{"id":10048,"date":"2025-06-08T21:09:58","date_gmt":"2025-06-08T20:09:58","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10048"},"modified":"2025-06-08T21:10:26","modified_gmt":"2025-06-08T20:10:26","slug":"pentecostes-a-unidade-na-diversidade-sob-o-sopro-do-espirito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10048","title":{"rendered":"PENTECOSTES: A UNIDADE NA DIVERSIDADE SOB O SOPRO DO ESP\u00cdRITO"},"content":{"rendered":"<p><strong>A festa do Pentecostes (1) ergue-se como um alto espiritual da Igreja; n\u00e3o como mero acontecimento hist\u00f3rico, mas como perene convoca\u00e7\u00e3o ao divino no humano.<\/strong> \u00c9 o esplendor do Esp\u00edrito Santo que, qual vento impetuoso, desfaz as barreiras confusas de Babel e reconstr\u00f3i, no fogo da caridade, a unidade na diversidade. Aqui, a linguagem j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 maldi\u00e7\u00e3o, mas b\u00ean\u00e7\u00e3o; j\u00e1 n\u00e3o separa, mas congrega.<\/p>\n<p><strong>O Impulso do Esp\u00edrito envolve-nos na engrenagem da vida atrav\u00e9s do Pensar-Sentir-Agir!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na quietude do Cen\u00e1culo de Jerusal\u00e9m, os disc\u00edpulos, temerosos e recolhidos, s\u00e3o arrebatados pelo Ruah divino. N\u00e3o se trata de um mero sopro, mas de um \u00edmpeto que os lan\u00e7a para al\u00e9m de si mesmos. Pensar, na economia da f\u00e9, nunca \u00e9 estagna\u00e7\u00e3o; \u00e9 inquieta\u00e7\u00e3o, \u00e9 quesito que clama por resposta.<\/strong> Como os disc\u00edpulos, tamb\u00e9m n\u00f3s somos chamados a recolher-nos, a interrogar-nos, para que, no sil\u00eancio, o Esp\u00edrito nos conceda a resposta que n\u00e3o reside em n\u00f3s, mas para al\u00e9m de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Sentir, por sua vez, \u00e9 reconhecer que a exist\u00eancia n\u00e3o se esgota no eu. \u00c9 no encontro com o outro\u2014seja na fragilidade do pr\u00f3ximo, seja na grandeza dos g\u00e9nios da hist\u00f3ria e da literatura\u2014que o Esp\u00edrito revela novas possibilidades. O amor, afinal, \u00e9 sempre di\u00e1logo, sempre rela\u00e7\u00e3o rec\u00edproca.<\/p>\n<p>No agir est\u00e1 inclu\u00eddo o risco da liberdade. Os Ap\u00f3stolos, outrora encolhidos no medo, saem a proclamar. <strong>A a\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 isenta de culpa\u2014e aqui reside o paradoxo da condi\u00e7\u00e3o humana: mesmo quando movidos pelo Esp\u00edrito, carregamos o peso da falibilidade. Mas Pentecostes ensina-nos que \u00e9 melhor errar na ousadia do que definhar na in\u00e9rcia. Importante \u00e9 primeiramente que o que se faz seja feito com boa inten\u00e7\u00e3o no sentido do bem.<\/strong><\/p>\n<p>O Esp\u00edrito \u00e9 a gra\u00e7a (amor) de Deus que age e conduz \u00e0 renova\u00e7\u00e3o e \u00e0 comunh\u00e3o!<\/p>\n<p>Pentecostes n\u00e3o \u00e9 recorda\u00e7\u00e3o, mas presen\u00e7a, que na viv\u00eancia interior que move o exterior. \u00c9 o Esp\u00edrito que, como seiva invis\u00edvel, faz desabrochar a Igreja em plenitude. <strong>O Esp\u00edrito n\u00e3o se domestica, n\u00e3o acurrala nem se deixa enclausurar em f\u00f3rmulas. Ele sopra onde quer\u2014nos simples, nos s\u00e1bios, nos que choram, nos que esperam e transforma o rumo das coisas. \u00c9 Ele que, qual artista divino, pinta a unidade com as cores da diversidade, fazendo de muitas l\u00ednguas uma s\u00f3 voz: a do Evangelho.<\/strong><\/p>\n<p>A B\u00edblia diz: &#8220;Como \u00e9 que cada um de n\u00f3s os ouve falar na nossa pr\u00f3pria l\u00edngua?&#8221; (At 2,8). Eis o milagre: a Palavra n\u00e3o se uniformiza, mas traduz-se. <strong>O Esp\u00edrito n\u00e3o anula as culturas; santifica-as. N\u00e3o apaga as diferen\u00e7as; transfigura-as em comunh\u00e3o; n\u00e3o se deixa formular em agendas nem em directrizes pol\u00edticas movidas por interesses tornados for\u00e7a nem t\u00e3o-pouco em opini\u00f5es pacotes a que falte a diferencia\u00e7\u00e3o. Por outro lado, n\u00e3o se deixa reduzir \u00e0 arbitrariedade do relativismo cultural e moral que reduz tudo ao igualitarismo. Sem a procura da natural individualidade, n\u00e3o haveria desenvolvimento na natureza nem na sociedade.<\/strong> O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o <strong>Sopro de Deus,<\/strong> que <strong>atravessa as fronteiras pol\u00edticas e humanas<\/strong> e permanece na natureza e na humanidade como Par\u00e1clito, luz divina e Consolador.<\/p>\n<p>O Pentecostes \u00e9 legado a ser-se sal da terra!<\/p>\n<p><strong>A abertura ao Esp\u00edrito da Verdade n\u00e3o \u00e9 m\u00edstica passiva; \u00e9 compromisso. No sentir da Igreja Ele concede-nos os sete dons \u2014<\/strong> <strong>Sabedoria (esp\u00edrito do discernimento), Intelig\u00eancia (entender o mundo na presen\u00e7a de Deus, uma esp\u00e9cie de intui\u00e7\u00e3o das verdades naturais e espirituais), Conselho (na entreajuda e no discernimento de atitudes e circunst\u00e2ncias), Fortaleza (para encarar a vida de frente se se desviar das dificuldades), Ci\u00eancia (ao n\u00edvel intelectual, da viv\u00eancia e da ac\u00e7\u00e3o para ir interpretando e atuando num mundo em transforma\u00e7\u00e3o), Piedade (o amor divino presente em n\u00f3s atrav\u00e9s da miseric\u00f3rdia) e o Temor de Deus (o dom que nos leva a reconhecer no Outro o centro da nossa ipseidade, ele ensina-nos o respeito \u00e0s pessoas e \u00e0 natureza)\u2014n\u00e3o s\u00f3 para nosso deleite espiritual, mas para que sejamos sal da terra, n\u00e3o nos deixando ficar a marcar passo no horizonte do ego<\/strong>. Ou seja: estamos chamados a dar sabor a um mundo insosso e por vezes perverso, para preservarmos a humanidade da mentira, da hipocrisia, da corrup\u00e7\u00e3o e do ego\u00edsmo.<\/p>\n<p><strong>Deus \u00e9 Emanuel\u2014o Deus-connosco. E se Ele est\u00e1 connosco, ent\u00e3o nenhum medo justifica a covardia, nenhuma rotina justifica a estagna\u00e7\u00e3o. Pentecostes \u00e9, pois, um eterno recome\u00e7o que se expressa na igreja peregrina n\u00e3o nos deixando trope\u00e7ar na culpa e no erro.<\/strong><\/p>\n<p>O Esp\u00edrito da Verdade \u00e9 um fogo que como parte da sar\u00e7a ardente n\u00e3o se extingue!<\/p>\n<p><strong>Hoje, como outrora, o Esp\u00edrito desce. N\u00e3o em chamas vis\u00edveis, mas no fogo silencioso que arde nos cora\u00e7\u00f5es que O acolhem. Ele n\u00e3o nos promete facilidade, mas coragem; n\u00e3o aus\u00eancia de conflito, mas unidade na diversidade.<\/strong><\/p>\n<p>Que o Pentecostes n\u00e3o seja apenas mem\u00f3ria, mas acontecimento\u2014em n\u00f3s, atrav\u00e9s de n\u00f3s, apesar de n\u00f3s. Para que, no pensar, no sentir e no agir, sejamos, afinal, testemunhas d\u2019Aquele que \u00e9, que era e que h\u00e1 de vir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pegadas do Tempo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6511\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=6511<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=9249\">https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=9249<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/abemdanacao.blogs.sapo.pt\/pentecostes-e-o-tempo-alto-da-1640805\">https:\/\/abemdanacao.blogs.sapo.pt\/pentecostes-e-o-tempo-alto-da-1640805<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A festa do Pentecostes (1) ergue-se como um alto espiritual da Igreja; n\u00e3o como mero acontecimento hist\u00f3rico, mas como perene convoca\u00e7\u00e3o ao divino no humano. \u00c9 o esplendor do Esp\u00edrito Santo que, qual vento impetuoso, desfaz as barreiras confusas de Babel e reconstr\u00f3i, no fogo da caridade, a unidade na diversidade. 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