{"id":10017,"date":"2025-04-02T16:34:33","date_gmt":"2025-04-02T15:34:33","guid":{"rendered":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10017"},"modified":"2025-04-02T16:36:11","modified_gmt":"2025-04-02T15:36:11","slug":"as-urtigas-e-a-rosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10017","title":{"rendered":"CONTO DAS URTIGAS E DA ROSA"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;As Urtigas e a Rosa&#8221;<\/p>\n<p>No inverno passado, quando o frio cortava como uma l\u00e2mina e as ruas respiravam o h\u00e1lito h\u00famido da esta\u00e7\u00e3o, encontrei Filomena. Estava encolhida sob o toldo de um caf\u00e9, de m\u00e3os envoltas num xale desfiado e seus olhos lembravam dois po\u00e7os de desalento. Parecia uma folha seca prestes a ser levada pelo vento.<\/p>\n<p>\u2014 &#8220;\u00c9 a Urt\u00eancia,&#8221; sussurrou, o nome escapando-lhe como um lamento. &#8220;Dizia ser minha amiga, mas era ciumenta como um espinho. Mexia, intrigava, semeava hist\u00f3rias entre as minhas amigas como quem atira pedras num lago. Elas afastaram-se, e agora s\u00f3 me restam os ecos das suas vozes, cheias de desconfian\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Ouvia-a, enquanto o caf\u00e9 esfriava entre os meus dedos. Do lado de fora, a voz do povo murmurava nas esquinas, um coro invis\u00edvel que parecia dizer: &#8220;Filomena, cuidado com quem escolhes para abrir a alma. Nem todos merecem a chave do teu jardim.&#8221;<\/p>\n<p>\u2014 &#8220;H\u00e1 pessoas assim,&#8221; respondi, olhando para al\u00e9m da vidra\u00e7a embaciada. &#8220;Feridas que n\u00e3o cicatrizaram, e que, por n\u00e3o suportarem a pr\u00f3pria dor, espalham-na como uma praga. Talvez a Urt\u00eancia tenha sido uma crian\u00e7a que nunca conheceu o sol, e agora, adulta, s\u00f3 sabe criar sombras.&#8221;<\/p>\n<p>Filomena apertou o xale contra o peito, como se tentasse conter algo que lhe fugia.<\/p>\n<p>\u2014 &#8220;Mas porqu\u00ea? Por que h\u00e1 quem prefira ver o mundo atrav\u00e9s de \u00f3culos escuros, filtrando tudo numa n\u00e9voa de desconfian\u00e7a?&#8221;<\/p>\n<p>A voz do povo, ent\u00e3o, ergueu-se como uma brisa: &#8220;Porque h\u00e1 os que nascem urtigas e os que nascem rosas, Filomena. Uns picam para se afirmarem, outros florescem apesar dos espinhos. A diferen\u00e7a est\u00e1 na luz que escolhem deixar entrar.&#8221;<\/p>\n<p>E era verdade. A Urt\u00eancia via o mundo como um espelho partido \u2014 cada fragmento refletia apenas a sua pr\u00f3pria imagem distorcida. Catava dos outros os defeitos, as falhas, as pequenas mis\u00e9rias, porque era incapaz de suportar o brilho alheio. Pessoas assim, disse-lhe eu, s\u00e3o como terrenos \u00e1ridos: por mais que chova, n\u00e3o ret\u00eam a \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u2014 &#8220;Mas n\u00e3o \u00e9 culpa dela?&#8221; perguntou Filomena, de olhos h\u00famidos.<\/p>\n<p>\u2014 &#8220;N\u00e3o \u00e9 culpa, mas \u00e9 responsabilidade. A infelicidade alheia n\u00e3o precisa de ser a tua pris\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A voz do povo concordou, suave e firme: &#8220;Guarda-te, Filomena. H\u00e1 conversas que s\u00e3o labirintos sem sa\u00edda, pessoas que s\u00e3o portas fechadas a ferrolho. N\u00e3o gastes o teu sol onde s\u00f3 h\u00e1 n\u00e9voa.&#8221;<\/p>\n<p>E assim ficou combinado. Filomena aprendeu a distinguir as rosas das urtigas, a ouvir a voz do povo \u2014 essa sabedoria antiga que sussurra nos cantos das ruas, lembrando-nos que a vida \u00e9 breve demais para discuss\u00f5es est\u00e9reis.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 Urt\u00eancia? Continuou a espalhar os seus espinhos, mas Filomena j\u00e1 n\u00e3o sangrava. Porque, no fim, quem escolhe a luz acaba por encontrar o seu pr\u00f3prio caminho \u2014 mesmo que tenha de atravessar um campo de urtigas para chegar l\u00e1.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>Pegadas do Tempo<\/p>\n<p>Texto base:<\/p>\n<p>FILOMENA E A LUTA PELA BONDADE<\/p>\n<p>No inverno passado encontrei-me com Filomena \u2013 uma pessoa que lutava pela bondade &#8211;\u00a0 em estado muito infeliz, ela contou-me que tinha uma pessoa (Urt\u00eancia) que considerava amiga, mas que era muito ciumenta e procurava intrometer-se na vida de suas amigas para dizer mal dela; deste modo a sua rela\u00e7\u00e3o com as outras amigas come\u00e7ou a diminuir de autenticidade e a tornar-se mais distanciada devido a hist\u00f3rias e trafulhices depreciativas inventadas e contadas \u00e0s suas amigas sendo assim enevoada a confian\u00e7a e o sol aberto nas suas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu contei-lhe que h\u00e1 pessoas capazes de tudo; pessoas que talvez tenham tido uma inf\u00e2ncia infeliz e se tornaram v\u00edtimas de situa\u00e7\u00f5es injustas e s\u00e3o predestinadas a tornar outras pessoas v\u00edtimas criando assim uma cumplicidade inconsciente de infelicidade por n\u00e3o terem digerido psicologicamente a m\u00e1 experi\u00eancia que as traumatizou. Tudo isto, acrescentado a um mundo social que gira mais em torno das apar\u00eancias e do dinheiro, dificulta cada vez mais o caminho certo da verdade e da retid\u00e3o. Assim, cada vez rareia mais a hombridade e a honestidade.<\/p>\n<p>Como na natureza n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 flores mas tamb\u00e9m urtigas e rosas com espinhos e tudo depende do jeito como tocamos nelas. Na vida encontramos pessoas pr\u00e9-formatadas que usam \u201c\u00f3culos escuros\u201d filtrando a realidade das pessoas e dos acontecimentos de maneira sombria segundo a cor da percep\u00e7\u00e3o dos seus \u00f3culos; pelo contr\u00e1rio, outras de formata\u00e7\u00e3o mais male\u00e1vel, ou de \u201c\u00f3culos\u201d mais claros e de caracter mais soalheiro veem a realidade, as pessoas e os acontecimentos com bonomia e de maneira mais soalheira. Isto tem a ver com o caracter adquirido e inato de cada pessoa mais ou menos predisposta \u00e0 felicidade ou \u00e0 infelicidade e a uma atitude pr\u00f3pria perante a vida; quem n\u00e3o se encontra satisfeita consigo mesma, tem por vezes uma atitude Inst\u00e1vel e n\u00e3o aceita a vida como ela \u00e9; estas pessoas \u00a0catam da vida , dos acontecimentos e das pessoas os aspectos negativos que possam ter sem considerarem os aspectos positivos.<\/p>\n<p>Pessoas infelizes ou incapazes de digerir a pr\u00f3pria realidade sobressaem por tenderem a ver o mundo dos outros como elas s\u00e3o e agarram-se a exterioridades ou a coisas rid\u00edculas que veem ou projctam nos outros para se sentirem mais elas pr\u00f3prias e o mundo mais conforme a si mesmas. T\u00eam perspectivas curtas e por isso filtram o mundo dos outros pelo seu pr\u00f3prio jeito.<\/p>\n<p>Escolhem do mundo \u00e0 sua volta os aspectos da vida que podem confirmar a sua maneira de ser porque lhes falta a atitude madura que leva a suportar a vida como ela \u00e9.<\/p>\n<p>Pessoas assim n\u00e3o t\u00eam culpa de serem como s\u00e3o, mas muitas vezes tornam-se azedas ou passam de um extremo de simpatia para o outro extremo t\u00f3xico sem sequer notarem.\u00a0 Essas pessoas s\u00e3o elas mesmas mais v\u00edtimas da pr\u00f3pria \u00a0hist\u00f3ria de inf\u00e2ncia, social e gen\u00e9tica e s\u00e3o geralmente hipersens\u00edveis ou falta-lhes a capacidade de compreens\u00e3o dos outros por viverem demasiadamente centradas nelas mesmas muitas vezes devido a falta de amor, compreens\u00e3o e carinho na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Pessoas sens\u00edveis devem estar atentas para n\u00e3o se deixarem enredar em discuss\u00f5es com essas pessoas que as conversas se tornar\u00e3o t\u00f3xicas e insatisfat\u00f3rias para os dois lados.<\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas que n\u00e3o est\u00e3o preparadas para compreender e apenas conseguem reagir.\u00a0 Falta-lhes o campo aberto e mentalidade madura suficiente para compreender o ponto de vista da outra pessoa ou um conceito diferente. Pessoas assim, por vezes em eventos ou conv\u00edvios com outras pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta de como com suas atitudes ou formas de estar e de tratar ferem pessoas amigas.<\/p>\n<p>Pessoas que se sintam feridas devem evitar entrar em discuss\u00e3o para n\u00e3o mover a negatividade que se encontra mais ou menos forte em cada pessoa e n\u00e3o faz sentido nenhum ou causam remorsos em pessoas mais refletidas. Pessoas com mais defici\u00eancias psicol\u00f3gicas s\u00e3o prisioneiras dos pr\u00f3prios sentimentos e da pr\u00f3pria vis\u00e3o do mundo e n\u00e3o conseguem ouvir nem compreender, est\u00e3o formatadas de maneira a n\u00e3o internalizarem nem reflectirem sobre o que veem, pensam ou sentem; estas pessoas apenas reagem, independentemente do que se diz e expressa. Falar para elas \u00e9 como falar para a parede. Essas pessoas de caracter narrativo podem encontrar parceiros de conversa para si agrad\u00e1veis desde que sejam da mesma onda.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 t\u00e3o curta que seria um desperd\u00edcio de vida perder-se em discuss\u00f5es n\u00e3o construtivas. Nem todas as pessoas e caracteres s\u00e3o compat\u00edveis com uma rela\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e longa. Por vezes contactamos com pessoas com os mais diversificados curr\u00edculos psicol\u00f3gicos. \u00a0Pessoas de caracter azedo ser\u00e3o agrad\u00e1veis em primeiros contactos ou em contactos espor\u00e1dicos porque nesses curtos momentos ainda se trata de circunst\u00e2ncias estrat\u00e9gicos inconscientes de capta\u00e7\u00e3o de simpatia para o pr\u00f3prio \u00e2mbito de ac\u00e7\u00e3o. Nesta situa\u00e7\u00e3o trata-se de encontros de mera cortesia sem se deixar envolver em rela\u00e7\u00e3o mais profunda. No trato com essas pessoas chega limitr-se aos actos de cortesia.<\/p>\n<p>No memento de querermos estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o a longo prazo, temos de estar atentos se no interlocutor se trata de pessoa benevolente e de campo aberto ou fechada, ego\u00edsta, ensimesmada.<\/p>\n<p>A pessoa de caracter benevolente e aberto est\u00e1 aberta ao crescimento e \u00e0 compreens\u00e3o vendo sentido em qualquer assunto, mesmo que n\u00e3o concorde.<\/p>\n<p>Um aspecto a ter-se em conta na rela\u00e7\u00e3o ou discuss\u00e3o \u00e9 n\u00e3o querer convencer ningu\u00e9m nem dar conselhos n\u00e3o solicitados!<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o interpessoal \u00e9 mais complicada do que parece devido \u00e0 formata\u00e7\u00e3o e ao curr\u00edculo de vida de cada pessoa al\u00e9m dos problemas inerentes \u00e0 pr\u00f3pria linguagem ou comunica\u00e7\u00e3o dado o interlocutor, no seu processo da percep\u00e7\u00e3o do que ouve do outro, o perceber j\u00e1 com a conota\u00e7\u00e3o do molde receptor.<\/p>\n<p>Por mais l\u00f3gicos ou verdadeiros que sejam os argumentos, essa pessoa ir\u00e1 distorc\u00ea-los, minimiz\u00e1-los ou rejeit\u00e1-los \u2014 n\u00e3o porque esteja errado, mas porque o seu condicionamento n\u00e3o a capacita a considerar outra realidade que n\u00e3o a que se afigura ao seu ponto de vista configurado a ideias fixas. Assim h\u00e1 sempre que ter em contas o caracter, as pr\u00f3prias taras e as taras dos ouros. H\u00e1 pessoas mais fixadas nelas mesmas e n\u00e3o no assunto da discuss\u00e3o e por isso querem apenas ganhar a discuss\u00e3o e neste caso a pessoa mais equilibrada, para preservar a pr\u00f3pria paz interior e evitar a animosidade da parceira de di\u00e1logo ter\u00e1 de reconhecer por primeiro que n\u00e3o vale a pena perder tempo com argumentos, especialmente em quest\u00f5es pessoais, em assuntos de pol\u00edtica ou de religi\u00e3o (nestes casos \u00e9 melhor n\u00e3o haver conversa!). Cada pessoa tem um n\u00edvel de vida e de conhecimento e maior ou menor capacidade num assunto ou no outro, mas em certos assuntos que exigiriam maior discernimento como religi\u00e3o e pol\u00edtica todo o mundo se sente competente n\u00e3o conseguindo distinguir entre o assunto em si com as suas especialidades e a pr\u00f3pria opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se encontram, por vezes, pessoas psicologicamente t\u00e3o perturbadas que \u00e9 de evitar qualquer conversa s\u00e9ria e em certos casos o melhor \u00e9 abandon\u00e1-las, doutro modo al\u00e9m do mais perde-se tempo e feitio. Pessoas deste g\u00e9nero s\u00e3o t\u00e3o t\u00f3xicas que tornam situa\u00e7\u00f5es sempre perigosas envolvendo na negatividade at\u00e9 pessoas com grande maturidade. Pessoas assim s\u00f3 ouvem o que lhes interessa para poderem atacar o outro.<\/p>\n<p>Apesar de tudo vale sempre a pena lutar por um mundo mais honesto e melhor. Haver\u00e1 sempre pessoas que frequentaram mais a escola da trafulhice, outras que frequentaram mais a escola da compaix\u00e3o e outras a escola do sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Cada um de n\u00f3s ter\u00e1 que carregar com o seu fardo e em parte ajudar a levar o dos outros.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio da Cunha Duarte Justo<\/p>\n<p>Num dia de Inverno de 2012<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;As Urtigas e a Rosa&#8221; No inverno passado, quando o frio cortava como uma l\u00e2mina e as ruas respiravam o h\u00e1lito h\u00famido da esta\u00e7\u00e3o, encontrei Filomena. Estava encolhida sob o toldo de um caf\u00e9, de m\u00e3os envoltas num xale desfiado e seus olhos lembravam dois po\u00e7os de desalento. Parecia uma folha seca prestes a ser &hellip; <a href=\"https:\/\/antonio-justo.eu\/?p=10017\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">CONTO DAS URTIGAS E DA ROSA<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[3,15,4,5,7,8,16],"tags":[],"class_list":["post-10017","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-cultura","category-educacao","category-escola","category-politica","category-religiao","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10017","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10017"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10017\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10020,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10017\/revisions\/10020"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonio-justo.eu\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}