O que o seu cão acorrentado lhe diria se pudesse falar

Querido Dono, querida Dona:
Estou preso desde pequenino, a minha vida é uma prisão. Não vês o meu pescoço ferido e a tristeza no meu olhar? Que fiz eu para ser prisioneiro?
Tens um amigo ao teu lado e não notas.

Compreendo muito mais do que tu pensas, compreendo trezentas palavras ou frases, mas tu nunca falas comigo. Claro, não sei falar, mas compreendo tudo mesmo que não fales. Sinto a tua tristeza, a tua alegria como se fossem minhas. Não encontras um amigo entre os seres humanos que seja assim.

Gostava muito de passear contigo, proteger-te não só em casa, mas também nos teus caminhos, gostava de andar, andar. Isto faria tão bem aos meus ossos com reumatismo e aos meus músculos já hirtos.

Só sinto alegria quando me dás a comida, quando passas por mim, quando olhas para mim, dizendo uma palavra com um pouco de carinho. Em vão, espero por tuas festinhas.

Ouviste dizer que um animal não pensa e não sente dor ou alegria. Nada está mais longe da verdade. Fico louco de alegria quando me ligam, quando me tocam com carinho, quando me louvam. E sofro como um louco por não poder andar à solta, não poder brincar e não ter companhia. Vivo na solidão.

O meu trabalho é proteger-te a ti, a tua casa. A Bíblia diz que os animais também têm um dia santo, que não devem trabalhar no sábado. Mas nem no dia santo passeias comigo. Eu, para ti, não passo dum sistema de alarme, isto é: dum aparelho, duma coisa. Eu sou um ser vivo como tu, que sente e sofre, eu sou:

O teu amigo mais fiel.

PS. Para diminuir o sofrimento dos cães seria oportuno copiar-se esta carta e colocá-la no correio de donos com cães acorrentados.

Carola Justo
In http://antonio-justo.blogspot.com/

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Sobre António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa
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