{"id":10119,"date":"2025-07-18T22:10:52","date_gmt":"2025-07-18T21:10:52","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10119"},"modified":"2025-07-19T16:11:48","modified_gmt":"2025-07-19T15:11:48","slug":"a-violencia-na-siria-na-perspectiva-dos-eua-e-da-ue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10119","title":{"rendered":"A VIOL\u00caNCIA NA S\u00cdRIA NA PERSPECTIVA DOS EUA E DA UE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Interven\u00e7\u00f5es, Interesses e Direito Internacional<\/strong><\/p>\n<p><strong>O recente ataque de Israel a Damasco, justificado como uma ac\u00e7\u00e3o para &#8220;proteger a minoria drusa&#8221;, revela mais uma vez a complexidade dos conflitos na S\u00edria e o papel das pot\u00eancias externas na regi\u00e3o. A escalada de viol\u00eancia entre cl\u00e3s sunitas e drusos seguida por interven\u00e7\u00f5es militares israelitas, demonstra como tens\u00f5es locais s\u00e3o instrumentalizadas por actores regionais e globais, com consequ\u00eancias devastadoras para a popula\u00e7\u00e3o civil.<\/strong> Os bedu\u00ednos sunitas est\u00e3o em conflito com os drusos xiitas h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Justificativa de Israel e a Realidade Geopol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Israel alega que os seus bombardeamentos visam proteger os drusos, uma minoria xiita que inclui cidad\u00e3os israelitas: 153.000 drusos s\u00e3o cidad\u00e3os israelitas e muitos deles prestam servi\u00e7o voluntariamente nas for\u00e7as armadas de Israel e mais de 20.000 drusos vivem como cidad\u00e3os s\u00edrios nas Colinas de Gol\u00e3 ocupadas por Israel.<\/strong> No entanto, \u00e9 evidente que o objetivo estrat\u00e9gico mais amplo \u00e9 enfraquecer o governo s\u00edrio e impedir a consolida\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito nacional forte. A S\u00edria, fragmentada ap\u00f3s anos de guerra, tornou-se um palco onde pot\u00eancias regionais e globais disputam influ\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Uma compara\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia na Ucr\u00e2nia (ap\u00f3s 2014) torna-se pertinente: ambos os casos mostram como pot\u00eancias externas justificam interven\u00e7\u00f5es militares alegando prote\u00e7\u00e3o de minorias, enquanto, na realidade, buscam interesses geopol\u00edticos. Se essa l\u00f3gica se normalizar, o direito internacional e a soberania dos Estados ficam ainda mais fragilizados e ao servi\u00e7o das grandes pot\u00eancias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O Sil\u00eancio da UE e a Hipocrisia Ocidental<\/strong><\/p>\n<p><strong>A cobertura medi\u00e1tica europeia, especialmente na Alemanha, tem sido bastante omissa quanto aos recentes acontecimentos na S\u00edria. Esse sil\u00eancio reflete a cumplicidade hist\u00f3rica dos EUA e da UE na desestabiliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Desde 2011, o Ocidente apoiou rebeldes, incluindo grupos jihadistas ligados \u00e0 Al-Qaeda, na esperan\u00e7a de derrubar Bashar al-Assad. O resultado foi o caos, a ascens\u00e3o do ISIS e a destrui\u00e7\u00e3o de um Estado que, apesar de autorit\u00e1rio, mantinha uma fr\u00e1gil coexist\u00eancia entre sunitas, alauitas, crist\u00e3os e drusos. Coisa semelhante j\u00e1 se observou no Iraque e na L\u00edbia.<\/strong><\/p>\n<p>O actual governante s\u00edrio, Ahmed al-Sharaa, \u00e9 um exemplo dessa pol\u00edtica falida. Apesar do seu passado em organiza\u00e7\u00f5es terroristas, ele recebeu o apoio ocidental por ser visto como uma alternativa a Assad. No entanto, a sua lideran\u00e7a \u00e9 fraca, e a viol\u00eancia sect\u00e1ria s\u00f3 aumentou, com massacres contra alauitas e crist\u00e3os. <strong>Em mar\u00e7o, combatentes isl\u00e2micos massacraram centenas de alauitas; neste m\u00eas de julho uma igreja crist\u00e3 foi atacada, resultando do ataque mortos e feridos.<\/strong> \u00a0Para a lideran\u00e7a israelita, o governante al-Sharaa \u00e9 um &#8220;islamista de fato&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Os Interesses das Grandes Pot\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><strong>A S\u00edria \u00e9 mais uma v\u00edtima do jogo geopol\u00edtico entre EUA, R\u00fassia, Ir\u00e3o, Turquia e Israel: Israel n\u00e3o quer uma S\u00edria forte e age para manter o pa\u00eds dividido, os EUA e a UE, ap\u00f3s falharem na mudan\u00e7a de regime, ainda apoiam fac\u00e7\u00f5es rebeldes, perpetuando a instabilidade; a R\u00fassia e o Ir\u00e3o sustentam o governo s\u00edrio, mas tamb\u00e9m exploram a situa\u00e7\u00e3o para expandir a sua influ\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>No meio de tudo isto, a popula\u00e7\u00e3o sofre: mais de 300 mortos nos recentes bombardeios e tamb\u00e9m crist\u00e3os e alauitas perseguidos, e um Estado falido que n\u00e3o consegue proteger os seus cidad\u00e3os.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O Direito Internacional em Colapso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Se pot\u00eancias externas continuarem a intervir em conflitos internos sob pretextos humanit\u00e1rios ou de &#8220;prote\u00e7\u00e3o de minorias&#8221;, a soberania dos Estados fracos ser\u00e1 uma ilus\u00e3o.<\/strong> <strong>A S\u00edria \u00e9 um exemplo tr\u00e1gico de como interven\u00e7\u00f5es estrangeiras, sob a fachada de democratiza\u00e7\u00e3o ou prote\u00e7\u00e3o, podem destruir um pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto a comunidade internacional n\u00e3o reconhecer que a paz na S\u00edria exige o fim das interfer\u00eancias externas e uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica inclusiva, a viol\u00eancia s\u00f3 vai escalar. E, como sempre, ser\u00e3o os civis s\u00edrios, sejam sunitas, drusos, alauitas ou crist\u00e3os, os que pagar\u00e3o o pre\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Concretizando: a queda de Assad do poder contou com o apoio do Ocidente aos islamistas. Ao contr\u00e1rio dos seus opositores, Assad defendia a unidade da S\u00edria, respeitando a sua diversidade \u00e9tnica e religiosa. O Ocidente, por\u00e9m, preferiu desestabilizar a regi\u00e3o \u2014tal como fez na L\u00edbia e no Iraque\u2014 sob o pretexto de promover os seus &#8220;valores democr\u00e1ticos&#8221;, mas com o verdadeiro objetivo de conter o nacionalismo \u00e1rabe e de manter a sua hegemonia geopol\u00edtica.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os principais atores por tr\u00e1s desta desestabiliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o: a Turquia, que procura expandir a sua influ\u00eancia sunita; os EUA, movidos por interesses imperialistas; a UE, com pol\u00edticas hip\u00f3critas e Israel, por raz\u00f5es geopol\u00edticas \u00f3bvias.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Todos estes grupos beneficiam de uma S\u00edria dividida, transformada num palco de interesses numa regi\u00e3o j\u00e1 por si inst\u00e1vel e condenada a ser dividida.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quando os valores s\u00e3o armas, a democracia destr\u00f3i na\u00e7\u00f5es para salvar o seu imp\u00e9rio.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p>Pegadas do tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interven\u00e7\u00f5es, Interesses e Direito Internacional O recente ataque de Israel a Damasco, justificado como uma ac\u00e7\u00e3o para &#8220;proteger a minoria drusa&#8221;, revela mais uma vez a complexidade dos conflitos na S\u00edria e o papel das pot\u00eancias externas na regi\u00e3o. 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