00e1ria. Em vez de um debate racional sobre custos, prazos e viabilidade t\u00e9cnica, assistimos a uma polariza\u00e7\u00e3o que coloca os Verdes como &#8220;profetas do fim dos tempos&#8221;, enquanto qualquer vis\u00e3o cr\u00edtica \u00e9 taxada de negacionismo.<\/p>\n<p>Que resultado temos desta pol\u00edtica? Uma Europa que, na \u00e2nsia de ser moralmente superior, expulsa as suas ind\u00fastrias mais competitivas, indo com elas empregos e prosperidade. Como alertou o economista Hans-Werner Sinn, &#8220;a fuga de capitais e empresas para regi\u00f5es com energia mais barata e menos regulada j\u00e1 come\u00e7ou&#8221;. Se continuarmos neste caminho, o continente arrisca-se a tornar-se um museu industrial, enquanto China, EUA e outros players globais prosperam sem as mesmas amarras ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Trump, Von der Leyen e a Geopol\u00edtica da Energia<\/strong><\/p>\n<p>O acordo tarif\u00e1rio com os EUA pode ser um ponto de viragem, n\u00e3o por ser justo, mas por obrigar a Europa a encarar uma verdade inc\u00f3moda: n\u00e3o podemos ditar as regras do jogo global sozinhos e infelizmente todo o mundo tem ajudado os EUA a dit\u00e1-las. Donald Trump, enquanto pragm\u00e1tico defensor dos interesses norte-americanos, lembra-nos que a pol\u00edtica internacional \u00e9 movida por poder e conveni\u00eancia e n\u00e3o por idealismos. Entretanto a maior parte do jornalismo e das pessoas contenta-se a perder o folgo na corrida atr\u00e1s das canas dos foguetes.<\/p>\n<p>J\u00e1 Ursula von der Leyen, ao alinhar-se com um globalismo duro, parece mais interessada em agendas distantes das necessidades reais dos cidad\u00e3os europeus. A sua abordagem n\u00e3o s\u00f3 fragiliza a economia alem\u00e3 que tradicionalmente tem sido o motor da EU, como coloca tamb\u00e9m em risco a coes\u00e3o do bloco. Se a Alemanha cair, n\u00e3o haver\u00e1 quem ampare a derrocada. (De notar que de momento tamb\u00e9m a Alemanha, no meu entender se encontra no caminho errado).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O Caminho da Dignidade Humana e do Equil\u00edbrio<\/strong><\/p>\n<p>Em contraste com a vis\u00e3o materialista de Trump, temos outra voz vinda dos EUA, n\u00e3o da Casa Branca, mas do Vaticano. O Papa Le\u00e3o XIV, defende uma pol\u00edtica baseada na dignidade humana, na paz e no di\u00e1logo. A Europa faria bem em arredar caminho e ouvi-lo.<\/p>\n<p>Em vez de travar guerras econ\u00f3micas com a China, a R\u00fassia ou os BRICS, dever\u00edamos buscar compromissos e aliados sem olhar a ideologias porque uma economia complementar prepararia o caminho da paz entre os povos. Todo o bloqueio econ\u00f3mico n\u00e3o passa de uma guerra dos mais fortes contra os mais fracos em favor dos mais fortes. A verdadeira luta n\u00e3o \u00e9 entre Ocidente e Oriente, mas entre oligarcas e povos. Se queremos sobreviver nesta era de blocos (passagem do bloco hegem\u00f3nico dos EUA para uma multiplicidade de blocos), a Europa deve abandonar o belicismo econ\u00f3mico e o ambientalismo radical, abra\u00e7ando uma via pragm\u00e1tica que equilibre ecologia (sobriedade), bem-estar, soberania e humanidade<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Menos Ideologia, mais Realismo e mais Humanismo<\/strong><\/p>\n<p>O actual rumo \u00e9 insustent\u00e1vel e a sua fraqueza torna-se mais vis\u00edvel na sua propaganda ecol\u00f3gica exacerbada. Ou a Europa reconhece que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica exige tempo, investimento real e coopera\u00e7\u00e3o global, sem demonizar ind\u00fastrias e cidad\u00e3os, ou acabar\u00e1 como um continente enfraquecido, dividido entre o sonho verde e a dura realidade do poder alheio.<\/p>\n<p>A prosperidade requer ind\u00fastria, e a ind\u00fastria precisa de energia. O caminho de promo\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de armamento, que a UE e a Alemanha est\u00e3o a seguir para tapar o buraco provocado pela emigra\u00e7\u00e3o de outras ind\u00fastrias, poder\u00e1 preencher, por algum tempo, a lacuna pretendida, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00e9ria nem sustent\u00e1vel e p\u00f5e em risco o futuro.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo espanhol Ortega y Gasset tinha toda a raz\u00e3o ao escrever que, &#8220;a vida \u00e9 uma s\u00e9rie de choques com o futuro; n\u00e3o \u00e9 uma soma do que fomos, mas do que desejamos ser&#8221;. A Europa deve decidir: ou continuar a colidir com a realidade e a agir contra si pr\u00f3pria e contra a pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o, ou, com sentido de tarefa respons\u00e1vel, adaptar-se para construir um futuro verdadeiramente vi\u00e1vel; doutro modo continuar\u00e1 a desestabilizar as comunidades e a inquietar os cidad\u00e3os e com eles a nossa cultura de caracter democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A verdadeira Luta n\u00e3o \u00e9 entre Ocidente e Oriente, mas entre Oligarcas e Povos A recente decis\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia de importar petr\u00f3leo e g\u00e1s obtidos atrav\u00e9s de fractura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica dos Estados Unidos, que corresponde a uma pr\u00e1tica amplamente criticada pelos seus impactos ambientais, coloca em evid\u00eancia uma contradi\u00e7\u00e3o gritante. 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