{"id":10137,"date":"2025-07-25T17:39:25","date_gmt":"2025-07-25T16:39:25","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10137"},"modified":"2025-07-25T17:39:25","modified_gmt":"2025-07-25T16:39:25","slug":"humanismo-integral-geopolitico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10137","title":{"rendered":"HUMANISMO INTEGRAL GEOPOL\u00cdTICO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Complementaridade contra Imperialismos de Esquerda e Direita<\/strong><\/p>\n<p><strong>A civiliza\u00e7\u00e3o ocidental assemelha-se hoje a um Filho Pr\u00f3digo obstinado, que, seduzido por quimeras de liberdade, trocou a seguran\u00e7a do lar paterno pela err\u00e2ncia dos caminhos perdendo-se a olhar para as estrelas (1). <\/strong>Como ele, vivemos uma crise de identidade coletiva, perdidos numa fuga sem rumo que nos esgota e nos impede de reconhecer n\u00e3o s\u00f3 o caminho de regresso, mas at\u00e9 a pr\u00f3pria casa que abandon\u00e1mos.<\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o mais gritante que se p\u00f5e hoje a toda a humanidade reduz-se a como superar o conflito esquerda-direita (tradicionalistas-progressistas), ocidente-oriente e OCDE-BRICS de maneira a servir-se a humanidade e n\u00e3o agrupamentos de interesses. Povo, governantes e intelectuais t\u00eam de desenvolver um projecto comum de paz.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A crise ocidental, marcada pelo vazio espiritual do turbo-capitalismo e pelo radicalismo do socialismo ideol\u00f3gico, exige uma reintegra\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o humanista crist\u00e3, mas sem nostalgia tradicionalista nem progressismos desintegrados.<\/strong><\/p>\n<p><strong>As elites pol\u00edticas, falhadas em conceitos e vontade, insistem em modelos anacr\u00f3nicos, alimentados por uma cultura belicista que manifesta cada vez mais os desvios geopol\u00edticos da Europa e do Ocidente (2).<\/strong> <strong>A democracia, sabotada por dentro, clama por uma reorienta\u00e7\u00e3o urgente: um modelo sustent\u00e1vel, humanista e pac\u00edfico, que harmonize os valores crist\u00e3os ocidentais com efici\u00eancia econ\u00f3mica adaptativa e uma diplomacia de poder suave, inspirada, mas n\u00e3o copiada, da estrat\u00e9gia chinesa, e enraizada na nossa tradi\u00e7\u00e3o cultural (modelo cat\u00f3lico aberto).<\/strong> <strong>A solu\u00e7\u00e3o, \u00e9tico-humanista, passaria por resgatar a Doutrina Social da Igreja <\/strong>(Le\u00e3o XIII, Rerum Novarum; Jo\u00e3o Paulo II, Centesimus Annus), mas articulada com contribui\u00e7\u00f5es laicas como prop\u00f5e Amartya Sen (Desenvolvimento como Liberdade, 1999): economia social de mercado com foco em capacita\u00e7\u00e3o humana e Roger Scruton (Como Ser um Conservador, 2014): conservadorismo n\u00e3o reacion\u00e1rio, baseado em institui\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas. Para que isto se concretizasse, no que toca \u00e0 EU, teria a Alemanha e Bruxelas de deixar de usar, para defesa do seu imperialismo,\u00a0 a sua for\u00e7a econ\u00f3mica como meio aguerrido e instrumento de boicote a pa\u00edses\u00a0 que n\u00e3o se deixem subjugar aos interesses do seu bloco e sistema (ex. EU pune a China por esta n\u00e3o se alinhar na sua pol\u00edtica contra a R\u00fassia: quem suporta os custos do castigo s\u00e3o os povos europeus e chineses).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Para al\u00e9m dos Imperialismos: Um novo Paradigma de Poder suave<\/strong><\/p>\n<p><strong>A alternativa aos imperialismos de direita (neoliberalismo globalizante) e de esquerda (hegemonia progressista transnacional) pressup\u00f5e \u00a0um Humanismo Integral Geopol\u00edtico n\u00e3o imperialista<\/strong>. <strong>Nesta fase da hist\u00f3ria tratar-se-ia de elaborar um projecto que implicasse:<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8211; Recuperar a \u00c9tica Pol\u00edtica:<\/strong> <strong>Reintegrar no debate p\u00fablico princ\u00edpios como dignidade humana, subsidiariedade e bem comum, articulando-os com as exig\u00eancias da p\u00f3s-modernidade, sem dogmatismos. Um exemplo inspirador \u00e9 o Projeto \u00c9tica Global de Hans K\u00fcng (3), que, adaptado \u00e0 geopol\u00edtica, poderia fomentar um novo di\u00e1logo entre na\u00e7\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Criar-se uma Economia Social de Mercado com alma;<\/strong> c<strong>ontra o turbo-capitalismo e o coletivismo autorit\u00e1rio, urge uma economia enraizada em valores transcendentais, pr\u00f3xima da Doutrina Social da Igreja, integradora de contribui\u00e7\u00f5es laicas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8211; Poder complementar de Co-Cria\u00e7\u00e3o pac\u00edfica: O Ocidente deve aprender com a China que exerce uma proje\u00e7\u00e3o cultural n\u00e3o impositiva (Conf\u00facio, infraestruturas globais), mas substituir o pragmatismo chin\u00eas por um soft power de complementaridade e humanismo: universidades (Modelo Erasmus), ONG e media que promovam di\u00e1logo intercultural e n\u00e3o monocultura ideol\u00f3gica; a n\u00edvel de Media seria de, para isso, substituir CNN por plataformas como Arte <\/strong>(canal franco-alem\u00e3o de cultura profunda que mantem uma certa neutralidade).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Diplomacia das Ideias e Multilateralismo Civilizacional<\/strong><\/p>\n<p><strong>Um multilateralismo Civilizacional nas pegadas da t\u00e1tica cultural de Carlos Magno, pressuporia uma reactiva\u00e7\u00e3o das redes acad\u00e9micas com colabora\u00e7\u00f5es entre culturas e blocos geopol\u00edticos e a n\u00edvel regional colaboracoes de lusofonia (4), <\/strong>luso-hisp\u00e2nicas, anglo-americanas e europeias, <strong>destacando a heran\u00e7a greco-romana, judaico-crist\u00e3 e moderna, sem eurocentrismos ou hegemonismos.<\/strong> A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 na competi\u00e7\u00e3o de blocos, mas num multilateralismo civilizacional, onde EUA, Europa, R\u00fassia e China actuem como polos cooperativos, n\u00e3o antagonistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tecnologia com alma: A Quarta Via<\/strong><\/p>\n<p>Tanto a depend\u00eancia do capitalismo de vigil\u00e2ncia como o controlo estatal chin\u00eas exige uma Quarta Via Tecnol\u00f3gica: descentralizada, com \u00e9tica e centrada no humano. Adoptar o pragmatismo chin\u00eas em IA e infraestruturas, mas vinculando-o a uma regulamenta\u00e7\u00e3o que proteja a autonomia individual contra os Estados e algoritmos desalmados.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O Ocidente e a China como Espelhos<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Ocidente n\u00e3o precisa de se tornar China, mas a China pode lembr\u00e1-lo de suas ra\u00edzes humanistas crist\u00e3s. Purificando os excessos materialistas (capitalistas e socialistas), ambas as civiliza\u00e7\u00f5es podem construir um Poder suave de coopera\u00e7\u00e3o.<\/strong> O Humanismo Integral Geopol\u00edtico \u00e9 o ant\u00eddoto contra a fragmenta\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria e a guerra ideol\u00f3gica, propondo uma ordem baseada em valores perenes, adaptados ao s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p><strong>Resumindo: humanismo integral geopol\u00edtico n\u00e3o significa um retorno ao passado (5), mas uma reconstru\u00e7\u00e3o seletiva contra o imperialismo liberal e o imperialismo progressista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>As diferentes economias e os valores de uma cultura n\u00e3o devem ser usados como escudos contra a outra, como, lamentavelmente, a NATO tem feito. Vai sendo tempo de regressar a casa!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>(1) Refer\u00eancia \u00e0 par\u00e1bola b\u00edblica do Filho Pr\u00f3digo (Lc 15,11-32), metaforizando o afastamento do Ocidente das suas ra\u00edzes.<\/p>\n<p>(2) A degrada\u00e7\u00e3o do capitalismo financeiro (Wolfgang Streeck, How Will Capitalism End?, 2016) e o colapso do socialismo real (Leszek Ko\u0142akowski, Main Currents of Marxism, 1976) deixaram um vazio preenchido pelo niilismo consumista e ideologias identit\u00e1rias que mais n\u00e3o s\u00e3o que a a luta entre socialismo e cultura tradicional e a reaccao a um globalismo neoliberal desenfreado que amea\u00e7a levar de enxurrada tudo que era essencial \u00e0 pessoa e \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>(3) Hans K\u00fcng, Projeto \u00c9tica Global (1990), proposta de \u00e9tica universal baseada em valores partilhados por religi\u00f5es e filosofias. No seu livro Global Ethics Project (1990), Hans K\u00fcng descreveu o prop\u00f3sito da \u00e9tica global da seguinte forma: &#8220;Sem um consenso b\u00e1sico m\u00ednimo sobre certos valores, normas e atitudes, a coexist\u00eancia humana n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nem numa comunidade pequena nem numa comunidade maior. &#8220;Hans K\u00fcng iniciou o projeto \u00c9tica Global (1990) e fundou a Funda\u00e7\u00e3o \u00c9tica Global em 1995. O objetivo \u00e9 incentivar as pessoas de todo o mundo a refletirem sobre as suas tradi\u00e7\u00f5es de responsabilidade m\u00fatua e pelo planeta Terra, de forma a garantir a sobreviv\u00eancia da humanidade e a paz no s\u00e9culo XXI. O requisito fundamental resumir-se-ia na Regra de Ouro comum: &#8220;Faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti&#8221;.<\/p>\n<p>(4) Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP) Angola, Brasil, Cabo Verde, Guin\u00e9-Bissau, Guin\u00e9 Equatorial, Portugal, Mo\u00e7ambique, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e Timor-Leste. Fomentar-se o di\u00e1logo inter-civilizacional, inspirado em Samuel Huntington (O Choque de Civiliza\u00e7\u00f5es, 1996), mas com enfoque na coopera\u00e7\u00e3o (ex.: alian\u00e7as luso-afro-brasileiras).<\/p>\n<p>(5) Os grandes males a superar s\u00e3o o imperialismo liberal e o imperialismo progressista. A n\u00edvel de literatura contra o imperialismo neoliberal temos a Doutrina Social da Igreja e autores como Karl Polanyi (A Grande Transforma\u00e7\u00e3o, 1944) onde alertou para a modifica\u00e7\u00e3o da vida pelo mercado e como solu\u00e7\u00e3o ter\u00edamosuma economia enraizada na \u00e9tica (como prop\u00f5e Luigino Bruni em Civiliza\u00e7\u00e3o do Mercado, 2019); contra o imperialismo progressista temos Doutrina Social da Igreja e autores como Christopher Lasch (A Revolta das Elites, 1994) que criticou a classe meritocr\u00e1tica globalista e como ant\u00eddoto ter\u00edamos o comunitarismo (Amitai Etzioni) e distributismo (G.K. Chesterton). A supera\u00e7\u00e3o dos imperialismos pressup\u00f5e uma t\u00e1tica de ac\u00e7\u00e3o contra o imperialismo de direita (neoliberalismo globalista homogeneizante), defendendo pluralidade de modelos econ\u00f3micos dentro de uma ordem multilateral com o consequente fomento das rela\u00e7\u00f5es comerciais entre pa\u00edses e blocos, ao contr\u00e1rio do que faz o ocidente atrav\u00e9s dos seus bloqueios e san\u00e7\u00f5es comerciais e contra o imperialismo de esquerda (hegemonia progressista transnacional), resgatando as aut\u00eanticas tradi\u00e7\u00f5es locais (ex.: solidariedade comunit\u00e1ria crist\u00e3, guildas medievais) como ant\u00eddoto ao centralismo burocr\u00e1tico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Complementaridade contra Imperialismos de Esquerda e Direita A civiliza\u00e7\u00e3o ocidental assemelha-se hoje a um Filho Pr\u00f3digo obstinado, que, seduzido por quimeras de liberdade, trocou a seguran\u00e7a do lar paterno pela err\u00e2ncia dos caminhos perdendo-se a olhar para as estrelas (1). 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