PS e PC contra o Voto por Correspondência!

DESCARAMENTO DO PS CONTRA OS EMIGRANTES E CONTRA O PSD
Projecto – Lei contra o voto por correspondência
António Justo
O projecto-lei socialista de acabar com a votação por correspondência na diáspora portuguesa não passa duma medida partidária no sentido de arrumar com os votos da concorrência.

Os Factos
Em 2005 os resultados das votações no Ciclo da Europa foram PS 53,3% e PSD 26,7% e no Ciclo Fora da Europa PS 26,7% e PSD 58,4%.

A organização sindical e política das estruturas consulares portuguesas da Europa encontram-se nas mãos da esquerda. A impossibilidade da votação por correspondência vem privilegiá-la atendendo a que os locais de voto são nos consulados, zonas com melhores infra-estruturas da esquerda..

Muitas comunidades portuguesas encontram-se muito distantes dos consulados. Deslocações de várias centenas de quilómetros para se deslocar ao local de voto são inadmissíveis.

Enquanto que a estratégia da Esquerda tem sido ocupar todas as posições de relevo a nível de Administrativo e de Serviços na Europa e nos meios associativos das grandes cidades, o PSD apenas tem seguido uma estratégia ad hoc e pessoal sem visão partidária nem perspectivas a longo prazo.

A esquerda não tem mão nas comunidades fora da Europa, ao contrário do que acontece na Europa.

A iniciativa legislativa apoiada pelo PC é uma medida para estrangular a votação do Ciclo fora da Europa e, na Europa, de impedir que núcleos, fora dos centros de influência da esquerda possam votar por correspondência.

O Projecto-Lei do PS pretende obter maior abstenção porque com ela é que ele ganha.

A Esquerda faz tudo por instaurar um estado partidário à margem dos cidadãos. Por outro lado a ala Centro Direita é demasiado individualista e desinteressada para se empenhar nos interesses do seu ideário.

A argumentação PS com “a questão de transparência” do voto é um pretexto barato e atrevido.

Ao afirmar que a transparência que se adquire com a anulação do voto por correspondência é “ importante para haver a certeza de que quem exerce o direito de voto é o titular e não terceiro em seu nome”, posiciona-se claramente contra toda a prática de votação europeia. De facto nas democracias ainda com um pouco de respeito pelo eleitor, tal como aqui na Alemanha, é usual, recorrendo-se muito ao voto por correspondência.

Porque é que um PS tão puritano não decreta também a impossibilidade de os portugueses votarem por correspondência para os deputados do parlamento europeu? A lógica e os perigos são os mesmos. Em nome da transparência se consegue enrolar o povo, servindo-se interesses partidários mentirosos contra os portugueses da diáspora.

Atendendo à rede instalada, pela esquerda, em torno dos consulados e serviços sociais na Europa, o PC votará a favor da lei dado esta ser mais uma medida na estratégia de defesa dos interesses partidários.

Concretamente, para a emigração, isto pouco aquece ou arrefece dado todos os partidos com assento no Parlamento serem geralmente abstencionistas no que toca aos verdadeiros interesses dos emigrantes. O governo acabou com a conta poupança migrante e ninguém se interessa. O governo paga milhões de multa à Europa para que os emigrantes portugueses na Europa não possam trazer para Portugal os seus carros sem encargos fiscais, etc.

A democracia, entregue a gente deste calibre, apenas interessada na instauração dum estado partidário, é desvalorizada e corre cada vez mais perigo. Eles não conhecem o cidadão e até já se atrevem a prescindir de eleitores. É preciso descolonizar a Nação dos colonizadores de Abril! “Eles comem tudo e não deixam nada…”

Este Governo, que aposta na virtualização de Portugal, para assim o melhor amarrar a Lisboa, porque não virtualiza também o sistema de votação?

Onde só há povo e faltam os cidadãos a “nomenclatura” ocupa o Estado!

António da Cunha Duarte Justo
antoniocunhajusto@googlemail.com

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Sobre António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa
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